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O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.

  • Paulo Vinicius

Resenha: "Gideon Falls vol. 1 - O Celeiro Negro" de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino

O que é o Celeiro Negro? Quando um homem obcecado em colecionar pedaços de coisas saídas do lixo e um padre com um passado estranho se cruzam, uma série de acontecimentos estranhos começam a ocorrer na cidade de Gideon Falls. 

Sinopse:


A já icônica dupla Jeff Lemire e Andrea Sorrentino (de Arqueiro Verde e o Velho Logan), se junta ao ganhador de nove prêmios Eisner Dave Stewart (Hellboy, Daytripper), agora num trabalho autoral de terror e suspense, que é a grande aposta da Image em 2018. Apesar de recém-lançada nos EUA, a série chama atenção tanto por agrupar o melhor do quadrinho mundial, quanto pelos seus assombrosos números de vendas. A obra está fazendo a poderosa editora suar para manter o mercado abastecido com sucessivas tiragens, algumas esgotadas em poucas horas. Gideon Falls acompanha a vida de um jovem recluso que é obcecado por catar no lixo “artefatos” de uma conspiração que parece existir apenas na sua cabeça, e também apresenta a vida de um fracassado padre católico que chega numa pequena cidade cheia de segredos obscuros. As histórias de ambos vão se entrelaçar em torno de uma misteriosa lenda, trazendo a morte e a loucura em seu rastro. O encadernado em capa dura publicado pela Mino reúne 6 edições da série.




Gideon Falls é um dos mais recentes trabalhos de Jeff Lemire e ele demonstra aqui porque é um dos autores mais conceituados na atualidade. Ele cria uma narrativa que emprega fortemente o elemento do terror ao mesmo tempo em que nos coloca em uma atmosfera de mistério onde a incerteza ronda por toda a parte. Aliado a um bom roteiro, temos uma competente arte de Sorrentino que não se arroga de fazer experimentações artísticas (que nem sempre dão tão certo assim). 

Quem for abrir o quadrinho e começar a ler suas páginas vai perceber várias semelhanças entre Gideon Falls e Black Hammer. Não digo isso em relação aos temas, mas em como a narrativa é estruturada pelo autor. Lemire é como uma aranha tecendo uma teia de informações que parecem desconexas a princípio, mas que pouco a pouco o leitor vai percebendo um sentido e uma orientação. Temos dois pontos de vista que parecem caminhar em estradas distintas, mas que ao final do volume vamos observando como ambas as histórias se encaixam em um todo. O roteiro é muito competente e deixa o leitor interessado e querendo saber mais sobre que diabos está acontecendo. Aliás, o próprio título da HQ, O Celeiro Negro, não é completamente compreendido neste primeiro volume. Sabemos apenas que existe algo terrível em seu interior e que ele pode causar a morte de pessoas. O como eu deixarei para o leitor descobrir. 

Palmas para o Lemire ao criar um personagem tão estranho e complexo quanto Norton. Lidar com o lado obsessivo dele certamente deve ter causado muita dor de cabeça ao autor. A princípio achamos que a loucura dele não leva a lugar nenhum. Mas, assim como o Capitão Weird, de Black Hammer, aprendemos a ler suas falas através das simbologias e a partir do que está nas entrelinhas. É nos trechos do Norton que o Sorrentino abre suas asas e produz algumas páginas inteiras impressionantes. Aos poucos vamos nos dando conta de que Norton tem algum papel muito importante para o Celeiro Negro e ele acaba envolvendo sua psicóloga em suas insanidades. 


Achei desnecessário aquelas marcações vermelhas no meio de algumas páginas para destacar elementos essenciais para a compreensão do enredo. Sim, porque parece que o leitor não é capaz de percebê-los. A graça em uma HQ de mistério que emprega o ambiente como fator importante é justamente ser capaz de encontrar o que está fora do normal. Mas, no mais eu gostei de como a história começa simples e vai ganhando contornos estranhos pouco a pouco. No final, a gente já está envolvido em algo que ultrapassa a noção do que pertence à nossa realidade. O Celeiro Negro acaba se envolvendo com as próprias histórias de vida dos personagens e os obriga a enfrentar seus maiores medos. O que isso significa para a história como um todo só descobriremos mais tarde. Mas, pistas importantes são deixadas aqui. 

Um outro tema importante trabalhado por aqui é a fé ou a ausência dela. Isso é representado pelo Padre Wilfred e pela policial Clara. Padre Wilfred precisa lutar contra sua recente perda de fé, causada por alguma situação incerta ainda não explicada pela HQ. Mas, algumas pistas são soltas mais para o final deste primeiro volume. Já Clara é totalmente alheia à religião e prefere acreditar no que ela consegue explicar. Enquanto um personagem duvida de suas crenças por uma eventualidade em sua vida, a outra tem uma visão cética acerca do sobrenatural. E as crenças de ambos vão ser testadas pela presença do Celeiro Negro. Como explicar os recentes assassinatos? Vai ser esse embate entre o explicável e o inexplicável que vai cercear este núcleo de personagens. 

Gideon Falls é uma bela demonstração de uma narrativa mais madura do autor. Ele pegou um gênero, o terror, e o adaptou à forma como ele encara personagens e narrativa. Também conta com uma arte competente e que não se arroga de se arriscar para criar impacto nos leitores. Ficamos presos à narrativa para saber o que vai acontecer a seguir. E isso é muito importante para uma série de mistério. Já estou ansioso pelo segundo volume. 




Ficha Técnica:

Nome: Gideon Falls vol. 1 - O Celeiro Negro Autor: Jeff Lemire Artista: Andrea Sorrentino Editora: Mino (no Brasil) Gênero: Terror Tradutora: Dandara Palankof Número de Páginas: 160 Ano de Publicação: 2018

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