• Paulo Vinicius

Resenha: "Treze" de Duda Falcão

Atualizado: 6 de Jun de 2019

Mais uma incrível coletânea de contos escritos por um dos autores que mais entendem do gênero pulp na atualidade no Brasil: Duda Falcão. Prestando homenagem a ícones do gênero como Lovecraft e Robert E. Howard, tem histórias para todos os gostos.

Sinopse:


Ao abrir as páginas desse tomo, você encontrará 13 contos de horror, bem ao estilo das antigas narrativas weird. No universo de Duda Falcão habitam monstros antediluvianos, demônios, vampiros, bruxas, feiticeiros e criaturas reanimadas trazidas das garras da morte. Pessoas comuns transitam nesse mundo das trevas, desde estudantes universitários a fotógrafos, detetives despreparados e crianças inocentes. Confira essa obra e trilhe os caminhos inusitados do pulp.




O Duda Falcão é um exemplar raro de autor nacional especializado na arte de criar contos. E não apenas contos curtos, mas histórias do gênero pulp. O Duda pertence a um nicho dentro de um nicho. Por essa razão, é nossa obrigação fazê-los conhecerem esse autor que está aí na estrada há algum tempo e merece um pouco de sua atenção. Tenho certeza que alguma das histórias deles (ou várias, como no meu caso) vão ressoar com vocês. 

O formato dessa resenha segue o padrão das que eu faço de contos: curtinha, inspirado no que o próprio autor faz. As corujinhas também estão em apenas uma categoria geral, também seguindo o mesmo modelo. Só vou comentar três histórias porque quero deixar vocês aproveitarem tudo o que o Duda é capaz de fazer com suas narrativas. 

Antes de mais nada é preciso localizar Treze como sendo uma publicação anterior a Comboio dos Espectros, outro livro que resenhamos há pouco tempo. Entretanto, aqui já vemos uma escrita bem madura do autor. Ele sabe aonde quer chegar e como quer chegar. Em romances curtos isso é algo bem difícil de se fazer porque ele precisa atrair rapidamente o leitor para a narrativa. Não há tempo para desenvolver personagens ou criar estofo. Se eu pudesse usar uma metáfora para classificar a escrita do Duda, é como se fosse uma Colt bem carregada e de tiro preciso. Às vezes o atirador erra, mas na maior parte das vezes ele entrega algo de excelente qualidade. 

Outra característica única do Duda é que alguns dos personagens de seus contos estão presentes em outros situados em outras coletâneas. É mais ou menos como o Howard fazia com o Conan quando ele publicava na década de 1930. Os contos do Conan podem ser arrumados em uma cronologia, mas o próprio autor não obriga o leitor a seguir nada em especial. Todas as narrativas podem ser lidas em qualquer ordem. Mas, é legal saber que o autor retorna a alguns personagens em outras histórias. Isso significa que eles são repletos de possibilidades a serem exploradas. Digo isso a respeito de Kane Blackmoon, ou do hoplita Eadgar e até do Museu do Terror. Se podemos buscar influências nestas três histórias recorrentes estão a do western com um lado sobrenatural, a do guerreiro (apesar de Eadgar ser muito mais virtuoso do que o Conan) e a do pulp propriamente dito.


Mas, não são destes três personagens que eu quero falar. Vamos falar de outras histórias. Vamos começar de trás para frente, com A Turma de Biologia. Eu adorei a referência a Reanimator presente nesta história. Duda traz aquela ambientação típica de anos 80 relida para os dias de hoje. Temos um grupo de amigos que está organizando uma festa para a sororidade e que promete atrair todos os rapazes e as garotas da faculdade. Para isso, eles vão usar o prédio de Biologia que normalmente fica abandonado nos finais de semana. Mas, ninguém espera que já tenha um aluno fazendo experiências proibidas no prédio. E é óbvio que isso não pode dar certo. Duda consegue reproduzir muito bem a mentalidade obsessiva de um gênio louco. Me lembrou até um pouco o Victor Frankenstein e sua ilusão de imortalidade. O que chama a atenção na história é em como o autor vai construindo a cena peça por peça. Aos poucos vamos vendo a tensão se acumulando até atingir o clímax. 

Abismos Insondáveis ao mesmo tempo em que mostra o talento do autor lidando com um romance investigativo ainda faz uma homenagem a Lovecraft. Temos um personagem acostumado a lidar com todo tipo de trabalho sujo precisando recuperar um estranho amuleto. A partir de sua investigação vamos vendo as coisas ficando mais e mais estranhas. Outra qualidade do autor é em como ele é capaz de criar atmosferas surreais: quando o detetive está falando com a artista e ela mostra suas pinturas ganharem formas e mais tarde quando ele lida com uma estranha cabala. Isso me remeteu imediatamente às descrições bizarras presentes em alguns contos do Chamado de Cthulhu. Vale a pena curtir porque o autor transita de um romance investigativo para um terror cósmico em um piscar de olhos. 

Já O Vampiro Cristão é uma ótima mudança de clichê. Como criar uma história com um padre transformado em vampiro e que continua a manter seus votos? A partir dessa premissa, Duda cria um romance diferente em que um personagem tem todo um conjunto de dilemas a serem solucionados. Aqui, apesar de ser uma história curta, o autor mostra uma eficiência incrível ao ser capaz de criar uma empatia do leitor com os personagens. Os diálogos entre a fada e o vampiro são excelentes; isso sem contar na troca de caráter entre os personagens. Normalmente vampiros são seres malditos e mais ligados ao espectro maligno da coisa e fadas são otimistas e alegres. Nada disso aqui. O trabalho com os dilemas morais dos personagens é o que faz a história andar e o objetivo final do conto é muito simples, porém eficiente. 

Mais uma vez o autor provou ser mestre na arte de criar contos instigantes. É um desses talentos nacionais que deveriam ser mais conhecidos. E aí está a sua oportunidade de comprar Treze e dar uma força a essa mente tão criativa.  

Ficha Técnica:

Nome: Treze Autor: Duda Falcão Editora: Avec Gênero: Terror Número de Páginas: 192 Ano de Publicação: 2015


Avaliação:


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*Material enviado em parceria com a Avec Editora


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