• Diego Araujo

Resenha: "O Corvo" de Edgar Allan Poe

Atualizado: 6 de Jun de 2019

O Corvo é, além de um poema, uma das fortes evidências do talento de Edgar Allan Poe. Esta edição da Companhia das Letras homenageia o trabalho poético do autor com as principais traduções portuguesas e três ensaios de Poe sobre poesia.

Sinopse:


"A morte de uma mulher bela é, sem sombra de dúvida, o tema mais poético do mundo." Assim Edgar Allan Poe justificaria a gênese de "O corvo", poema publicado sob pseudônimo originalmente em 1845. Mas o que faz com que esses versos hipnotizantes sobre perda e desejo, escritos de modo tão calculado pelo mestre do terror há quase dois séculos, tenham merecido tantos elogios e tamanha controvérsia?

Nesta edição, o leitor vai conhecer as traduções mais notáveis de "O corvo" para a nossa língua ― as de Fernando Pessoa e Machado de Assis ―, analisadas pelo poeta, tradutor e professor Paulo Henriques Britto, que também traduz três textos fundamentais de Poe sobre poesia ("A filosofia da composição", "A razão do verso" e "O princípio poético") e examina a faceta ensaística do escritor.




Talvez uma das ambições comuns de quem dedica sua vida à escrita seja a de ser eternizado pela mesma. Seja deixar o corpo no sepultamento e permanecer nas palavras legadas em textos e poemas publicados. Com o tempo, esses aspirantes descobrirão o quanto é raro este fenômeno, embora ainda alimentem a obsessão de quem é digno de tal reconhecimento. Escritores talentosos ainda são exaltados em ensaios das gerações posteriores, como as de hoje e do futuro. Um ótimo exemplo de autor eterno é Edgar Allan Poe, o contista, poeta, editor e ensaísta homenageado na edição especial de O Corvo, feito pela Companhia das Letras em 2019 com traduções e posfácios de Paulo Henriques Britto, além das traduções do poema homônimo dos lusófonos Machado de Assis e Fernando Pessoa.

​“A morte de uma mulher bela é, sem sombra de dúvida, o tema mais poético do mundo.”

​O livro consiste em duas partes, sendo a primeira com as duas traduções de The Raven e o poema original de Poe, e a segunda com três ensaios de Edgar sobre poesia; ambas as partes contém posfácios do tradutor dos ensaios desta edição, Paulo Henriques Britto. The Raven foi escrito em cento e oito versos com um enredo simples. O eu lírico melancólico pela morte da amada Lenore recebe a visita de um corvo buscando abrigo da tempestade. A ave é peculiar, pois consegue pronunciar a expressão nevermore, esta como refrão em todo fim de estrofe e também responde a todas as indagações do eu lírico, que as repudia. A narrativa simples demais sustenta o tema marcado pelo ritmo das palavras, pois não há nada mais poético senão a morte de uma mulher bela.

Sobre as traduções, a de Machado de Assis trabalha mais na interpretação do enredo em vez do ritmo, sendo a versão escrita por Fernando Pessoa mais fiel à sonoridade do original, com a liberdade de ajustar o que é contraditório na obra em inglês. O posfácio de Paulo nesta parte conta a sua relação particular com o poema e então analisa as traduções. Mesmo na situação delicada de julgar as escolhas e o processo de tradução de dois escritores consagrados da língua portuguesa, Paulo demonstra os motivos das críticas através das comparações da tradução com o original.

“Porque os pedantes não têm olhos, segue-se que os poetas antigos não tinham ouvidos.”

A segunda parte traz três ensaios de Poe sobre poemas, todos traduzidos por Paulo Henriques Britto. A filosofia da composição é sobre o planejamento ao criar The Raven, A razão do verso faz críticas quanto à elaboração dos versos e sua interferência pela acentuação do idioma inglês comparado com a de outros idiomas como grego, latim e francês; e O princípio poético reforça o argumento apresentado no primeiro ensaio quanto à extensão do poema, reunindo vários poemas curtos e os comentários dele sobre cada um.

O primeiro ensaio é o mais interessante do livro, até por dedicar-se ao poema em questão. Ler os argumentos de Poe sobre a própria concepção passa a impressão de ele trabalhar na poesia como engenheiro, conforme a proposta matemática da composição. O segundo ensaio é técnico demais, direcionado a acadêmicos de letras ou interessados na construção do verso, este sob circunstâncias do idioma inglês. Recomendo ler o posfácio da segunda parte antes deste ensaio, pois ali explica alguns termos usados por Poe e adianta os equívocos do escritor no texto em questão. O último ensaio oferece ótimas indicações de poetas, apresenta um pouco das qualidades a partir do poema escolhido por Poe com alguns comentários sobre o mesmo. Paulo encerra o livro com o posfácio sobre os ensaios do autor e tecendo críticas embasadas em textos citados nos rodapés, dentre elas a da composição de The Raven não ser tão matemática como Poe afirma.

Esta edição de O Corvo fez um trabalho excepcional ao homenagear o poema mais conhecido do eterno Edgar Allan Poe. Traz, ainda, as concepções do autor quanto aos poemas e as análises honestas e embasadas do tradutor Paulo Henriques Britto. Os ensaios ocupam a maior parte do livro, por isso não recomendo a quem se interesse apenas pelo poema, mas sim a quem gosta de conteúdo mais técnico sobre poesia e pelos fascinados ao trabalho de Poe.

Ficha Técnica:

Nome: O Corvo Autor: Edgar Allan Poe Editora: Companhia das Letras Gênero: Terror Tradução dos Poemas: Machado de Assis e Fernando Pessoa Tradução dos Ensaios e Autoria dos Posfácios: Paulo Henriques Britto Número de Páginas: 200 Ano de Publicação: 2019


Avaliação:

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*Material enviado em parceria com a Companhia das Letras


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