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  • Foto do escritorPaulo Vinicius

O Conto da Princesa Kaguya

Na última animação feita por Isao Takahata, vamos conhecer a lenda da princesa Kaguya. Nascida de um broto de bambu, ela é criada no campo até o momento em que ela é levada com toda a pompa para a grande cidade. Mas, Kaguya sente falta da vida simples do campo onde todas as cerimônias e formalismos não existiam.

Sinopse:


Esta animação é baseada no conto popular japonês “O corte do bambu”. Kaguya era um minúsculo bebê quando foi encontrada dentro de um tronco de bambu brilhante. Passado o tempo, ela se transforma em uma bela jovem que passa a ser cobiçada por 5 nobres, dentre eles, o próprio Imperador. Mas nenhum deles é o que ela realmente quer. A moça envia seus pretendentes em tarefas aparentemente impossíveis para tentar evitar o casamento com um estranho que não ama. Mas Kaguya terá que enfrentar seu destino e punição por suas escolhas...




Na semana de despedidas, vamos falar de O Conto da Princesa Kaguya, última animação produzida por Isao Takahata. Diferentemente de Miyazaki, Takahata gosta de trabalhar com temas que remetam diretamente ao japonês, trazendo à tona um sentimento nacionalista. Mas, esta não deixa de ser uma história linda e marcante sobre uma princesa que tenta encontrar o amor.

Kaguya nasceu de um broto de bambu no meio da floresta. Ela foi encontrada pelo cortador de bambu Sanuki no Miyatsuki, um senhor de idade, que acredita que ela tenha sido enviada pelos deuses do paraíso. Kaguya é criada no meio do mato, brincando com os moleques do campo, roubando frutas do vizinho, perseguindo animais e subindo em árvores. Uma infância difícil, porém feliz. Apesar de Miyatsuki e sua esposa a chamarem de Princesa, a menina recebe o nome de Takenoko, porque ela parece esguia como o caule de um pequeno bambu. Durante sua infância, a princesa conhece Sutemaru, o mais velho entre os meninos, por quem ela desenvolve sentimentos de afeição. Um dia, Miyatsuki encontra um bambu brilhante de onde sai ouro e depois belos kimonos. Ele entende que os deuses desejam que a princesa seja criada em uma grande mansão na capital. O casal se muda junto com a princesa para a cidade onde ela recebe educação para ser uma princesa com lady Sagami. Ela até recebe um nome de princesa, comprado por Miyatsuki com o ouro dos deuses: Kaguya, "aquela que irradia luz". Mas, sua vida na capital em nada se parece com sua infância: repleta de formalismos e atividades que não a interessam. Se antes ela podia correr livremente, agora ela vivia confinada. Pouco a pouco, Kaguya vai perdendo sua luz interior. Até o momento em que os chefes importantes tomam nota da beleza irradiante da princesa e vão até ela para se casar. Mas, a princesa quer presentes impossíveis deles. Isso porque Kaguya não deseja se casar; deseja ser eternamente livre. Será que os chefes conseguirão os presentes? Será que Kaguya terá que se casar? Ou ninguém será capaz de domar a princesa?

Eu fiquei surpreso ao pesquisar sobre a recepção desta animação. Ela teve bastante sucesso no mercado internacional e recebeu diversos prêmios como o de Críticos de Cinema de Los Angeles, o Festival de Mill Valley e até o Monstra Awards (dado por um festival de animação em Lisboa). A animação também foi indicada ao Oscar de 2015 apesar de não ter vencido. Me surpreende porque assim como alguns outros filmes de Takahata, esta é uma história que fala no íntimo do japonês. O Conto da Princesa Kaguya era para ter sido lançado ao mesmo tempo em que Vidas ao Vento, como se fosse uma canção de despedida da dupla Isao Takahata e Hayao Miyazaki. Tal não aconteceu porque os produtores ficaram preocupados de que o roteiro não estivesse completo e pudesse ficar estranho. Ele saiu um ano depois.

Para aqueles que acompanham as nossas resenhas, vocês sabem que Takahata gosta de fazer trabalhos experimentais. Kaguya é mais um desses casos. Ele usa uma animação estilizada como se os personagens tivessem sido desenhados por uma pena, ao estilo dos manuscritos antigos do Japão mitológico. Em algumas cenas de mais ação, a pena fica borrada significando momentos de mais dinamismo ou em outras cenas, o desenho fica mais claro, significando um ar mais bucólico. Adorei a paleta de cores da animação puxando muito para tons rosados como as flores de cerejeira. Muito branco e rosa; o branco voltado para as vestimentas usadas pelas princesas do Japão antigo. A trilha sonora seria composta por Shinichiro Ikebe, mas acabou ficando novamente a cargo de Joe Hisaishi. Ele não foi convidado em um primeiro momento porque estava montando a trilha sonora de Vidas ao Vento, mas felizmente aceitou fazer a dobradinha. O compositor abusa dos sons de koto, um instrumento usado pelas mulheres da nobreza do Japão medieval. As composições fornecem todo o clima de história mitológica. Antes de passar à resenha, quero deixar a letra de Warate Uta (a Canção do Menino), que Kaguya repete ao longo da animação:

Música do Menino

Gira, gira, gira Roda de água, gira Gire e chame o senhor sol Gire e chame o senhor sol

Pássaros, insetos, bestas Grama, àrvores, flores Traga a primavera e o verão, outono e inverno Traga a primavera e o verão, outono e inverno

Gira, gira, gira Roda de água, gira Gire e chame o senhor sol Gire e chame o senhor sol

Pássaros, insetos, bestas Grama, àrvores, flores Flor, frutifique e morra Nasça, cresça e morra

Ainda assim o vento sopra, a chuva cai A roda de água gira Vidas vêm e vão no seu tempo Vidas vêm e vão no seu tempo

A animação é baseada em uma história folclórica japonesa chamada de O Conto do Cortador de Bambu. Ela fala de uma princesa que pertence aos povos que moram na Lua e vêm à Terra porque se afeiçoou muito aos homens. Ela deseja compreender o que faz os homens serem criaturas tão interessantes. Vivendo como uma mortal ela começa a compreender todas as nuances do ser humano: a raiva, a tristeza, a alegria, a cobiça, o amor. No fim, ela acaba tendo que voltar à Lua, mas não consegue permanecer para estar ao lado de seu grande amor.

As histórias do folclore japonês são contos reflexivos. Não são histórias bonitinhas e com final feliz. Por esse motivo, a animação é uma história muito melancólica e triste de uma jovem que tenta descobrir seu grande amor e não consegue. Quando ela se dá conta do que realmente quer é chegada a hora de ela partir e deixar sua casca mortal. Por essa razão, Kaguya pode não agradar a todos. Até eu não recomendo a animação para crianças, não da mesma maneira que eu recomendaria Ponyo, por exemplo. Ela é uma dura lição sobre o amor e como devemos valorizar e perceber o amor que nos cerca.

Um dos temas trabalhados na animação é a liberdade para escolher. Kaguya é uma menina obediente que quer ver a felicidade de seus pais terrenos. Apesar de ser uma menina levada, ela procura ser leal e obediente. Mesmo quando seus desejos não são os mesmos de seus pais, ela continua a agradá-los e segue para a capital. Somente no final da animação ela se dá conta de que precisa ser um pouco egoísta e perseguir os seus desejos. Outro detalhe neste sentido é a felicidade que os pais de Kaguya acham que estão dando a ela não é a mesma coisa que a menina deseja. Miyatsuko vai perceber tarde demais o seu erro. Uma frase ótima dita por Kaguya na metade final da animação é a de que desde que seu pai havia colocado aquele chapéu (um chapéu de nobre japonês) ele havia encontrado a felicidade para si e não para ela. A felicidade que o povo da Lua deseja para ela também não é a que a princesa queria. Ou seja, no fim das contas, Kaguya fora feliz apenas durante sua infância.

Outra dura lição é a de que a felicidade pode estar nas coisas mais simples da vida. É um conceito típico da religião budista. Apenas quando Kaguya vivia no campo, curtindo a natureza, é que ela estava feliz. A riqueza trouxe apenas responsabilidades fúteis das quais a princesa nada compreendia. Cada novo nível de complexidade trazia mais tristeza para a princesa. Seu coração acaba explodindo e ela deseja apenas se ver livre de toda aquela encenação que nada lembrava a sua vida simples de Takenoko.

Podemos estruturar a história em três atos: a infância de Kaguya, a ida para a capital e o retorno às estrelas. O enredo segue muito bem esta estrutura e eu gostei da forma como ele foi contado. Não me senti cansado e a história é muito interessante. Talvez vocês se incomodem com a primeira meia hora porque ela é a mais enrolada até que nos acostumemos com o ritmo lento da história. A animação é longa e ela dá uma virada brusca nos trinta minutos finais. A busca dos chefes pelos presentes à Kaguya segue aquele sentido dos contos de fada em que o indivíduo precisa superar uma série de obstáculos.

O Conto da Princesa Kaguya é uma história fascinante sobre um mito que nos ensina a valorizar as coisas simples da vida. Eu me interessei porque não conheço tanto da mitologia oriental. O estilo da animação também é curioso com uma singularidade típica do estúdio Ghibli. A trilha sonora é fantástica, algo completamente esperado da genialidade e competência de Joe Hisaishi. Não recomendo a todos por ser uma animação muito triste e melancólica; talvez não agrade ao público infantil.

Na próxima semana, a última animação do Ghibli que faltou resenhar: Arriety e O Mundo dos Pequeninos.

Ficha Técnica:


Nome: O Conto da Princesa Kaguya

Diretor: Isao Takahata

Produtor: Yoshiaki Nishimura

Roteiristas: Isao Takahata e Riko Sakaguchi

Baseado em O Conto do Cortador de Bambu

Estúdio: Studio Ghibli

País de Origem: Japão

Tempo de Duração: 137 min

Ano de Lançamento: 2013





2 comentários

2 comentários


Sandra Aymone
Sandra Aymone
09 de mar. de 2021

Essa história faz refletir sobre o peso de ser mulher nas sociedades patriarcais. Quanto mais rica, materialmente, a personagem se torna, mais limitações e obrigações se impõem sobre ela, tolhendo sua liberdade de viver de acordo com o que ela realmente valoriza e a faz feliz. Acho esse um ponto importante que faltou comentar em sua resenha. A história mostra claramente que a vida e o corpo de uma mulher em uma sociedade patriarcal não lhe pertencem. Todos os seus desejos são menos importantes que a obediência que deve prestar à família e à sociedade. E, apesar de ser uma antiga lenda, esse conto mostra de forma muito clara o conflito entre uma mente que precisa ser livre para ser…

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Paulo Vinicius
Paulo Vinicius
09 de mar. de 2021
Respondendo a

Olá, Sandra. Com certeza essa é uma das reflexões possíveis para essa história. O Conto da Princesa Kaguya é tão cheio de significados e reflexões que poderíamos passar dias refletindo sobre que não esgotaríamos tudo. E eu concordo com você. A protagonista acaba sendo uma vítima daqueles que querem direcionar suas escolhas. Em vários momentos ficamos tristes pelo que acontece a ela, sem que Kaguya consiga tomar para si a capacidade de agência em sua própria vida. Te agradeço por trazer esse assunto para reflexão. E eu não consegui expor todos os temas da animação. O que eu quis fazer foi incentivar as pessoas a darem uma oportunidade e assistirem à animação. E gerar também esse debate tão legal que…

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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. 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Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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