• Paulo Vinicius

Resenha: "Fragmentos do Horror" de Junji Ito

Uma série de breves histórias de terror mostrando um pouco da arte e do estilo de um dos mais icônicos mangakas de terror japonês, Junji Ito.

Sinopse:


Mestre do terror em quadrinhos, Junji Ito combina o surrealismo e o escatológico em suas histórias. O resultado é sempre bizarro, mas ainda assim — ou quem sabe até por isso mesmo — belo. Se você tem coragem (e estômago), não pode perder Fragmentos do Horror, primeiro livro de mangá publicado pela DarkSide Books. Fragmentos do Horror é uma coleção de histórias curtas, perfeitas para quem quer experimentar o que essa mente tão delirante é capaz de produzir. Itosan oferece ao leitor nove encontros com o desconhecido. Cada quadrinho pode ser fatal, cuidado! Entre as histórias da coletânea, temos uma mansão velha de madeira que gira sobre seus habitantes. Uma turma de dissecação com um assunto nada comum. Um funeral em que os mortos definitivamente não são postos para descansar. Variando do aterrorizante ao cômico, do erótico para o repugnante, essas histórias apresentam o retorno de Junji Ito há muito aguardado para o mundo do horror. Fragmentos do Horror faz parte da nova coleção DarkSide Graphic Novel Tokyo Terror e, como todos os títulos da Caveirinha, vem numa caprichosa edição em capa dura. A tradução foi feita diretamente do japonês e a publicação segue a orientação original, da direita para a esquerda — como tem que ser.




Mesmo eu conhecendo a fama de Junji Ito, nada me preparou para o que eu pude conferir neste excepcional mangá. Admito até que subestimei um pouco por serem várias histórias curtas. E fui surpreendido e cativado por este autor e desenhista incrível. Nesta resenha vou evitar dar grandes detalhes sobre as histórias para não estragar algumas surpresas que o autor apronta ao longo das várias narrativas.

A escrita dele é irretocável. Ele é capaz de apresentar uma história absolutamente cruel ou algo mais puxado para a ironia. Mesmo uma história absurda se transforma em algo medonho nas suas mãos. As narrativas são muito bem conduzidas com início, meio e fim muito bem detalhados. Pelo que eu pude ver nas histórias, Junji Ito foi profundamente influenciado pelo estilo do Lovecraft. Uma escrita reta e objetiva que te assusta no ponto certo e na maior parte das vezes não acaba bem. Por exemplo, quando ele me propôs a história de uma casa de madeira que seduz as pessoas, eu imaginei que seria uma história fraca. Mas, ele acaba nos surpreendendo com uma escrita que vai nos envolvendo pouco a pouco até ele estourar com algum acontecimento bizarro que encaminha a história para o final que ele quer.

As histórias são simples. Não há aqui uma escrita rebuscada ou erudita demais. Ou seja, senti muita facilidade ao entender os diversos contos. Mesmo quando ele apresenta uma história mais sofisticada como a da Dissecação-chan que tem um desenvolvimento maior, não nos perdemos entre os quadros. Mesmo as histórias sendo bem gore, bem no estilo do terror japonês, eu consegui me divertir bastante. Aliás, fica um parênteses aqui para este estilo que é um pouco diferente das histórias de terror ocidentais. O que eu percebo é que na maior parte das vezes os japoneses não se apegam muito a serem puritanos. Algumas histórias são realmente nojentas como a história que eu citei acima em que Ruriya é uma mulher obcecada em querer ser dissecada. Os momentos finais são assustadores. Eu acho que é essa falta de timidez dos autores japoneses que foi capaz de criar um fã clube tão apaixonado ao redor do mundo.

Os traços do Ito parecem ser normais. Quando ele desenha personagens normais, parece que estamos vendo um mangá normal, mas com um mangaká habilidoso em criar faces e tipos corporais diferentes. Mas... só parece. Quando o autor liga o botão autor de terror, tudo muda. Alguns quadros de Fragmentos do Horror são muito criativos. Destaco alguns quadros que me chamaram muito a atenção: o que acontece com a protagonista no conto Magami Namakuse é bizarro... o rosto dela se transforma de uma tal maneira que dá agonia; outro quadro sensacional é o do Monstro da Madeira quase no finalzinho. A composição das cenas é muito diferente; é um estilo de terror mais primal.

Os temas variam bastante entre a obsessão, a inveja, a traição, a raiva. São temas simples de se entender, talvez por isso tão atrativos.Um deles é Tomio - Gola Rolê Vermelha que trata de um homem chamado Tomio que trai a sua namorada (ou esposa) com uma vidente que ele conhece na cidade. O problema é que essa vidente tem hábitos bem estranhos. E tudo o que vai acontecer a Tomio é provocado por ele mesmo e sua vontade de encontrar uma "carne mais tenra" do que a de sua esposa. Ou uma fã de uma autora que deseja saber os segredos do sucesso da autora. Só que essa autora tem uma forma bem curiosa para se inspirar em seus novos livros. Aliás... Magami Nanakuse é uma história que dá nervoso só por você querer saber se tem algum tique.

Fragmentos do Horror é uma coletânea de histórias de alto nível. O autor foi muito feliz ao reunir essas histórias aqui. Nenhuma delas é super bem elaborada ou precisa de dezenas e dezenas de páginas. Todas tem o ponto certo no qual construir a sensação de pavor ou de asco necessário para o leitor. A escrita também é irretocável. Todas as histórias tem um nível de mediano para alto. Não vi uma que eu tenha achado chata ou enfadonha. Recomendo para os fãs do gênero. Muito.

Ficha Técnica:

Nome: Fragmentos do Horror Autor: Junji Ito Editora: DarkSide Books Gênero: Terror Tradutora: Akemi Ono Número de Páginas: 224 Ano de Lançamento: 2017


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