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Resenha: "Salem" de Stephen King

Em uma grande homenagem ao Drácula escrito por Bram Stoker, Stephen King nos leva à estranha cidade de Salem onde a Casa Marsten é responsável por inúmeros estranhos acontecimentos.



Sinopse:


Publicado originalmente em 1975, Salem é inspirado em o Drácula de Bram Stoker. Segundo livro da carreira de King, a obra deu origem ao filme Os Vampiros de Salem, dirigido por Tobe Hopper, de O Massacre da Serra Elétrica. Ambientado na cidadezinha de Jerusalem's Lot, na Nova Inglaterra, o romance conta a história de três forasteiros. Ben Mears, um escritor que viveu alguns anos na cidade quando criança e está disposto a acertar contas com o próprio passado; Mark Petrie, um menino obcecado por monstros e filmes de terror; e o Senhor Barlow, uma figura misteriosa que decide abrir uma loja na cidade. Após a chegada desses forasteiros, fatos inexplicáveis vêm perturbar a rotina provinciana de Jerusalem's Lot: uma criança é encontrada morta; habitantes começam a desaparecer sem deixar vestígios ou sucumbem a uma estranha doença. A morte passa a envolver a pequena cidade com seu toque maléfico e Ben e Mark são obrigados a escolher o único caminho que resta aos sobreviventes da praga: fugir. Mas isso não será tão simples, os destinos de Ben, Mark, Barlow e Jerusalem's Lot estão agora para sempre interligados. E é chegada a hora do inevitável acerto de contas.






Salem é o segundo romance publicado por Stephen King e é mais uma leitura diferente do padrão que estamos acostumados a ler em seus romances. Na verdade, Salem é uma grande homenagem de King a Bram Stoker e uma modernização do mito do Drácula. Todos os elementos típicos da obra de Bram Stoker estão presentes ali: o conde antigo e extremamente elegante, a mocinha pró-ativa (parecida com Mina Harker), o homem apaixonado que tem seu amor destruído pela maldição do vampiro.


O que eu achei diferente foi a Casa Marsten. King pegou um pouco do tema da mansão assombrada e inseriu na história. Dentro desta mansão aconteceram inúmeros assassinatos que contribuíram para formar uma aura maligna ao redor da casa. Aliás, outro conceito retirado de histórias do século XIX: o miasma. Miasma seria uma energia ruim que cercaria lugares assombrados ou onde teriam acontecido coisas trágicas formando um acúmulo de energia negativa. Essa energia negativa proporcionaria o aparecimento de outras criaturas malignas.


Algumas características do vampiro de Bram Stoker ainda estão presentes: a necessidade de um caixão forrado com terra de cemitério, a necessidade de acreditar nos símbolos de expulsão dos vampiros para que eles sejam afetados. Outros elementos são mais modernos como o fato de o vampiro não poder sair à luz do dia.


Eu senti no garoto Mark Petrie um pouco do próprio Stephen King. Um menino ativo e curioso que gosta de histórias de terror. Se espanta sim com os acontecimentos de sua cidade, mas busca resolver a situação ao invés de apenas ficar assustado. Aliás, ele vai ser o companheiro ideal de Ben Mears no final da história. No caso, King faz uma inversão do estereótipo do garotinho assustado, apresentando algo diferente. Ele já havia feito isso em Carrie quando apresentou o estereótipo do jogador de futebol americano que teoricamente seria um bully e um idiota, como uma pessoa inteligente e sensível. Aqui novamente ele apronta essa com Mark Petrie.


Já Ben Mears tem muito do Jonathan Harker. Ele sofre pela perda de sua amada e faz de tudo para eliminar o vampiro. Às vezes chega a ser irracional como na cena em que ele invade o porão e perde um companheiro por conta de sua obsessão. Diga-se de passagem, antes de existir George R. R. Martin e seu fetiche por matar personagens, havia Stephen King. Então… cuidado… não se apegue demais. O seu personagem querido pode ser morto rapidamente pela horda de vampiros que assola Salem.



A construção da cidade é muito interessante. Começa a aparecer aqui (ou ele teve mais espaço criativo para isso) a habilidade de King de construir ambientações interessantes. Podemos imaginar perfeitamente a cidade a partir das descrições feitas pelo autor. Desde a estalagem onde no térreo as pessoas ficam para beber até a loja de móveis usados administrada pelo Senhor Barlow. Tudo é descrito de forma pormenorizada. Essa característica do autor de descrever demais os elementos incomoda alguns leitores que alegam uma ausência de liberdade imaginativa para o leitor. A mim não me incomoda: muito pelo contrário, fornece mais realismo àquilo que está sendo apresentado.


Os elementos de mistério e terror estão presentes a todo o momento, mas se concentram mais na primeira metade da história. Acho que um dos grandes defeitos da história foi apresentar o vilão na metade do desenvolvimento da trama. A segunda metade da história possui uma noção mais de perigo e iminência do que de pavor. O terror estava no desconhecido; estava em não saber que tipo de inimigo estava sendo enfrentado. Quando o vilão foi revelado a história perdeu um pouco de seu impacto.


Outro elemento interessante da escrita de King que aparece claramente na história é sua capacidade de escrever sobre o homem comum. Até o romance do bêbado inveterado que frequenta a estalagem com a dona é descrito. Vemos este amor que parecia ser de via única se revelar ser correspondido ao final da história. Lógico que o final do casal é trágico, mas não deixa de revelar a preocupação de King mesmo com os personagens secundários.


Salem é uma boa leitura. O spoiler dado na edição brasileira sobre o que era o vilão da história quebrou metade da graça. Mas, mesmo assim é uma excelente obra de terror que ao final da história ganha uma violência e uma iminência viscerais.












Ficha Técnica:


Nome: Salem

Autor: Stephen King

Editora: Suma

Gênero: Terror

Tradutora: Thelma Médici Nóbrega

Número de Páginas: 464

Ano de Publicação: 2013


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