• Paulo Vinicius

Resenha: "Sombra e Ossos" (Trilogia Grisha vol. 1) de Leigh Bardugo

Atualizado: 5 de Mai de 2019

Alina Starkov é uma órfã que vive junto de seu companheiro Maly na casa de um nobre. Quando eles crescem acabam seguindo para o exército até que uma expedição à Dobra das Sombras revela uma incrível habilidade escondida em Alina. É então que ela poderá ser a salvação de toda Ravka.

Sinopse:


Alina Starkov nunca esperou muito da vida. Órfã de guerra, ela tem uma única certeza: o apoio de seu melhor amigo, Maly, e sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa de seu regimento militar, em uma das expedições que precisa fazer à Dobra das Sombras – uma faixa anômala de escuridão repleta dos temíveis predadores volcras –, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros e ficar brutalmente ferido. Seu instinto a leva a protegê-lo, quando inesperadamente ela vê revelado um poder latente que nunca suspeitou ter. A partir disso, é arrancada de seu mundo conhecido e levada da corte real para ser treinada como um dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina em seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir a Dobra das Sombras. Agora, ela terá de dominar e aprimorar seu dom especial e de algum modo adaptar-seà sua nova vida sem Maly. Mas nesse extravagante mundo nada é o que parece. As sombrias ameaças ao reino crescem cada vez mais, assim como a atração de Alina pelo Darkling, e ela acabará descobrindo um segredo que poderá dividir seu coração – e seu mundo – em dois. E isso pode determinar sua ruína ou seu triunfo.




Leigh Bardugo é uma das grandes escritoras do gênero Young Adult em atividade. Juntamente com nomes como o de Sarah J. Maas, o de Victoria Aveyard e o de Mary E. Pearson ajudaram a tornar o gênero mais popular. E repensou as maneiras de contar uma história de fantasia. Com uma escrita ágil e uma narrativa simples, seus livros entram facilmente no gosto dos fãs. Mas só isso torna a história boa?

Antes de mais nada, é necessário destacar a agilidade da escrita da autora. Eu engoli o livro em três dias. Essa agilidade é quase que o padrão em histórias YA e talvez por isso ela tenha um apelo tão grande. Não existem grandes firulas e mesmo as palavras específicas do lugar fantasioso criado por Bardugo são facilmente compreensíveis. Ou seja, não é uma escrita complexa que vai te fazer levar horas para ler uma seção da história. Os capítulos são bem espaçados e a autora deixa ganchos ao final de cada capítulo que fazem com que você queira continuar a história. Por que eu não avaliei com o máximo de corujas? Porque simplesmente ser ágil, não torna a história automaticamente inesquecível. Eu senti que a autora não arriscou muito e algumas características do gênero YA me incomodaram por ser quase uma cartilha. Gente, eu sei que A Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard, foi escrita depois. Compreendo perfeitamente... Mas, eu não consigo evitar a comparação porque as duas escritas são muito parecidas. Me incomoda o fato de que a Leigh não se arriscou muito. A história segue por um trajeto bem reto ao longo da narrativa. E quando você lê outro livro onde a autora faz escolhas ousadas, o normal parece estranho. Simplório demais. Mas, claro, não é o suficiente para desmerecer a escrita competente da autora. É que infelizmente a comparação se tornou inevitável, mesmo que esse outro tenha partido do primeiro.

A parte de personagens é que para mim é mais complicada. Eu fui rigoroso com esse aspecto porque me incomoda quando a protagonista é rasa. E é o que acontece com a Alina Starkov. Entendo que a ideia é uma jornada de crescimento e que a personagem deve amadurecer nos próximos livros. Mas, se eu tomar só Sombra e Ossos como análise, a Alina é a personagem que eu menos gostei na trama. Até mesmo como uma personagem feminina ela me desagrada em vários pontos. Ela é uma personagem muito reativa e superficial em muitos momentos. Falta aprofundar mais o caráter da personagem, apontar defeitos típicos de adolescente. Aprendendo a estar na corte é óbvio que ela vai errar muito e fazer escolhas erradas quando se espera muito dela. A relação dela com a Darkling é estranha; existe alguma explicação para ela se sentir tão atraída pelo personagem ou é alguma coisa mística? Porque nada explica um cara abusivo como o Darkling causar esse efeito na personagem.

Por outro lado, os demais personagens são muito interessantes. Por exemplo, a Genya. É uma personagem que pouco aparece na história, mas parece ter uma história maior por trás de sua relação com o rei e a rainha. Eu gostaria de ver a história da personagem revelada nos outros dois volumes. Inclusive quando ela retorna na narrativa lá para o final deste primeiro volume vemos ela dividida entre Alina e a lealdade a Ravka. O próprio Darkling não parece ser apenas o vilão. Sem dar muitos spoilers (mais do que eu já dei até aqui), mas existe muito a ser explorado a respeito do personagem. Como ele fez aquilo? Por que ele fez aquilo? Só a minha reclamação e o que fez baixar mais a minha avaliação sobre os personagens é que a autora quis dar uma perspectiva mais profunda sobre as razões do personagem. Até mesmo fazer uma antítese entre a perspectiva ingênua de Alina e a visão maniqueísta do Darkling. Mas, ela não conseguiu. Ainda não me pareceu suficiente para haver um duelo de ideias.

O sistema de magias é normal, para dizer o mínimo. O ponto interessante do sistema Grisha é a relação entre a luz e sombra. Este parece que é um elemento que a autora deve explorar em outros volumes. Além disso, a própria habilidade de Maly pode ser algo que a autora deseje retomar em outros momentos. A ambientação que a autora usou na narrativa é diferente. Sim, ela inovou ao usar inspirações russas para compor a corte de Sombra e Ossos. E podemos perceber na maneira como a sociedade é dividida, ou até como é o funcionamento da corte. Me remeteu imediatamente a histórias como Anna Kariênina de Tolstoi. A atmosfera gélida das relações entre os personagens, a presença do exército na corte e os frequentes bailes são presenças fortes na história. Uma pena que não foi possível explorar melhor essa ambientação já que o segundo volume parece se passar no mar. Também senti falta de a autora explorar mais a relação tensa entre Fjerda, Shu Han e Ravka. Tudo pareceu muito distante e muito etéreo. Não senti aquela iminência de a personagem ser assassinada por alguma das nações rivais. O único momento em que isso acontece é logo no começo da história. Depois, parece que a autora deixou isso de lado e se focou apenas na adaptação de Alina à corte dos Grisha.

O mundo possui vários elementos únicos, incluindo sua linguagem. Houve uma preocupação da autora de separar a fala dos amigos de Alina do comportamento daqueles que vivem na corte. Existe uma boa coerência expressiva presente aí. Mesmo quando eles chegam no lado oeste, é possível perceber uma diferença na maneira dos personagens se comportar. Alina serve como os nossos olhos na narrativa. Ela não conhece nada assim como nós. Não gosto dessa maneira de conduzir a história, mas até que não me incomoda tanto. Eu considero impossível a personagem não saber nada sobre o lugar onde vive. Mesmo que ela seja apenas uma órfã que vive no exército. Muitas vezes ela não possui nem conhecimentos de senso comum. E é complicado a personagem chegar ao final e não saber sobreviver na floresta, sendo que ela pertenceu a uma unidade do exército por muito tempo. Estou parecendo uma velha resmungona? Sim.... é porque A Rainha Vermelha é tão melhor. Eu gostei da ambientação criada pela Leigh Bardugo, mas faltou muita coisa.

A narrativa em si é bem direta. A autora não faz muitas firulas e nem apresenta subplots. Entretanto, algumas lacunas ficam para que a autora possa explorar depois. O cliffhanger ao final da história é o suficiente para o leitor desejar voltar depois à história. Eu fiquei com vontade de retornar e espero sinceramente que a história ganhe novos tons no segundo volume. Enfim, Sombra e Ossos é um primeiro volume bem mediano, mas a história é o suficiente para interessar ao leitor. Com uma escrita bem ágil e uma ambientação curiosa em relação a outros romances Young Adult, Sombra e Ossos é uma boa pedida se você busca uma boa história de fantasia.


Ficha Técnica:


Nome: Sombra e Ossos

Autora: Leigh Bardugo

Série: Trilogia Grisha vol. 1

Editora: Gutenberg

Gênero: Fantasia

Tradutor: Eric Novello

Número de Páginas: 288

Ano de Publicação: 2013


Outros Volumes:

Sol e Tormenta (vol. 2)

Ruína e Ascensão (vol. 3)


Link de compra:

https://amzn.to/2Ikn1My


Tags: #sombraeossos #leighbardugo #editoragutenberg #alinastarkov #maly #fjerda #shuhan #ravka #magia #monstros #dobradassombras #grisha #darkling #genya #dominacao #diferente #luz #escuridao #fantasia #leiafantasia #amofantasia #igfantasia #ficcoeshumanas

ficções humanas rodapé.gif

Todos os direitos reservados.

Todo conteúdo de não autoria será

devidamente creditado.

  • Facebook - Círculo Branco
  • Twitter - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle

O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.