• Diego Araujo

Resenha: "O Colecionador" de John Fowles

Atualizado: 6 de Jun de 2019

Duvido alguém olhar este livro e não achar a edição gráfica no mínimo linda. E o que as palavras dentro desta beleza nos trazem? Uma perturbadora história de romance.

Sinopse:


O Colecionador é a história de Frederick Clegg, um homem solitário, de origem humilde, menosprezado por uma sociedade esnobe, que encontra o grande amor de sua vida. Tudo o que ele deseja é passar um tempo a sós com ela, demonstrar seus nobres sentimentos e deixar claro que eles nasceram um para o outro. O Colecionador também é a história de Miranda Gray, uma jovem estudante de artes sequestrada por um maníaco que acha que pode obrigá-la a se apaixonar por ele. Tudo o que ela deseja é escapar do cativeiro, e vai usar de toda sua inteligência para sobreviver ao inferno em que sua vida se transformou. O Colecionador é um livro narrado por dois personagens antagônicos: o sequestrador e sua vítima. Ferdinand e Miranda. Todos temos um pouco dos dois dentro de nós, concluímos ao final de suas páginas — quem consegue se desgrudar delas? Essa obra-prima lançada em 1963 continua perigosamente atual. Best-seller internacional, e ainda um sucesso de venda nos sebos após décadas fora de catálogo no Brasil, o grande romance de estreia de John Fowles está de volta com uma edição digna de colecionador, e aquele padrão de qualidade psicopata que só a DarkSide Books tem. Com direito a capa dura, prefácio do mestre Stephen King e outros conteúdos inéditos. O feminismo, a solidão, a luta de classes, a liberdade, o que pode ou não ser considerado arte e o que pode ou não ser considerado amor... estes são apenas alguns dos temas que o autor traz à tona. Numa época sem textão de redes sociais, era com literatura de qualidade que pensadores dissecavam o mundo à sua volta. Com O Colecionador, a DarkSide abre a janela para que Miranda consiga sair do cativeiro e que sua história volte a encantar novas gerações de leitores.




Existem inúmeras maneiras de amar alguém, mesmo as repulsivas ao cônjuge. O desejo obsessivo por uma pessoa é repugnante, assustador quando é capaz de dominar e submeter alguém a caprichos. Ao saber de casos como esse, é normal imaginar os toques sobre a pele da vítima sem consentimento, o começo de uma sequência de gestos obscenos e invasivos, a representação gráfica constante desse horror. E se o agressor evitar qualquer contato físico com a vítima? A história continua perturbadora. O Colecionador trata do sequestro de Miranda Gray por Frederick Clegg. Escrito em 1963 por John Fowles e relançado no Brasil pela Darkside em 2018, o suspense aborda os dois lados da situação provocada por Clegg.

"Eram muito claros, sedosos, como casulos de uma mariposa."

Frederick Clegg é de origem pobre, criado pela tia. Trabalha no Anexo da Prefeitura de Londres onde passa a observar Miranda pela janela. Tem o hobby de colecionar borboletas desde a infância, e ao conhecer esta garota, atiça o desejo de colecioná-la. Após ganhar na loteria, enxerga uma oportunidade de ouro. Com as setenta mil libras conquistadas, Clegg compra uma casa afastada do meio urbano, além de toda a mobília e... os recursos para implantar o “quarto de hóspede” abaixo do porão, todo fechado e planejado contra qualquer tentativa de fuga. Clegg consegue sequestrar Miranda e aprisioná-la no quarto de hóspedes. Imaginando o pior, a garota falha em compreender os motivos de ele a deixar assim, apenas trancada naquele lugar, com Frederick comprando-lhe tudo que ela desejar, exceto sua liberdade.

​"Se ele me amasse, não poderia ter me mandado embora."

Meu primeiro pensamento ao olhar a capa e artes do livro editado pela Darkside é o quanto a beleza pode ser aterrorizante. As figuras de borboleta e as bordas de todas as folhas pintadas em negro acompanham a história de um lindo, porém sinistro desejo de romance na visão sinistra de Frederick.

A narrativa é feita por Clegg e depois recontada por Miranda. Sem pontuação de diálogos, os dois narradores têm formas distintas de demonstrá-los. O primeiro ponto de vista é fechado, reflete a obsessão do colecionador com a sua cativa. Já Miranda revela pontos além do seu lado da história com a forma de narrar refletindo nos pensamentos sensíveis dela. Ela busca alternativas de sobreviver e viver, recorrendo a livros e trabalhos artísticos comprados pelo raptor. A personagem manifesta posicionamentos feministas e sobre classes sociais, além de contar outra história antes do sequestro, esta usada como válvula de escape.

"Se ele me amasse, me teria mandado embora."

Difícil adivinhar como a história progredirá durante a leitura. Ambos os personagens fazem promessas e as traem, os sentimentos e desejos se fundem e confundem, ficam imprevisíveis e alimentam o suspense. Deixa a desejar na revisão final, com muitos erros de concordância nominal em relação ao gênero do substantivo. Infelizmente a repetição deste problema no texto torna necessário expô-lo na resenha. ​ A palavra “perturbador” persiste na cabeça ao pensar neste livro. O termo “belo” também, não apenas pelo trabalho gráfico da Darkside, mas pela composição do romance de John Fowles. O Colecionador é um romance atual republicado 55 anos depois, com uma trama original capaz de atingir a mente do leitor sem utilizar da constante agressão física.


Ficha Técnica:

Nome: O Colecionador ​Autor: John Fowles Editora: DarkSide Books Gênero: Terror Tradutor: Antônio Tibau Número de Páginas: 256 Ano de Publicação: 2018

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