• Paulo Vinicius

Resenha: "Cinco Vermelhos" de Talessak

Uma menina vê seus pais sendo mortos por um samurai. Ela é a única sobrevivente e parte em busca de vingança. Se disfarçando de homem, ela busca aprender o necessário para conseguir realizar seus objetivos. 

Sinopse:


A história se passa no Período Edo do Japão, numa época em que os samurais ainda dominavam, começa numa fatídica noite de inverno em que uma família é brutalmente executada por um ronin, apenas a filha caçula sobrevive e é deixada à própria sorte. Os anos passam e os caminhos que percorre são tortuosos, cheios de desafios. Quando a lâmina da espada ressoa por toda a terra o som cortante desperta a sua consciência.




Uma velha história de vingança sempre pode funcionar de acordo com a emoção que se imprime na narrativa. Aqui, Talessak explora o desejo de uma jovem menina de matar aquele que lhe tirou sua família. Mas, sua vingança vai acabar esbarrando nos anseios de seu coração. Aqui ela faz funcionar porque roteiro e desenhos cooperam para formar um todo coeso e uma história inesquecível. 

Vamos falar antes da arte. Que coisa linda que são os traços da Talessak. Ela emprega uma técnica completamente diferente do que você está acostumado. Não sou bom entendedor disso, mas me parece uma técnica feita a pincel em arte tradicional. Isso dá contornos muito diferentes aos cenários e a autora precisa trabalhar muito bem o sombreamento. São as sombras que vão oferecer profundidade e solidez aos personagens. Suas expressões também são bem focadas, nos dando pistas sobre os seus sentimentos. Simplesmente adorei o efeito que o estilo da Talessak fornece aos desenhos. 

A arte chega a se conectar com a forma como a narrativa é contada. Em determinados momentos as falas parecem transcender os balões, quase como os haikais que a autora usa ao iniciar os quatro atos da história. A impressão que fica é que os textos são como legendas para as imagens colocadas no papel. Ela não perde o fôlego ao longo dos quatro atos e algumas sequências são absurdas de lindas. Um dos exemplos é o de Haya caminhando pela neve. Os flocos de gelo caem como se fossem pétalas de rosa enquanto o chão se mescla à melancolia de seu coração. Os momentos finais em que Haya combate um sem número de adversários, sua postura é completamente feral, seus cabelos desgrenhados e seu olhar selvagem. A imagem é tão poderosa que dá quase para imaginar que ela está se transformando em um oni. 

"Quando a lâmina da espada ressoa por toda a terra o som cortante desperta a sua consciência."

O tema geral é o da vingança. Os primeiros dois atos se focam na tristeza que habita o coração de Haya. Ela presencia seus pais sendo assassinados por um samurai no início da narrativa. A partir de então, ela se foca em se vingar do assassino.Para isso ela sai em busca dos meios para conseguir cumprir seus objetivos. Ela sabe que precisa aprender o caminho da espada e que, para isso, ela vai precisar disfarçar sua identidade. É então que ela busca um mestre e assume o papel de um homem. Haya é uma mulher corajosa e decidida, ao mesmo tempo em que mantém sua feminilidade. Ela é uma pessoa em uma encruzilhada. E ela não sabe se sua missão vai lhe dar a satisfação e o alívio que ela anseia. Nos dois últimos atos, é essa dúvida que fere seu coração. Principalmente com os acontecimentos que se dão da metade em diante. 

As lutas são fantásticas e a Talessak tem uma ótima noção de posicionamento dos personagens. Ela nos fornece toda a dramaticidade do enfrentamento entre duas pessoas decidindo o seu rumo. Consigo ver vislumbres da forma como o Takehiko Inoue vislumbra os combates do Musashi em Vagabond. A maneira como cada movimento é importante, como os lutadores lutam para sair da imobilidade dos movimentos iniciais e de como cada troca de espadas é como uma dança mortal. 

Todo o percurso de Haya é uma nova versão da jornada do herói. Mas, como eu sempre digo: mesmo uma história já conhecida, quando bem contada, pode ainda emocionar seus leitores. Talessak une uma história competente e segura a uma arte de tirar o fôlego. Sua técnica é impecável e sua história flui como poesia. Em vários momentos temos páginas e páginas sem dialogo onde podemos curtir mais da arte da autora. 


Ficha Técnica:

Nome: Cinco Vermelhos Autora: Talessak Editora: Auto-publicado Gênero: Romance/Drama/Oriental Número de Páginas: 236 ​Ano de Publicação: 2018


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