• Paulo Vinicius

Resenha: "Le Chevalier Nas Montanhas da Loucura" de A.Z. Cordenonsi e Fred Rubim

O encontro entre Le Chevalier e a famosa agente dupla Irene Adler vai levar nosso protagonista a um dos lugares mais gelados da Terra. Um vilão está ameaçando as grandes potências com um poderoso raio da morte. Le Chevalier precisa chegar ao fundo deste mistério. 

Sinopse:


Os maiores heróis da França enfrentam o terrível Justiceiro da Paz para salvar o mundo! Em uma época em que a França comanda a Revolução Industrial, Le Chevalier e Persa, seu fiel escudeiro, precisam superar suas divergências com antigos inimigos para enfrentar a chantagem de um maligno adversário. As nações do mundo estendem seus estandartes de batalha quando navios de guerra são atacados e acusações de traição se tornam arautos de uma guerra que se avizinha. Irene Adler, a mais famosa ladra do Comitê, recruta os agentes franceses para uma última e derradeira tentativa de capturar o verdadeiro inimigo e evitar a guerra. Mas nem tudo é o que parece. A investigação prossegue para um cenário aterrador e, nos confins da Antártida, os aventureiros são obrigados a seguir os passos de uma antiga expedição da Universidade Miskatônica. No deserto críptico de gelo e morte, eles precisam encarar seus piores pesadelos nas Montanhas da Loucura. Inspirado em escritos de H.P. Lovecraft (Nas Montanhas da Loucura), Edgar Alan Poe (A Narrativa de Arthur Gordon Pym) e Júlio Verne (A Esfinge dos Gelos), este volume retrata as aventuras dos maiores heróis de um mundo steampunk vitoriano em uma narrativa repleta de ação e mistério.




Depois de ter lido o romance do Le Chevalier onde o personagem nos é apresentado, esta aventura em quadrinhos do personagem é uma grata surpresa. A Avec Editora tem se superado no quesito quadrinhos. Além de publicarem romances muito originais, a editora tem se caracterizado pela ótima qualidade dos quadrinhos que eles colocam nas prateleiras. Prova disso é o Desafiadores do Destino (cuja resenha você pode encontrar AQUI) . Suas apostas tem revelado ótimos talentos e até autores que possuem trabalhos em editoras maiores como o Felipe Castilho tem preferido trabalhar com a liberdade dada pela editora. 

Antes eu preciso falar da edição que está muito caprichada. A arte de capa é linda e realmente chama a atenção. A escolha de um azul com branco é bem chamativo e mostra bem os personagens no centro da capa. O formato do quadrinho tem um padrão luxuoso com tamanho em 27,6 x 20,6 cm que eu juro que me enganou e eu imaginei ser uma BD (banda desenhada) europeia tamanha a similaridade. Um BD europeu é um pouco maior do que isso, mas mostra de onde vem a inspiração da Avec para o formato de suas HQs. Aliás, January Jones também segue este formato. O papel é um couché fosco que ajuda e muito a ressaltar a arte do Fred Rubim. O conjunto completo torna a HQ muito agradável. 

E aí vamos falar do roteiro do Cordenonsi. Desde o romance do Le Chevalier e a Exposição Universal que eu havia gostado da pegada steampunk do autor. Aqui ele mantém essa natureza do seu universo introduzindo elementos muito legais como um navio a vapor, um raio laser e um submarino movido a engrenagens (que tem o nome sugestivo de Grande Baleia Branca). O autor tem um domínio muito bom do seu universo e sabe como encaixar os seus personagens dentro dele. O mais legal de tudo é que aqui só temos o Le Chevalier, o Persa e dois vilões que parecem ter tido outros encontros com o protagonista de personagens vistos. Todo o resto é inédito. Isso demonstra o domínio que o autor tem do universo que ele criou. A história é bem amarradinha, com início, desenvolvimento e conclusão e é possível até que você comece a conhecer os personagens por aqui. A história é fechada em si mesma. Caso você curta o personagem (e tenho certeza que vai), pode partir para outras aventuras deles. 

A arte do Fred Rubim é bem ampla e tem algumas cenas muito bonitas em que ele coloca cenários cujo fundo tem vários pequenos detalhes. O artista tem uma preocupação com o fundo além de focar nos personagens. Coisas acontecem no fundo enquanto os personagens estão conversando. Destaco isso porque alguns desenhistas preferem deixar de lado o fundo e inserir um fundo branco ou fosco. Não é o caso aqui. Outro destaque fica pela linda palheta de cores que ele emprega, puxando bastante para as cores frias (apesar de que na imagem acima temos uma explosão). Alguns cenários que eu gostei foram o da Universidade Miskatônica e até das geleiras na Antártida. Rubim tem também uma boa sacada em cenas de ação deixando-as mais emocionantes. Só tem um porém, e isso não é necessariamente uma crítica, mas uma preferência pessoal: a arte não me agrada tanto. Como o artista tem uma pegada única e um pouco caricata nos personagens, isso acabou por me decepcionar um pouco. Eu esperava algo mais sombrio, já que existem muitas menções a Lovecraft. Mas, enfim, é uma preferência, e tenho certeza que os leitores vão curtir. 

O tom aventuresco usado por Cordenonsi no romance foi mantido aqui nos quadrinhos. Me senti novamente em um filme de ação com alguns elementos fantásticos. E é isso um dos pontos altos da escrita do autor. Ele consegue imprimir um ritmo frenético nas páginas. Fiquei muito triste quando vi que já estava no capítulo final do quadrinho. Novamente eu queria mais daquilo de tão divertido que estava. Por mim, o Cordenonsi poderia fazer uma revista mensal do Le Chevalier que eu comprava numa boa. E a gente já começa a conhecer melhor os personagens, a curtir os xingamentos divertidos do Persa e todo aquele mundo movido a engrenagens e drozdes. 

O único ponto do roteiro que eu achei que o Cordenonsi poderia ter tido mais espaço para trabalhar era a motivação do vilão da história. Dava para traçar bem um tom cinza entre o que ele queria e o que o levou àquele ponto. Ele acabou prejudicado por ter sido introduzido apenas no final da HQ. Teria dado uma bela discussão entre a lealdade de Chevalier e como o seu espírito moral encararia o porquê do personagem estar fazendo aquilo. Passou rápido demais e pode ser até algo a se retornar em uma aventura posterior. 

Le Chevalier nas Montanhas da Loucura tem também uma série de easter eggs muito divertidos onde Cordenonsi faz homenagens a Jules Verne, a Arthur Conan Doyle e, claro, a H.P. Lovecraft. É um universo que sabe o lugar em que ele se encontra e se aproveita disso para reforçar sua identidade. Só tenho a recomendar as histórias criadas pelo autor e destacar a bela arte de Rubim. E espero ver novas aventuras do personagem muito em breve. 


Ficha Técnica:

Nome: Le Chevalier Nas Montanhas da Loucura Autor: A.Z. Cordenonsi Artista: Fred Rubim Editora: Avec Gênero: Ficção Científica Número de Páginas: 64 Ano de Publicação: 2018

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*Material enviado em parceria com a Avec Editora


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