• Paulo Vinicius

Resenha: "O Cemitério" de Stephen King

Uma história sobre um homem capaz de qualquer coisa para manter a sua família feliz. E as consequências deste ato. E um estranho cemitério de animais. Tudo isso com a qualidade de sempre do mestre do terror.





Sinopse: O livro que inspirou o filme O cemitério maldito. Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar em uma pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade e a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios pela região, conhecem um cemitério no bosque próximo à sua casa. Ali, gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Mas, para além dos pequenos túmulos, há um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras. Um universo dominado por forças estranhas capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível. A princípio, Louis Creed se diverte com as histórias fantasmagóricas do vizinho Crandall. No entanto, quando o gato de sua filha Eillen morre atropelado e, subitamente, retorna à vida, ele percebe que há coisas que nem mesmo a sua ciência pode explicar. Que mistérios esconde o cemitério dos bichos? Terá o homem o direito de interferir no mundo dos mortos? Em busca das respostas, Louis Creed é levado por uma trama sobrenatural em que o limite entre a vida e a morte é inexistente. E, quando descobre a verdade, percebe que ela é muito pior que seus mais terríveis pesadelos. Pior que a própria morte - e infinitamente mais poderosa.




Trazer de volta as pessoas amadas. Esse é um tema muito frequente nas histórias de terror, mas poucas vezes são trabalhados os sentimentos pelo qual passam uma família que tem uma pessoa de volta à vida. Qual é o significado da morte? Por que ela acontece? Estamos preparados para aceitá-la quando ela vem? Estes são alguns dos temas trabalhados por Stephen King neste que é considerado um de seus melhores trabalhos.

Louis Creed e sua família se mudam para Bangor no Maine. Eles adquirem uma casa em uma cidadezinha próxima à estrada chamada Ludlow. Louis e Rachel são um casal feliz que agora possuem dois filhos para criar: a esperta Eileen e o adorável Gage. Ah, não podemos nos esquecer do gatinho da família, Church. Logo que chegam à Ludlow são apresentados ao casal de idosos Norma e Jud Crandall que moram do outro lado da casa dos Creed. Mas, Ludlow possui uma série de perigos que os Creed irão descobrir. Primeiro, uma estrada passa entre a casa dos Crandall e dos Creed onde caminhões em alta velocidade passam a todo o momento. Vários pequenos animais foram mortos por caminhões desgovernados. E atrás da casa existe um pequeno bosque que leva a um "simitério" onde animais atropelados ou mortos naturalmente são enterrados por seus donos em uma arquitetura estranha. Mas, além do "simitério", forças sombrias se escondem e transformarão para sempre a vida da família Creed.


"A fé é uma grande coisa, Ellie, e as pessoas realmente religiosas querem que acreditemos que não há diferença entre fé e conhecimento, mas não acho que seja assim. Porque há muitas ideias diferentes sobre o assunto. O que sabemos é o seguinte: quando se morre, uma das duas coisas acontece, ou nossas almas e nossos pensamentos sobrevivem de alguma forma à experiência da morte ou não sobrevivem. Se sobrevivem, podemos pensar muita coisa, há possibilidades infinitas. Se não sobrevivem, então não sobra nada. É o fim."

Uma coisa que eu gosto na escrita de King é a maneira como ele constrói seus personagens. Por isso que eu digo que raramente uma adaptação para o cinema ou para TV vai ser capaz de ilustrar o tratamento dado por King a todos os personagens na história. Alguns deles acabam se tornando marcantes como Jack Torrance, John Smith, Carrie, mas até mesmo os coadjuvantes se tornam intrigantes também como Susan (a menina mais popular da escola de Carrie), ou Leigh (a namorada de Arnie em Christine) ou até mesmo Rennie em Sob a Redoma. Aqui, King constrói de maneira brilhante a história da família Creed. Não são características diretamente importantes para o andamento do enredo, mas certamente dão aquele sabor extra à história. Faz com que o leitor conheça aquelas pessoas. O fato, por exemplo, de Rachel Creed ter um trauma de infância em que ela precisou lidar com a doença e a morte de sua irmã Zelda ajuda a explicar por que a personagem é tão histérica quando precisa lidar com a morte. Ou como Louis precisa enfrentar a história de Zelda de forma a salvar o seu casamento e fazer de sua mulher uma pessoa melhor.



A familiaridade é um traço forte nesta história. O leitor passa a fazer parte daquela rotina. Por isto a história consegue ser tão impactante. Nem acho a história tão sangrenta ou violenta assim, mas a maneira como o autor lida com o sobrenatural assusta o leitor. Isso porque a própria construção dos personagens faz com que nós queiramos que os personagens consigam ultrapassar os obstáculos e se saírem bem no final. As cenas com os personagens ressuscitados são assustadoras. No lugar de Louis, o que nós faríamos? Quando Jud Crandall faz o relato do que aconteceu quando uma pessoa usou o cemitério mic-mac para ressuscitar uma pessoa, eu me contorci, incomodado com o relato. A atitude do pai de queimar a casa foi óbvia, tamanho o horror quando cai a ficha do que aconteceu de verdade.

Alguns leitores podem reclamar que a história demora para pegar velocidade. Para mim, ela tem o ritmo certo. O que faz a história ser impactante é o crescendo dos acontecimentos. Duvido que se o leitor não se importasse com os personagens da história, o terror seria tão grande assim. Para mim, o terror estava em bagunçar completamente a vida de Louis e sua família com tudo o que acontece no livro. Louis precisa até mesmo lidar com o seu detestável sogro em um dado momento da história. Isso é fantástico!! Os personagens passam por dramas que obrigam-nos a mudar, a aceitar determinadas coisas. Não quero dar spoilers do livro porque eu acho que O Cemitério tem muitos elementos que acabam construindo aquele final. A terceira parte é extremamente rápida. Me lembro de ter devorado o trecho inteiro em um dia porque eu não queria parar. A construção das cenas é tão competente que deixa o leitor preso na história. Nós queremos saber o que vai acontecer a seguir. O final é surpreendente. Não é clichê... é realmente surpreendente sim.

O Cemitério é um romance excelente. Ritmo, construção de personagens e enredo todos são construídos de maneira competente. Mesmo a mitologia que compõe o elemento sobrenatural da história foi interessante e fazia sentido (diferente dos metamorfos de Christine). Recomendo a qualquer fã de histórias de terror que comprem e leiam esta peça magnífica.




Ficha Técnica:


Nome: O Cemitério

Autor: Stephen King

Editora: Suma

Gênero: Terror

Tradutor: Mário Molina

Número de Páginas: 424

Ano de Publicação: 2013 (nova edição)


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