• Paulo Vinicius

Resenha: "Shiroma - Phoenix Terra" de Roberto de Sousa Causo

Tentando começar uma vida nova, Shiroma chega ao planeta Phoenix Terra. Ela está atrás de um negociador pouco honesto chamado Borkien. Isso a colocará na mira de um receptador que não mede os meios para alcançar seus objetivos. Ao mesmo tempo, Shiroma está buscando sua própria identidade e individualidade.



Sinopse:


Treinada para ser uma arma humana de grandes capacidades, a ciborgue Shiroma possui biocibersistemas únicos, que despertam a cobiça da Associação Céu e Terra da Era Galáctica, uma poderosa organização criminosa com tentáculos por todas as Zonas de Expansão Humana.


Para enfrentar este sindicato do crime, Shiroma precisa de recursos financeiros. Disfarçada como estudante de arqueologia, ela vai ao estranho planeta Phoenix Terra para ver Torgo Borkien, um especialista em arte alienígena que pode ajudá-la a vender artefatos valiosos de origem misteriosa.


Mas Shiroma logo descobre que, por trás da sua ecologia monótona e da ocupação humana aparentemente tranquila, Phoenix Terra esconde uma sucessão de armadilhas e perversões.





Assim como alguns autores que possuem personagens recorrentes que são trabalhados em histórias curtas, Shiroma é um projeto do Roberto de Sousa Causo. Ela já apareceu em contos e novellas espalhadas por várias coletâneas e teve um livro que compilou uma série dessas histórias, lançado pela Devir há alguns anos. É uma personagem andróide que foi criada por dois seres humanos para ser a assassina perfeita. O livro lançado pela Devir termina com ela conseguindo se libertar do jugo deles. Esta novella é um ponto perfeito para quem não conhece a personagem, se familiarizar com ela. Ou seja, você não precisa ter lido nada antes. Sendo a terceira história que eu li do autor, consegui entender o seu estilo de escrita e isso me deixa mais sossegado para poder traçar uma crítica melhor sobre o que eu li.


Shiroma chega ao planeta Phoenix Terra que, para ela, representa o ponto inicial de sua nova vida. Embora ela ainda precise amarrar algumas pontas soltas. Ela ainda escuta a voz do seu da infância e de sua mãe através de uma concha que, às vezes, consegue prever seu próximo rumo de ação. Sua missão no planeta é atrair Targo Borkien, um receptador especialista em objetos xenoarqueológicos. Alguém que não mede meios para alcançar seus objetivos. Usando um disfarce, Shiroma consegue marcar um encontro com Borkien onde ela estaria disposta a oferecer alguns weirdcrafts (artefatos pertencentes a uma civilização espacial perdida) bem valiosos. Seu instinto sabe que ela está caminhando para uma armadilha, mas isso não impede que ela siga com sua missão. E que o destino tenha piedade de quem ficar em seu caminho.


Essa é uma narrativa de hard scifi, que é uma marca do autor. Ele consegue lidar com altos conceitos de ficção científica de uma maneira que parece fácil. Ao ler sua história, algo que é marcante é o quanto ele tem de background sobre o mundo e seus personagens. Os elementos de construção de mundo são precisos. Não vejo um titubeio nas frases. Não há também incoerências ou contradições. Tudo segue uma física correta. A narrativa é em terceira pessoa, ora focado em Borkien, ora em Shiroma (ou até em mercenários em alguns momentos). Ao fazer essa alternância, Causo quer colocar o leitor imerso na narrativa. Acompanhamos de perto aquilo que está se desdobrando. A narrativa acontece em três atos sendo que o primeiro serve para introduzir o leitor no universo da história e apresentar Shiroma. O segundo é o encontro entre Borkien e a protagonista enquanto que o terceiro tem uma situação climática que leva ao fechamento. Uma forma bastante eficiente de contar a narrativa.



Por ser uma hard scifi pode ser que nem todos os leitores curtam. Até tentei me colocar na posição de um leitor eventual do gênero, mas a narrativa realmente pesa nesse sentido. São vários detalhes que, apesar de enriquecerem a história, podem afastar esse tipo de público. O que eu pude perceber depois de ler vários romances do autor é que ele fala a esse público. Nesse sentido ele entrega muito bem o que promete. Há também o papel da escrita descritiva que age como aquela que fornece o clima para a história. Impossível não ler algum trecho da narrativa e não imaginar uma trilha sonora espacial ao lado. Algo como uma música de Starcraft ou Homeworld. Porém, é aquilo: não espere que você vai ler a narrativa de uma só vez. Sente com calma, aproveite as páginas, atente aos detalhes. Se você está procurando aquela leitura fast food, ultra rápida, esse não é o romance para você.


A protagonista, Shiroma, é bastante complexa. Essa é a segunda história que eu leio protagonizada por ela. Toda a história de sua criação e desenvolvimento inicial é repleto de mistérios atrás de mistérios. Isso fornece um ar nebuloso a ela. A luta que ela tem para entender a si e a seus sentimentos é bem representado na história pelos problemas que ela enfrenta para se relacionar com outras pessoas. Por essa razão, o estilo descritivo de escrita combina tão bem com a história. Shiroma é uma personagem introvertida; uma introversão que significa uma busca interior por quem ela é e qual é o seu papel no universo. Sua obsessão em perseguir determinados alvos pode ter a ver ainda com a sua programação como assassina. É difícil para ela sair disso.


Ao mesmo tempo temos o mistério por trás dos weirdcrafts. Porque eu duvido muito que o Causo tenha introduzido esses elementos na história sem ter um payoff em algum momento futuro. Ele explica um pouco o que são esses pedaços perdidos de tecnologia e sua importância para diversos grupos comerciais. Fica ainda o mistério de a quem eles realmente pertencem e como irão ser empregados no futuro. Boa parte dessa narrativa é uma disputa pela posse dele. E isso leva Borkien a tomar medidas extremas para obter. Principalmente quando ele descobre o valor daquilo que Shiroma tem em mãos.


Essa é uma excelente história para trazer novos leitores a esse interessante universo. Fica a nossa vontade de saber mais a respeito de quais serão os próximos passos dela. Meus únicos pontos negativos destacados foram a não acessibilidade a um grupo maior de leitores e um estilo descritivo mais lento que também pode afastar. No mais, é um mergulho em uma ficção científica de alta qualidade. Causo foi muito feliz ao nos apresentar um mundo repleto de mistérios e detalhes que fazem o leitor imagina inúmeras possibilidades.










Ficha Técnica:


Nome: Shiroma - Phoenix Terra

Autor: Roberto de Sousa Causo

Editora: Malean Studio / Selo Miskdo

Número de Páginas: 56

Ano de Publicação: 2020


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*Material enviado em parceria com o autor