• Amanda Barreiro

Resenha: "Betina Vlad e o Castelo da Noite Infinita", de Douglas MCT

O despertar da sobrenaturalidade de Betina muda completamente a sua vida. Perseguida pela Inquisição Branca, a menina precisa abraçar seu novo mundo e adaptar-se a uma realidade que até então sequer desconfiava existir.



Sinopse


Em O Castelo da Noite Eterna, Betina Vlad, uma jovem que aos dezesseis anos descobre que é uma sobrenatural, filha de Drácula, parte em uma jornada de aventura e terror por um castelo que guarda segredos, desafios e uma traição. Tudo isso enquanto ela e seus novos amigos monstros tentam resgatar uma garota como eles das garras da Inquisição Branca, ao mesmo tempo que são perseguidos por Van Helsing.



Diversidade e aceitação


Young Adults possuem uma complexidade em sua escrita que ainda foge à percepção de grande parte dos leitores. Isso se dá, acima de tudo, por serem livros escritos por adultos, cujo maior desafio é precisar conversar com o leitor jovem com termos compreensíveis a eles. Betina Vlad e o Castelo da Noite Eterna volta-se para o público YA com muita propriedade e naturalidade, e eu fico muito feliz de ver a literatura fantástica infanto-juvenil tão bem representada no cenário nacional.

Betina é uma mocinha comum (talvez um pouquinho trevosa e antissocial) do interior de São Paulo, de uma cidadezinha chamada Cruz Credo, órfã de mãe e abandonada pelo pai, que nunca conheceu. Isso até uma série de reviravoltas a colocarem no Castelo da Noite Eterna, frente a frente com o próprio Drácula, seu verdadeiro pai, e vários jovens sobrenaturais como ela mesma lutando para se encaixar nessa sociedade peculiar e, acima de tudo, para sobreviver em um mundo tão hostil com as diferenças.

Betina Vlad traz debates sutis, mas muito relevantes, especialmente para os jovens leitores, como o autoconhecimento, a amizade, a moral e a justiça, mas o que mais me chamou a atenção foi o respeito às diferenças e toda a hipocrisia social envolvida nesse processo. Isso diz muito sobre a nossa realidade, sobre como as pessoas “caçam bruxas” e excluem minorias, cometem atos de violência e propagam discursos de ódio simplesmente por não conseguirem aceitar o outro como ele é. Betina sente sua diferença na pele e nos faz refletir sobre o que nós mesmos passamos ao enfrentar a selvageria do preconceito. Apresentar esse sentimento de medo e exclusão ao jovem é uma lição fundamental ensinada pelo autor aos seus leitores através da vampirinha.



Os monstrinhos são diversos, desde a própria Betina, filha do Drácula, até lobisomens, fantasmas, banshees, bruxas... O folclore por trás deles é genial, super simples de ser compreendido pelo leitor e ao mesmo tempo riquíssimo em referências clássicas e geeks. Os personagens são bem variados, divertidos e muito carismáticos. O vilão, Van Helsing, também é bem inusitado e interessante. O autor foi muito feliz na composição do grupinho principal e deixou a trama leve, gostosa, fluída e cheia de pitadas de humor muito bem colocadas. Como os personagens sempre são um ponto importante para mim numa história, eu diria que os adolescentes de Betina Vlad são o ponto mais forte do livro.

Se estamos mencionando pontos fortes, precisamos comentar sobre o quanto o autor realmente gosta de reviravoltas. Betina Vlad traz uma surpresa atrás da outra, e quando você pensa estar sacando a história toda... O autor ataca novamente. É impossível prever aonde a trama vai chegar, o que vai acontecer, qual é o próximo acontecimento. Junto com o clima de aventura delicioso presente o tempo todo na história e o próprio formato narrativo, que já vou comentar, além da linguagem jovem, os plot twists dão uma agilidade incrível ao livro.

O livro é organizado em formato de diário com algumas mensagens, bilhetes e cartas permeando a história, criando uma dinâmica bem interessante e pertinente à proposta do autor e ao público. Narrado em primeira pessoa na visão de Betina, a linguagem é fácil, bastante coloquial e a leitura flui com muita naturalidade. Essa narrativa facilita a empatia pela personagem e colabora com os mistérios explorados pelo autor ao longo da trama e vamos descobrindo cada ponto junto com a protagonista. Preciso destacar, contudo, que a revisão pecou em diversos momentos, tanto no texto quanto na precisão de algumas informações, erros que acabam interrompendo e desconectando o leitor. Um cuidado maior nesse aspecto é necessário, até porque a história é ótima e merece ser aproveitada ao máximo.


Além da aventura, o autor investiu em mistérios e segredos que vão sendo desvendados aos poucos e dão certo diferencial à história. A “investigação” é bem interessante e o desfecho realmente surpreendente. Douglas MCT brincou com o leitor e conseguiu causar uma impressão bem legal.

Betina Vlad e o Castelo da Noite Eterna explora clichês que sempre dão certo, referências ótimas ao terror, muito humor e uma trama leve, porém sólida e engenhosa, cheia de surpresas. Douglas MCT não inovou, mas soube utilizar muito bem os recursos disponíveis e criou uma obra que, apesar de voltado para o público jovem, pode empolgar leitores de todas as idades. Eu já estou esperando pelo próximo volume da série!



Ficha técnica:


Título: Betina Vlad e o Castelo da Noite Eterna

Autor: Douglas MCT

Série: Betina Vlad e os Sobrenaturais vol. 1

Editora: Avec

Número de páginas: 296

Ano de lançamento: 2018

Gênero: Terror/aventura/young adult


Livro cedido em parceria com a editora Avec.


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