• Paulo Vinicius

Resenha: "Justiça Sideral - Recomeços" de Deyvison Manes e Netho Diaz

Anisha e Eileen são duas policiais meio instáveis. As coisas sempre dão errado quando elas estão envolvidas. Mas, elas nunca deixam de cumprir o seu dever. Mesmo que explodam tudo no processo. Seu chefe está cansado disso e dá uma segunda chance a elas: resolver o caso de um fugitivo que roubou equipamentos muito sensíveis. Com elas, algo não dará certo. 

Sinopse:


A ELITE (Esquadrão de Legisperícia, Investigação e Tática Especiais) é uma agência anti-crime especializada nos mais diversos casos. No planeta Sansara, a lei é cumprida graças aos esforços de agentes altamente treinados. Na trama, as agentes Anisha Seubert e Eileen Haas pegam um caso de roubo de informações, onde supostamente alguém roubou dados de um dos laboratórios da Argotech. Mas no decorrer das investigações, elas se deparam com uma série de evidências que apontam para algo muito maior do que elas imaginavam. Algo que compromete até mesmo a própria ELITE.




Sabem qual é o nome disso? Uma baita de uma ficção científica. Caramba!!! Peraí, como é que alguém pode reclamar de uma HQ dessas? Ah, é americana demais? Hell, eu leria qualquer coisa desses caras em um piscar de olhos. Um trabalho que levou anos para chegar em nossas mãos, com um roteiro excelente e uma equipe artística por trás de dar inveja. O resultado é ação frenética, investigação e uma arte deslumbrante por mais de cem páginas. Eu devorei isso em uma viagem e queria mais. 

Justiça Sideral tem uma proposta simples e feita de forma eficiente. Como diz o subtítulo da HQ, ela é sobre segundas chances. Temos duas policiais da ELITE que se envolvem em diversos problemas. Imaginei imediatamente o Riggs, do Máquina Mortífera, que por onde passa, deixa um rastro de destruição. Mas, Eileen e Anisha ainda são novatas, estão ganhando sua casca como investigadoras. São muito talentosas e boas no que fazem. Porém, a gente vai vê-las batalhando para conquistar seu espaço. Errando, mas fazendo o correto. Quando elas são colocadas no comando de uma operação perigosa, é como se elas estivessem recebendo mais uma chance para brilhar. Kraven também é alguém em busca de uma segunda chance. Veremos uma série de situações que farão o leitor questionar o quanto a ELITE divulga para os seus agentes. E se Kraven é um ladrão tecnológico ou apenas alguém tentando fazer o correto? Vai caber ao leitor descobrir isso. 

Uma coisa que me impressionou na HQ é o quanto toda a equipe responsável por ela (o roteirista, o artista, o letrista, o arte-finalista e todos os outros) sabiam o que estavam entregando. Justiça Sideral não é nenhum trabalho amador que ganhou uma editora. São profissionais, pessoas experientes e talentosas que entregaram um roteiro muito bom, uma arte fenomenal. Basta ler no final os extras que acompanham a HQ. Temos exemplos de um roteiro, alguns sketches, mas o que eu mais valorizei ali foi o passo a passo da composição de uma sequência. Vocês tem ideia de o quanto aquelas poucas páginas são valiosas para um artista ou um roteirista que está em fase de aprendizado? Então, aplausos para todos os envolvidos no projeto e já sou fã de todos vocês. 


Alguns vão reclamar que acharam a história simples demais ou americanizada demais. No primeiro caso, eu discordo completamente. Não existe roteiro simples ou complexo; existe execução correta e execução pobre. Eu posso partir de uma proposta complexa e fazer algo horroroso; ou de uma ideia simples e obter algo duradouro. Vejam o exemplo de vários filmes de ação da década de 1980 cuja proposta era simples e o resultado obtido é lembrado até os dias de hoje. O que a equipe responsável por Justiça Sideral conseguiu foi uma bela história investigativa repleta de idas e vindas, que mantém o leitor preso para saber o que se segue. Algumas das cenas de ação possuem um roteiro muito acima da média. Aliás, o roteiro de Justiça Sideral daria um ótimo filme. É aquela coisa: o autor não se propõe a te colocar uma história reflexiva, e sim um bom entretenimento. É o "massa véio". E é um "massa véio" muito bom. 

O que falar da arte? Linda? Deslumbrante? Eu adorei a palheta de cores usada ao longo de toda a narrativa. É brilhante, chamativa, futurista. Os responsáveis abraçaram bem a ideia de criar um futuro cyberpunk onde tudo é parte decadente, parte tecnológico. Os cenários são bem compostos, com detalhes bem posicionados no fundo. A arte brinca com jogos de câmera, seja de uma posição elevada, ou em close nos personagens, ou indo em direção à ação. Os personagens são muito bem definidos e expressivos. Tem bastante da inspiração de quadrinhos americanos ali. E isso é usado de uma forma positiva para ajudar a arte a transportar o leitor para aquele universo. 

Para mim, Justiça Sideral funcionou como uma luva. O que o Deyvison Manes, o Netho Diaz e todos os envolvidos fizeram está de parabéns. Conseguiram criar uma história muito eficiente, um roteiro que entrega todas as propostas do autor, uma arte que é belíssima. A Avec Editora soube escolher uma obra muito boa para o seu catálogo. Apoiar o trabalho dessa galera foi um golpe de gênio da editora que só tem acertado nas escolhas tanto na parte literária quanto na de quadrinhos. Peço por favor à galera de Justiça Sideral que tragam mais histórias de Eileen e Anisha para nós. Já fiquei órfão das personagens. 


Ficha Técnica:

Nome: Justiça Sideral - Recomeços Autor: Deyvison Manes Artista: Netho Diaz e equipe Editora: Avec Gênero: Ficção Científica Número de Páginas: 144 Ano de Publicação: 2018

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*Material enviado em parceria com a Avec Editora


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