• Paulo Vinicius

Resenha: "O Último dos Guardiões Livro 1 - Insurreição" de João Paulo Silveira

Atualizado: 8 de Mai de 2019

Galaniel é um guerreiro marcado por inúmeras batalhas. Mas, sua vida lhe deixou cicatrizes terríveis. Em uma estadia de volta à sua casa em Kolpor, o contato com uma família que precisa de sua ajuda fará o seu espírito guerreiro ressurgir.

Sinopse:


Um reino em paz... A sociedade é governada por um conselho igualitário...As guerras terminaram há muito tempo...Mas quando a cobiça pelo poder fala mais alto, eclode uma batalha sangrenta, como nenhuma outra antes. Uma guerra que durou vinte anos foi vencida por um feitiço arcano, libertando um mal hediondo na Terra. Milhares de vidas foram sacrificadas para que a ânsia de poder de alguns fosse saciada. Uma Cidadela foi erigida para treinar novos guerreiros e fazer frente à ameaça. Após anos, um guardião veterano acredita que poderá, enfim, deixar a frente de batalha, mas um acordo doentio destrói suas esperanças. Conseguirá este guardião se reerguer, combater o poder instituído e, ainda, ajudar seu povo a erradicar os exércitos infernais?




É tão bom poder ver uma história que me recorda dos meus tempos de jogador de RPG. Campanhas perigosas, batalhas terríveis, o companheirismo inerente. Já havia sentido um pouco desse espírito ao ler o livro Os Portões do Inferno, escrito por André Gordirro. E pude sentir o mesmo ao ler O Último dos Guardiões, um trabalho exemplar deste autor que não é apenas um talento, mas alguém que merece a sua atenção.

Me agrada demais poder ver um trabalho lapidado e bem redondinho como este livro. Aqueles que trabalham com novos autores nacionais como eu e outros blogueiros sabem como nos deparamos com inúmeros livros cujas editoras ou os próprios autores (quando publicam de forma independente) não cuidam de aspectos simples como uma boa revisão ou um copidesque. Tal não é o caso aqui. Livro bem escrito, coerente e que não vai causar ao leitor uma incompreensão. O autor toma cuidado ao apresentar uma narrativa de fácil compreensão, direta ao ponto, apresentando tramas e subtramas de forma competente. A narrativa é posta em terceira pessoa, do ponto de vista de Galaniel, nosso protagonista, apesar de no começo termos Galator como protagonista.

Os diálogos são bem construídos e a gente percebe a troca de momento entre as falas de personagem. Temos aquela fala mais estoica e austera, típica de soldados se relacionando durante sua vida militar e aqueles momentos mais informais, da mesa de bar, da troca de bravatas. João Paulo delimita isso muito claramente. Até mesmo a forma como Galaniel se relaciona com sua família ou com sua esposa é diferente e os diálogos se adaptam bem a esses momentos. Destaco esse ponto porque nem todos os autores conseguem fazer bem essa transição entre espaços de relação diferentes e aqui fica muito harmônico. A única vulnerabilidade na escrita é quando o autor faz algumas mudanças súbitas de cena ou decide colocar flashbacks no meio de um capítulo. Falta separações entre estes momentos. Bastava colocar uma subseção ou asteriscos embaixo separando o momento X do momento Y. Esse recurso é usado bastante nos primeiros capítulos quando Galaniel está na casa da família de Melina e ele se lembra de momentos específicos do passado. Ou uma cena que lhe desperta uma memória. Esses momentos são súbitos demais e acabam prejudicando ligeiramente a compreensão do que está acontecendo ou como que se passou de um momento para o outro. No final também há uma situação semelhante quando o autor apresenta um epílogo mostrando o estado das coisas após o clímax.


Sem dúvida alguma que os Oito são a principal atração da narrativa. A maneira como o autor constrói as ligações entre os membros do grupo é incrível. Nos sentimos parte daquele grupo. Seja nos combates, muito bem apresentados ou nos momentos de descontração, a amizade e o companheirismo entre os membros é ressaltada. Todos do grupo são apresentados em suas características e peculiaridades e é interessante como eles são bem distintos entre si. Não temos personagens estereotipados ou semelhantes; cada um tem sua individualidade. Pelo que eu pude perceber a ideia do autor é explorar o laço de amizade entre os membros do grupo em outras histórias, o que é muito legal porque eles são a cara do livro.

A relação de Galaniel com sua família é bem explorada. As dificuldades que Galator e Eushaniel tiveram para terem Galaniel, os momentos de penúria, a chegada de Boldar e por fim o laço inexorável entre Galaniel e seu pai. Essa exploração dá um aspecto muito humano à figura do protagonista. Ele não é apenas um guerreiro famoso, mas um filho amoroso. Esse é outro aspecto diferenciado que o autor acertou: a relação com a família. Na maior parte das vezes vemos autores de livros de fantasia fazendo com que seus protagonistas sejam órfãos ou não existe o trabalho com a mãe ou o pai. Fazer esse pano de fundo não é tão simples quanto parece. Ao mesmo tempo, esse foco com a relação familiar é um ponto fraco. Isso porque (não é spoiler... aparece nos capítulos iniciais) o grande objetivo de Galaniel é encontrar sua esposa Nirmiriel, vítima do ataque dos demônios. Mas, a relação entre Galaniel e Nirmiriel só é explorada mais adiante na história. Não consegui comprar bem essa obsessão da parte de Galaniel em resgatar Nirm. Quando alguns eventos acontecem mais à frente, eles não surtem o mesmo impacto. Por exemplo, a pessoa capturada poderia ter sido Eushaniel ou até Inara. Isso já que o autor explorou mais o lado familiar. A relação com Nirm poderia ter sido mais trabalhada ao longo da jornada alternando passado e presente, usando as duas temporalidades para reforçar os laços de amor entre os personagens.

Outro ponto pouco falado entre os comentários feitos acerca do livro é que o protagonista no começo é gordinho. E ele precisa trabalhar o seu íntimo para superar a si mesmo e aquilo que os outros falam dele. Temos então um personagem que precisa superar barreiras desde o começo de sua aventura. Para piorar ele se torna um Guardiao, uma casta que sofre com preconceito das outras. Gostei da maneira como o autor trabalha o personagem que sente preconceito em ser Guardião no começo da história e como ele faz para superar isso.

O livro é construído com capítulos que se alternam: um no presente, outro no passado. Dessa maneira, ele vai construindo um pouco da narrativa e dos acontecimentos da história que convergem para criar uma história bem coerente mais adiante. Como eu disse no começo da resenha, não há muitas dificuldades para se compreender o mundo e como ele funciona. Ou até mesmo do que se trata a história. O sistema de magia é coerente e me lembrou mesmo um RPG com as castas se equilibrando entre si. Aliás, vale destacar que o autor criou um aplicativo no qual é possível saber a sua casta ou até ver outros detalhes acerca do mundo. Mais um autor que está ligado em como os recursos digitais podem construir uma experiência mais completa para o leitor. Senti falta de uma construção maior de mundo. Boa parte da ação se passa em Kolpor, a cidade natal do protagonista e depois na Cidadela. Quando eles saem de Kolpor, são dados poucos detalhes acerca de como as cidades se relacionam, qual a situação em outras cidades, algumas localidades surpreendentes. Faltou esse entorno ao mundo de Galaniel, algo que o autor começa a construir no começo da história, mas que ele acaba precisando deixar um pouco de lado para se dedicar ao desenvolvimento dos personagens.

O Último dos Guardiões é um livro incrível de um autor que eu passei a apreciar demais o trabalho. Uma pessoa dedicada que percebemos nas linhas de seu livro a maneira como ele lapidou o seu livro, como ele pesquisou a respeito das táticas de guerra e estratégias empregadas na Idade Média. Fica aqui mais um destaque para as incríveis sequências de batalha no meio da história. São bem verossímeis e o emprego de formações de batalha dá um aspecto muito legal aos combates, sem parecer chato ou confuso. Os Oito são, sem dúvida, os personagens da história, mas o leitor vai encontrar na relação do protagonista com a sua família e sua esposa outras razões para apreciar a história. Deem uma oportunidade ao João Paulo e sua série, que já tem dois livros publicados.


Ficha Técnica:


Nome: O Último dos Guardiões Livro 1 - Insurreição

Autor: João Paulo Silveira

Série: O Último dos Guardiões

Editora: Talentos da Literatura Brasileira

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 250

Ano de Publicação: 2017


Outros Volumes:

O Último dos Guardiões Livro 2 - Diários de Guerra


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*Material enviado em parceria com o autor


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