• Paulo Vinicius

Resenha: "Comboio de Espectros" de Duda Falcão

Uma coletânea de contos do mestre pulp brasileiro, Duda Falcão. Aqui vamos encontrar todo tipo de histórias: lobisomens famintos, trens sendo assolados por demônios, uma igreja infernal, uma névoa formado por espectros malignos. Estejam servidos por que o terror está batendo à sua porta!

Sinopse:


Ele está de volta! Depois de Mausoléu e Treze, o Anfitrião retorna do túmulo para horrorizar os leitores com suas histórias macabras, de medo e de sangue. Espíritos vingativos, mortos-vivos, criaturas infernais, divindades antigas e constructos enlouquecem os protagonistas privando-os da sanidade e da própria vida. Abra as páginas deste novo tomo de Duda Falcão e venha fazer você também parte do Comboio de Espectros.




Comboio de Espectros é mais uma das várias coletâneas que Duda Falcão vem publicado onde estão presentes os seus contos. Quem espera um romance longo ou alguma coisa intercalada, essa não é a proposta. E o Duda é uma peça muito rara neste mercado editorial brasileiro. Um autor totalmente raiz do pulp e que consegue publicar em uma quantidade e qualidade incríveis. A variedade de temas e cenários que ele consegue escrever é assustadora. Não vou conseguir abordar todos aqui por que acredito que se tornaria uma resenha por demais longa e enfadonha. Prefiro que vocês se debrucem sobre a arte do Duda e se divirtam, assim como eu. Decidi escolher três histórias que eu achei muito impactantes, mas existe um mar de boas histórias nesta coletânea. 

Vou começar obviamente pelo conto que dá o nome à coletânea. Comboio de Espectros precisa ser dividido em duas partes. Na primeira temos uma série de vignettes acontecendo em diversos momentos e cenários. Às vezes é um acontecimento simples, às vezes é uma cena mais alongada. Varia bastante e não há uma interconexão entre os mesmos. No começo vai parecer um pouco confuso e sem nexo. Mas, na segunda parte todas estas vignettes vão servir como elementos de plot para a história que segue. Laura e Léo são um casal de senhores que se encontram no Vaticano a pedido de seu amigo Gilberto que é um padre a serviço da Igreja. Quando eram mais jovens eles cometeram um pecado mortal, algo que os marcou para sempre. A história vai se focar nesta situação desconfortável e essa névoa que parece atacar apenas os injustos vai ter um papel muito importante na narrativa.

Algo que eu achei genial foi como o autor foi capaz de aproveitar cada elemento de roteiro na segunda parte, por mais pequeno ou rápido que a situação fosse. Tudo converge para uma altercação final onde as almas dos três amigos estarão em jogo. Escrever de forma convergente é algo bem difícil de ser realizado. O autor precisa estar sempre com um olhar voltado para trás à medida em que avança sua história. Todas as pegadas precisam ser contabilizadas para dar coerência e coesão à narrativa que está sendo proposta. 

Em Eadgar e a Erva do Pesadelo deu para curtir um pouco de como o Duda entende o gênero de fantasia. Um escritor de pulps abraçando fantasia me faz lembrar imediatamente do Robert E. Howard. O protagonista, Eadgar, está atrás de uma erva do pesadelo, capaz de salvar sua amada Lenora. E isso vai levá-lo a todo tipo de aventuras com aldeões tentando matá-lo, reis lagarto e uma bruxa com desejos peculiares. A abordagem do autor é muito interessante e transborda em inspirações de clichês do gênero. Mas, a maneira como ele entrega e até quebra clichês é muito boa. 

Aqui a gente fica conhecendo outra habilidade de Duda: empregar personagens em vários contos. Eadgar é um personagem que apareceu em outras coletâneas, e esse conto aqui é uma espécie de prequel para uma história publicada em outro livro. Alguns leitores vão ficar confusos e buscar a ordem de publicação exata para entender o universo. Gente, não há necessidade de buscar uma ordenação lógica. Escritores pulps vão publicar esse tipo de histórias de forma bem aleatória e sem uma obsessão em publicar em ordem. Robert E. Howard não escreveu as histórias do Conan em ordem... Lovecraft não escreveu o ciclo cósmico em ordem. Todas estas narrativas são fechadinhas e é possível entendê-las numa boa. Se você se interessar pelo personagem, basta perseguir outras coletâneas onde ele aparece. 

O último conto que eu gostaria de comentar a respeito é Sonhadoras. É óbvio que o Duda não iria deixar de inserir alguma coisa dos mitos de Lovecraft em seus contos. E aqui vemos um em que um professor encontra o diário de um aluno estrangeiro que estava realizando pesquisas a respeito de uma planta estranha dentro do seu quarto, Essa planta tem o poder de produzir sonhos alucinógenos que leva suas vítimas até lugares além da imaginação. A estrutura da história tem bastante da influência lovecraftiana com a derrubada de nossas limitações acerca do estranho a cada página. Pouco a pouco o estranho vai se tornando normal e nossa percepção sobre a realidade vai ficando difusa. Os momentos finais da história realmente lembram histórias do Lovecraft onde nada nunca acaba bem. 

Comboio de Espectros é uma coletânea excelente que eu só tenho a recomendar fortemente. Citei três histórias, mas poderia muito bem ter citado outros como O Trem do Inferno ou Eterna Lua Cheia. O autor prova toda a sua habilidade em criar histórias curtas e instigantes para o leitor. Já estou animado para ler outros materiais dele.  

Ficha Técnica:

Nome: Comboio de Espectros Autor: Duda Falcão Editora: Avec Gênero: Terror Número de Páginas: 208 Ano de Publicação: 2017

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