• Paulo Vinicius

Resenha: "Duo.Tone" de Vitor Caffaggi

Atualizado: Jun 4

Uma HQ curtinha com duas histórias: Tim precisa se despedir do lugar onde ele viveu mil aventuras ao lado de seus amigos e Yoshio se envolve em uma tremenda confusão por culpa de sua curiosidade.



Sinopse:


Depois de lançar a HQ de forma independente, Vitor Cafaggi agora publica Duo.tone pela Conrad Editora, pela primeira vez em formato digital. E para celebrar, esta nova versão trará uma história curta extra de Tim em sua nova vida.


Duo.tone é considerado um dos melhores trabalhos de Vitor Cafaggi. A HQ, totalmente colorida, apresenta originalmente duas histórias: na primeira, conhecemos Tim, um menino muito criativo e sonhador que sofre com uma grande mudança em sua vida. Sonho e realidade entram em atrito no melhor estilo Heróis X Vilões. Na segunda acompanharemos Yoshio, um jovem que sai para se encontrar com a namorada, mas sua curiosidade o leva a viver uma aventura com robôs e monstros gigantes a caminho do cinema.


Duo.tone é um quadrinho sobre crescimento, mudança e, também diversão, tudo isso sem perder a própria essência.





Quantas aventuras já vivemos quando crianças? Certamente nossa imaginação já nos levou por lugares tão distantes e limitados à nossa capacidade de criar coisas. Nessa HQ curta que explora dois personagens vemos um deles precisando se despedir de seus companheiros de aventura enquanto se muda para a cidade grande enquanto outro se envolve em uma aventura maluca ao perseguir um pequeno robô pela cidade. Caffaggi vai explorar nossa imaginação, curiosidade e criatividade em uma linda HQ que vai certamente divertir a todos.


Tim é um jovem garoto que vive no campo. Mas, sua mãe e seu pai estão de partida para um apartamento na cidade. Chegou a hora de se despedir de seus amigos. Ele segue em uma última jornada contra os vilões de Cavernópolis e mostra o quanto eles são heroicos e corajosos. Ao chegar na cidade sua vida vai mudar para sempre. Chegou o momento de crescer um pouco e ir a escola para viver novas experiências. Na segunda história, Yoshio marcou um cinema com a sua namorada. Ao se encaminhar para lá, ele vê um curioso robô perambulando pela rua. Ele vai seguir esse robozinho pela cidade. O que será que irá acontecer?


A arte do Caffaggi é linda. Apesar de não se comparar com a da trilogia da Turma da Mônica, tem os traços conhecidos do autor aqui. A expressividade dos personagens, o emprego da palheta de cores de uma forma única e a preocupação com frente e fundo. O resultado são quadros que dá gosto de olhar. A quadrinização também é bastante aberta, aproveitando ao máximo as pinceladas dele. Tudo salta aos olhos. O curioso é que para obter esse resultado, Caffaggi usou uma quadrinização bastante tradicional sem apelar para as pin ups ou para as splash pages. Lá no final temos uma galeria de rascunhos dele, mostrando um pouco do seu processo de criação.


A temática da curiosidade e da imaginação permeia as duas histórias. Me fez remeter imediatamente às minhas brincadeiras de criança quando eu imaginava ser um personagem de histórias de super-heróis e fingia estar salvando a cidade de supervilões. Quem mandava era a nossa imaginação, nossa capacidade de faz-de-conta. Ao mesmo tempo Tim precisa amadurecer porque uma nova etapa de sua vida vai se iniciar. Faz parte desse processo se despedir de alguns amigos para viver novas experiências. Entrar na escola, conhecer novos amigos. No início Tim vai ficar triste, mas à medida que uma nova realidade se avizinha, sua curiosidade acaba curando a tristeza de deixar algumas coisas para trás. Já a história de Yoshio tem clara inspiração em Alice no País das Maravilhas. Impossível não associar o robôzinho ao coelho apressado. Certamente foi uma releitura do clássico de Lewis Carroll em uma outra roupagem.


Alguns leitores criticaram o fato de o autor ter deixado as duas histórias com um final aberto. Vamos pensar que se trata de uma narrativa mais experimental do Caffaggi. Podemos criticar suas apostas, mas isso não tira a qualidade do que Caffaggi fez aqui. É lindo, é divertido e é gostoso de ler. É uma daquelas histórias possíveis de serem lidas por todas as idades e cada uma delas vai retirar uma interpretação distinta sobre a mesma. Um ótimo trabalho que marcou o retorno da Conrad Editora.













Ficha Técnica:


Nome: Duo.tone

Autor: Vitor Caffaggi

Editora: Conrad

Número de Páginas: 52

Ano de Publicação: 2020


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