• Paulo Vinicius

Resenha: "Dies Irae" de Lidia Zuin

Lynx acorda atordoada após uma bad trip. Ela tenta entender onde se encontra enquanto relembra de como ela deixou de ser uma hacker em uma situação privilegiada até uma pessoa de rua vivendo de drogas e decadência.



Sinopse:


Um conto cyberpunk extremo, com uma linguagem seca, crua, cruel. Narra as desventuras de Lynx, hacker perseguida por uma perigoso grupo por ter divulgado informações sigilosas. Haverá amanhã para uma garota hedonista e sem medo de viver intensamente?





Acho que poucas vezes eu encontrei um conto que consegui traduzir tão bem a essência do que William Gibson fez em Neuromancer quanto Lidia fez em Dies Irae. Tudo está aqui: o futuro corrompido, as drogas, a desesperança, a juventude desviada. Até mesmo as gírias tão comuns na obra de Gibson (que eu tanto detesto) estão presentes aqui. Lidia faz isso em uma narrativa curta, porém dinâmica em sua forma de apresentar a ambientação e seca em sua escrita. Não é o gênero que eu mais gosto, mas preciso admitir a habilidade da autora em conseguir transportar tudo isso para a sua própria personalidade.


Nossa protagonista é uma hacker que começa a história confusa após uma bad trip. Aparentemente ela usou alguma droga que lhe deixou mal e perambula pela cidade tentando encontrar a si mesma. Enquanto isso, Lynx pensa em como deixou de ser alguém com privilégios para se tornar essa mulher de rua sem esperanças e sempre em fuga de pessoas com poderes. Afinal, uma boa hacker está sempre metida aonde não deve e essas pessoas estão atrás de sua cabeça. E ai de quem estiver próximo dela.


O início é meio confuso e até você acertar as pernas na escrita da Lídia demora um pouquinho. Isso me irritou um pouco na história principalmente porque o conto é curtinho e não há tempo para gastar com confusão. Ou você pega o leitor de jeito ou o tempo já era e ele não gostou e ponto final. O emprego daquelas malditas referências pop culture tão típicas do Gibson estão ali, mas a autora faz isso de uma maneira até mais suave. Sinceramente eu preferiria ler algo da Lívia do que do Gibson. Ela consegue manter a escrita crua e seca do Gibson sem ser pomposa como o autor costumava ser. Acho que ela poderia ter investido um pouco mais na ambientação que é o que torna Neuromancer um clássico. As luzes de neon, o decadentismo do centro urbano, os carros voadores, os cubículos habitacionais. Ao invés disso ela preferiu se focar em uma narrativa de fuga e sobrevivência que quando conseguimos firmar o pé, já acabou. Mesmo assim, é uma narrativa cyberpunk interessante.










Ficha Técnica:


Nome: Dies Irae

Autora: Lidia Zuin

Editora: Draco

Número de Páginas: 14

Ano de Publicação: 2012


Avaliação:

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