• Paulo Vinicius

Resenha: "Gigantomachia" de Kentaro Miura

Delos e Prome vagam por um deserto em busca da pista de um deus escondido. Apesar de todo o calor escaldante do lugar, ambos precisam cumprir sua missão. Mas, o que eles estão trazendo junto de seu rastro?

Sinopse:


A cada centena de milhões de anos, um cataclismo de escala mundial devasta o planeta, obrigando as formas de vida sobreviventes a se adaptarem às novas condições, o que resulta no nascimento de seres incríveis... Num futuro muito distante, Prome e Delos desafiam o domínio de um Império e sua horda de lendários gigantes ao buscar as partes do "corpo de Gaia"! Conheçam a mais nova aventura de ficção científica criada pelo consagrado autor de "Berserk"!




Para aqueles que conhecem o trabalho do Kentaro Miura em Berserk, essa obra é familiar ao mesmo tempo em que é diferente. Chega a ser interessante como o autor coloca doses de uma mensagem de otimismo em uma aventura sobre um homem e uma menina no meio do deserto. Tudo isso regado a um traço que por vezes beira ao exagero, mas que consegue ser de deixar o queixo caído. E no fundo de tudo uma exploração do tema da violência cíclica e qual é a melhor forma de pararmos com isso. 

Não tenho nem lá muita coisa para falar sobre a edição da Panini. Sei lá, viu, no caso de um autor que é tão popular como o Miura, a editora me aparece com uma edição tão monótona assim, chega a incomodar. Se eu não conhecesse o autor, nem me daria ao trabalho de comprar um mangá. A capa não me diz nada, a edição é uma capa cartonada simples e um papel de uma gramatura tão fina que dá para ver a outra página se infiltrando na leitura. Ao final não tem nenhum extra, nenhum rascunho ou matéria produzida por aqui. Eu até entenderia se fosse um autor comum que nunca tivesse sido publicado no Brasil. Mas, o autor do mangá mais caçado no Brasil? O desinteresse da editora chega a me dar nos nervos. 

O traço do Miura é animal. Conheço poucos autores com o mesmo senso de estética e noção de estrutura corporal como ele. Mesmo quando ele precisa construir alguma criatura bizarra como o gigante que aparece na segunda metade do mangá (o do império). O design de personagens é tão bem definido que a gente fica caçando detalhes o tempo todo: um músculo saltado, um capacete com detalhes. Algumas criaturas são tão bizarras que parecem saídas de um livro de horror lovecraftiano. Claro que ele exagera vez por outra e em um mangá de uma edição isso acaba não incomodando tanto, mas em um mangá como Berserk, mais longo, isso pode se tornar meio padrão. Os cenários que ele constrói também são muito legais e diferentes. Aqueles terraços em espiral do povo do deserto são claramente inspirados no cultivo de arroz na China em degraus, mas Miura consegue dar uma originalidade a isso.

"O meu nome é Delos. É assim que tem que me chamar. Nada mais justo do que gravar em seu peito o nome de quem está prestes a matá-lo, guerreiro Ogun."

Eu sou fã de luta livre. Quando vi que o Delos só utiliza movimentos de luta livre, fiquei em estado de choque. Um german suplex, um leg drop, um pile driver, um curb stomp. Todos movimentos de luta livre. Não apenas isso, mas Miura trouxe a mentalidade da luta livre para dentro de Gigantomachia. Wrestlers lutam pelo aplauso. Eles apanham para poder divertir o público, causar a tensão para depois dar uma virada e vencer o combate. Cada luta é uma história a ser contada. São os fãs que impelem os wrestlers a seguirem em frente. Para isso eles são honestos e sinceros em sua forma de lutar. Cada movimento carrega anos de emoções em seu rastro. Miura transporta muito bem essas noções para o estilo de luta de Delos. 

O povo do deserto foi muito explorado pelo império. Pelo menos essa é a sensação que transparece nas páginas já que a história é curtinha e não dá para contar em detalhes isso. Óbvio que quando Delos e Prome chegam, não são bem recebidos. Através de sua forma de lutar, Delos quer obter a aceitação deste povo. Mais para frente quando o império chegar até eles, a vontade do povo de Ogun é destruir os seus opressores. Porém, não é isso o que vai resolver os problemas deles. É só mais um capítulo em um longo ciclo de violência que está sendo escrito. Violência só gera mais violência. Os mortos deles não recuperariam a vida com a morte de seus adversários. Seriam apenas mais pessoas que desejariam se vingar do povo de Ogun quando perdessem seus familiares. Para avançarmos, é preciso perdoar. Mesmo quando perdoar é difícil demais. 

A narrativa é pós-apocalíptica e o autor não dá muitos detalhes sobre o que aconteceu para chegarem até ali. Acho legal isso em uma história curta porque permite ao leitor construir sua própria narrativa sobre o que aconteceu. Nem sempre precisamos detalhar uma história. A imaginação do leitor é tão importante quanto construir um mundo perfeito e ideal a ser explorado. Além disso, Miura desperta o nosso interesse em querer saber mais, mas deixa tudo bem aberto. Este é um mangá legal, que eu não considero a melhor obra do autor, mas certamente vai te divertir por contar uma boa história em um curto espaço de tempo. Vale a pena dar uma oportunidade. 


Ficha Técnica:

Nome: Gigantomachia Autor: Kentaro Miura Editora: Panini Gênero: Ficção Científica

Tradutor: ---- Número de Páginas: 232 Ano de Publicação: 2015


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