• Diego Araujo

Resenha: "Isaac D" de Leandro Pileggi

Isaac D foi lançado pela Avec Editora a partir de uma campanha bem sucedida de financiamento coletivo. A trama de fantasia aproveita dos elementos cósmicos de autores consagrados como Lovecraft e os mistura em referências a obras populares e recentes.



Sinopse:


E se você acordasse, e fosse outra pessoa? E se criaturas inomináveis surgissem por toda a parte? E se só você percebesse que elas estão ali? E se elas viessem atrás de você? Você correria? Se esconderia? Ou Você lutaria... Isaac D é uma Light novel repleta de ação e bom humor, apimentada com muitas referencias a Lovecraft e à cultura pop. Uma fantasia construída em cima do maior mistério da humanidade e que une mitos modernos e clássicos da literatura pulp.




Nós humanos desenvolvemos meios práticos e sociais ao aperfeiçoar nossa própria espécie. Tomamos tudo à disposição, aproveitamos e abusamos dos recursos ao alcance em favor do conforto. Nos comportamos assim ainda hoje, aprimorando os recursos e convivendo a partir das regras comportamentais correspondentes a toda a evolução humana. E quanto ao inacessível por nós? Acomodados em relação ao conhecido, alguns encontram existências paranormais, fogem da lógica desenvolvida por toda a espécie e revelam algo ameaçador aos despreparados.


Isaac D é sobre o garoto homônimo a descobrir essa realidade restrita a humanos sob certas condições. Publicado em 2019 por Leandro Pileggi pela editora Avec, o livro conta a história da aventura do jovem protagonista ao plano onírico numa trama combinada em cenas de ação, referências à cultura pop e inspirações dos Mitos de Cthulhu; enquanto o ilustrador Levi Tonin representa parte da trama com ilustrações no decorrer do livro.


“Ele já fizera isso centenas de vezes nos sonhos, no entanto, sonhos eram diferentes.”


Isaac nasceu e cresceu na área rural. Morava com os tios até conseguir entrar no curso de letras em uma faculdade na cidade grande. O personagem tenta achar o caminho entre as ruas e os transportes complicados da cidade, chegando tarde na república onde mora outros estudantes. Com a entrada do prédio trancada e ninguém para recebê-lo, decide aguardar na porta do prédio, quando adormece.


Habituado a sonhar situações das mais diversas durante o sono, Isaac desta vez assume a consciência de outra pessoa. Ele sente toda a interação dela ao invés de apenas visualizar como nos sonhos anteriores. O garoto sempre confiante frente aos problemas encontrados na cidade natal agora se vê confuso e aterrorizado pela situação desconhecida, e tudo piora quando uma criatura humanoide com o rosto de elefante o persegue. A única alternativa é fugir, e assim começa a sua aventura pelo Mundo Grande.


“Era magnífico e assustador, mais assustador que magnífico, na verdade.”


Este mundo onírico traz diversas novidades na vida de Isaac, essas passadas ao leitor no decorrer da trama. Tanto os elementos ao redor como o próprio protagonista possuem capacidades antes inacessíveis ao mundo vivido pelos humanos — chamado de Mundo Pequeno — descobertas pelo protagonista ao interagir com determinados personagens deste meio, como a garota Katarina e a sua “Boss” Sarah. Com essas capacidades mais a ameaça de seres próprios deste plano como os Slenders, a trama possibilita cenas de ação com batalhas surreais, inspiradas em obras contemporâneas e mescladas com os elementos presentes no horror cósmico, desde a criação feita por H.P. Lovecraft e pelos demais inspirados por este escritor.


As referências aproveitadas ficam transparentes no livro, usadas muito bem conforme o contexto presente na história. Por vezes são apenas semelhanças abstraídas de determinado personagem que conhece a obra homenageada e oferecem momentos de humor sem tirar o foco da narrativa. Já quando trata dos elementos inspirados em Lovecraft, tudo é levado a sério e trazem revelações elaboradas pelo autor condizentes com os seres já trabalhados em torno desta mitologia literária.


Com linguagem acessível e facilidade em provocar momentos descontraídos, a escrita deixa a desejar pela narrativa focada na percepção dos personagens, e não no que eles fazem. Tal abordagem fez o autor abusar de verbos de pensamento bem como outros também fracos como descrição. Contam de como o personagem vê o mundo ao redor, explica a reação dele e/ou descreve o pensamento, tudo isso através de verbos como ver, sentir ou pensar, concluir e similares. A descrição persiste desta forma mesmo nas cenas de ação, e quebram todo o ritmo esperado pelo momento focado em movimentos, pois descreve como o personagem planeja as ações no meio da batalha ou até mesmo a interrompe ao explicar o contexto do personagem naquele momento. Também acontece de descrever uma conversa alheia à batalha intensa e depois descreve a pessoa lutando ouvindo este diálogo. O autor fez o leitor compreender as lutas, sob o preço de tirar o prazer de visualizá-las nesta abordagem.


Isaac D moderniza o ambiente inspirado nas obras decorrentes da mitologia lovecraftiana ao tomar inspirações das obras populares de fantasia. A narrativa peca por transcrever os pensamentos dos personagens ao invés das ações, já o enredo soube coordenar os momentos de mistérios e as respectivas revelações na trama balanceada de ação e apresentação do mundo elaborado pelo autor. As ilustrações contidas no decorrer do livro desenhadas por Levi Tonin representam muito bem a história descrita, dá forma aos traços “rabiscados” pelas palavras de Leandro.



Ficha Técnica:


Nome: Isaac D

Autor: Leandro Pileggi

Editora: Avec

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 248

Ano de Publicação: 2019


Link de compra:

https://amzn.to/2oEoV1Z


*Material enviado em parceria com a Avec Editora


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