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Resenha: "A Voz do Silêncio vols. 1 e 2" de Yoshitoki Oima

Shouya é um garoto que tenta vencer o tédio da vida fazendo provas de coragem. Como todo menino levado ele quer chamar a atenção de todos, inclusive de seus amigos. Mas, à medida em que ele vai crescendo, suas ações acabam soando bobas para seus amigos. Até que Shouko, a nova aluna da classe, chega. E ela é surda. E se torna o seu alvo de brincadeiras.


Sinopse:


Shouya é um bully, suas brincadeiras infantis são uma verdadeira tortura para sua colega de classe, Shouko, uma nova aluna surda. Conforme a coisa piora e todos ao seu redor parecem ignorar ou estimular as brincadeiras maldosas, Shouya passa dos limites, forçando Shouko a mudar de escola. Tendo sido considerado o culpado por tudo, agora é ele quem sofre torturas e bullying, aprendendo na pele o seu erro. Agora, seis anos depois, o rapaz decide encarar de frente a menina que atormentou e tentar corrigir os erros do seu passado. Será que ele conseguirá sua redenção? Ganhador de diversos prêmios no mundo todo, A Voz do Silêncio, no original Koe no Katachi, chegou a ser adaptado para as telonas no final de 2016, tornando-se um dos grandes sucessos do ano.





Quantos de nós já não presenciamos, sofremos ou participamos de atos de bullying quando estávamos na escola? Já há alguns anos, a escola passou a ter uma preocupação maior com o potencial negativo do bullying na vida de uma pessoa. Em A Voz do Silencio, Yoshitoki Oima nos mostra o bullying a partir do ponto de vista de quem sofre e de quem pratica. E dos efeitos negativos que se tornam a consequência de tais ações. Além disso, a autora nos mostra os obstáculos e desafios que uma pessoa que possui deficiência auditiva passa. Tudo isso em uma narrativa sensível e emocionante que já encantou milhares de fãs pelo mundo todo.


Shouya é um típico menino inquieto em sua juventude. Gosta de pregar peças, aprontar todas e não tem paciência com as lições da escola. Tudo isso é tedioso, segundo ele. Ele mora com uma mãe solteira que precisa trabalhar em seu salão de beleza para colocar comida na mesa e sua irmã é uma pessoa que sempre tem um namorado novo toda semana. Shouya tem um grupo de amigos com quem gosta de brincar de se atirar no rio do alto de uma ponte. São as provas de coragem. Mas, à medida em que eles vão crescendo as brincadeiras sem noção do Shouya vão se tornando bobas. E os amigos que tanto zoavam junto com ele, agora tem outros interesses. E o tédio volta à vida de Shouya. Mas, uma nova aluna chamada Shouko vai despertar o interesse pouco usual do garoto. Isso porque ela é uma menina que possui deficiência auditiva. A partir daí, Shouya vai aprontar todas com ela até que um dia aquele que fazia o bullying se torna vítima do bullying.


A Voz do Silêncio é um mangá bem pesado e que fala de um tema tão presente em nossa vida que pode acontecer ou já aconteceu com qualquer um. O protagonista, Shouya, é um personagem bem difícil de sentirmos empatia. O fato de ele fazer bullying com a Shouko é uma maneira nítida de chamar a atenção. Ao perder a atenção de seus amigos que não desejam mais fazer coisas bobas, ele vê no bullying a Shouko uma maneira de superar o tédio. Só que ele não se dá conta do mal que ele está causando na menina. Suas ações se tornam cada vez mais abusivas à medida em que o tempo passa até que a escola decide finalmente intervir. O que ele não esperava era que acontecesse o contrário com ele. Que aqueles que riam e se divertiam com os abusos cometidos contra a Shouko fossem os primeiros a se voltarem contra ele. O abusador se torna aquele que sofre o abuso. E ele não sabe mais como lidar com toda a situação.

Falando um pouco da arte, ela pode parecer simples a quem vê em um primeiro momento. Até porque a autora se preocupa mais com os personagens em si do que o fundo. Não é incomum vermos páginas e mais páginas de fundo branco. O trabalho que ela tem com as expressões dos personagens é fascinante. Todos os personagens possuem gestos e expressões que os definem. Sabemos quando a Shouko está alegre, triste ou pensativa; o mesmo vale para o Shouya. Em uma narrativa sobre uma menina que tem deficiência auditiva e fala muito pouco no mangá, a autora precisou encontrar formas alternativas de fazer com que ela se comunicasse com os demais personagens. Em volumes posteriores, veremos mais acerca da linguagem de libras, e ela começa a introduzir de leve isso no primeiro volume, mas podemos ver como ela precisa tocar para expressar determinadas frases, ou a maneira como o seu corpo reage a certas circunstâncias. Essa preocupação com o personagem antes do fundo e com a forma como ele interage com aqueles que o cercam possui um alto grau de dificuldade. Ou seja, a arte não é surpreendente, mas a forma como ela faz os personagens ganharem vida e expressividade é o que faz dela tão diferente.


Nesse primeiro volume, vemos também uma forte crítica à maneira como a escola lidou com o caso da Shouko. E é um reflexo de várias escolas espalhadas pelo Brasil. Ela é colocada na turma e precisa se adaptar à maneira como a aula acontece. É lógico que isso não vai dar certo e a menina logo começa a ficar para trás e atrapalhar a dinâmica da sala. A coordenadora pedagógica é completamente despreparada para lidar com o caso da Shouko, principalmente quando os casos de bullying começam a acontecer. Em nenhum momento vimos os pais sendo chamados para conversar sobre seus filhos, apenas foi adotada uma postura punitiva. O professor é o pior problema: é um cara que não só se diverte com as brincadeiras tolas feitas com a Shouko como ignora o que pode fazer para melhorar a qualidade de aprendizagem da menina. Estamos em um momento de discussão sobre inclusividade na escola e temos um ministro da Educação que fala da necessidade de separar os alunos com deficiência como se fossem alienígenas. Não tem a ver com separação; tem a ver com preparação e estabelecer políticas públicas educacionais que permitam a essas pessoas. Me senti mal ao ver toda aquela situação acontecendo com a menina e a inércia absoluta da escola.


Já o segundo volume avança um pouco mais a história contando alguns anos à frente como se deu o reencontro entre Shouko e Shouya. O bullying praticado pelos colegas do Shouya o afeta de forma terrível. Isso porque ele sente na pele o que ele fez à menina. Falta-lhe a força que Shouko tem para suportar os maus tratos e sempre permanecer com um sorriso no rosto. Shouya perde a confiança nas pessoas e a autora representa esse sentimento de uma maneira incrível: ela faz com que o personagem não seja mais capaz de enxergar os rostos das pessoas. Seus rostos são cobertos com um X enorme. O protagonista reduz ainda mais sua auto-estima e passa a entender a si mesmo como um culpado por tudo aquilo que ele fez. Como se fosse um carma. É uma mentalidade que martela em sua cabeça o tempo todo. Em um dado momento ele consegue juntar dinheiro para devolver à sua mãe todo o dinheiro que ela precisou usar para ressarcir a família da Shouko pelo dano causado. E ele se prepara para cometer uma bobagem. Mas, se sente na obrigação de buscar sua antiga colega de escola e lhe pedir desculpas com o pouco de linguagem de sinais que ele aprendeu. Sua vida muda completamente com esse contato.


Oima encontrou uma maneira sensacional de representar a comunicação entre os personagens a partir do segundo volume. Como Shouya se esforça para aprender libras, ele passa a se comunicar com ela através desse novo conhecimento. E a autora consegue transmitir isso bem nas páginas. Já disse antes que ela se focou nos gestos e movimentos dos personagens e isso se transmite também pelas libras. As palavras e letras são representadas corretamente pelos personagens com os dedos fazendo os sinais adequados e até conseguindo mostrar como o movimento é feito. Inicialmente as falas eram traduzidas direitinho para os leitores, mas com o avançar da história a autora não faz isso. O leitor consegue entender bem o que está acontecendo sem precisar saber o que os dois personagens falaram, mas essa lacuna cria uma curiosidade em quem está lendo para buscar saber o que aquele sinal significa. É como se fosse uma segunda linguagem por baixo de uma leitura superficial.


Conhecemos mais da Shouko a partir do segundo volume e as dificuldades que ela teve em sua infância. Sua irmã Yuzuriha ficou extremamente abalada com tudo aquilo que foi feito a ela por pessoas ignorantes. Ela tenta agir como uma protetora, mas o caráter pacífico e otimista da Shouko desarma sua irmã completamente. Ou seja, buscamos entender a Shouko através da Yuzuriha. Diante de todos os problemas que lhes são impostos, a menina busca encontrar forças para seguir em frente. Mesmo que isso signifique ficar buscando o paradeiro de seu aparelho auditivo jogado na água durante horas, se esforçando duas vezes mais para poder estudar. Em um mundo que não a compreende, Shouko tenta fazer com que as pessoas gostem dela se esforçando o dobro para isso. É uma mentalidade maravilhosa, porém bastante triste. Dada a sua personalidade tão bondosa, ela não precisaria fazer isso. O único momento em que vemos a Shouko irritada é devido a uma situação relacionada ao Shouya. Mas, deixo isso para comentar na próxima resenha.


Uma segunda edição que eleva o nível da história iniciada no primeiro volume. Se formos parar para pensar aconteceu muita coisa em apenas dois volumes. Isso demonstra a riqueza das discussões propostas pela autora e como ela conseguiu inserir a história em um pano de fundo com o qual o leitor comum consegue se identificar facilmente. A linha narrativa proposta por ela é linda, mesmo a história tendo tanto peso. Os personagens possuem muita profundidade, revelado pelos seus dilemas e problemas que ainda vão ser mais explorados pela autora. Esse mangá é uma pérola que se encontra em nossas prateleiras. A leitura é tão boa que a gente devora os volumes em um piscar de olhos. Recomendadíssimo a todos os leitores.



Ficha Técnica:


Nome: A Voz do Silêncio vols. 1 e 2

Autora: Yoshitoki Oima

Editora: NewPop

Gênero: Drama

Tradutora: Sayuri Tanamate

Número de Páginas: 200 cada volume

Ano de Publicação: 2017 e 2018


Outros Volumes:

Vols 3 e 4


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