• Paulo Vinicius

Resenha: "Aqui quem fala é da Terra" organizado por André Caniato e Jana P. Bianchi (Parte 1)

Atualizado: 29 de Mai de 2019

Vamos falar a respeito dessa incrível coletânea de contos com a temática de contatos imediatos. Proposta pela Plutão Livros ela conta com autores nacionais experientes e outros ainda tendo seus "primeiros contatos". Confiram!

Esta é a primeira parte da nossa resenha dessa incrível coletânea de histórias com a temática de contatos com alienígenas. Embora o gênero seja ficção científica, os autores vão variar bastante em seu tom, indo desde algo mais humorístico até um tom mais científico com detalhes que vão agradar a todos os gostos. Preciso dizer o quanto eu sempre me surpreendo com a qualidade da editoração da Plutão Livros e este segundo ebook mostra que o primeiro não foi por acaso. Além do que, a curadoria de contos está excelente e só me surpreendi com os temas e a profundidade dos tópicos abordados. 


Os contos presentes nesta primeira parte são:


1 - "Balé de Almôndegas" (de Rodrigo van Kampen)

2 - "Dois ou Um" (de Jana P. Bianchi)

3 - "O Fantasma veio para a Festa" (de Bárbara Morais)

4 - "O Barqueiro" (de Alliah)

5 - "Um Dia não Anoiteceu Mais" (de André Caniato)


Vamos às resenhas!


1 - "Balé de Almôndegas"


Autor: Rodrigo van Kampen Avaliação:





Bela maneira de iniciar essa coletânea. Para aqueles que não conhecem, o Rodrigo van Kampen é o editor da revista Trasgo, que há anos vem apresentando excelentes autores nacionais para nós, leitores. Mas, quem conhece o trabalho dele como editora, certamente ainda não viu a qualidade do Rodrigo para narrativas de ficção científica. Tive a oportunidade de ler Trabalho Honesto, seu romance longo, e ele conseguiu criar uma história sensacional mesclando criaturas mitológicas em um ambiente que lembra um cyberpunk. Não é surpresa nenhuma que este conto dela seja no mesmo nível ou até superior. 

Não se deixem levar pela sinopse aparentemente inocente. Aqui temos uma chef alienígena chamada Stoodry que veio até a Terra seguir os parâmetros de genocídio planetário para fazer uma refeição abastada para os grandes membros do conselho intergalático. Para seguir estes parâmetros, ela precisa que um espécime nativo do planeta lhe dê uma "autorização" para que a civilização seja exterminada. Regras, vocês sabem, né? Para o azar de Stoodry, a primeira terráquea que ela encontra é a pequena Annabelle, uma menina que não se surpreende nem um pouco com a aparência de nossa chef alienígena. Para completar, Annabelle se recusa a dar sua "autorização" à chef a menos que Stoodry a ajude a ganhar o concurso de talentos da escola primária. E Annabelle quer fazer uma apresentação de balé. E agora? Como Stoodry conseguirá fazer sua tão esperada almôndega feita com a carne de humanos? O esforço para aprender novas técnicas culinárias foi tão grande e agora isso?

Essa sinopse dá a entender que a história é uma comédia boba entre um alienígena e uma humana que se conhecem e estabelecem uma relação de amizade. A narrativa tem um tom muito leve e divertido em que o leitor vai se pegar sorrindo com as tiradas sarcásticas de Stoodry. Não tem como não rir de algumas sacadas do autor. A escrita está excelente, melhor até do que em Trabalho Honesto. Isso se deve ao estilo solto com o qual o Rodrigo compôs a narrativa. Ela é em terceira pessoa, mas observada a partir do ponto de vista de Stoodry. 

Temos uma história bonita de aceitação e crescimento da parte da Annabelle. Ela tem dificuldade em entender suas limitações e se importa com o que outras pensam a respeito dela. O bacana aqui é perceber o quanto o lado alien de Stoodry ajuda a pôr em perspectiva noções bobas que nós temos a respeito de situações do cotidiano. É engraçado que os papéis parecem invertidos e Stoodry parece aquela criança que pergunta "por que" para tudo e Annabelle é que precisa se explicar. O momento da apresentação na escola é muito bonitinho e o autor surpreende muito com a delicadeza com a qual ele transpõe determinadas cenas. 

Mas, este é o Rodrigo van Kampen. Se você espera algo normal e clichê, vai levar uma bela de uma rasteira. O final é muito hilário e ele quebra completamente as nossas expectativas. Só conseguia aplaudir a maneira como ele construiu uma impressão sobre a história para depois destruir tudo. Só tenho a recomendar esse conto. 


2 - "Dois ou Um"


Autora: Jana P. Bianchi Avaliação:





Bela maneira de iniciar essa coletânea. Para aqueles que não conhecem, o Rodrigo van Kampen é o editor da revista Trasgo, que há anos vem apresentando excelentes autores nacionais para nós, leitores. Mas, quem conhece o trabalho dele como editora, certamente ainda não viu a qualidade do Rodrigo para narrativas de ficção científica. Tive a oportunidade de ler Trabalho Honesto, seu romance longo, e ele conseguiu criar uma história sensacional mesclando criaturas mitológicas em um ambiente que lembra um cyberpunk. Não é surpresa nenhuma que este conto dela seja no mesmo nível ou até superior. 

Não se deixem levar pela sinopse aparentemente inocente. Aqui temos uma chef alienígena chamada Stoodry que veio até a Terra seguir os parâmetros de genocídio planetário para fazer uma refeição abastada para os grandes membros do conselho intergalático. Para seguir estes parâmetros, ela precisa que um espécime nativo do planeta lhe dê uma "autorização" para que a civilização seja exterminada. Regras, vocês sabem, né? Para o azar de Stoodry, a primeira terráquea que ela encontra é a pequena Annabelle, uma menina que não se surpreende nem um pouco com a aparência de nossa chef alienígena. Para completar, Annabelle se recusa a dar sua "autorização" à chef a menos que Stoodry a ajude a ganhar o concurso de talentos da escola primária. E Annabelle quer fazer uma apresentação de balé. E agora? Como Stoodry conseguirá fazer sua tão esperada almôndega feita com a carne de humanos? O esforço para aprender novas técnicas culinárias foi tão grande e agora isso?

Essa sinopse dá a entender que a história é uma comédia boba entre um alienígena e uma humana que se conhecem e estabelecem uma relação de amizade. A narrativa tem um tom muito leve e divertido em que o leitor vai se pegar sorrindo com as tiradas sarcásticas de Stoodry. Não tem como não rir de algumas sacadas do autor. A escrita está excelente, melhor até do que em Trabalho Honesto. Isso se deve ao estilo solto com o qual o Rodrigo compôs a narrativa. Ela é em terceira pessoa, mas observada a partir do ponto de vista de Stoodry. 

Temos uma história bonita de aceitação e crescimento da parte da Annabelle. Ela tem dificuldade em entender suas limitações e se importa com o que outras pensam a respeito dela. O bacana aqui é perceber o quanto o lado alien de Stoodry ajuda a pôr em perspectiva noções bobas que nós temos a respeito de situações do cotidiano. É engraçado que os papéis parecem invertidos e Stoodry parece aquela criança que pergunta "por que" para tudo e Annabelle é que precisa se explicar. O momento da apresentação na escola é muito bonitinho e o autor surpreende muito com a delicadeza com a qual ele transpõe determinadas cenas. 

Mas, este é o Rodrigo van Kampen. Se você espera algo normal e clichê, vai levar uma bela de uma rasteira. O final é muito hilário e ele quebra completamente as nossas expectativas. Só conseguia aplaudir a maneira como ele construiu uma impressão sobre a história para depois destruir tudo. Só tenho a recomendar esse conto. 


3 - "O Fantasma veio para a Festa"


Autora: Bárbara Morais Avaliação:





Esta é mais uma space opera muito interessante e é legal vermos um mesmo estilo sendo abordado de formas tão diferentes. Para aqueles que acham que o gênero space opera anda defasado, sugiro que repensem os seus valores. Muitos autores tem buscado ressignificá-lo a partir de novas abordagens ao mesclar com outros gêneros, inserir determinados tipos de dramas apostando em algo mais íntimo e pessoal ou simplesmente pegando uma temática da nossa atualidade e especulando até atender às necessidades do gênero. A Bárbara se encaixa nesse último espectro. 

A Yucatán é uma nave de pesquisa que é considerada a pior nave para alguém trabalhar. Sério, vários acidentes, pessoas enlouquecendo, desistências. Roberto é um membro da tripulação responsável por tudo aquilo que não respeita as regras de conduta da nave: ele arranja birita, equipamentos não tão legais entre outras coisinhas. Já Verônica integra a equipe de pesquisa, mas ainda não pode entrar na sala de pesquisas mais sensíveis por ainda não possuir muita experiência. Entretanto, é responsável e está conquistando a confiança de todos, inclusive do capitão. Já Lilian Kobayashi é uma assistente de navegação que sempre acaba quebrando o galho dos outros e sempre assumindo o trabalho duro. Mas, Lilian é uma das poucas da tripulação da Yucatán que já viram o famoso fantasma da nave e ainda conseguiu manter um mínimo de sanidade. Quando o capitão precisa resolver alguns problemas e deixa a nave a cargo de Lilian, Roberto e Verônica por alguns dias, tudo vai explodir magnificamente. E, dessa vez, o responsável não é Roberto. 

Se a Jana embarcou em uma narrativa mais voltada para o terror, Bárbara optou por uma história mais investigativa. A ideia é entender por que tem um fantasma a bordo da Yucatán. E ela vai aos poucos desvendando o mistério por trás dessa "assombração". Se trata de um fantasma mesmo, será uma IA, alguma substância entorpecente que eles tomaram sem querer? Ficamos com essa dúvida ao longo das páginas. E a autora vai nos apresentando as coisas camada por camada e somos nós que vamos juntando as peças. A partir de um pouco mais da metade da história a gente já consegue imaginar mais ou menos do que se trata. Mas, a autora surpreende mais um pouquinho ao nos apresentar aquele final impactante. 

Eu senti que a narrativa se estendeu um pouco demais. Talvez desse para reduzir umas três ou cinco páginas que a mensagem que a autora queria passar ia se manter a mesma. Nesse tipo de história, mais voltada para o investigativo, muitas vezes o autor se preocupa muito em tomar conta dos preparativos necessários para causar o impacto correto no leitor. Onde deixar as informações sutis, os easter eggs, colocar que personagem aonde e em que momento. São as características peculiares do gênero em específico. Gostei muito quando a autora se focou mais nos personagens e em como eles reagiam a determinadas situações. Isso ajudava a construir a tensão e o estranhamento. Mas, mais para a frente, a história se voltou mais para o mistério dentro da nave e os personagens acabaram sendo deixados muito para trás. Quase não vimos a Lilian da metade para o final e ela era uma das personagens mais importantes nesse sentido por ter tido contato desde o começo com o fantasma. 

Mas, recomendo fortemente a história. Serve como um complemento muito legal ao segundo conto ao pegar um gênero e mudá-lo completamente. A tensão nas páginas também é um plus que acrescenta muito ao que está sendo contado. 

4 - "O Barqueiro"


Autor: Alliah Avaliação:





Para quem não está acostumado com a escrita de Alliah, O Barqueiro certamente vai ser uma experiência bem diferente. Ele emprega uma escrita que se situa no gênero da weird fiction, o que pode confundir muita gente. Para quem não associa o gênero a algo, basta pensar que a trilogia Comando Sul (do Jeff Vandermeer) e Estação Perdido (do China Miéville) são alguns dos representantes mais conhecidos do weird. Vá com a cabeça focada não em entender a narrativa ou a construção dos personagens em si, mas o que o autor está escondendo nas entrelinhas. Qual é a mensagem por trás da estranheza? 

Milo é um alienígena estudioso da fauna e flora do espaço. Após a busca pelo lendário O Barqueiro, ele se encontra na Terra contando suas experiências para Jaqueline que serve como ouvinte. A história de Milo é repleto de idas e vindas, e sua situação vai ficando cada vez mais estranha. Mas, o que os leitores ainda não se deram conta é de que Jaqueline está ali por algum motivo. O que será que ela deseja e que Milo não gostaria de dar a ela?

Eu preciso aplaudir a criatividade do autor. Alliah tem uma mente criativa única capaz de atravessar convenções comuns como gênero ou forma. Para ele, criar uma criatura capaz de atravessar dimensões enquanto deixa um rastro de membros pseudópodes para trás é tão comum quanto tomar um sorvete enquanto passeia pela praia. É como se as convenções normais fossem uma lista telefônica passível de ser rasgada e alterada da maneira como ele deseja. A capacidade que Alliah tem de causar o estranhamento e tirar o leitor do lugar comum é enorme. Se você se mantiver atento à construção narrativa ou ficar prestando atenção demais nos personagens vai perder o fio da meada. Assim como todo bom autor, o que ele quer dizer nem sempre está no que Alliah diz, mas no que está simbolizado ou no que não está dito. Por isso, O Barqueiro pode ser um conto de leitura bem devagar. Até recomendo ler duas vezes ou voltar algumas páginas de forma a pegar todos os ângulos ditos em uma subseção. 

Algo que eu gostei muito também foi na habilidade de Alliah de alternar entre duas formas distintas de contar sua história: uma narrativa em primeira pessoa quando é Milo quem está contando o seu relato e uma narrativa em terceira pessoa quando somos colocados no quarto de Jaqueline. Isso muda muito a perspectiva que temos acerca da história. Quando a narrativa é colocada do ponto de vista de Milo, ela é mais íntima e pessoal. Somos capazes de enxergar o universo através de olhos completamente diferentes dos de um humano. Enxergar um mundo novo. Já quando voltamos ao quarto de Jaqueline é como se uma câmera estivesse nos mostrando os acontecimentos do alto e seus desdobramentos em uma maneira mais física. 

Talvez uma das mensagens presentes no conto seja a da mudança. O quanto os seres vivos (não apenas os humanos) são capazes de mudar a si mesmos. Não somos seres estáticos, sofrendo alterações físicas, sociais ou psicológicas com o passar do tempo. É como a metáfora da borboleta, que passa por várias etapas antes de se transformar em um ser maravilhoso. Entretanto, nenhuma mudança vem sem sacrifícios. O que Milo tenta dizer para Jaqueline ao longo de sua narrativa é que as mudanças representam um amadurecimento, um deixar algo para trás. O quanto somos capazes de mudar nossa própria essência em prol de um amadurecimento ou de uma alteração em nossa perspectiva? Afinal, o universo é um mundo em expansão e somos parte dele. 

O Barqueiro é aquela típica história que eu adoro ver em uma coletânea de contos: ousada, diferente e original. Algo que somente Alliah poderia nos entregar. Recomendo demais conhecer outros materiais que ele produziu. Tenho certeza de que o cérebro de vocês vai explodir a cada nova história. 


5 - "Um Dia Não Anoiteceu Mais"


Autor: André Caniato Avaliação:





A capacidade de envolver o leitor em uma narrativa é algo que nem sempre é conquistado por um autor. Muitos fatores entram nessa equação: as condições certas, o humor certo, o rumo certo, o gosto certo. Tudo interfere em o quanto eu, leitor, sou capaz de fruir de um determinado universo. André Caniato me colocou ao lado de Tarsila e eu suei junto com a personagem, tentando entender o que estava acontecendo naquela cidadezinha estranha. 

Tarsila quer uma matéria bem inusitada para o seu trabalho de TCC. Ela deseja uma reportagem que chame a atenção e lhe dê uma nota muito boa em seu projeto final. Por isso, ela pega o seu irmão Ícaro e vai até uma cidadezinha do interior de São Paulo para resolver um velho mistério de família: algumas pessoas que desapareceram, vítimas de um "lobisomem" ou alguma criatura não identificada. As histórias são muito contraditórias e Tarsila deseja ir até lá para colocar tudo a limpo antes que as últimas testemunhas desapareçam. Mas, a realidade pode ser mais assustadora do que ela imagina. 

Essa é mais uma bela história de investigação. Mas, diferente do conto da Bárbara Morais, a história do Caniato possui menos aspectos de scifi. Sua narrativa é mais pé no chão e mais voltada para um suspense. A própria forma como ele constrói sua narrativa é de forma a colocar tensão no leitor. Este não sabe o que vai encontrar na próxima esquina. Essa sensação de incômodo vai permanecer conosco até mais ou menos o final. Achei muito válido essa interação que Caniato faz entre o personagem e o cenário onde ele se encontra. Cada pequeno detalhe é importante para a construção desse ambiente estranho e dessa saída da normalidade para a personagem. Mais para o final da narrativa, o autor muda bruscamente o rumo da história que adota um tom mais dramático. Gosto de como o autor não mostra, deixando isso mais a cargo do leitor. Um dos grandes méritos em boas histórias de terror ou suspense é a capacidade de insinuar e não a de chocar. 

O foco da história é na relação entre os irmãos. Em como, apesar das briguinhas do cotidiano, Tarsila e Ícaro se amam e em como esta relação é a base para os dois. Existe um paralelo feito mais tarde com o mistério na narrativa, e o final é surpreendente. Me lembrou aquelas histórias do Além da Imaginação em que somente o leitor sabe o que realmente aconteceu. O desespero de Tarsila mais para a metade final do conto nos deixa preocupados com o que pode acontecer a ela e a seu irmão. Quando Tarsila sai do hotel para investigar o caso, a gente já sabe que alguma coisa não vai dar certo. 

Estamos diante de uma bela narrativa com uma escrita bem tranquila de ser compreendida. Caniato preferiu calcar no chão a sua história sem grandes firulas de ficção científica e conseguiu criar uma história realmente assustadora. E o detalhe: sem mostrar muito. Tenho certeza que vocês vão gostar, assim como eu gostei. 

Ficha Técnica:

Nome: Aqui Quem Fala é da Terra Coletânea de contos organizada por André Caniato e Jana Bianchi Editora: Plutão Livros Gênero: Ficção Científica Número de Páginas: 235 Ano de Publicação: 2018


Outras Partes:

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