• Diego Araujo

Resenha: "O Homem da Forca" de Shirley Jackson

O Homem da Forca tenta causar espanto ao leitor a partir das preocupações da protagonista que chegam a ser extraordinárias pelo que nos entrega nas entrelinhas narrativas, se não fosse o excesso de descrições mundanas.


Sinopse:


Natalie Waite tem dezessete anos e só pensa em sair logo da casa dos pais e entrar na universidade; ela sonha em ser livre. Seu pai é um escritor cheio de si, bastante dominador quando se trata de Natalie e sua mãe. Contudo, quando a menina finalmente consegue ir para a faculdade, as coisas não se desenrolam como o planejado e ela não encontra a felicidade que tanto desejava.


Pouco a pouco, todas as certezas de Natalie evaporam, e ela não é mais capaz de compreender onde termina a realidade e onde começa sua sombria alucinação.


Inspirado pelo desaparecimento de uma estudante universitária que vivia perto da casa de Shirley Jackson, O Homem da Forca conta uma história assombrosa e inquietante sobre loucura e obsessão.






A vida de universitário pode ser aterrorizante. Depois de conviver com pessoas da mesma idade ao longo dos anos escolares, enfrentar ameaças de valentões ou patricinhas, sofrer bullying, lidar com as restrições impostas pelos pais; ao chegar na universidade, tudo recomeça, exceto por estar livre dos pais numa vida adulta, ou então esta liberdade leva o estudante à prisão da própria mente. O Homem da Forca é o segundo romance de Shirley Jackson, publicado em 1951, com edição brasileira lançada pela Alfaguara em 2021 sob a tradução de Débora Landsberg.


“Às vezes vinte e um dias se dissolviam em três semanas, e pareciam intermináveis.”

Natalie Waite tem dezessete anos. Ela está ansiosa para ir na universidade, mais para ficar livre de sua família do que estudar. Mas, Natalie fica desconcertada com os hábitos do pai e a visita de gente desconhecida todo fim de semana para tratar de seus trabalhos. Ele é um escritor mal reconhecido e causa preocupações para sua mãe que acaba por deixar tensas as relações com o resto da família. A personagem também tem um irmão que não tem grandes pretensões na vida. O sonho de Natalie é viver longe de tudo aquilo. Ao chegar na universidade, a protagonista encara um novo mundo. A vida escolar recomeça, porém de maneira diferente. Morando no campus da universidade, tem apenas a companhia de outras colegas estudantes, dentre novatas a experientes. Já Natalie fica presa aos próprios sentimentos, brigando consigo para buscar se enturmar.


“— Mandei você à faculdade para que aproveite, não para que se eduque, mas, minha querida, por favor, tente daqui em diante evitar os advérbios terminados em -mente.”

O romance começa dentro do seio da família e seu convívio cotidiano, procurando se estender por tantas páginas a ponto de se tornar parte considerável do romance em vez de ser apenas a introdução. Este trecho mostra as diversas situações desconfortantes para Natalie nesta etapa da vida de transição à universidade. Além de estendida, a narrativa é monótona, tratando de questões rotineiras para uma vez ou outra apresentar o conflito da protagonista, extravasando até pela suposta investigação onde ela é a principal suspeita, o que enfim deixa a escrita interessante.


A segunda parte do romance acontece na universidade, e enquanto mostra as novidades na vida de Natalie, a monotonia da narrativa permanece, por vezes quebradas também pela mente da protagonista reagindo de formas diversas enquanto ela, mesmo que por vezes participando de diálogos estranhos e desconcertantes, entrar no espírito do grupo de possíveis amigos. Por muitas dezenas de páginas a tensão engatinha na direção do suspense presente no fim do romance, quando o conflito acentua-se até o limite da personagem. Nesta etapa surge o elemento remetente ao título do romance, só que na narrativa este foi traduzido de outra maneira, até melhor correspondente ao significado do que é dado pelo título, e isso atrapalha na mensagem subliminar passada na conclusão do romance, da transformação sofrida pela protagonista.


O Homem da Forca traz o conflito íntimo da personagem enquanto passa por uma monotonia que embora norteia as questões enfrentadas, prevalece e consome muito mais da leitura. O livro só afeta o leitor com o suspense no fim, puxando toda a ansiedade transtornada de Natalie no grande perigo a ela, mas ainda perde a força pela estranha escolha da tradução divergente no título e no elemento presente dentro do romance.


“— O sol brilha, você tem dezessete anos nas costas, as infinitas tristezas de crescer pesam em seus ombros.”










Ficha Técnica:


Nome: O Homem da Forca

Autora: Shirley Jackson

Editora: Alfaguara

Tradutora: Débora Landsberg

Número de Páginas: 224

Ano de Publicação: 2021


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