• Paulo Vinicius

O Planeta do Tesouro

Uma épica aventura em busca do tesouro deixado pelo pirata Billy Bones em algum lugar do universo. Jim Hawkins, um fã das aventuras de Billy, sai em busca desse tesouro para poder ajudar sua mãe a reformar sua pousada.

Sinopse:


A história conta sobre o jovem Jim Hawkins, um adolescente problemático que traz apenas dor de cabeça e problemas a sua mãe, a dona de uma pequena estalagem. O garoto encontra um raríssimo mapa para um fabuloso tesouro caçado por todos os navegantes espaciais. Mas neste instante, os tais piratas invadem a estalagem e causam um incêndio na mesma, quase matando Jim e sua mãe, que por um triz conseguem se salvar. Agora, o que o garoto mal podia esperar era que o embrulho seria um mapa até as lembranças das histórias de quando era criança. O mesmo levaria até o "butim de mil galaxias", o tesouro de Flint, um temido pirata espacial escondido no Planeta do Tesouro. A caçada começa com Jim, o Doutor, a Capitã Amélia e uma tripulação bastante suspeita comandada por John Silver, um ciborgue mal humorado que cuida da cozinha do navio.




O Chamado para a Aventura


Muitas vezes a gente reclama da fórmula Disney de compor histórias. Chamamos de açucarada, melosa, formulaica, mas é preciso pensar da seguinte forma: geralmente histórias da Disney são a porta de entrada para crianças e adolescentes pelo mundo mágico dos filmes ou dos livros. Assim é em O Planeta do Tesouro, uma história reimaginada a partir do clássico A Ilha do Tesouro, de Jules Verne. Mesmo se passando no espaço, a animação mantém sua essência fiel ao material adaptado, passando para o espectador o espírito de aventura e de crescimento.


Embora simples e clichê, a narrativa é bem contada: temos um adolescente chamado Jim Hawkins, que lia as histórias e lendas a respeito do famoso pirata Billy Bones. Ele parece ter conseguido os tesouros vindos de mil mundos diferentes e teria escolhido um planeta onde deixar suas riquezas. Com sua morte, todos os aventureiros do universo seguem tentando descobrir se a história sobre seu tesouro é real ou não passa de mais uma lenda a respeito do temível pirata. A ação começa com um Jim pequeno e depois ele cresce, mostrando um adolescente sedento por aventuras e um tanto problemático para sua mãe. O menino foi abandonado pelo pai quando era criança, e sua mãe acaba precisando cuidar sozinha da pousada (com a ajuda relutante de Jim). Mas, sua mãe não sabe como lidar com o protagonista, o que a deixa triste. Um certo dia, a aterrissagem forçada de um homem estranho na pousada, faz de Jim o alvo de caçadores de recompensas. Isso porque este homem tem uma esfera com um mapa que leva até o tesouro de Billy Bones. Jim parte rumo à aventura, e o dr. Delbert Doppler decide acompanhá-lo para ajudá-lo (e viver um pouco de aventura também). Delbert e Jim acabam em uma tripulação bem estranha comandada pela capitã Amelia.


É bem fácil associar a figura de Jim a qualquer adolescente em fase de crescimento. Todos passam por aquilo que o personagem passa: dúvidas, negação, a vontade de explorar algo maior, de sair em busca do que deseja. Esta facilidade de identificação facilita a gente se relacionar com ele. Porque parece que ele representa um de nós ali. Jim está conhecendo o mundo e as pessoas; ele não sabe em quem confiar, o que fazer, como agir. O fato de ele não ter um pai, faz dele alguém que precisa de uma figura paterna em sua vida. John Silver aparece como essa figura em um momento oportuno. Mesmo pelos motivos errados, Silver funciona como alguém que desperta o potencial do protagonista, o coloca como uma pessoa centrada e mais experiente. A transformação do protagonista do começo até o fim da história é evidente, e Silver é a razão pela qual isso acontece.

Aventuras e Perigos


A animação acaba se focando muito no personagem de Jim e em sua relação com Silver. Os outros personagens acabam um pouco deixados de lado. Mas, eu achei bacaninha a interação entre o dr. Doppler e a capitã Amelia. Estava na cara aonde aquilo iria dar muito pelo fato de os dois serem opostos. Mas, ambos proporcionaram algumas cenas bem divertidas. E Amelia é uma personagem feminina forte, o que são pontos para a Disney de não colocar mais uma princesa em perigo. Tem até uma cutucada de leve quando Jim entra a bordo do navio e se dirige ao imediato achando que, por ele ser grande e musculoso, ele fosse o capitão. É então que Amelia aparece se apresentando. Ou mais tarde quando Doppler precisa se tornar corajoso para ajudar o grupo. Por alguns instantes ele se transforma em um atirador preciso.


A aventura se passa em vários ambientes e a ideia da Disney de transformar a navegação pelo espaço realmente em uma navegação oceânica dá uma conotação fantasiosa à situação. Quando eles saem do porto, eles passam por criaturas marinhas do espaço. Dá até para a gente relacionar essa estética maluca de navegação de Planeta do Tesouro a algo steampunk até porque todos os elementos estão ali. É um cenário futurista com clara inspiração na obra de Jules Verne (é uma ressignificação da obra). As escolhas do diretor foram bem acertadas e contribuíram para dar uma noção bem homogênea ao cenário. Gostei, por exemplo, da ideia do glider espacial. Só achei que poderiam ter feito mais cenas como a do início e a do final.


A trilha sonora não é nada demais. Tem umas batidas de aventura bem genéricas, mas conseguem entregar bem aquilo que promete. Salvo em duas situações específicas onde tem momentos realmente sonolentos (a parte do navio quando eles se dirigem ao planeta e quando eles encontram o robôzinho). Ah, claro que não poderiam faltar partes musicais. Não é Disney se não tiver algum número de dança. Até nem achei tão vergonha alheia assim e são bem modestos. Uma canção que trata da jornada do herói e outra que trata dos sentimentos de Silver por Jim. Quanto aos sons da animação me pareceram também bem legais e não comprometem também. Ou seja: mediano, mediano, mediano.

A animação segue a tendência atual da Disney: a de ser inteiramente 3D ou a de mesclar elementos 2D e 3D. Eu até gostei dessa mistura. Em algumas animações, essa mescla é bem tenebrosa. Aqui eles só usaram quando precisavam mostrar alguma cena em perspectiva ou nas cenas de ação. Tem uma tomada aérea de câmera quando eles chegam no porto, com Jim e Doppler andando sobre uma prancha que é de tirar o fôlego. O planetinha também é bonito com uma floresta primitiva e logo depois um momento altamente tecnológico. Pode não ser um dos melhores trabalhos da produtora, mas esteticamente ele é muito bonito. Não senti queda na animação em nenhum momento, sendo ela bastante fluida. Os momentos em que a velocidade é exigida quando acontece uma perseguição ou um tiroteio também são bem executados.


Planeta do Tesouro me surpreendeu agradavelmente. Fui totalmente sem expectativas para assistir e tive uns bons 90 minutos de diversão. A mensagem de heroísmo, crescimento e aventura é uma boa para toda a família. Tudo é apresentado de forma orgânica e sem os exageros que aparecem em algumas animações da produtora. Não é nada inesquecível, mas pode garantir um bom cinema em família.


Ficha Técnica:


Nome: Planeta do Tesouro

Diretores: Ron Clements e John Musker

Produtores: Ron Clements, John Musker, Roy Conli e Peter del Vecho

Roteiristas: Ron Clements, John Musker, Ted Elliott e Terry Rossio

Baseado na obra A Ilha do Tesouro, de Jules Verne

Estúdio: Walt Disney Pictures

País de Origem: EUA

Tempo de Duração: 95 min

Ano de Lançamento: 2002


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