• Diego Araujo

Resenha: "Depois" de Stephen King

Depois é uma história sobre um garoto que vê gente morta, com o diferencial de destacar desenvolvimento de sua maturidade.



Sinopse:


Um livro que demonstra todo o talento de Stephen King, Depois é assustador e emocionante, e fala dos desafios de crescer e aprender a distinguir o certo do errado. Uma história poderosa, perturbadora e inesquecível sobre o preço de encarar o mal, não importa sob qual forma ele se esconda.


James Conklin não é uma criança comum: ele vê gente morta. Com que frequência? Jamie não sabe bem; afinal, os mortos em geral se parecem muito com os vivos. Exceto pelo fato de que eles ficam para sempre nas roupas em que morreram, e são incapazes de mentir.

Sua mãe implora para que ele mantenha essa habilidade em segredo, o que não é problema na maior parte do tempo. Pelo menos até Liz Dutton, a companheira de sua mãe e detetive do Departamento de Polícia de Nova York, aparecer na saída da escola e anunciar que precisa de ajuda.

É assim que Jamie embarca em uma corrida para desvendar o último segredo de um falecido terrorista, e começa a jornada mais assustadora de sua vida.






O Mestre King nos traz outro e se. E se o garoto for capaz de ver gente morta e certos adultos passarem a acreditar? Este último verbo da frase é importante, afinal os mortos só respondem a verdade, e assim comprova a capacidade paranormal, bem como a crença na utilidade desta habilidade para atrair terrores que só os vivos conseguem causar. Depois é o trabalho mais recente de Stephen King, publicado em 2021 por meio da editora Suma, com a tradução de Regiane Winarsky.


“Sempre tem um depois, agora sei disso. Pelo menos até morrermos.”

James Conklin narra a história de sua infância, quando descobriu a capacidade de ver gente morta até saber os segredos de gente viva, afinal os mortos falam apenas a verdade quando Jamie pergunta. Conklin escreve esta história já quando adulto, remetendo a momentos posteriores do momento narrado por meio da palavra Depois, deixando de ter um sentido completamente cronológico. Mas, até lá, fala sobre lidar com a maturidade da infância à adolescência enquanto os adultos desejam se aproveitar do seu dom.


“Gente morta é igual gente viva, só que sempre está usando a mesma roupa.”

Mais uma vez King conduz uma criança em uma história de terror, entendendo o mundo a partir de sua visão para criar uma empatia com os leitores antes de os deixar aflitos com os perigos que ele irá enfrentar. Jamie ganha experiência a partir das desilusões disfarçadas pelos adultos, seja um desenho feito na escola que não ficou nada bom, ou dos problemas familiares entendidos também por crianças, como os de aspecto financeiro. Depois já entende sobre a amiga da mamãe ir além da amizade, Depois descobre das suas falhas. Isso tudo na perspectiva do garoto que é adicionado ao longo da história pela capacidade de conversar com os mortos, e aqui torna a história única, pois contribui para o elemento sobrenatural.



Ainda tratando sobre o ponto de vista entendido a partir da idade do personagem, King reforça o suspense porque ele desconhece as regras de sua própria habilidade, portanto tem medo de estar em situações perigosas e teme pelas consequências improváveis no caso delas acontecerem. Como nem o garoto tem esta informação, o leitor também fica refém de descobrir junto ao personagem. Pode até parecer uma brecha para King inventar qualquer perigo na história, não fosse o cuidado de lidar também com a vida particular de Jamie, o elemento da história tornando-a interessante.


O Depois remete ainda às pontas deixadas pelo autor, algo feito de forma proposital para retornar com surpresas. Conhecendo o autor, é provável que ele levantou essas questões e improvisou a resposta conforme escrevia. O importante é a solução colaborar com as situações inusitadas na maior parte das vezes, e elas se chocam diante das consequências e provocam anseios quanto ao que as outras pontas ainda reservam para a vida de Jamie. Uma dessas pontas sobra no final, isolada dos elementos restantes, e por isso traz uma revelação desconexa a tudo de relevante ocorrido com o protagonista, que poderia ter dormido sem saber disso, pois nem afeta o desenvolvimento da história.


Depois aproveita das muitas situações difíceis para lidar com um garoto que mereciam ser mais coerentes e King mostra dentro destas duzentas páginas o porquê, afinal proporcionou um enredo comovente nessa história paranormal.


“A gente se acostuma com as coisas extraordinárias.”










Ficha Técnica:


Nome: Depois

Autor: Stephen King

Editora: Suma

Tradutora: Regiane Winarski

Número de Páginas: 192

Ano de Publicação: 2021


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* Material enviado em parceria com a Editora Suma