• Diego Araujo

Resenha: "A Sabedoria dos Mortos"(Os Arquivos Perdidos de Sherlock Holmes vol. 1)de Rodolfo Martínez

A Sabedoria dos Mortos conta uma nova história de Sherlock Holmes, e desta vez o detetive mais famoso da ficção enfrentará o mistério sob aspectos da mitologia criada pelo H. P. Lovecraft.



Sinopse:


O maior detetive do mundo e seu narrador mais dedicado. Um manuscrito amaldiçoado composto por um árabe louco. Uma sociedade secreta que reúne eminentes figuras da sociedade inglesa. Uma mensagem cifrada encontrada em um cemitério indígena. Um príncipe que abdicou de seu reino, deixando os círculos místicos europeus em estado de alerta. Todos esses elementos compõem o primeiro volume de Os Arquivos Perdidos de Sherlock Holmes, criado por Rodolfo Martínez, um dos mais importantes nomes da fantasia europeia. Em uma trama de suspense investigativo e aventura sobrenatural, o autor espanhol aproxima a criação máxima de Arthur Conan Doyle do mundo horripilante de H. P. Lovecraft, envolvendo a Ordem da Aurora Dourada, Aleister Crowley e um enigmático monarca, que levarão assombro e misticismo ao universo racional e lógico de Sherlock Holmes e John Watson.





Revisitamos personagens marcantes do passado em outra obra sob a intenção de homenagear autores importantes de tempos próximos. O detetive mais conhecido e adaptado nos cinemas usa o raciocínio dedutivo contra as conspirações ocultas, desta vez realistas no universo deste trabalho de ficção. O personagem de Arthur Conan Doyle conhecerá o universo de Lovecraft nesta história onde até os respectivos autores são personagens.


A Sabedoria dos Mortos é o romance de estreia da saga Os Arquivos Perdidos de Sherlock Holmes. Escrito por Rodolfo Martínez e trazido em 2019 pela Avec Editora sob a tradução de Emanuele Coimbra e Enéias Tavares, Sherlock Holmes enfrentará o ocultismo daquilo que não deveria existir.


“Creio que já é hora que o mundo o saiba, Watson.”


O Dr. Watson retoma os trabalhos escritos, guardados há tempos em respeito à discrição do seu agente, o Arthur Conan Doyle, por ele ter participado deste episódio em particular. O manuscrito correspondia há cerca de um ano depois de Sherlock voltar a aparecer ao público, tomado até então como morto na disputa mortal contra o Professor Moriarty.


Enquanto oculto, Holmes assumiu a identidade do pesquisador norueguês Sigerson. A chegada deste pesquisador de mesmo nome em Londres atrai a atenção do detetive, afinal a persona disfarçada de Sherlock jamais existiu. O detetive e médico vão ao evento palestrado por Sigerson, onde pessoas da alta sociedade de Londres estão presentes, como o próprio Arthur Conan Doyle, além de desconhecidos próximos ao pesquisador norueguês. Sigerson desaparece após o evento, e Sherlock tenta procurá-lo na trilha que o levará a indícios de ocultismo e horrores elaborados por Lovecraft.


“Quem não existe, não pode desaparecer.”


A proposta do romance acompanha o peso de várias expectativas. Já existem várias histórias de Holmes na mão de outros escritores competentes e muitos outros já aproveitaram o universo criado por H. P. Lovecraft. Já Rodolfo ousa unir os aspectos do romance policial ao ambiente de horror cósmico, ainda por cima retratando a história de época com comportamentos e linguagem próprios entre os séculos XIX e XX, tudo isso sob a pretensão de contar uma boa história. São muitos desafios, e este livro supera grande parte deles.



O gênero pende ao habitual das histórias do protagonista criado por Doyle, a princípio. Watson conta os diversos detalhes que levaram ele e Sherlock Holmes ao novo mistério, o desaparecimento de alguém. Os métodos do detetive continuam os mesmos, usando a dedução lógica como ferramenta a obter respostas onde ninguém jamais descobriria. A investigação prossegue nesses aspectos, progredindo certas informações ao ocultismo envolvido, planta a semente do sobrenatural a germinar diante dos protagonistas e os desafiam como o elemento novo daquele mistério.


Teve cuidado ao retratar a linguagem da época, com expressões formais mesmo ao transparecer o sentimento do personagem atuante. O cuidado prosseguiu também na compreensão de leitores de obras contemporâneas, pois economizou nas palavras próprias daquele período, hoje rebuscadas, e mesmo nessas poucas presentes ainda é fácil de compreender a partir do contexto de toda a frase. Toda a prosa ficou equilibrada, com alguns erros de digitação que escapou da revisão.


Por ser uma história de Sherlock Holmes, o autor esforçou-se em traçar referências ao legado histórico do personagem enquanto progrediu traços sentimentais já conhecidos para transformar-se na história elaborada por ele. Exagerou na quantidade das referências, muitas até condizentes com o romance narrado, já outras desnecessárias, presentes apenas pelo autor demonstrar seu domínio sobre os episódios homenageados. O autor usou a reação íntima aos mistérios do ocultismo ao desenvolver mudanças de personalidade ao detetive bem conhecido, tudo conforme a bagagem histórica do personagem e progredindo conforme ele testemunhava as novidades propostas neste romance; a única crítica quanto ao novo comportamento de Holmes fica pelas observações do detetive sobre as deduções de Watson, por serem repetitivas.


“Não havia muitas coisas no mundo que pudessem surpreender Sherlock Holmes.”


A Sabedoria dos Mortos demonstra o domínio do autor em saber homenagear dois universos de autores distintos e mesclá-los no romance. Tudo isso feito no tempo certo dentro da narrativa, sem acelerar a junção dos elementos sobrenaturais ao clima de romance policial. Como primeiro romance da saga, apresentou do que está por vir na continuação, cuja expectativa permanece alta pela qualidade deste debut.



Ficha Técnica:


Nome: A Sabedoria dos Mortos

Autor: Rodolfo Martínez

Série: Os Arquivos Perdidos de Sherlock Holmes vol. 1

Editora: Avec

Gênero: Fantasia

Tradutores: Emmanuele Coimbra e Enéias Tavares

Número de Páginas: 224

Ano de Publicação: 2019


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*Material enviado em parceria com a editora Avec


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