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Resenha: "Love will tear us apart" de Fábio Fernandes

Essa é a história de Ian Curtis, vocalista do Joy Division. Mas, não a história de Ian Curtis que você conhece. Isso porque Curtis era um oneironauta. O que é isso? Venham conferir a(s) vida(s) de Ian Curtis conosco nessa história que atravessa o tempo e o espaço.


Sinopse:


Ian acordou no cemitério. Não era um cemitério qualquer. Era uma necrópole, no sentido mais exato da palavra: uma cidade dos mortos. Lápides e monumentos para todos os lugares onde a vista alcançava. Ao longe, campos gramados com lápides de pedra antigas. Para outro lado, mausoléus imensos. Para outro lado ainda, prédios que lembravam pirâmides astecas, com terraços onde Ian conseguia ver reentrâncias que se assemelhavam a gavetas onde caberiam caixões ou talvez jarros com cinzas.





Adoro enredos que envolvam música. Histórias que atravessem o tecido da literatura para alcançar outras formas de entretenimento. E o Fábio é um autor que gosta dessa intersecção. Não é a primeira vez que um de seus trabalhos envolvem bandas famosas. Foi assim com Back in the USSR que teve os Beatles como protagonistas de sua ficção alternativa. Dessa vez a banda escolhida foi o Joy Division, uma banda inglesa de rock que surge no esteio de outras como o Sex Pistols, mas cuja duração da carreira foi bem curta por conta do suicídio de seu vocalista, Ian Curtis. Pois bem, Curtis é o narrador desta história e Fábio faz esta mescla entre a vida atribulada do cantor e um cenário que ele criou envolvendo a exploração de sonhos e de altos conceitos como o eterno retorno e a reencarnação. Ou seja, é uma daquelas obras de ficção científica que exploram os limites da realidade e brincam com as portas da percepção do leitor (já que o Fábio pode entregar vários easter eggs no seu livro, eu também vou brincar com os meus por aqui).


Ian Curtis teve uma carreira curta. Dos tempos em que cantava em pequenos pubs com uma banda de nome questionável chamada Warsaws até se tornarem um relativo sucesso com o Joy Division. Em um cenário dos anos 1970 onde o pessoal queria apenas estar na estrada em uma jornada de autoconhecimento ou curtir drogas lisérgicas ao som de bandas como os Ramones ou os Sex Pistols. Curtis não é o seu personagem perfeito: ciumento, alcoólatra, o famoso roqueiro pegador de groupies. Pior, ele era o que hoje consideramos como um esquerdomacho vivendo uma vida dupla ao lado de sua esposa Deborah e sua pequena filha e tendo um tórrido caso com Annik, uma belga deslumbrante que virou sua cabeça. Mas, sua vida dupla adúltera não é a única coisa diferente em sua vida. Isso porque Curtis sofria de ataques epilépticos com bastante frequência. Mal sabíamos nós que esses ataques escondiam um segredo maior que envolve vidas passadas e a existência de indivíduos conhecidos como os oneironautas. Aonde isso vai dar? E por que tudo deu errado?


Antes de mais nada é preciso dizer que o que o Fábio escreve nunca é o que está na superfície. É preciso mergulhar e entender o que está por baixo de tudo. Assim como em Back in the USSR, este é um romance disruptivo. Podemos dividir a narrativa em dois momentos: o primeiro deles apresenta a vida de Ian Curtis, com todas as suas questões e problemas e insere pequenos pedaços aqui e ali de aonde o Fábio quer chegar. O segundo momento é uma releitura do primeiro partindo dos momentos de ataque epiléptico de Curtis e o que acontecia naqueles breves momentos em que ele ficava fora do ar. À medida em que a trama vai avançando, nós vamos procurando um antagonista ou um perigo ou quem sabe um problema a ser solucionado. Mas, a grande ideia aqui é a noção de outras vidas e como Curtis se conecta a elas através do tempo e do espaço. Como um personagem diz a ele, não tem a ver necessariamente com reencarnação ou além-vida... é e não é. Nesse sentido, o autor foi bastante feliz ao não nos dar respostas definitivas, porque para determinados conceitos, o determinismo é o pior remédio. A subjetividade é o que vai rondar as páginas do livro e vai depender se vamos aceitar ou não certas respostas. E isso levando em consideração que Curtis recebe vários pontos de vista distintos sobre o que acontece com ele.


Essa vai ser uma resenha comprida porque além do aspecto narrativo que nem quero entregar tanto, ainda tem os tids and bits de escrita criativa que ele usa na história. Vou apenas tirar do caminho aquilo que imaginei ser o que me incomodou um pouco. E isso vai muito de preferências pessoais basicamente. Pode não incomodar outros leitores. Achei que o entorno de Curtis poderia ter sido melhor explorado. Como se trata de uma biografia ficcional, os eventos passam bem rápido e algumas relações acabam ficando no ar. Por exemplo, o Fábio explora bastante o triângulo Deborah, Ian e Annik, mas a Annik fica meio jogada de lado. Deborah funciona como aquele porto seguro para o personagem, mas fiquei sem compreender (na história) os motivos pelos quais a Annik foi tão importante para Curtis. Era por ser um espírito livre? Era por ela despertar um lado mais selvagem do cantor? Queria que o Fábio tivesse explorado esse lado mais a fundo porque nos ajudaria a entender a mente meio conturbada do personagem. Fora que esse vai-não-vai dele ajudou a piorar suas questões emocionais. Outro ponto que me incomodou um pouco foram os diálogos curtos. Isso também é uma preferência minha mesmo... Quando se trata de um personagem dando respostas curtas, prefiro que o autor use descrições do tipo "Ele acenou positivamente", ou "Ele negou veementemente". Novamente: preferências. Uma coisa que preciso pontuar é em o quanto os diálogos do Fábio são realistas. Você imagina o diálogo acontecendo. Diferentemente de outras obras onde o diálogo parece entoado e estranho. Aqui, nada disso. Se vocês me perguntarem por que não gosto, não vou saber explicar exatamente: tem a ver um pouco com estética e um pouco com contenção.


Como eu adoro tramas que mexem com música. O mais engraçado é que o Fábio coloca uma playlist bacana lá no final do livro, mas bem antes disso eu já estava ouvindo Sex Pistols e Joy Division. Enquanto estava lendo. Faço ideia do nível de pesquisa que ele precisou fazer sobre a carreira da banda para poder dar maior naturalidade às situações. Aqui tem muitos fatos reais mesclados com uma pitada de ficção. A ponto de em determinados momentos, a linha entre o real e o ficcional não estar tão clara assim. Fábio pintou um Curtis bastante realista, e ele era esse filho da mãe mesmo. Não tem um protagonista empático aqui não. Segundo os nossos valores hoje, o vocalista seria um cara bastante questionável, que curtia polemizar (está lá a capa do primeiro álbum do Joy Division para comprovar isso) e que se portava como um completo babaca na vida pessoal. Contudo, mais para o final de sua vida, quem acompanhou a carreira dele consegue ver algumas mudanças de fato aqui e ali. O Fábio usa este artifício para apresentar as experiências oníricas... oneironáuticas?? vividas pelo personagem. O quanto um mundo inteiro de conceitos se abrem para ele.


O autor insere vários easter eggs na narrativa. É até divertido procurar nas linhas. Vou só dar dois: Moorcock e Soldado Ballard. Nessas ligeiras brincadeiras, podemos ver um pouco do próprio autor ali. Predomina nos parágrafos e capítulos do livro o fluxo de pensamento. Ou seja, as mudanças súbitas de tema de acordo com o caminho percorrido pela mente do narrador. Ele pode começar falando sobre um momento da vida do Curtis, passar para o cenário musical da Inglaterra na década de 1970 e terminar falando sobre epilepsia ou qualquer outra curiosidade. Como disse lá no começo, esse é um romance disruptivo. O autor quer que você não se distraia com facilidade. Usar o fluxo de pensamento pode tirar o leitor do foco, mas se você trabalhar sua percepção direitinho, vai ver informações ligeiras sendo entregues. Por exemplo, tem uma frase logo no começo da narrativa que vai ser trabalhada no final: como tudo deu errado? Sem contar que a nossa mente não trabalha em linha reta. Fazemos associações a todo momento e para chegarmos a uma conclusão sobre um pensamento inicial podemos percorrer várias estradas tortuosas.

A narrativa possui um narrador onisciente, mas não da maneira como estamos acostumados. Ele tem o conhecimento do todo, mas em determinadas partes existe uma lacuna (e o leitor só vai entender que lacunas são essas quando chegar lá). Gosto de como esse narrador quebra a quarta parede, como se realmente estivesse conversando com o leitor. Então por vezes o narrador vai pedir paciência ao leitor e dizer que voltará ao assunto mais tarde. Isso cria um certo nível de tensão que é mantido por toda a narrativa. Ao mesmo tempo, a pessoa que nos apresenta a história não é confiável. E isso não é dito de cara, mas mais à frente quando entendemos que existem lados da questão. É aí que certos momentos da história que aconteceram antes vão ganhar um novo nível de complexidade. Como quase sempre acontece nas histórias do Fábio, não dá para reduzir tudo a dois lados. Em toda a história, como na vida, existem interesses que são factíveis dependendo do seu ponto de vista. Não tem um vilão cruel gargalhando e contando seus planos como em um desenho animado. Até mesmo a escolha final de Curtis vai ser compreendida ou criticada dependendo do leitor.


O autor conseguiu nos entregar mais uma pequena pérola de história. A cada novo romance, Fábio explora os limites que separam a ficção da realidade. Gosto de como ele brinca com essa linha, mostrando que essa separação depende de como nós mesmos entendemos o mundo que nos cerca. Love will tear us apart também é uma carta de amor aos tempos do rock dos anos 1970, de espírito livre e muitas vezes sem muita noção do que estava sendo feito. Ian Curtis não esperava se tornar um sucesso; ele só queria fazer a sua música e tocar para uma plateia. Ao mesmo tempo a exploração de temáticas como a hipnose para a busca de vidas passadas, as ideias (que estavam em voga na época) sobre o ciclo do eterno retorno, o debate sobre a liberdade/previsão entre outros. Como minha primeira leitura de 2023, foi uma delícia de história.












Ficha Técnica:


Nome: Love will tear us apart

Autor: Fábio Fernandes

Editora: Uboro Lopes

Número de Páginas: 178

Ano de Publicação: 2022


Link de compra:


*Material recebido em parceria com o autor




























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