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O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.

  • Paulo Vinicius

Resenha: "Mago: Aprendiz" (Mago vol. 1) de Raymond E. Feist

Depois de muito treinamento e expectativa, chegou a hora na vida de Pug e Thomas em que suas vidas precisam tomar um rumo. Hora de serem escolhidos ou não para a vida de cavaleiro. Esta mudança trará consigo alegrias e tristezas e o principal: crescimento.



Sinopse: Na fronteira do Reino das Ilhas existe uma vila tranquila chamada Crydee. É lá que vive Pug, um órfão franzino que sonha ser um guerreiro Destemido a serviço do rei. Mas a vida dá voltas e Pug acaba se tornando aprendiz do misterioso mago Kulgan. Nesse dia, o destino de dois mundos se altera para sempre.  Com sua coragem, Pug conquista um lugar na corte e no coração de uma princesa, mas subitamente a paz do reino é desfeita por misteriosos inimigos que devastam cidade após cidade. Ele, então, é arrastado para o conflito e, sem saber, inicia uma odisseia pelo desconhecido: terá de dominar os poderes inimagináveis de uma nova e estranha forma de magia… ou morrer.  Dividida em quatro livros, A Saga do Mago é uma aventura sem igual, uma viagem por reinos distantes e ilhas misteriosas, onde conhecemos culturas exóticas, aprendemos a amar e descobrimos o verdadeiro valor da amizade. E, no fim, tudo será decidido na derradeira batalha entre as forças da Ordem e do Caos.





Muitas pessoas falam em destino. Que nossas vidas são traçadas por este fio invisível que é capaz de guiar as nossas vidas. Eu não acredito nisso. Somos quem somos por conta de nosso próprio esforço e ações diárias. Só vencemos porque buscamos com afinco um determinado objetivo; só perdemos porque não tentamos o bastante. É um pouco desse debate sobre o poder que temos de mudar as nossas vidas que aparece aqui em Mago: Aprendiz.

Pug e Thomas são amigos de longa data. Mas, é chegado um momento crítico na vida de um jovem adolescente: a escolha de um tutor. Os tutores escolhem os jovens que desejam adotar como aprendizes; caso um jovem não seja tutorado, sua vida acabará sendo a de um camponês para o resto de seus dias. Thomas está animado porque espera poder ser um escudeiro e um dia se tornar um guerreiro. O mesmo pode ser dito de Pug que espera poder tornar-se um dos cavaleiros de Crydee. Durante a seleção, Thomas é escolhido para ser um escudeiro e Pug aparentemente será um camponês. Mas, tudo muda quando o mago Kulgan decide adotar Pug como aprendiz. Algo inédito visto que Kulgan nunca havia tido um aprendiz. É aí que veremos o treinamento de Pug e Thomas e como eles crescem como pessoas. Mas, uma ameaça parece se esgueirar em direção a Crydee. Quem são os tsuranis e o que eles querem? E por que Pug pode ser uma peça importante no conflito que se aproxima?

Mago: Aprendiz é uma jornada de crescimento. As personalidades de Pug e Thomas são muito bem trabalhadas ao longo deste primeiro livro. O começo dele é um pouco parado, mas eu acho muito importante para que o leitor possa se familiarizar com os personagens. Percebi que o livro depende muito dessa relação entre leitor e protagonista. Os conflitos adolescentes são bem explorados como a insegurança, a falta de perspectiva de pessoas pobres em um mundo medieval, as brigas e os amores. O núcleo de personagens que surge ao redor dos dois meninos é muito sólido e somos apresentados ao reino de Crydee através dos personagens. Eles são os nossos olhos neste primeiro volume. Achei que a história acabou abandonando um pouco os dois protagonistas em sua metade final. Feist quis abraçar outros personagens e esqueceu que, no fundo, a história era sobre Thomas e Pug e não sobre Arutha, Kulgan e Carline. Me parece que os outros personagens acabaram se tornando tão interessantes que roubaram a cena. No trecho final de Mago: Aprendiz, Pug desaparece completamente. Entendo que isso é algo do enredo, mas nem uma ou duas páginas para sabermos o que aconteceu a ele são ditas.




A ambientação é excelente. Típica daquele estilo de fantasia clássico. O livro foi publicado cinco anos após A Espada de Shannara, então são contemporâneos. A construção da ambientação deve muito a Terry Brooks e tanto um como o outro livro são algumas das séries de fantasia mais longas. Brooks e Feist ainda publicam histórias nos dois mundos. Então é perceptível, por exemplo, que Feist também emprega alguns elementos de ficção científica em Mago (os tsuranis). Se formos analisar mais detidamente, a ambientação de Shannara é mais complexa que a de Mago, porém a história é mais acessível. Enquanto o leitor sente mais dificuldades com A Espada de Shannara, em Mago: Aprendiz, as páginas voam. Linguagem fácil e simples e um enredo em que os personagens são o foco e não o mundo em si.

Entretanto, A Espada de Shannara é bem sucedida em algo que Mago: Aprendiz pecou. A primeira possui uma história encerrada enquanto o segundo faz um corte brusco entre o primeiro e o segundo livros. Quando o livro foi publicado pela primeira vez em 1982, Mago: Aprendiz e Mago: Mestre eram um único livro. Quando a segunda tiragem saiu em 1994 pela Bantam, Feist decidiu aumentar os dois volumes com partes que ele havia deixado de fora. A editora achou melhor dividir o livro em dois volumes para não ficar muito grande. O resultado foi esse corte brusco na história que não possui um final, mas um gancho mal feito que não fora pensado por Feist. Esse talvez seja um dos pontos negativos na obra assim como o foco nos personagens secundários e o abandono dos protagonistas.

Mas, o fato de o foco passar para Arutha, Kulgan e Carline tem seu ponto positivo. Significa que os personagens se tornaram tão fortes que passaram a ser essenciais para o andamento do enredo. Isso também é mérito do autor que foi capaz de construir esse nível de personagens. Dos três, Carline é a que mais cresce ao longo da história. É impressionante vê-la deixando de ser uma menina mimada para ser uma princesa de verdade. Claro que os acontecimentos acabam forçando essa mudança, mas muito se deve à influência de Pug no comportamento de Carline.

Achei que os tsuranis são apresentados muito no final do primeiro volume. Provavelmente outra consequência da divisão em dois livros. Os tsuranis acabam sendo uma presença ameaçadora mais do que algo concreto. Somente na batalha no final de Mago: Aprendiz que somos capazes de ver o poderio dos tsuranis. Isso acabou fazendo com que os tsuranis fossem ignorados em muitos momentos. Eu quero saber mais já que eles são o antagonista da obra. E o primeiro volume de uma série serve justamente para apresentar os elementos que compõem a obra: desde os personagens, à ambientação e o perigo que eles viverão.

Mago: Aprendiz é um bom primeiro volume de série. Apresenta os personagens com muita qualidade e faz com que os leitores passem a gostar deles. O leitor acaba se relacionando de uma maneira muito positiva com todos os personagens, desde o velho Kulgan até o corajoso Arutha. A ambientação também possui muita coisa ainda por descobrir e contribui para a manutenção do interesse do leitor. Espero poder ver mais dos tsuranis em Mago: Mestre que certamente lerei.




Ficha Técnica:


Nome: Mago - Aprendiz

Autor: Raymond E. Feist

Série: Mago vol. 1

Editora: Arqueiro

Gênero: Fantasia

Tradutora: Cristina Correa

Número de Páginas: 416

Ano de Publicação: 2013


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