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Resenha: "Contos dos Antigos Natais escritos por mulheres" de Lucy Maud Montgomery et al

Uma coletãnea natalina com catorze histórias escritas por mulheres do século XIX e início do XX. Temos desde brinquedos que ganham vida até cucos de natal mágicos e milagres natalinos que trazem o amor e a harmonia. Venham comemorar um Natal mágico com essas histórias.


Sinopse:


A nostalgia dos Natais antigos com a delicadeza da escrita feminina em 14 contos recheados de fantasia, aventuras e afeto para todas as idades. L. M. Montgomery (autora de Anne de Green Gables), Louisa May Alcott (autora de Mulherzinhas), a feminista Mary E. Wilkins Freeman e outras dez autoras apresentam contos sobre um coelho de veludo que quer se tornar um animal de verdade, um ratinho alfaiate encarregado de uma missão, laços familiares que demandam coragem para serem reconstruídos, além de diversos outros enredos selecionados diretamente das bibliotecas do passado. Uma obra encantadora com histórias clássicas e raras de Natais distantes no tempo, mas que agora poderão ficar guardadas para sempre na memória.






O Natal é uma data mágica. Simboliza o renascimento, a confraternização e a reunião das pessoas. Ao longo dos séculos vimos inúmeras histórias sendo escritas contando histórias mágicas que buscam trazer a essência do Natal. O que me atraiu nessa coletânea da editora Wish foi a abordagem mágica e fantástica do Natal através de histórias que busquem trazer positividade para as pessoas. Nada de enredos complexos ou viradas sombrios; apenas o puro espírito dessa época tão bela. A apresentação de Lícia Dalsin nos traz um pouco do significado dessa data e de como ela foi reinterpretada por diferentes culturas. Seja a ideia de presentear as pessoas, a ceia natalina ou os próprios brinquedos e o que eles significam em um contexto maior. A edição da Wish está fantástica e conta com a tradução de Karine Ribeiro que deixou os textos fáceis de serem lidos e apreciados. Alguns leitores tem um pouco de dificuldade com a escrita clássica, mas podem mergulhar tranquilos aqui. Karine deixou os textos fluidos e quando necessário existem algumas notas de tradução que ajudam a entender determinados trechos. A edição está linda, e eu espero que a editora coloque uma nova tiragem à venda porque parece que ela só está disponível no site (a Wish agora faz parte da DarkSide Books). Não sei se virá uma nova edição ou alguma coisa do tipo. Mas, se puderem, peguem.


Vou comentar sobre alguns dos contos que mexem mais com o fantástico. Por exemplo, o primeiro conto é de um tema que me é muito caro: o de brinquedos que ganham vida. A história foi publicada em 1932 pela autora Margery Williams e chama-se O Coelho de Veludo. Ela trata de um coelho de brinquedo que faz parte do conjunto tido por um menino de uma família abastada. O coelho possui consciência própria e deseja acima de tudo poder se tornar real. Mas, ele não sabe como fazer isso e vai precisar entender qual é o seu papel e o de seu dono nesse milagre. É a velha narrativa do brinquedo que deseja se tornar real, muito na linha de histórias como O Quebra Nozes ou até mesmo Pinóquio. Desde que somos pequenos, os brinquedos habitam as nossas vidas. Alguns acabam se tornando mais importantes do que outros, seja porque fez parte de um momento ou nos foi dado por alguém especial. Pode ser um simples boneco velho de veludo ou uma bola de borracha. Nem precisa ser nada muito sofisticado. Na leitura do Natal, esses brinquedos existem com o propósito de integrarem nossas vidas por um momento especial. As memórias que temos desses brinquedos são tão vívidas que, às vezes, uma fada pode aparecer e tornar este brinquedo em algo vivo. Talvez ele saia de nossas vidas; talvez nos reencontremos com ele no futuro.


Em 1856, Francis Browne escreveu uma história bem curiosa chamada de O Cuco de Natal. É a história de dois irmãos chamados Graxa e Borracha que trabalham como sapateiros em um pequeno vilarejo local. Um dia, um novo sapateiro chega à cidade e o negócio deles começa a decair e eles se preocupam com o que será deles. Um dia, um cuco falante chega à casa deles e pede para ficar hospedado até a primavera. Eles o abrigam e o cuco, como compensação, oferece a eles uma pena da alegria e uma pena de ouro. Cada irmão precisa escolher uma. Graxa, ambicioso, pede a pena de ouro enquanto Borracha aceita com tranquilidade a pena da alegria. O que vemos a partir disso é como os dois irmãos vão ser agraciados graças ao poder mágico dessas penas. O Cuco de Natal é a velha história de como a humildade é importante em nossas vidas. Nem sempre o dinheiro e a ambição conseguirão nos dar as coisas que precisamos. Encarar a vida com alegria e tranquilidade pode ser mais compensador. O Natal é uma época em que devemos dar muito mais do que receber. Sermos capazes de nos desapegarmos do materialismo, de presentear os outros apenas porque sim. A verdadeira conquista está nos sorrisos e na felicidade do próximo. Graxa vai ser colocado diante de uma situação bem difícil, justo quando pensava que tinha se tornado rico e confortável. Vai ser no seu momento de maior apreensão que a solução dos seus problemas virá do lugar mais inesperado.


Louisa May Alcott é mais conhecida pelo clássico Mulherzinhas, mas aqui neste livro conhecemos algumas de suas narrativas curtas. Em Um Sonho de Natal, e Como se Realizou, publicado em 1908, ela nos leva à própria essência do espírito natalino. O sentimento de doar, de levar felicidade, de trazer um sorriso seja àqueles que podem ganhar um presente ou a quem é tão pobre que apenas sobreviver e ter comida na mesa já é uma dificuldade diária. Na narrativa somos apresentados a Effie, uma jovem menina que faz parte de uma família burguesa e que sempre teve lindos natais. Mas, como qualquer criança, ela desperta um espírito petulante e não deseja mais comemorar o Natal. Sua mãe faz todo o possível para encontrar formas de agradar a menina, mas ela parece irredutível. Depois de muita discussão, a menina acaba adormecendo e vai parar no mundo dos sonhos onde tem uma experiência reveladora. Alcott bebe do conto Um Cântico de Natal, de Charles Dickens e até o cita aqui, e esse conto é uma releitura das aventuras de Scrooge. O final da história é muito bonito e toca nessa questão do espírito natalino. Do quanto ele não é apenas um momento para realizar uma grande ceia, ou montar uma árvore incrível ou distribuir inúmeros presentes. É sobre o espírito humano, a capacidade de ficar feliz através da felicidade alheia.


Mas, há espaço para críticas sociais nessa coletânea. Claro que precisamos analisar que se trata de um trabalho do século XIX quando ser escritor era possuir uma vida mais ou menos estável. Mas, Mary E. Wilkins Freeman escreve O Baile de Máscaras Natalino onde ela usa a fantasia de uma maneira bem sutil para falar do grande abismo entre ricos e pobres. Escrito em 1892, a trama gira em torno de um baile de máscaras natalino proposto pelo prefeito da cidade. A ideia do prefeito era fazer uma brincadeira e as crianças usariam fantasias daquilo que mais queriam ser. Curiosamente, as crianças de famílias ricas escolheram ser pastores, costureiras, sapateiros. Coisas que ele nunca poderiam ser por conta de sua posição social. Por outro lado, as crianças pobres quiseram se fantasiar de princesas, de cavaleiros, de ocupações tipicamente nobres e burguesas. Para fazer as fantasias, eles contaram com a ajuda de um estranho costureiro que produziu rapidamente o que lhe foi pedido. O baile transcorreu normal até que quando eles voltaram para casa, as roupas não saíam mais das crianças e suas personalidades passaram a mudar por conta das fantasias. Isso me fez pensar imediatamente na ideia do carnaval brasileiro, um momento de nosso cotidiano quando as posições sociais se invertem por algum tempo e onde as leis comuns não são mais válidas. A ideia original do carnaval surge com esse objetivo de por um dia ou uma semana alterar as convenções. Dessa forma, as tensões sociais seriam aplacadas. A autora foi muito inteligente ao usar o período natalino para fazer suas críticas.


Em Para que Serve, Margaret Arndt nos apresenta um pouco da cultura regional prussiana para nos falar sobre o espírito que rege o Natal. Hansi é uma menininha que pertence a uma família cuja mãe é uma tremenda muquirana. Desejando economizar um pouco mais de dinheiro neste final de ano, a mãe decide não adquirir uma árvore de Natal o que deixa todos os seus filhos tristes. Ela compra presentes bem tolos porque ela não vê utilidade em realizar uma comemoração como o Natal. Mas, Hansi sai na floresta para tentar ajudar seus pais e trazer o sorriso ao rosto de seus irmãos. Ela vai contar com a ajuda dos animais da floresta e até com os Henzilmen, o que acredito terem sido baseados nos sete anões da Branca de Neve. Por falar em sete, esse é um número mágico presente em todo o conto. Na mitologia indo-europeia, o número 7 é entendido como importante como podemos ver na religião católica com os dias da Criação ou na mitologia celta quando o 7 é fundamental em festas ligadas à fertilidade. Esse é um conto curioso no sentido de que a fantasia tem um tom de normalidade na vida dos indivíduos. Quando os Henzilmen trazem algo que Hansi pede a eles, a família não estranha; apenas se maravilha com a graça recebida. Lembrar que o Natal é ligado diretamente ao solstício de inverno e nas culturas mais antigas, não possui ligação necessariamente com o dia 25.

Sempre temos aquelas histórias natalinas em que precisamos aprender uma lição. Como foi no conto anterior. Mas, Toinette e os Elfos de Susa Coolidge vai se concentrar em uma criança e em como ela precisa aprender a ser mais empática com os outros. Escrito em 1883, a história é sobre Toinette, a mais velha de cinco irmãos. Introvertida, impaciente e meio teimosa ela deseja passar o tempo consigo mesma. Quando seus irmãos a procuram para alguma coisa, ela os dispensa rapidamente. Um dia, ela acaba encontrando um elfo em uma fonte e o ajuda a se livrar de um espinho em suas costas. Como recompensa, o elfo promete a ela trazer sementes de samambaia, itens que apenas os elfos conhecem e que tem a capacidade de tornar as pessoas invisíveis por um dia. Toinette logo se anima com as possibilidades de pregar várias peças em sua mãe e em seus irmãos. Mas, ela acaba escutando algumas coisas sobre o que seus irmãos pensam a respeito dela que a fazem repensar seu comportamento. Um belo conto com aquela pequena dose de reflexão sobre respeitar o próximo para sermos respeitados.


Essa é uma ótima coletânea de contos natalinos. Vale destacar a preocupação da editora Wish em trazer apenas contos escritos por mulheres, o que fornece uma outra dimensão para esta coletânea. O projeto gráfico está impecável como já é de praxe da editora Wish (mas, sempre importantíssimo destacar), a tradução da Karine Ribeiro está excelente e a introdução da Licia Dalsin oferece a contextualização necessária para entendermos a visão do Natal em épocas passadas. Vamos ver várias autoras que não sejam tão conhecidas do público enquanto algumas outras cujos trabalhos mais famosos estão em outra linha. Acho legal ver histórias da Louisa May Alcott ou da Lucy Maud Montgomery que não são aqueles que costumam ser associados a elas. No mais, fica o meu feliz natal a todos! Abracem o espírito natalino e distribuam positividade e amor a todos.











Ficha Técnica:


Nome: Contos dos Antigos Natais escritos por mulheres

Com contos de Louisa May Alcott, Lucy Maud Montgomery et al

Editora: Wish

Tradutora: Karine Ribeiro

Número de Páginas: 224

Ano de Publicação: 2022


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Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. 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