• Paulo Vinicius

Resenha: "Born Cartolla" de Levi Tonim

Terry teve sua visão roubada por uma Sombra Absurda quando era criança. Sua vida irá mudar quando a viajante Galla Cartolla chega até sua casa e cura sua maldição. É então que uma aventura incrível irá começar. 

Sinopse:


Galla Cartolla é uma misteriosa viajante mágica, cuja bagagem é apenas o chapéu. Perdida em trilhas mundo afora, sua jornada se vê em um ponto crucial ao encontrar Terry Mac Éan, um garoto cego, vítima da mais temida criatura mágica, a Sombra Absurda. Com seu sangue mágico, a jovem cura Terry, trazendo sua visão de volta. Prometendo apresentar a ele os mais diversos lugares pelo mundo, ambos partem numa breve viagem, mas que alterará todo o equilíbrio do mundo mágico. Amarrada a grandes decisões, influenciada por anseios insondáveis, Cartolla reascende ao universo viajante para evitar seu declínio total, enquanto Terry, vislumbrando o novo mundo, deseja abandonar a forma humana, se tornando viajante. Criaturas misteriosas, organizações revolucionárias mágicas, chapéus milagrosos, tudo vale no mundo mágico de Born Cartolla, onde só o inimaginável tem vez.




Produzir um mangá longo feito por um brasileiro. Este foi o objetivo de Levi Tonim quando lançou sua campanha no Catarse. Aliás, uma campanha muito criativa com direito a várias artes bacanas lançadas durante todo o percurso. Os personagens eram apresentados, algumas imagens eram colocadas de modo a atrair vários apoiadores. A Editora Avec também teve uma boa parcela no sucesso do financiamento graças à divulgação nas redes sociais. O resultado é um material criativo, original e com uma arte competente que retrata uma história de ação e de aventura no mundo mágico dos viajantes. 

O homem controla ou é apoiado pela natureza? Qual é a postura correta em relação aos nossos bens naturais? Partindo dessa pergunta básica, Levi Tonim traça a história de um mundo marcado pelos humanos e pelos viajantes. Estes últimos são seres que possui o dom de se conectar à natureza. Nunca permanecendo no mesmo lugar, eles percorrem o mundo aleatoriamente, aonde a natureza deseja que eles estejam. O papel deles é impedir que forças malignas destruam o equilíbrio do mundo. Mas, dentro dos viajantes existe um grupo que acredita que a natureza deve ser dominada e usada por eles por um propósito. Nada de seguir ao léu, dependendo da vontade de uma força caótica. Esse grupo vai buscar acabar com as forças que estão se opondo a eles. 

Galla Cartolla é uma viajante em busca de sua missão. Ela vai parar em uma região afastada onde conhece um jovem irlandês que foi atacado por uma Sombra Absurda quando era menor. As Sombras se alimentam dos cinco sentidos das pessoas, matando-as no processo. Miraculosamente, Terry sobreviveu, mas perdeu os olhos. A protagonista se propõe a curar seus olhos em troca de saber qual é a direção para o caminho que ela está fazendo. Quando Terry recupera sua visão, ele decide seguir Galla para registrar todas as coisas do mundo que ele não foi capaz de ver. E assim começa a jornada desses dois heróis. 

Gostei bastante da proposta temática do Levi. São poucos os mangás/quadrinhos que abraçam esse tema. E a maneira como o Levi fez gerou um belo mangá no estilo shounen (de luta). Me fez lembrar imediatamente de um mangá que eu adoro: Shaman King. A ideia da diferença entre viajantes e humanos foi muito bem trabalhada ao longo da narrativa e esta segue sendo bem coerente até o final. Existe aqueles momentos de jornada do herói quando este se perde, quando um deles precisa realizar um treinamento para ficar mais forte. Todos aqueles clichês são bem aproveitados pelo autor que entrega uma boa história. Meu único porém foi em vários momentos quando o autor é verborrágico demais. Acaba precisando explicar muito da sua história para que o leitor possa entender o que está acontecendo ou qual o conceito que ele está empregando. Quando a gente coloca palavras demais em um quadro, a gente acaba tirando o foco da arte e colocando na escrita. E a arte do Tonim é muito legal para se focar só na escrita. Nesses momentos, é melhor mostrar mais e explicar menos. Apesar de que há de se ter um bom equilíbrio nessa máxima. 

Para quem curte um mangá de ação, Born Cartolla é muito eficiente. As cenas criadas pelo autor são repletas de detalhes e os Feitos vão ficando mais legais à medida em que a história avança. Chega a um ponto lá pela metade da história que as lutas são mortais com técnicas impressionantes sendo usadas pelos personagens. A própria ideia do Feito de que é preciso criar atalhos para usar as técnicas começa como algo estranho e complexo, mas pouco a pouco a gente vai compreendendo o funcionamento. Lá pela metade final, os combates se tornam surreais. O legal também são os enquadramentos empregados pelo autor: temos splash pages, páginas únicas, páginas com vários quadros, sequências de pontos de vista. Tem de tudo um pouco no mangá. Minha crítica fica em alguns momentos em que a arte está um pouco mais apressada do que o padrão. São alguns momentos. E isso acaba prejudicando a apreciação da arte e a fruição da narrativa. Momentos quando o rosto dos personagens não está bem acabado, ou a cena destoa da narrativa. 

As pequenas falhas cometidas não comprometem o todo. É óbvio que, por ser uma obra de estréia, o autor iria cometer alguns erros. Nada que uma reflexão sobre os mesmos não possa ser feita e contribuir para melhorias. Vejo um cara muito talentoso que ainda tem um enorme caminho pela frente. E outra: observem o tamanho do mangá... São mais 400 páginas. Não me recordo de ter nada do tipo no Brasil feito por um autor nacional. O Tonim já entrou no meu radar de observação para outros trabalhos e espero ver coisas muito legais dele em breve. 


Ficha Técnica:

Nome: Born Cartolla Autor: Levi Tonim Editora: Avec Editora Gênero: Fantasia Número de Páginas: 408 Ano de Publicação: 2018 Link de compra:  https://amzn.to/2EdVzgp


*Material recebido em parceria com a Avec Editora


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