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O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.

  • Paulo Vinicius

Resenha: "Coroa Cruel" (A Rainha Vermelha vol. 0,5) de Victoria Aveyard

Updated: May 1, 2019

Em duas noveletas, Aveyard nos apresenta o que acontece antes do primeiro livro a partir do ponto de vista de duas personagens: Coriane Jacos, mãe de Cal e Diana Farley, uma comandante da Guarda Vermelha.

Sinopse:


Duas mulheres - uma vermelha e uma prateada - contam sua história e revelam seus segredos. Em “Canção da rainha”, você terá acesso ao diário da nobre prateada Coriane Jacos, que se torna a primeira esposa do rei Tiberias VI e dá à luz o príncipe herdeiro, Cal - tudo isso enquanto luta para sobreviver em meio às intrigas da corte. Já em “Cicatrizes de aço”, você terá uma visão de dentro da Guarda Escarlate a partir da perspectiva de Diana Farley, uma das líderes da rebelião vermelha, que tenta expandir o movimento para Norta - e acaba encontrando Mare Barrow pelo caminho. O livro traz, ainda, um mapa de Norta e um trecho exclusivo de Espada de vidro, o segundo volume da série A Rainha Vermelha.



Coroa Cruel é uma compilação das duas noveletas lançadas pela autora antes do lançamento do volume 2 da série, Espada de Vidro. Canção da Rainha trata da vida de Coriane Jacos, uma jovem de uma decadente casa prateada que precisa tentar se destacar no jogo da corte. Quando Coriane conhece Tiberias, parece que tudo irá mudar. Mas, talvez o coração de Coriane não esteja preparado para lidar com as intrigas da corte de Archeon. Já Cicatrizes do Aço mostra a ascensão de Diana Farley, o rosto mais conhecido do grupo terrorista conhecido como a Guarda Vermelha. Vemos as motivações que levam Farley a ser tão extrema em seus atos e como ela conheceu a família Barrow, Shade e Mare.

Ambos os contos são bem interessantes. Servem para expandir o mundo criado pela autora no primeiro livro. Ele vale mais para aqueles que realmente ficaram interessados no desenvolvimento da história, não sendo tão fundamentais para o futuro da série. Tanto um como o outro complementam informações e dão extras para o leitor. Eu gostei porque a autora se soltou um pouco mais nestas duas histórias e chegou até a fazer experiências narrativas.

“Jamais sairei daqui, escreveu. Estas paredes douradas serão meu túmulo.”

No primeiro conto o tema fundamental é a solidão. Tanto Coriane quanto Tiberias são pessoas solitárias. Não são capazes de conviver dentro da exigente sociedade de corte. Coriane deseja apenas montar e desmontar coisas. E ela vê sua vida sendo planejada para ela. Não é capaz de saber o que ela fará de si mesma. Tudo tem um propósito: o andar, o vestir, o pensar, o se portar. E isso é quase como se fosse uma prisão. Se em um primeiro momento a protagonista é ignorada completamente por todos, depois ela se torna o alvo dos olhares e julgamentos de todos. Já Tiberias é um ser etéreo que vaga pela corte. Ele não sabe o que quer para si e encontra em Coriane alguém parecido com ele. Tem uma frase da história que é exemplar nisso que diz que já que ambos são solitários, por que não serem solitários juntos?

Os jogos de poder entre as casas prateadas são bem apresentados aqui. O sufocante mundo de Archeon onde qualquer suspiro pode ser mal interpretado e onde todos possuem algum poder. Coriane chega na corte de Archeon sem dominar as suas habilidades como cantora. E provavelmente essa inexperiência ocasionou o fim dela. Precisar lidar com uma manipuladora como Elara foi demais para a jovem personagem. Basicamente eu gostei bastante desse conto e serviu para aprofundar mais os jogos de poder que tanto foram interessantes no primeiro livro. Os personagens sao bem apresentados e alguns são familiares para quem leu A Rainha Vermelha.

“Vamos nos levantar, vermelhos como a aurora.”

Já o segundo conto nos apresenta um pouco mais sobre a Guarda Vermelha. O movimento é bem mais organizado do que parece no primeiro livro. Lá nós imaginávamos um movimento pequeno formado por um grupo de pessoas de Norta insatisfeitos com o andar das coisas. Mas, percebemos através deste conto que o buraco é muito mais embaixo. O nível de organização da Guarda é bem maior, com hierarquias, códigos, transportes. A autora passou bem esse ar de organização complexa demonstrando fraqueza para enganar os outros. Realmente esse segundo conto se passa bem mais próximo de A Rainha Vermelha do que o primeiro conto. Alguns acontecimentos são melhor esclarecidos e vemos como a surpresa do final do primeiro livro realmente acontece. E ela acontece bem antes do que deixa transparecer no final.

A protagonista é Diana Farley, a face pública do movimento. No primeiro livro ela parecia mais uma criatura sombria que se esconde e suas motivações não são lá muito claras. Aqui começamos a entender mais quem é a personagem. E a autora joga algumas pistas de onde a Guarda Vermelha teria surgido. A protagonista dessa história agora me parece muito mais interessante em sua obscuridade. Não seria nada mal um spin-off com as aventuras dela. O tema principal desse conto é a lealdade e até onde uma pessoa pode conduzir suas ações em prol de seu objetivo. Em várias ocasiões Farley desobedece ordens superiores por discordar das mesmas. Na visão dela, os membros da Guarda não podem perder a visão de pelo que eles estão lutando. Essa pureza de objetivo é que torna Farley tão complexa e perigosa ao mesmo tempo. Ela não mede esforços para alcançar o que deseja.

“Não existe nada tão terrível quanto uma história não contada.”

Neste segundo conto, a autora emprega um estilo narrativo diferente: ela intercala relatórios de progresso das ações da Guarda com a narrativa em primeira pessoa. Eu gostei da maneira como ela fez isso, mas admito que não gostaria de ver esse estilo no livro principal. Vale apenas para este conto aqui. A narrativa é em primeira pessoa, mas achei o estilo mais veloz e dinâmico em relação à Rainha Vermelha. Não existem tantas descrições por aqui e a autora deixa transparecer mais os sentimentos da protagonista do que usar linhas em longos pormenores. Acho que ela poderia empregar esse estilo no segundo livro que o tornaria até mais interessante.

Recomendo A Coroa Cruel para aqueles que gostaram do universo de Victoria Aveyard. Aqui conhecemos um pouco mais do mundo onde se passa a história de Mare. As motivações de outros personagens se tornam mais claras. Não é um livro essencial para a compreensão do todo, mas fornece boas horas de diversão. A autora faz algumas experiências narrativas diferentes o que torna a leitura bem distinta da série principal. Achei o primeiro conto mais interessante do que o segundo, mas isso é normal em coletânea de contos. Não tem para onde correr nesse sentido.



Ficha Técnica:


Nome: Coroa Cruel

Autora: Victoria Aveyard

Série: A Rainha Vermelha vol. 0,5

Editora: Seguinte

Gênero: Ficção Científica

Tradutor: Cristian Clemente

Número de Páginas: 232

Ano de Publicação: 2016


Outros Volumes:

A Rainha Vermelha (vol. 1)

Espada de Vidro (vol. 2)


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