• Paulo Vinicius

Resenha: "Um Cântico de Natal" de Charles Dickens

Nesse dia de natal, nada como celebrar a data festiva e o que ela realmente significa. A história de Ebenezer Scrooge é eterna e sempre vai habitar nossos corações com sua mensagem. Conheçam mais sobre esta linda história.

Sinopse:


"Quem pode permanecer insensível aos bons sentimentos generosos e à honesta troca de carinho e afeto, tão abundantes nesta época do ano? Uma festa de Natal em família! Não há nada no mundo mais delicioso!" Em Um cântico de Natal e outras histórias o leitor mergulhará na atmosfera mágica dessa época do ano e será transportado à Inglaterra vitoriana, com suas ruas cobertas de neve, fantasmas que assombram um avarento, famílias reunidas à lareira e até mesmo duendes que raptam um coveiro.




Dickens é um poeta. Só isso que eu tenho a dizer de pronto. Como um autor consegue um nível tão elevado de escrita? Cada linha de Um Cântico de Natal é uma obra de arte em prosa. Se você, leitor, ler as linhas com atenção, vai perceber que cada parágrafo tem musicalidade, cadência, harmonia. Não apenas nas linhas e na narrativa, mas na escrita a gente consegue ver a qualidade do autor. Escrito em terceira pessoa, tudo contribui para uma absoluta fluidez, proporcionando uma leitura agradável e gostosa. Mesmo tendo sido traduzido, Roberto Leal conseguiu transportar a qualidade da escrita de Dickens para o português, não prejudicando a leitura.

Tive que iniciar esta resenha desta novella falando da escrita que é absolutamente linda. Mas o que eu posso destacar desta história é a forma como essa história consegue se manter eterna. Mesmo tendo sido escrita há quase dois séculos, a mensagem colocada por Dickens vale para todas as temporalidades e para todos os povos. Mais do que falar de Natal, ele fala da condição humana, de ajudar o próximo. Um Cântico de Natal toca o coração em seus recônditos mais profundos. Não há como não se emocionar com o que é colocado por Dickens nessa narrativa.

"Os caminhos percorridos pelo homem irão prenunciar certos finais, para os quais, se persistidos, irão levá-los adiante. Mas, se o caminho puder ser evitado, o final poderá ser mudado."

O livro fala de escolhas. O que escolhemos fazer de nossas vidas e quais as consequências de nossos atos. Ebenezer Scrooge desejava manter sua riqueza apenas para si porque acreditava que os demais eram inferiores ou não desejava compartilhar com eles suas benesses. Mas, quando se depara com as consequências de suas escolhas para si ele começa a perceber o mal que ele havia causado para si. Somos seres sociais... é impossível viver separado da sociedade. Não apenas porque dependemos dos outros para coisas básicas, mas porque dependemos emocionalmente dos outros. A solidão causa angústia, sofrimento. A vida é sem sentido se não tivermos o próximo com o qual compartilhar nossas alegrias e tristezas.

O Natal é um momento de regozijar e de alegrarmos por tudo aquilo que passamos ao longo do ano. É o momento de abraçar família e amigos, mesmo que sejam aquelas pessoas das quais não gostamos. Mesmo que tenhamos que comer aquele arroz com passas, aquela salada de maionese com maçã. Dickens coloca nessa história o significado real do Natal: celebrar um momento de felicidade com o próximo, sendo este alguém realmente próximo ou apenas aquele que convive conosco ou até mesmo um desconhecido que merece felicidades em uma data tão especial. Independente de você, leitor, ser cristão, evangélico, muçulmano, budista, hinduísta, bater um tambor, tocar uma flauta, fazer rituais aos deuses. Scrooge representa o nosso lado egoísta, aquela mesquinhez que habita em nosso interior. A mensagem deixada no final é que sempre é possível tomar outro trajeto.

Os fantasmas representam o elemento fantástico da história. Eles são o meio pelo qual Dickens utiliza para mostrar ao protagonista como suas escolhas interferiram em seu modo de vida. O Natal Passado mostra a Scrooge como sua vida foi sofrida e suada. Como nas pequenas vitórias, ele foi formado e como algumas de suas escolhas erradas acabaram formando seu ser. O Natal Presente serve para apresentar ao protagonista como outras famílias conseguem gozar do Natal mesmo tendo tão pouco para si. O exemplo do Pequeno Tim talvez tenha sido o que mais tenha tocado o coração do velho avarento. E o terror colocado pelo Natal Que Virá é absoluto. Imagine ver a si mesmo em um futuro abandonado por tudo e todos e sendo alvo de comentários jocosos daqueles que ele acreditavam serem seus iguais. Os fantasmas nada mais são do que fragmentos da própria consciência do protagonista que lutava contra tudo aquilo que aparecia. Tanto é que estes fantasmas eram efêmeros, não tinham vida além daquela noite.

Dickens continua a me surpreender com mensagens magníficas. Uma escrita que me encanta a cada novo livro que me deparo, o autor se transformou no meu parâmetro para tudo aquilo que existe de bom na literatura. Com personagens que se comunicam com o leitor, que tocam o coração, Dickens entrega mais uma história imortal, capaz de superar a barreira do tempo e ainda ser impactante mesmo séculos depois de ter sido publicada pela primeira vez. Se você ainda não leu nada deste autor, dê uma chance. Seja encantado!

Ficha Técnica:

Nome: Um Cântico de Natal Autor: Charles Dickens Editora: Martin Claret (no Brasil) Gênero: Drama/Fantasia Tradutor: Roberto Leal Ferreira Número de Páginas: 330 Ano de Lançamento: 2015 (nova edição)


Link de compra:

https://amzn.to/2LMXxdn


Tags: #umcanticodenatal #charlesdickens #natal #ebenezerscrooge #fantasmas #arrependimento #solidao #inveja #natal #celebracao #familia #fantasia #leiafantasia #amofantasia #igfantasia #ficcoeshumanas

ficções humanas rodapé.gif

Todos os direitos reservados.

Todo conteúdo de não autoria será

devidamente creditado.

  • Facebook - Círculo Branco
  • Twitter - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle

O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.