• Paulo Vinicius

Resenha: "Outsider" de Stephen King

O homem do ano da cidade de Flint City e treinador do time de beisebol infantil da cidade, Terry Maitland está sendo acusado de ter assassinado e sodomizado um menino de 11 anos. Todas as provas forenses apontam para a autoria do crime. Mas o que fazer quando o álibi dele é perfeito? Pode um homem estar em dois lugares ao mesmo tempo? 

Sinopse:


Um crime indescritível. Uma investigação inexplicável. Uma das histórias mais perturbadoras de Stephen King dos últimos tempos. O corpo de um menino de onze anos é encontrado abandonado no parque de Flint City, brutalmente assassinado. Testemunhas e impressões digitais apontam o criminoso como uma das figuras mais conhecidas da cidade — Terry Maitland, treinador da Liga Infantil de beisebol, professor de inglês, casado e pai de duas filhas. O detetive Ralph Anderson não hesita em ordenar uma prisão rápida e bastante pública, fazendo com que em pouco tempo toda a cidade saiba que o Treinador T é o principal suspeito do crime. Maitland tem um álibi, mas Anderson e o promotor público logo têm amostras de DNA para corroborar a acusação. O caso parece resolvido. Mas conforme a investigação se desenrola, a história se transforma em uma montanha-russa, cheia de tensão e suspense. Terry Maitland parece ser uma boa pessoa, mas será que isso não passa de uma máscara? a aterrorizante resposta é o que faz desta uma das histórias mais perturbadoras de Stephen King.




Ler um livro do Stephen King é sempre uma experiência. Por ser um autor prolífico, ele às vezes publica algo interessante enquanto outras nem tanto. Nos últimos tempos eu não vinha gostando de alguns de seus trabalhos mais recentes (admito ainda não ter lido a trilogia Bill Hodges). E eis que eu me deparo com Outsider. Antes de mais nada, quero agradecer à editora Suma pelo envio do material como parte de nossa parceria, que me fez retomar o meu amor por este autor que é um dos meus favoritos. Quem me acompanha sabe que eu sou um dos maiores fãs do Mestre do Terror. Estou atrasado em algumas leituras, mas já li dezenas de materiais dele (é o autor mais resenhado do Ficções).  

A escrita do King é de um estilo bem peculiar e específico. Alguns críticos do King reclamam que ele segue sempre uma mesma fórmula. Eu não acho isso ruim. Para um autor buscando atender a um grande público e tornar seus livros populares, assumir uma identidade é um passo. Todos os livros do King são fáceis de serem lidos. São história voltadas para entreter. O autor não se arroga de dizer que não pretende ser poético ou escrever algo esteticamente aprazível. Nem por isso a escrita dele deixa de ser eficiente. O leitor entende o objetivo do autor muito facilmente. Em outros livros dele, King chega a ser condescendente e didático demais; aqui nem tanto. Tem aquele momento em que ele precisa mostrar as peças do trabalho, mas não senti que foi algo enfadonho. A escrita como sempre é em terceira pessoa a partir de alguns pontos de vista: Terry, Ralph, uma personagem (spoiler se eu disser), o Jack Hoskins mais tarde. 

Uma das maiores virtudes do autor é a construção de personagens. Ele sabe construir personagens extremamente verossímeis. Ou seja,personagens bem realistas, com problemas, qualidades e defeitos. Não há heróis no sentido estrito do termo. Eles até podem ter atitudes heroicas, mas são pessoas falhas. São gente comum que acabam sendo envolvidos em alguma situação sobrenatural. Terry é o personagem menos desenvolvido ao longo da trama por conta de seu tempo de tela. Talvez a gente pode dizer que ele seja o personagem mais "heroico" da trama. Claro, isso frente à acusação que ele está sofrendo de ter cometido ou não o crime. King trabalha bem o vai e vem da investigação e deixa o leitor em dúvida sobre a culpa ou a inocência do personagem. Somos apresentados também à família de Maitland e toda a angústia que vem de sua prisão. O como a família é afetada por isso e como ela pode ter tido sua vida completamente modificada por conta disso. Mesmo que Terry saia inocentado de seus crimes, a vida deles nunca mais será a mesma. 

Ralph é um policial dedicado. A forma como ele efetua a prisão de Maitland foi muito atrapalhada. Movido pelos sentimentos já que seu filho foi treinado por ele, sua visão como pai acabou confundindo o seu julgamento. Algo que poderia ter sido realizado de uma maneira mais sutil, provocou a ira da população. Estes queriam se vingar das atrocidades cometidas por Maitland, este ainda nem tendo sido considerado culpado. Tudo o que vai acontecer nos próximos dias é um pouco de culpa de Ralph e de Bill, o promotor da cidade. Mais para a frente, Ralph vai ficar com um sentimento de culpa e uma vontade de se redimir por toda a confusão causada por suas ações. Esse fantasma vai persegui-lo ao longo de boa parte da trama. 

Um dos temas mais trabalhados ao longo da narrativa é o da crença no sobrenatural. Somos capazes de acreditar que existe alguma coisa nas pequenas frestas da realidade? Ou essas coisas são realmente difíceis de entrar em nossas cabeças? Aceitar o estranho e o bizarro é questionar a nossa própria noção de realidade. O ser humano se descolou do sobrenatural desde o início da Idade Moderna. Passamos a nos deslocar mais para o âmbito do racional, daquilo que podemos provar através da ciência. Ralph é o exemplo de como é o homo sapiens da contemporaneidade: um cara que questiona o bizarro, que só consegue acreditar naquilo que é palpável. Desde o começo da investigação, o policial percebe que algo está diferente em tudo aquilo. As peças simplesmente não se encaixam. Entretanto, sua mente não consegue aceitar determinados fatos. Isso porque aceitar significa colocar em xeque toda a sua visão de mundo. 

A ligação que King faz entre Outsider e a trilogia Bill Hodges é muito bacana. Ele acaba pegando um personagem de lá e trazendo para o núcleo narrativo da trama. Não é forçado e serve para desenvolver os personagens. Senti que o autor parece ter ficado muito à vontade nesse estilo de narrativa misturando o policial e o terror. As situações todas se sucedem de uma maneira bem harmônica e o universo que ele cria aqui deixa o leitor tenso o tempo inteiro. Os capítulos passam voando e eu lia 80 a 100 páginas brincando. Ávido por retornar àqueles personagens e saber o que iria acontecer a seguir. 

O autor consegue ficar ainda melhor com o passar da idade. É inacreditável que um cara que já passou dos 60 anos e já publicou mais de duas dúzias de livros ainda tenha tamanha criatividade e jovialidade em suas narrativas. Criando histórias criativas e simplesmente aterrorizantes, King é, sim, um dos meus autores favoritos. E Outsider é um dos melhores trabalhos dele que eu vi nos últimos tempos. 


Ficha Técnica: 

Nome: Outsider Autor: Stephen King Editora: Suma (no Brasil) Gênero: Terror Tradutora: Regina Winarski Número de Páginas: 528 Ano de Publicação: 2018

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*Material enviado em parceria com a Editora Suma


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