• Paulo Vinicius

Resenha: "Descender vol. 2 - Machine Moon" de Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Continuamos as aventuras de Tim-21 nesse novo mundo devastado pelos Harvesters. Tim-21 chega até o lar de Psius e seus rebeldes e encontra Tim-22. Mas, o seu "irmão" é bem diferente de nosso protagonista. Em muitos sentidos...



Sinopse:


O jovem robô TIM-21 e seus companheiros lutam para permanecerem vivos em um universo onde todos os andróides foram considerados fora da lei e caçadores de recompensas espreitam em todos os planetas. Escrito pelo premiado escritor Jeff Lemire, Descender é uma odisseia cósmica repleta de sentimentos. Lemire coloca a humanidade contra as máquinas, e mundo contra mundo, para criar um épico.





Diferentes pontos de vista


Esse é um bom volume de Descender com alguns desenvolvimentos bem curiosos. A escrita do Lemire tende sempre a buscar a empatia, o emocional do leitor. E, ao construir personagens interessantes e complexos, começamos a nos importar com suas trajetórias. Temos dois grandes núcleos de personagens, cada um em pontos diferentes do espaço. Não vou conseguir entrar em muitos detalhes sobre o núcleo novo com medo de soltar algum spoiler importante. Por isso, já peço desculpas de cara caso vocês achem esta resenha menor do que outras que eu faço.


Curiosamente eu gostei da arte do Nguyen nesse segundo volume. Aquilo que não me agradou no primeiro volume, surtiu mais efeito aqui devido aos cenários específicos onde as cenas se encaixam. Por exemplo, no cenário do Tim, alguns capítulos usam e abusam muito da cor branca espalhada pelo fundo. Isso é devido ao estilo limpo e higienizado das máquinas que exigem tudo funcionando com o máximo de eficiência. O emprego do branco dá um tom de diminuição em uma perspectiva ampla. Parece que os cenários são maiores do que parecem, já que os personagens parecem pequenos diante de tantos mecanismos. Do outro lado temos um cenário mais confuso e caótico no núcleo do caçador de recompensas. Ele explora o planetóide onde Tim-21 estava, um estranho planeta e o lar de um bando de ciborgues. Gostei da maneira como Nguyen dá vida a esses cenários, repleto de construções e objetos que mesclam o arruinado e o tecnológico.


A narrativa segue discutindo o que podemos considerar como humano. Ao redor de seu grupo, Tim-21 muitas vezes parece ser o mais humano ali dentro. Não tem preocupação com ambições e interesses. Sua ingenuidade infantil cativa no sentido de que, ao se comparar com o dr. Quon, que esconde segredos terríveis, ou a capitã Telsa que precisa cumprir sua missão a todo custo, Tim parece ser o mais preocupado com o que se passa ao seu redor. Quando ele chega no lar dos rebeldes, se depara com Tim-22, um robô da mesma série que ele, logo compartilhando da mesma programação empática. Mas, Lemire nos coloca diante de um dilema: Tim-21 foi introduzido em uma família que aumentou a sua resposta diante dos sentimentos das pessoas enquanto Tim-22 era o acompanhante de um senhor e depois passou para o grupo rebelde. Só que vamos ver que Tim-22 é mais violento e inconsequente do que seu irmão. Sua frieza chega a incomodar Telsa que o chama de criatura. A questão é: a humanidade de Tim vem da alteração de sua programação ou da convivência com a família de Andy? A velha discussão entre natureza e criação.




Sem comentar detalhes sobre a história do caçador de recompensas, vale a pena falar um pouco sobre o ponto de vista dele porque mostra alguém afetado diretamente pelo ataque dos Harvesters. A gente sempre procura criar a ideia de um vilão maligno e sem coração, mas aqui Lemire nos apresenta alguém que tem bons motivos para odiar as máquinas. É compreensível que ele tenha levado a ideia de vingança às últimas consequências, mas se trata de uma reação bem humana às coisas. A narrativa é apresentada também por meio de flashbacks de uma página, no estilo do que foi feito com a história de Tim-21. Os caçadores são eficientes e até um pouco cruéis, mas o ambiente formado pelo espaço e a ameaça sempre pairando no ar de um retorno dos Harvesters fez com que a humanidade respondesse à altura.


Ainda tenho muitas dúvidas sobre o movimento rebelde. Eles se apresentam como sobreviventes e unidos por uma causa comum, que é tentar não serem extintos. Mas, a dialética do Psius é contraditória em alguns momentos. As máquinas parecem até bastante ardilosas, se formos levar em consideração as desconfianças frequentes de Telsa quando às motivações dos mesmos. O que Tim-22 acaba mostrando depois faz a gente ter aquela coceira na cabeça sobre o que realmente é esse movimento rebelde. Ah... e mais uma vez Quon escondia outro pedaço de informação. O quanto mais esse personagem esconde?


Outra virada narrativa surpreendente do Lemire, que eu também não quero entrar em muitos detalhes é: máquinas entendem a figura de um deus? O que seria uma figura divina na visão de um ser mecânico? Conhecendo o trabalho do Lemire, ele deve voltar a essa questão em breve.


Não posso comentar mais coisas porque vou entrar na zona perigosa dos spoilers. Esse é um bom volume que aumenta as tensões e nos oferece várias bolas curvas. Algumas certezas que tínhamos no volume anterior são derrubadas por terra neste segundo volume. Resta saber se Tim-21 vai passar para o lado dos rebeldes ou se vai permanecer ao lado de Telsa e Quon. Chega a ser engraçado porque lentamente Telsa vai se tornando uma figura materna para Tim. E a personagem detesta ser vista dessa forma.











Ficha Técnica:


Nome: Descender vol. 2 - Machine Moon

Autor: Jeff Lemire

Artista: Dustin Nguyen

Editora: Image Comics

Número de Páginas: 106

Ano de Publicação: 2016


Outros Volume:

Volume 1


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