• Paulo Vinicius

Resenha: "A Princesa Prometida" de William Goldman

Atualizado: 6 de Jun de 2019

A famosa história de amor entre Buttercup e Westley está de volta em uma edição especial feita pela editora Intrínseca. Uma história que encantou milhões e cuja influência pode ser vista em filmes e séries de TV.  

Sinopse:


Clássico que deu origem ao filme cult dos anos 1980 e que inspira referências pops até hoje, passando por The Big Bang Theory, Shrek e Gilmore Girls.

Buttercup é uma camponesa que se apaixona perdidamente por Westley, o jovem humilde que trabalha na fazenda do pai dela. Juntos, eles descobrem o amor verdadeiro, mas um trágico acidente envolvendo um navio pirata os separa.

Em poucos anos, Buttercup se torna a mulher mais bonita de todos os reinos e acaba sendo pedida em casamento pelo sádico príncipe Humperdinck. Mas nada, nem um poderoso príncipe amante da caça, é capaz de separar esse amor, e o destemido Westley volta para resgatar sua princesa que foi prometida a outro.

Em uma paródia aos épicos clássicos, William Goldman escreve um divertido romance com direito a tudo que o gênero tem a oferecer: piratas, duelo de esgrima, traições, tramas políticas da realeza e um romance apaixonante. Esta edição de luxo em capa dura traz os textos extras que William Goldman escreveu para as edições comemorativas de 25 e 30 anos da obra original — que misturam ficção e realidade e ajudam a compor o universo emblemático que transformou a obra em um fenômeno.




Estamos diante de um clássico desconhecido. A Princesa Prometida é um daqueles filmes da década de 1980 que todo mundo já deve ter visto algum pedaço, mas nunca se lembra do nome do filme. A clássica frase de Inigo Montoya, ou a famosa Buttercup que originará a Fiona de Shrek. A obra de William Goldman talvez seja uma daquelas obras incríveis injustiçadas para toda a eternidade. E a leitura deste livro é tão gostosa e divertida que a gente acaba rindo sozinho com as insanidades criadas pelo autor. 

A escrita de Goldman é um pouco pesada, mas ele tem um estilo único. Ele tem uma boa mão para entender que é possível empregar aliterações para criar um efeito cômico e divertido. É a ideia essencial por trás do bordão. Através deles a gente individualiza e caracteriza os personagens. Quando lemos a palavra Inconcebível, já nos lembramos de Vizzini. Ou Buttercup que repete algumas frases para demonstrar suas emoções. Ou Westley com suas expressões de amor exageradas. Essa habilidade de usar de problemas de escrita criativa propositalmente para criar um efeito qualquer é genial. 

A narrativa dele é em terceira pessoa, mas funciona como se ele estivesse contando para nós a sua história. O início de A Princesa Prometida vai ser um pouco estranho para os leitores. Goldman nos fala da epopeia por trás da publicação do livro. Ele cita que a obra teria sido escrita pro Morgenstern e ele teria apenas editado a obra e colocado apenas as partes interessantes. O curioso é que Goldman conta a história com tamanha quantidade de detalhes (até pessoais) que o leitor realmente acredita no que ele está falando. Pesquisando um pouco sobre a biografia do autor, garanto que vocês ficarão em choque ao saber que grande parte da narrativa é ficcional. Ele criou detalhes pessoais no formato de uma narrativa dramática. O que impressiona é que ele mistura situações reais com coisas completamente ficcionais como o reino de Florin. Ele quebra muitas vezes a quarta parede ao agir como uma espécie de editor do texto. Em determinados momentos, ele interrompe o texto e tece comentários a respeito do que ele teria "cortado da narrativa original". É quase como se fosse uma espécie de "versão do diretor". 

"Meu nome é Inigo Montoya. Você matou o meu pai. Prepare-se para morrer!"

A grande virtude de A Princesa Prometida é não se levar a sério. Goldman brinca com os clichês de livros do gênero. Buttercup não é exatamente o protótipo da princesa perfeita. Ela dispensa rapazes e brinca com os sentimentos de Westley em um primeiro momento. Não tem nada mais canastrão do que as frases do protagonista para sua princesa. Ao mesmo tempo, somos colocados diante de várias situações impossíveis como Fezzik carregando quatro pessoas nas costas para subir um rochedo ou a pílula da ressurreição de Max Milagreiro. Esse espírito gostoso de não se levar a sério é o que vai arrancar várias risadas dos leitores. Para quem é fã de Monty Python vai adorar os trocadilhos e as piadas internas. 

A narrativa segue um fio condutor típico de histórias de espadachim (swashbuckling): resgatar a princesa com a ajuda de aliados conquistados ao longo de suas aventuras. Tem uma boa harmonia entre as partes e a gente é guiado pelas várias encrencas nas quais os personagens se envolvem. Só achei que o autor encerra de forma meio estranha as suas histórias (a principal e O Bebê de Buttercup).Entendo que é uma brincadeira com a noção de finais felizes típicos dessas histórias, mas mesmo assim você fica confuso quando termina. Mesmo assim, a história principal tem um excelente ritmo e um timing de comédia que é inacreditável. Sério, gente... não tem como não rir em vários momentos da história. O treinamento do Inigo é absolutamente hilário. Ele demonstrando os vários tipos de bizarrices que ele precisou fazer para aprender suas técnicas de esgrima. 

Já O Bebê de Buttercup, que é a segunda história acrescentada posteriormente, tem um ritmo mais truncado. Goldman tentou usar de suas brincadeiras quebrando a quarta parede, mas isso serviu mais para atrapalhar a condução da narrativa do que dar um tom engraçado. As constantes interferências fizeram até com que eu levasse mais tempo para ler esta segunda parte. Fora que a mudança de foco que ele faz em toda a narrativa passando de Fezzik, a um flashback sem sentido de Inigo, para a história de Waverly, é estranha. Eu não curti mesmo. 

A Princesa Prometida é aquele tipo de história que todos precisam conhecer. A gente vê referências o tempo todo em séries como Supernatural, Shrek, How I Met Your Mother, The Big Bang Theory, Game of Thrones e a lista segue. Uma obra tão referenciada não tem como não ser boa ou minimamente digna de nota. É um clássico com interferências em vários elementos da cultura pop nos dias de hoje. E está à disposição em uma belíssima edição feita pela editora Intrínseca que produziu uma capa lindíssima e um trabalho de editoração muito competente. É um trabalho digno desta obra e uma edição muito agradável. Recomendadíssimo!


Ficha Técnica:

Nome: A Princesa Prometida Autor: William Goldman Editora: Intrínseca (no Brasil) Gênero: Fantasia ​Tradutora: Alice Mello Número de Páginas: 416 Ano de Publicação: 2018


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Podcast do Perdidos na Estante sobre o livro:

http://leitorcabuloso.com.br/2019/04/perdidos-na-estante-028-a-princesa-prometida/


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