• Amanda Barreiro

Resenha: "Outlander - A Libélula no Âmbar", de Diana Gabaldon

Atualizado: Jan 15

A história finalmente alcança um dos momentos mais dramáticos do povo escocês: a Batalha de Culloden. Claire e Jamie decidem fazer de tudo para mudar o trágico destino que se desenrola.



Sinopse


Claire Randall guardou um segredo por vinte anos. Ao voltar para as majestosas Terras Altas da Escócia, envoltas em brumas e mistério, está disposta a revelar à sua filha Brianna a surpreendente história do seu nascimento. É chegada a hora de contar a verdade sobre um antigo círculo de pedras, sobre um amor que transcende as fronteiras do tempo... e sobre o guerreiro escocês que a levou da segurança do século XX para os perigos do século XVIII. O legado de sangue e desejo que envolve Brianna finalmente vem à tona quando Claire relembra a sua jornada em uma corte parisiense cheia de intrigas e conflitos, correndo contra o tempo para evitar o destino trágico da revolta dos escoceses. Mesmo com tudo o que conhece sobre o futuro, como será possível salvar a vida de James Fraser e da criança que carrega no ventre?


Atenção: contém spoilers de "Outlander - A Viajante do Tempo".


Passado e Futuro


"Eu lhe dou meu espírito, até o fim de nossas vidas."


De volta à história de Claire e Jamie, A Libélula no Âmbar prova desde as primeiras páginas não ser apenas uma história de amor. Diana Gabaldon consegue atrair fãs dos mais diversos interesses: romance histórico e de época (lembrando que são coisas diferentes), drama, fantasia... e o mais incrível é que basta se aprofundar nesse universo riquíssimo criado pela autora para que a magia comece. Como isso é possível?


Bom, não é nenhuma surpresa Outlander seguir uma receita de sucesso: personagens carismáticos, história redondinha, temas socialmente relevantes, cenas românticas, sexo e violência. Sim, tem vários clichês e recursos narrativos bastante gastos até, mas a questão é que funciona. Não é fácil reunir todos esses elementos e criar uma narrativa sólida, e mais ainda, consolidada após décadas de existência.


Cena da série de TV Outlander (1ª temporada), baseada no romance de Diana Gabaldon.

A Libélula no Âmbar começa de forma inusitada: pouco mais de vinte anos após os eventos do primeiro livro encontramos uma Claire mais velha, mais sábia e profundamente melancólica. Somos apresentados a novos personagens que passam a constituir a história com um plot próprio: Brianna (filha de Claire) e Roger. As partes passadas no presente não são muito estimulantes e podem causar grande estranheza aos leitores que não conhecem muito sobre o desenrolar da série e de seus personagens. Brianna é espontânea, aventureira e impulsiva, muito bem construída como os demais personagens; Roger já é mais introspectivo e intelectual. Confesso não ter conseguido me conectar muito com nenhum dos dois, pelo menos nesse primeiro momento.


Claire começa, então, a narrar os acontecimentos do passado para Brianna, no formato de memórias, a partir da fuga com Jamie para Paris, após o desfecho do primeiro livro. A autora explora todo o cenário político da França do século XVIII, um passeio por Paris, Versalhes, pela corte do Rei Louis XV, pelos bailes, sedas e rendas e pelos escândalos da nobreza.


Apesar do discurso relevante e historicamente muito acurado e interessante, Gabaldon se estende por páginas e mais páginas de descrições de vestidos bordados e calçadas imundas, diálogos intermináveis e pouquíssima movimentação na trama. Mais alguns personagens importantes surgem nessa fase: Fergus, Mary e, principalmente, Charles Stuart, o Belo Príncipe, fato gerador de toda a insurreição jacobita e figura central na tragédia de Culloden.


Um dos pontos altos da escrita da Gabaldon, aliás, é a habilidade de escrever e reinventar personagens históricos famosos, atores sociais e políticos da época, como o príncipe Charles e o Rei Louis XV, no caso. A autora brinca com possíveis cenários, versões não-contadas da história, novos pontos de vista e questionamentos profundos sobre caráter e motivações políticas. Ainda sendo uma releitura particular dela e não um fato, é impossível deixar de imaginar que tipo de "herói" leva seu povo cansado, despreparado e desmoralizado à guerra contra o exército inglês, o maior de seu tempo.


"Lembrei-me de meus pensamentos errantes ao conhecer Charles Stuart; como seria conveniente para todos se ele morresse. Mas uma pessoa não pode matar um homem por suas crenças, ainda que o exercício dessas crenças signifique a morte de inocentes - ou pode?"


Superada a fase francesa, mas ainda no passado, Claire e Jamie retornam à Escócia, numa sucessão de eventos levando-os à Culloden. Novamente, a ambientação é impecável, mas muito extensiva, com mínimos detalhes de cada combate, do menor ao maior. As cenas de ação são excelentes e essa parte da história é realmente mais empolgante, mas não consigo deixar de pensar que A Libélula no Âmbar apresenta dois livros muito prolixos dentro de um enorme calhamaço de novecentas páginas.


Monumento em memória à Batalha de Culloden. Lê-se: "A Batalha de Culloden foi disputada neste pântano em 16 de abril de 1746. As sepulturas dos nobres montanheses que lutaram pela Escócia e pelo Príncipe Charles estão marcadas com os nomes dos seus clãs".

A história como um todo é de uma qualidade técnica incrível. Os cenários são vívidos, os acontecimentos são reais e o drama é palpável, assim como o amor, a união, a lealdade e a honra transmitidas pelas personagens. Gabaldon amadureceu no segundo livro de Outlander. É notório tanto nas palavras como nas personagens, nas relações e nos desfechos e decisões.


A verdadeira mensagem de Outlander, no entanto, é invisível, mas está presente a todo momento: é possível mudar o que está predestinado a ser e acontecer? Afinal, qual é a missão de um viajante do tempo, como Claire? Como essa fenda espaço/tempo afeta o curso da história e as vidas das pessoas envolvidas? São questões complexas e sensíveis, tanto do ponto de vista da possibilidade de universos paralelos e da própria viagem no tempo quanto sob a ótica da moral. Todos esses questionamentos estão entranhados em uma história de amor e guerra que se repete em um ciclo sem fim pela humanidade, muitíssimo bem representada pelas mãos habilidosas de Gabaldon.


"Quem éramos nós para alterar o curso da história, para mudar o curso dos acontecimentos, não para nós mesmos, mas para príncipes e camponeses, para toda a nação escocesa?"



Ficha técnica:


Título: Outlander - A Libélula no Âmbar

Série: Outlander #2

Autora: Diana Gabaldon

Tradução: Geni Hirata

Páginas: 944

Editora: Arqueiro

Data de lançamento (no Brasil): 2014

Gênero: Fantasia/Romance


Outros volumes:

Outlander - A Viajante do Tempo


Link de compra:

https://amzn.to/35TfT15


Tags: #outlander #dianagabaldon #leiafantasia #amofantasia #fantasia #viagemnotempo #timetravel #escocia #scotland #highlanders #culloden #romance #amor #lovestory #ficcoeshumanas












ficções humanas rodapé.gif

Todos os direitos reservados.

Todo conteúdo de não autoria será

devidamente creditado.

  • Facebook - Círculo Branco
  • Twitter - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle

O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.