• Paulo Vinicius

Resenha: "Deadly Class - Os Filhos de Reagan" vol. 1 de Rick Remender e Wes Craig

Estamos na década de 1980 e a vida de Markus foi de mal a pior quando sua família é morta acidentalmente por uma suicida. Desde então, ele tem vivido nas ruas. Ou melhor, sobrevivido. Até que um estranho encontro o leva para a Escola de Artes Mortais dos Reis Soberanos. E aí tudo muda. 

Sinopse:


Estamos em 1987, e o adolescente sem-teto Marcus Lopez Arguello não tem mais motivos para viver. Até a fatídica noite em que ele é abordado por uma misteriosa garota que o convida a entrar para a Escola de Artes Mortais dos Reis Soberanos, um colégio secreto e brutal para onde as principais famílias criminosas do mundo mandam a futura geração de assassinos para receber treinamento. Homicídio é uma arte, matar é um ofício e o punhal nas costas não é uma metáfora.




Que o Remender gosta de um roteiro bem provocativo não é nenhuma novidade. A maior parte de seus arcos nos quadrinhos é sempre bem violento, vide o seu Uncanny X-Force que veio repleto de altas ideias e o Wolverine decepando inimigos. Para ele chegar e criar uma escola de assassinos, brincando com o clichê da escola de magia de Hogwarts não é nada estranho. Porém, se engana quem acha que o autor fica só nisso. A ideia da escola é uma fachada para tratar de temas bem mais severos. 

Antes de mais nada, Remender trata da vida das pessoas marginalizadas. Quase dois capítulos deste primeiro volume são dedicados a mostrar como é a vida de alguém tentando sobreviver nas ruas. E isso porque eu acho que a gente pegou apenas a ponta do iceberg e mais problemas vão surgir em volumes posteriores. Além de lidar com a história de Markus vemos o quanto outras pessoas possuem histórias de glória e decadência como a do velho que fazia parte da invasão americana ao Vietnam e teve sua vida destruída quando retornou para casa. A década de 1980 criou uma verdadeira legião destas pessoas que retornaram e se viram rejeitadas pelo país que eles juraram defender. 

A própria diversidade de etnias presente na escola de assassinos mostra o quanto a sociedade americana sofreu uma lenta e progressiva mudança até chegarmos ao que ela é nos dias de hoje. A formação de grupos étnicos se tornou a saída para que estas pessoas pudessem sobreviver. A própria situação que envolve Maria e seu namorado é um ótimo exemplo de como havia uma necessidade de estas pessoas se manterem unidas para não se perderem nas "terras devastadas" que representavam a civilização americana. Claro que por trás desta "proteção" haviam inúmeros dados de violência doméstica, casamentos arranjados, escravidão entre outros. As situações apresentadas por Remender em Deadly Class envolvendo estrangeiros são muito mais verídicas do que você imagina. Lógico que o autor imprime um ritmo especulativo para dar um tom de filme de ação à narrativa. 

São os exageros do Remender que me incomodam um pouco. Ele coloca os personagens em umas situações absurdas por demais. Às vezes, eu sinto que ele quer dar uma tirada de sarro, ao colocar Markus, por exemplo, com drogas lisérgicas até o crânio e tentando enfrentar seus inimigos enquanto vê estrelas no céu. O roteiro é bem dramático e se fosse levado a sério, talvez trouxesse uma narrativa mais interessante. Por exemplo, o personagem que é ligado ao protagonista parece ter um arco narrativo bem curioso e que vamos saber posteriormente. Mas, quando eu me lembrar dele, vou lembrar daquela primeira cena envolvendo uma vaca. Há espaço para dar certas tiradas de humor, mas quando elas se sobrepujam à narrativa que você quer contar, isso acaba tirando o foco do que realmente importa. 

A arte do Wes Craig está diferente, para dizer o mínimo. Ele opta por inserir cores específicas em cada capítulo. Algumas vezes são cores pastéis que geram um efeito estranho que eu não sei dizer se gosto ou não. Porém, Craig produz algumas cenas de ação que são do ***ete. Saya portando uma katana e enfrentando policiais enquanto salta no ar é uma coisa linda. Olha a splash page logo acima. Okay, não sou de ter fixação por splash pages, mas percebam os detalhes presentes ali. A escolha de cores: ora preto e branco, ora vermelho e com as expressões do rosto do personagem em azul. Isso é simbólico e proposital. A quadrinização dele é bem padrão, com alguns momentos em que ele usa quadros demais para trabalhar uma cena. 

Deadly Class vai se tornar uma série em 2019. E eu tenho certeza que vai ser uma bela experiência. Se você a viu e veio conhecer a origem da história, seja bem vindo. Aproveite a experiência porque você não vai se arrepender. Salvo alguns exageros que podem ou não terem sido corrigidos pelo produtor da série, Deadly Class é uma leitura sólida com uma arte que não deixa a desejar. 


Ficha Técnica:

Nome: Deadly Class - Filhos de Reagan Autor: Rick Remender Artista: Wes Craig Editora; Devir (no Brasil) Gênero: Ação/Aventura Tradutor: Marquito Maia Número de Páginas: 176 Ano de Publicação: 2018


Outros Volumes:

Volume 2

Volume 3

Volume 4

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