• Diego Araujo

Resenha: "A Garota da Casa da Colina" de Larissa Brasil

Yara precisa superar seu passado quando retorna a cidade onde morava desde a infância. Ela encontra uma garota chamada Nina com comportamento misterioso, e a partir dela Yara enfrentará os antigos e novos medos.


Sinopse:


Anos depois de fugir de sua vida na pequena Campo das Flores, a lutadora de boxe Yara está de volta. O homem que ela mais odiava, seu avô, agora está morto e a única coisa que ela quer é abraçar sua avó. O que era para ser uma rápida visita vai desencadear uma sequência de acontecimentos quando ela conhecer sua pequena vizinha, Nina. A amizade entre elas vai revelar uma estranha ligação em suas vidas e mostrar a Yara que seu passado esconde fatos nebulosos e que seu avô pode ser ainda pior do que ela imaginava.





É comum termos grandes expectativas do futuro, ainda mais quando o passado nos atormenta. Cada projeto e realização é uma pá de terra sobre o que já passou e desejamos permanecer assim. Só esquecemos o quanto o nosso presente é forjado a partir da nossa vivência. As fases da vida são entrelaçadas, nada fica isolado, e rejeitar esta realidade apenas prejudicará o futuro. Querendo ou não, é preciso desenterrar o passado. A Garota da Casa da Colina interliga o passado da protagonista com os receios de retomá-lo no tempo presente. Publicado em 2019 por Larissa Brasil através da editora Monomito, a história fará Yara enfrentar de vez o passado enquanto tenta conviver com Nina.


“Aquela cidade é povoada de ranco, revolta, medo...”


Yara Leão é boxeadora profissional. Vence a última disputa cujo espírito esportivo da adversária é deixado de lado pela ambição esdrúxula, comparada ao que faz Yara interromper a carreira em seguida. Nada adianta ignorar as chamadas no celular; no fim, ela recebe a notícia da morte do avô Adolfo Leão, e precisa voltar à pequena cidade Campo das Flores e confortar a avó pela perda. Criada por eles, Yara teve problemas de relacionamento com o avô a ponto de comemorar o falecimento, ao contrário do respeito sempre garantido à avó.


Chegando na cidade, Yara entra em conflito com as memórias ruins. Ela viveu neste lugar simples desde a infância até a fase adulta, até ter uma filha com o namorado Guilherme e perdê-la no parto quase ao custo da própria vida. O avô falecido era um médico bem conceituado. A notícia de seu falecimento repercute por onde Yara vai. No hospital onde a avó repousa por conta do trauma de perder o marido, Yara tem dúvidas quanto a determinados rostos serem conhecidos. E no meio desta visita encontra uma garota chamada Nina. Algo nela atrai a atenção de Yara e dá motivos a permanecer ali e enfrentar o passado abandonado pela carreira de lutadora.


“Se não está curado, querida, é porque não passou o tempo necessário.”


Narrado em primeira pessoa e em tempo presente, a protagonista conta sobre tudo que observa e revela cada sentimento no momento vigente da história. A escrita alterna entre as cenas expositivas, quando Yara narra acontecimentos ao redor de si; e a divagação da narradora refletindo sobre os assuntos do capítulo e das memórias da forma que são lembradas, prolonga em cada capítulo e cansa a leitura por adiar o desenrolar das cenas. Poderia ficar interessante caso esta narrativa fosse condizente com o enredo, chega a levantar esperança de o ser, porém a revelação relaciona apenas com a descrição em cena. A divagação pesa mais pelo abuso da autora em utilizar metáforas, algumas até são interessantes, mas acabam prejudicadas pela quantidade, tornando o recurso repetitivo.



O ápice no fim do livro traz respostas satisfatórias e dão outra visão a muitos fatos ocorridos ao longo da leitura, incita o leitor a recordar das páginas passadas e amarrar com as seguintes à da revelação. Seria melhor aproveitado caso não deixasse toda a resolução no fim do livro, faltou dar pequenas respostas entre os capítulos do livro ou outra maneira de convidar o leitor para acompanhar os problemas de Yara e solucionar o mistério junto com ela. Já este livro só oferece novos mistérios sem nada em troca, apenas a esperança do leitor de pelo menos ter a indagação respondida ao concluir a leitura, e pelo menos isso acontece. Aproveitando para tratar do final do livro neste parágrafo, fica o aviso de alerta de gatilho quanto ao suicídio, citando o sofrimento de determinado personagem como a causa do ato.


Os poucos personagens que interagem com Yara ora lhes dão amparo, ora despertam o terror da protagonista a respeito do passado preenchendo todo o ar desta cidade serrana. Pela narrativa em primeira pessoa, o leitor só tem acesso à intimidade revelada pela protagonista, deixando a participação dos demais personagens espontânea, revelando mais deles a partir dos gestos, da forma de falar e quais palavras foram usadas; assim como deveria ser com a própria Yara, ou pelo menos ter reduzido as indagações internas dela enquanto narradora.


“Mentira é a última coisa que eu desejo, mas a primeira que faço.”


A Garota da Casa da Colina aproveita o passado atormentado da protagonista ao elaborar os conflitos quando ela precisa retornar nos braços da avó depois de perder avô. Deixou a desejar por explorar o enfrentamento deste passado da protagonista a partir da própria narração contida, e só permitiu ao leitor reconhecer toda a qualidade da trama no final.



Ficha Técnica:


Nome: A Garota da Casa da Colina

Autora: Larissa Brasil

Editora: Monomito

Gênero: Suspense

Número de Páginas: 319

Ano de Publicação: 2019


*Material enviado em parceria com a Editora Monomito


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