• Paulo Vinicius

Resenha: "Updraft" (Bone Universe vol. 1) de Fran Wilde

Com uma narrativa que faz o leitor singrar os céus como um pássaro, Fran Wilde nos traz uma história de aparências e mentiras. E como estas podem levar a julgamentos apressados sobre determinados assuntos. Conheçam Updraft!



Sinopse: Bem-vindos a um mundo de vento e ossos, canções e silêncio, traição e coragem.

Kirit Densira não consegue esperar tanto tempo para passar em seu teste de asas e começar a voas como uma comerciante ao lado de sua mãe, estando a serviço de sua querida torre de lar e explorando os céus infinitos. Quando Kirit inadvertidamente quebra a Lei da Torre, o serviço secreto do governo, os Cantores, exigem que ela se torne um deles. Em uma tentativa de salvar sua família de uma censura ainda maior, Kirit deve deixar para trás os seus sonhos para se atirar em um perigoso treinamento no Pináculo, a maior e mais proibida das torres, nos cantos mais profundos do coração da Cidade.

À medida em que ela cresce em poder e conhecimento, ela começa a descobrir as profundezas dos segredos do Pináculo. Kirit começa a duvidar de seu mundo e suas Leis inquestionáveis, colocando em andamento uma sequência de eventos que irão levar a uma terrível escolha, e pode muito bem mudar a cidade para sempre - se ela não for destruída antes.




Gosto quando um autor inova ao criar um cenário e uma proposta fascinantes, quebrando um pouco o modelo de histórias que são apresentadas todos os meses por centenas de autores. O reconhecimento obtido por Fran Wilde veio justamente porque ela se permitiu ousar. Mas, ao mesmo tempo ousadia pode significar sucesso absoluto ou fracasso retumbante. Ou qualquer coisa no meio.

Kirit Densira é uma jovem cujo sonho é se tornar uma mercadora usando suas asas para percorrer todas as torres e ser capaz de ligar todas através de seu empenho. Um outro sonho particular é se tornar tão famosa quanto sua mãe Ezarit, reconhecida como uma das melhores mercadoras. Tudo o que separa Kirit de seu sonho é o teste de asas que se aproxima. Ela e seu amigo irão fazer o teste daqui a algumas semanas. Mas, antes disso, a torre onde Kirit vive é atacada por monstros chamados skymouths que devoram as pessoas. Em uma migração de skymouths, Kirit deveria se esconder para não se tornar uma criança azarada. Mas, ela permanece para ajudar seus amigos e acaba ficando frente a frente com um desses monstros. É então que o poder de Kirit aparece: ela afasta a criatura com um grito. A partir de então, Kirit passará a ser visada pelos Cantores, um grupo de indivíduos que abandonam suas identidades para viverem protegendo a cidade. Por causa de seu envolvimento com o monstro, Kirit será chantageada pelos Cantores até que seja levada para a Espiral, o QG dos Cantores. Poderá Kirit manter os seus sonhos ou ela se tornará uma Cantora para o resto da vida?

Uma das melhores qualidades de Fran Wilde é sua escrita. Veloz, dinâmica, a escrita não perde fôlego nem por um segundo. A autora não deixa o leitor fechar o livro levianamente. Ficamos curiosos sobre o que pode acontecer a seguir. Apesar de ter mais de trezentas páginas, não é uma leitura lenta.

Apesar de ser um livro de Young Adult, Updraft pode facilmente ser encarado como um livro de fantasia comum. Aliás, a autora ultrapassou essas barreiras e quebrou alguns preconceitos. A história é muito bem desenvolvida, não testando a inteligência do leitor nem por um segundo. Ou seja, temos um desenvolvimento inteligente da trama onde os acontecimentos se sucedem de maneira orgânica. Nada acontece repentinamente. Minha reclamação está muito mais na falta de senso de perigo para a personagem. Em nenhum momento eu senti que a segurança dela estivesse ameaçada. Algumas coisas aconteciam até meio forçada para que a história pudesse caminhar. No final da história, a personagem se encontra em um patamar muito estranho para quem era uma aprendiz há pouco tempo atrás. Isso me incomodou profundamente.



Alguns personagens são aprofundados enquanto outros nem tanto. O fato de a autora ter optado por uma narrativa em terceira pessoa não implica que ela deva se focar apenas em Kirit. Sim, a personagem funciona como os nossos olhos para o mundo criado pela autora. Mas, achei que outros personagens ficaram rasos demais como o antagonista que não tem suas motivações bem ilustradas. O próprio núcleo de Kirit é meio raso... Achei que a autora gastou muito tempo criando a mitologia do mundo e esqueceu um pouco dos personagens que povoam a história.

Falar da criação do mundo é algo à parte. A ambientação é muito envolvente. As cenas de ação são ótimas. Isso demonstra que a autora realmente pesquisou noções de asa delta. As descrições dos ventos ascendentes e descendentes e toda a física por trás dos combates entre voadores é interessante. São os pontos altos da história. A maneira como surgem as torres também é bem curiosa porque elas são feitas de ossos e parecem estar vivas. Nesse livro a autora não explica muito sobre como isso se dá. Parece que isso vai ser um mote para futuras histórias.

Gostei de Updraft apesar de algumas reclamações. Achei que a autora pisou na bola no que diz respeito ao desenvolvimento dos personagens. Entretanto ela compensa isso com uma história inteligente e que não fica restrita ao universo dos livros YA. A construção do mundo é inteligente e a física apresentada é verossímil. Os elementos mágicos são bem pequenos, mas isso não prejudica a história.




Ficha Técnica:


Nome: Updraft

Autora: Fran Wilde

Série: Bone Universe vol. 1

Editora: Tor Books

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 384

Ano de Publicação: 2015


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