• Paulo Vinicius

Resenha: "Diabolik vol. 1" de Mario Gomboli

Atualizado: Jun 4

O casal Diabolik e sua esposa Eva continuam em sua onda de crimes. Serão eles pegos pelo inspetor Ginko? Neste volume, Diabolik vai se envolver no estranho suicídio de uma famosa autora enquanto roubava um cortador de cartas valioso. Em outra história Eva correrá perigo ao ser presa por criminosos fazendo com que Diabolik esteja nas garras de um homem ambicioso.



Sinopse:


Este volume conta com quatro histórias publicadas na Itália em 2015, nos números # 1 a # 4 da revista Diabolik – Ano 54, com roteiro de Mario Gomboli e desenhos de diversos artistas. Originalmente, a numeração da série é reiniciada anualmente e inclui um aviso do ano de publicação.


Diabolik foi criado em 1962 pelas irmãs Giussani e publicado pela editora Astorina. O personagem é um homem de inteligência fora do normal e de uma audácia sem limites. Seus poderes parecem sobrenaturais. É o homem dos mil disfarces. Com suas máscaras especiais feitas de plástico, consegue modificar a fisionomia de seu rosto; com lentes de contato coloridas, muda a cor dos seus olhos, e graças a uma infinidade de truques é capaz dos crimes mais bem engendrados, ao lado de sua fiel parceira, e não menos cruel, Eva Kant.


Somente a genialidade e tenacidade do inspetor Ginko é capaz de enfrentar Diabolik e Eva Kant. Essa briga de gato e rato encanta gerações na Itália há décadas. O personagem volta a ser publicado no Brasil após 27 anos.





Falar de Diabolik é bem complicado porque estamos falando de uma história que é publicada na Itália há mais de meio século. É um fumetti clássico que ganhou uma repaginada e uma modernizada ao longo dos anos, mas mantém muito de seu formato original. Fica até o aviso aos leitores que esta não é uma história de origem. A cada novo ano de publicação da revista, eles zeram a numeração da revista, sendo que sabemos onde ela se encontra de acordo com a periodicidade (no caso aqui, ano 54 número 1). Só queria deixar esse aviso básico porque o leitor pode acabar entrando na história esperando saber quem é o personagem, por que ele é como é, como ele conheceu Eva. Não tem isso aqui. São quatro histórias comuns do personagem.


A narrativa é bem direta e objetiva. E isso até facilita no sentido de começar a ler a história. Eva e Diabolik são um casal de criminosos super chiques e inteligentes que fazem todo o tipo de roubos ousados. Eles não fazem qualquer tipo de assalto: tem que ter um grau de dificuldade, um desafio a ser ultrapassado. E a maior parte das histórias se passam na cidade de Cherville onde fica a base dos protagonistas (apesar de ter uma delas que se passa em outra cidade). O inspetor Ginko é o responsável pela investigação dos casos e por tentar capturar o bandido.


Fico aqui pensando em como definir a arte sem parecer rabugento. Não se enganem, a arte é muito boa. O problema é o formato no qual a revista é publicada. E aqui, parabéns para a editora 85 por ter tido a coragem de manter a publicação no seu formato original, mesmo a edição sendo bem gordinha. E, outra: a revista não sofre daqueles problemas de esgarçar quadrinhos. Consegui manusear numa boa. Mas, voltando à arte. A arte italiana é uma arte de altíssima qualidade. Dificilmente a gente vai encontrar um fumetti com uma arte ruim. Mas, o fato de a arte de Gomboli estar inserida em um quadrinho de bolso, com pouco espaço para ele espraiar os seus quadros prejudica demais para o leitor poder aproveitar e se encantar com personagens e fundo. Mesmo assim, o artista ainda consegue entregar cenários de fundo bons e bem detalhados. Existe uma preocupação com a composição da cena e do cenário. Entretanto, o tamanho realmente me incomodou porque parece que a arte está presa e querendo se soltar.



Dificilmente eu vou encontrar um fumetti também onde o artista não entregue boas cenas de ação. E aqui não vai ser diferente. Tem umas cenas de combate e outros de perseguição que são muito bons. Gostei principalmente de Escrito no Sangue (a primeira história) e Obrigado a Matar (a segunda). Na primeira a arte se focou bastante em mostrar as habilidades de infiltração do protagonista. Me lembrou até uma cena do Missão Impossível quando o Diabolik tenta se infiltrar no quarto da autora. Já em Obrigado a Matar os momentos finais com o confronto entre Diabolik e os malfeitores também é bem legal. O leitor consegue entender a movimentação, sabendo como os quadros se encaixam para formar uma cena completa.


As histórias são bem procedurais. Ou seja, são narrativas fechadas em si. Há alguma continuidade presente na história (e de vez em quando vemos umas notas informando alguma situação que se passou em alguma edição anterior), mas no geral a narrativa se resolve na própria edição. Em Dampyr (outro fumetti trazido pela editora 85) a gente até vê algumas histórias que se passam em várias edições, mas tal não é o caso aqui. Isso favorece bem o leitor ocasional que procura uma história fácil de entender e com uma narrativa que não exige o conhecimento de uma longa mitologia. Ou seja, é um bandido e sua esposa tentando assaltos incrivelmente arriscados. Ponto. É como assistir a um bom episódio das séries de TV CSI ou NCIS. A gente pode sentar e curtir. Não se assustem com o fato de o quadrinho ter 480 páginas. As páginas passam brincando até porque Gomboli não é verborrágico. Tem até alguns momentos em que temos várias páginas sem qualquer diálogo.


Nessas primeiras quatro histórias foi possível mais entender parte da relação entre Diabolik e Eva. O quanto eles realmente são parceiros de crime e até um pouco diferentes nas suas abordagens. Muitas vezes Eva acaba agindo como o lado emocional da relação enquanto Diabolik é mais metódico. Na segunda história é que foi possível entender um pouco mais a ligação entre os dois personagens. Mas, me incomoda um pouco o quanto eles ainda me parecem rasos e as motivações acabam não sendo tão claras para mim. O próprio inspetor Ginko parece mais um coadjuvante só para dizer que tem alguém perseguindo-os. Eu imaginava uma narrativa mais no estilo Corra, se Puder, mas não é bem isso. Me frustrou um pouco isso e Diabolik parece uma espécie de "herói".


A narrativa tem bastante do método Agatha Christie de contar histórias. Tem o momento em que a narrativa se desenrola, com seus andares e desandares, suas soluções e obstáculos. Mais para o final de todas as histórias, temos o momento em que algum dos personagens conta como o caso foi resolvido. Ou como o lugar foi assaltado. Ou como os policiais foram enganados. Mais para o final do volume esse formato acabou me cansando um pouco. Ou seja, o que eu realizei ao final da leitura, é que é um quadrinho que não funciona para mim. Esse método procedural de contar histórias não me cativou o suficiente para eu continuar. Provavelmente eu vou ler um segundo volume para confirmar minhas impressões, mas deve ser uma série que pretendo abandonar mais adiante.












Ficha Técnica:


Nome: Diabolik ano 54 vol. 1

Autor: Mario Gomboli

Editora: Editora 85

Tradutor: Leonardo Campos

Número de Páginas: 480

Ano de Publicação: 2018


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