• Diego Araujo

Resenha: "O Colonizador" de G.G. Diniz

O Colonizador é uma ficção científica em que os pesquisadores enfrentam problemas ao lidar com o ser microscópico e extraterrestre. Ainda por cima é preciso lidar isso no cenário degradado, típico da pesquisa científica brasileira.



Sinopse:


Dias piores virão.


Aviso de conteúdo: abuso sexual


Entre as condições precárias do laboratório novo e os avanços indesejados do supervisor responsável, Jandira está em apuros. Cada dia de trabalho parece trazer um pesadelo cada vez mais terrível, e o tempo de espera até o fim do projeto parece mais e mais longo — mas o que são dois meses para quem já aguentou quatro? Neste novo suspense, G. G. Diniz mostra que muitas vezes é difícil levar um dia de cada vez, principalmente depois que a incompetência do dr. Costa o leva a cometer um erro que pode muito bem ser fatal.





Estamos diante do mal causado por seres invisíveis aos nosso olhos. Cientes do perigo, da sua mortalidade, e ainda assim há quem menospreze os cuidados, inclusive pessoas formadas na área de atuação, dotadas de diploma e, pelo visto, de benefícios por agir desta forma imprudente. Por ignorarem o risco, aumentam a probabilidade de contágio entre eles, além de contaminar os inocentes precavidos. Poderia estar falando outra vez sobre o coronavírus, mas neste caso é O Colonizador, novela escrita por G. G. Diniz e publicada na editora Plutão Livros em 2020 sob o selo Zigue-zague.

“Tudo não passava de uma estratégia de marketing.”

Jandira é estudante de exobiologia. No momento ela trabalha em uma pesquisa de laboratório numa estação isolada da sociedade, sendo possível a interação com família e amigos somente via online. Atua como a única assistente do Dr. Costa, sujeito reconhecido por transmitir vídeos sobre ciência na internet, esses superficiais demais na concepção de Jandira, feitos apenas com o intuito de somar seguidores e aumentar sua fama. Outro desconforto de Jandira em relação ao doutor é a mania dele de tentar paquerá-la, insistindo até perturbar e depois implorar perdão, deixando a assistente executar seu trabalho em paz. Por estar focada no trabalho, Jandira acaba por fazer o serviço dele também.

Quanto ao objeto de estudo daquele laboratório, consiste em uma colônia de seres extraterrestres congelados até o momento. São seres microbiológicos, de composição semelhante a um fungo, embora se limitem a semelhança. Por mais limitado que fossem os equipamentos do laboratório, conseguiram reanimar os micro-organismos. Tamanha descoberta poderia gerar ótimas oportunidade no futuro e Jandira adoraria levar parte da colônia na universidade onde estuda, no entanto a imprudência pertinente do Dr. Costa comprometendo o futuro dos dois e demais funcionários daquela estação de pesquisa.

“É perigoso demais ser distraído!”

Jandira narra a maior parte da história, demonstrando ser a pessoa de conhecimento técnico da pesquisa não só por criticar as atitudes do colega responsável pela pesquisa, ela ainda descreve a situação em frases sucintas, confiante do que relata, pelo menos nos tópicos os quais ela de fato conhece. A personagem também consegue expor os sentimentos dela ao leitor, detalhando o mal-estar ao sofrer assédio do Dr. Costa e a correspondente perturbação ao se ver sem saída desta relação, afinal o respaldo da reputação de Costa viraria qualquer situação a favor dele. Assim Jandira fica exposta a essa vulnerabilidade, cada instante longe desta perturbação é um alívio, a sumir só de o doutor reaparecer.



Não bastassem os problemas decorridos com a colônia alienígena, a estação enfrenta limites de orçamento e a falta de recursos. A partir disso somam-se consequências que só mesmo quem convive neste tipo de trabalho no Brasil compreende bem. A pesquisa científica segue cada vez menos valorizada, todo corte de gastos culminando em resultados tardios e os funcionários desanimando diante das poucas viabilidades de prosseguir no trabalho. Tal situação vai ao extremo nesta novela e faz os personagens agirem de maneira reprovável por eles mesmos.

“Colegas de trabalho reduzidos a [...] problemas a serem manejados sem qualquer compaixão.”

A escrita de G. G. Diniz é excelente a ponto de deixar o leitor passar mal na descrição das cenas perturbadoras. Teve apenas algumas frases de sentido ambíguo ou com pleonasmo, como a expressão “eternidade infinita”, sendo a palavra infinita redundante ao eterno. Ao ser questionado sobre a estimativa de pessoas atingidas pela colônia, certo personagem diz “Pelo menos cinquenta por cento da base, que foram as pessoas testadas até o momento”; pode dar a entender de metade da base foi testada e todos sofreram com a colônia, embora parágrafos depois outra frase esclarece que a estimativa era a metade de toda a base estar comprometida durante esse diálogo. Outro exemplo de ambiguidade é a comparação que uma criança teria mais “responsabilidade” que o Dr. Costa, esta palavra também tem o sentido de atribuição, isso atrapalha em caracterizar o doutor irresponsável no sentido de agir sem pensar nas consequências.

O Colonizador é uma ficção científica sobre o extraordinário de termos uma vida alienígena reanimada, já muitas das consequências são causadas por questões realistas a muitas brasileiras e pesquisadores de orçamento escasso. A descrição da narradora provoca incômodos ao ler as situações horríveis passadas pela protagonista, e a quantidade dos problemas trazidos nesta narrativa curta mostrando o quanto as mulheres feito Jandira precisam aturar a cada dia.

“Inocente até que se prove culpado.”









Ficha Técnica:


Nome: O Colonizador

Autora: G.G. Diniz

Editora: Plutão Livros

Número de Páginas: 81

Ano de Publicação: 2020


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*Material enviado em parceria com a Plutão Livros











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