• Amanda Barreiro

Resenha: "Joyland", de Stephen King

Devin descobre que Joyland tem mais a oferecer do que diversão e vê sua vida transformada pelos mistérios do parque no verão de 1973.



Sinopse:


UM PEQUENO CONSELHO: NÃO SE AVENTURE NA RODA GIGANTE EM UMA NOITE CHUVOSA

CAROLINA DO NORTE, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença grave. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.


Joyland


Que Stephen King é um dos maiores autores de terror contemporâneo é indiscutível. Mundialmente conhecido por best-sellers que já se tornaram clássicos, como It, Carrie, e uma extensa lista que todo fã está cansado de saber. Mas o que acontece quando o mestre King decide escrever sobre as dores da juventude, corações partidos e um verão num parque de diversões?


Joyland bem que poderia ser um drama sobre amadurecimento e a transição da adolescência para a idade adulta: o primeiro amor, a primeira separação, o primeiro emprego. Poderia ser simplesmente a história do verão em que Devin Jones tomou decisões importantes, conheceu pessoas que mudariam sua vida e descobriu seu próprio rumo. E é justamente nessa simplicidade que reside o charme da história. Mas é claro que, sendo Stephen King, não poderia faltar um toque sobrenatural para colorir as coisas.



Devin consegue a oportunidade de trabalhar em Joyland, um parque de diversões pequeno na Carolina do Norte, durante o verão e conseguir um dinheiro extra para ajudar nas despesas da faculdade. Afastar-se de tudo durante este tempo também lhe parece ótimo já que ele não tem muitos amigos, seu namoro vai de mal a pior e tudo parece meio fora de lugar naquela típica fase entre o final da adolescência e o início da idade adulta em que o mundo parece que vai esmagá-lo.


“Quando se trata do passado, todo mundo escreve ficção”.

O parque é descrito à exaustão, mas o mais incrível é que não queremos parar de ler sobre cada brinquedo que com certeza fez parte da infância de todos os leitores: as xícaras, o carrossel, a roda gigante, o trem fantasma... O clima nostálgico é a fórmula secreta do autor para nos levar por toda a história, que não tem muitas surpresas nem nada particularmente genial, mas funciona muito bem porque nos cativa, apela para nossas memórias e referências de infância e nos sensibiliza com um plot secundário delicado.


Inclusive, preciso dizer que o enredo é bastante linear. Desde logo já percebemos os contornos do que será apresentado no final, mas isso sinceramente não importa porque a narrativa é fluida, gostosa, contada em primeira pessoa por Devin, muitos anos depois do que aconteceu no verão de 1973, em uma linguagem simples, rápida e sensível. O ponto alto, aliás, é essa delicadeza na escrita, que nos permite entender o universo tumultuado do jovem Devin. Como é característico do King, as referências à cultura pop são muito presentes e esse é um ótimo recurso para provocar imersão na trama e reconhecimento no leitor.


A construção das personagens é excelente. Devin, por exemplo, poderia ser qualquer jovem de qualquer lugar do mundo e Mike é uma criança que dá vontade de pôr no colo e não soltar nunca mais. Esse, aliás, é um dos grandes talentos do autor e, mesmo Joyland sendo um livro tão curtinho, com tão pouco tempo para desenvolvimento, ele consegue trazer toda essa humanidade para a história. O único problema aqui é que alguns detalhes tornaram certos personagens óbvios demais, o que, consequentemente, ajudou a deixar o enredo ainda mais previsível.


Mas onde entra o terror?, você deve estar se perguntando. Bom, ele não entra. Supostamente, o fantasma de Linda Grey, uma visitante do parque que foi assassinada dentro do trem fantasma, habita o brinquedo e aparece para alguns funcionários. Todo o mistério em torno das aparições e do assassinato servem de conduíte para a trama, que sempre se conecta a partir esse ponto. Devin também presencia uma boa dose de paranormalidade e habilidades que remetem a um possível sexto sentido, mas tudo isso é muito sutil e, como eu disse anteriormente, apenas deixa a história um pouco mais interessante. Não espere sustos, cenas de arrepiar e noites sem dormir porque não é essa a proposta do livro.


“O último adeus sempre chegava, e, quando você via a escuridão se aproximando, se agarrava ao que era alegre e bom. Com todas as forças”.

A verdade é que Joyland é um romance bastante simples e inacreditavelmente gostoso de ler. Stephen King apostou numa fórmula infalível que abusa da nostalgia com alguns elementos de suspense sobrenatural para gerar o esperado clímax e nos conquista em pouquíssimas páginas com um relato sensível e verdadeiro. King criou uma história da qual não queremos nos despedir, mas o fazemos com a certeza de termos conhecido personagens inesquecíveis.

















Ficha técnica:


Título: Joyland

Autor: Stephen King

Tradução: Regiane Winarski

Editora: Suma

Páginas: 240

Lançamento (no Brasil): 2015



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