• Paulo Vinicius

Laputa - Castle in the Sky

Laputa é uma linda história de aventura em que Pazu, um menino que tirou fotos de uma cidade oculta, e Sheeta que possui uma estranha pedra azul, precisarão unir forças para descobrir como dar um fim a uma terrível ilha flutuante.

Sinopse:


A jovem órfã Sheeta e seu sequestrador, coronel Muska, estão voando para uma prisão militar quando sua aeronave é atacada por uma gangue de piratas aéreos liderados por Dola. Escapando da colisão no ar através de um cristal mágico em seu pescoço, Sheeta conhece o também órfao Pazu. Juntos, tentam descobrir a cidade mística flutuante de Laputa, enquanto são perseguidos por Muska e os piratas, que cobiçam o tesouro da cidade.




Laputa é o primeiro longa-metragem do Studio Ghibli. As ideias de Hayao Miyazaki tomam a tela para formar uma aquarela de emoções transportadas para o espectador. Esse é o típico do filme para assistir em um sábado relaxando após uma longa semana de trabalho. Digo isso pelo fato de o filme ser extremamente leve e divertido, não tendo elementos de muita violência. Se tem uma característica da maioria dos filmes do Studio Ghibli é esse: tirando Grave of the Fireflies a maioria pode ser visto por toda a família.

Em questão de enredo e história, Nausicaa foi um pouco melhor do que Laputa. Em muitos momentos você sente que a história simplesmente te joga de um lugar para o outro sem te dar muita explicação do que está acontecendo. Percebi uma inspiração clara de Miyazaki nos filmes hollywoodianos de aventura como Indiana Jones e As Minas do Rei Salomão. Laputa é uma grande história de aventura e a busca por um lugar lendário e proibido que possui muitas riquezas e poder. Lembra claramente um filme do Indiana Jones. O autor até usa explicações histórico-religiosas para dar mistério à lenda da ilha flutuante: segundo um dos personagens, Laputa teria destruído Sodoma e Gomorra e seria também a ira divina descrita no Ramayana. Não se trata de nada muito importante para o desenvolvimento da história, mas certamente fornece a aura de mistério necessária.

Pazu é um órfão que ajuda nas minas de carvão em sua cidade. Um menino sonhador que perdeu seu pai quando este explorava os ares e desapareceu quando foi pego por uma tempestade. Dizem que ele encontrou uma misteriosa cidade flutuante e até tirou uma foto que Pazu guarda com carinho. Mas, ninguém acreditou em Pazu, entendendo que seu pai apenas o abandonou ou morreu em uma de suas explorações. Sheeta é uma menina que vem de uma estranha família. Quando seus pais morreram, Sheeta recebeu uma pedra azul que faz parte dos tesouros da família. Mas, esta pedra possui estranhos poderes e encantamentos que são motivo de desejo do governo e de piratas. Quando Sheeta passa a ser perseguida pela velha Dola que quer a pedra porque esconde tesouros e Muska, um ambicioso oficial do governo que deseja o poder do castelo flutuante, somente a amizade que irá se formar entre Pazu e Sheeta poderá dar um fim à busca pela ilha flutuante.

Uma coisa eu não posso negar: o visual do filme é lindo. Alguns podem reclamar achando que os gráficos são feios e estranhos, mas é que a maioria daqueles que assistem animação japonesa nos dias de hoje estão muito acostumados à computação gráfica. Aqui temos uma animação toda feita manualmente. É admirável o que Miyazaki consegue fazer com pouquíssima coisa. Com o Studio Ghibli, Miyazaki agora tem um  espaço realmente dedicado a preparar longa-metragens com uma qualidade gráfica superior. No fundo era isso o que ele queria: um laboratório de sonhos. A composição das nuvens, o próprio castelo flutuante e até as batalhas aéreas são muito caprichadas. Todos os cenários são muito bem detalhados. Os personagens também são bem produzidos: estamos falando da década de 1980.

Em relação à Nausicaa, Laputa é mais leve. A inserção dos piratas perseguindo Sheeta serve mais para iniciar o filme e dar momentos engraçados. Até os 40 minutos de filme eu imaginava que aquele ritmo  de perseguição seria mantido até o final. Na minha opinião, esse é o melhor momento de Laputa porque você não consegue parar de assistir. As coisas  acontecem tão rápido que você quer saber o que vai acontecer a seguir. Algumas cenas são muito engraçadas como a batalha campal entre os piratas e os mineiros, a perseguição de Dola pelos trilhos de trem. Mas, ao final de tudo, a história dá uma parada para apresentar um pouco das motivações da história e o mistério por trás da Levistone.

Achei que o enredo deixou um pouco a desejar. Como Miyazaki se focou mais na perseguição à Sheeta e Pazu e na busca por Laputa, vários elementos ficaram soltos demais. O autor não teve tempo de explicar porque Laputa foi abandonada ou como os robôs foram criados. Ou até porque um robô está cuidando de flores e pássaros. Em um momento, Pazu menciona que o robô é um jardineiro. Mas, isso não é uma boa explicação, é apenas uma justificativa en-passant. Não acho o filme ruim, só achei que Miyazaki se focou demais em alguns aspectos do enredo (que ficaram excelentes) e negligenciou um pouco outros elementos. Não prejudica o andamento do filme, mas certamente não coloca Laputa entre os melhores do Ghibli.

Pelo que eu já vi até hoje de animações do Ghibli, Miyazaki gosta de alguns temas. Em Laputa  ele novamente repete a ideia da decadência moral do homem através do mal uso da tecnologia. No filme, isso é representado por Muska e sua ambição de tornar Laputa em uma ilha de destruição que possa atender aos seus sonhos de conquista. Quando Sheeta e Pazu chegam à Laputa percebe-se que o lugar se transformou completamente após ter  sido abandonado pelos antepassados de Sheeta. É um lugar de paz em que árvores e animais disputam espaço para construir um espaço harmônico. Mas, quando o homem chega ele destrói tudo o que levou séculos para se formar. E a ambição do homem faz com que pessoas se virem contra pessoas,  como Muska se volta contra a tripulação do Goliath.

Se Nausicaa apresentou um mundo devastado pelo homem e que a natureza queria retomar, em Laputa vão ser os sentimentos positivos do homem que servirão para salvar a ilha lendária das ambições de Muska. Vai ser a imensa amizade desenvolvida entre Pazu e Sheeta que fará os segredos da ilha misteriosa se revelarem. A amizade dos dois também irá tocar o coração de Dola que passará a ajudar os dois. E no final a confiança desenvolvida pelos dois protagonistas servirá como estopim para que eles tomem uma difícil decisão: a de destruir a ilha para que ela não caia nas mãos do mal.

Enfim, Miyazaki cria uma boa história com um ritmo frenético. Os personagens são bem construídos apesar de em alguns pontos parecerem um tanto genéricos. Acredito que esta tenha sido mais uma opção do autor em não se aprofundar tanto na história dos mesmos. Não é nada que comprometa o desenvolvimento do enredo, mas incomoda um pouco e a gente sente como se estivesse faltando alguma coisa. Ao fim da história, eu me senti satisfeito e me diverti bastante.

Na próxima semana, terei uma missão complicada: resenhar Hotaru no Haka  ou o Túmulo dos Vaga-Lumes, a animação mais madura e pesada do Studio Ghibli. Estejam comigo na próxima sexta.

Ficha Técnica:


Nome: Laputa - Castles in the Sky

Diretor: Hayao Miyazaki

Produtor: Isao Takahata

Roteirista: Hayao Miyazaki

Estúdio: Studio Ghibli

País de Origem: Japão

Tempo de Duração: 124 min

Ano de Lançamento: 1986


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