• Paulo Vinicius

Resenha: "Hal" de Umi Ayase

Após um terrível acidente de avião, Q-01 é um robô que vai tentar ajudar Kurumi a sair da depressão causada pela morte de seu namorado, Hal. Para isso Q-01 vai se transformar em Hal para se aproximar de Kurumi. Mas, será que a história é essa mesma ou existe algo mais escondido?

Sinopse:


Em um futuro não muito distante, pessoas convivem em harmonia com robôs humanoides. A jovem Kurumi passou a se isolar após perder o namorado em um acidente de avião e seu avô recorre ao uso de um robô para ajudá-la. E eis que Q-01 toma a forma de Hal e começa a interagir com a garota para que ela volte ao normal... Esta é a história de dois amantes que se preocupavam muito um com o outro...




Este mangá é uma novelização de um filme que fez muito sucesso no Japão. A autora conseguiu passar bem a essência passada na telinha para os quadrinhos. Se trata de pegar um tema de ficção científica, os robôs, e trazê-lo para dentro de uma história que é sobre o amor que uma pessoa sente pela outra. O quanto esse amor pode nos levar a lugares incríveis, mesmo quando isso pode representar uma tristeza profunda.

A narrativa é boa, a autora conseguiu adaptar bem a história do filme. Senti alguns gargalos aqui e ali até porque novelizações são sempre muito difíceis de serem feitas. É menos complicado adaptar uma história para um filme do que o inverso. Isso porque o autor não conta com os recursos audiovisuais e precisa transmitir o mesmo tipo de emoção que é passado durante a exibição. Mesmo assim não achei a adaptação de todo ruim, até porque a autora apelou para as nossas emoções, o que serviu como uma panaceia para a falta do dinamismo do audiovisual.

O traço da Umi Ayase é bem típica dos mangás shoujo: personagens com braços e pernas longos, o fundo tem uma série de brilhos e flashes para tornar os personagens mais empáticos e passar aquela emoção, e muitos cenários de fundo brancos. Entretanto, achei o traço da autora muito bonito. Ela sabe arredondar bem o rosto dos personagens, definindo bem suas expressões faciais. Choca a gente ao ver como o robô Q-01 logo no início da história é extremamente expressivo sem possuir um globo ocular. A inocência de Hal contrasta com a simpatia dos outros personagens ao seu redor. Mesmo trancada em seu quarto, Kurumi demonstra uma profunda tristeza a qual Hal busca amenizar através de suas ações. Isso é transmitido por pequenos atos que a autora consegue transmitir o peso através de seus desenhos. Em alguns momentos vemos que Umi trabalha com rabiscos de forma a dar profundidade a algumas cenas. Isso certamente contribui para a beleza dos cenários. Só não gostei muito do excesso de cenários em branco, mas isso é costume em mangás shoujo, então não tem para onde correr. Ou se acostuma, ou abandona e vai ler outra coisa.

"Eu senti como se o mundo tivesse acabado. Mas, o mundo que você me mostrou, o mundo que vimos juntos era muito amável."

A história toca muito no tema das escolhas e decisões. Uma coisa triste que ficamos sabendo logo no começo é que Hal e Kurumi brigaram antes de Hal viajar. Quando este retorna para morar definitivamente com Kurumi, acontece o acidente. A tristeza profunda que Kurumi sente não é só pela morte de seu amado, mas pelo que ela poderia ter feito de diferente. São aquelas pequenas coisas que tornam uma tragédia ainda maior. O quanto é importante expressar seu amor todos os dias para o amado, ou a amada. Podemos passar por uma situação sem retorno como essa. O viver sem arrependimentos é muito difícil e é uma luta diária.

Mas, Hal também passa por uma situação de escolhas e decisões. Vemos que ele vem de uma infância difícil em um mundo onde os robôs ocuparam o lugar dos seres humanos na maior parte dos trabalhos. Apenas em empregos de alta periculosidade humanos são aceitos. Isso porque existe o temor de que os robôs se quebrem e seja necessário pagar uma fortuna para consertá-los. Hal se torna obsessivo com a ideia de que o dinheiro traz a felicidade. Apenas aqueles que possuem dinheiro são bem vistos pela sociedade. E não se trata bem disso. Certas coisas não tem valor, como a girafa que Hal tenta comprar para Kurumi. Algumas coisas como momentos, como objetos inestimáveis fazem parte disso. É impossível quantificar o amor. É aí que entra a mensagem que Kurumi quis dar a Hal: ela queria salvá-lo e mostrar a ele que a vida é maravilhosa, que esse mundo é repleto de beleza por todos os lados. E que apesar de o dinheiro ser importante para nossa sobrevivência, ele não pode sobrepujar os nossos sentimentos.

A história é absolutamente linda. Uma coisa que tocou o meu coração foi como os personagens trocavam mensagens importantes através do cubo mágico. Para que a pessoa conseguisse descobrir a mensagem, ele precisa resolver o enigma. E as mensagens são de partir o coração. No final, aparece uma cena rápida em que a autora mostra o quarto da Kurumi com todos os cubos mágicos reunidos. Impossível não se emocionar ali.

Ah... e o plot twist? Eu não vou falar. Mas, achei genial porque ela subverte todas as certezas que tínhamos até aquele momento. Me peguei relendo Hal imediatamente para entender o que a autora havia deixado de pista para nós nos capítulos anteriores. O mangá é curtinho, mas eu recomendo muito. Certamente vai tocar o seu coração.


Ficha Técnica:

Nome: Hal Autora: Umi Ayase Editora: Panini Gênero: Ficção Científica

Tradutor: Não Informado Número de Páginas: 184 Ano de Publicação: 2017


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