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  • Foto do escritorPaulo Vinicius

Resenha: "A Menina que tinha dons" de M.R. Carey

Em um laboratório, Melanie acorda todos os dias para ser presa e amordaçada até o local onde vai realizar suas aulas. Em sua mente infantil, ela não entende por que vive em tal realidade. Sua vida se anima com as aulas da senhora Justineau, que alimenta seus sonhos e ilusões.


Sinopse:


Cultuado autor de quadrinhos e roteiros da Marvel e da DC Comics, entre eles algumas das mais elogiadas histórias de X-Men, O Quarteto Fantástico e Hellblazer, o britânico M. R. Carey apresenta uma trama original e emocionante em sua estreia como romancista com A menina que tinha dons, lançamento do selo Fábrica231. Aclamado pela crítica, o livro se tornou um bestseller imediato na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos ao contar a história de Melanie, uma menina superdotada que faz parte de um grupo de crianças portadoras de um vírus que se espalhou pela Terra e que são a única esperança de reverter os efeitos dessa terrível praga sobre a humanidade. Levados à popularidade pelos filmes de George A. Romero na década de 1970, os zumbis têm sido explorados desde então no cinema e na literatura e estão cada vez mais em voga, são ícones da cultura pop, vide uma série de jogos de videogame e a série norte-americana de sucesso The Walking Dead. A questão é: depois de tanta coisa já feita sobre o tema, restou alguma carne no cadáver? Com sua larga experiência como roteirista de quadrinhos, M.R. Carey mostra que sim, com uma abordagem humanista e inovadora em A menina que tinha dons. Uma comovente história sobre amor, perda e companheirismo encenada num futuro distópico.






Em um mundo tomado pela destruição e pelo desespero, quando deixamos de ser verdadeiramente humanos? Quando os nossos valores são substituídos apenas por justificativas de sobrevivência? Essa é uma história carregada de simbolismos e que, mesmo com o jeitinho doce da Melanie no começo da história, revela um grau de violência que salta aos olhos. E não é uma violência explícita, mas algo simbólico, dos olhares, dos gestos e da dor no fundo da alma. Por mais que tentemos imaginar aquelas crianças como famintos, é impossível não deixar de observar a doçura e a inocência do olhar. Por mais que elas possam se virar contra nós em um piscar de olhos.


Essa é a história de Melanie, uma menina muito especial que vive em um laboratório no interior da Inglaterra. Ela sonha com os deuses gregos, com a história de Pandora e de tantos outros. A aula que ela mais gosta é a da senhora Justineau, alguém que ela sabe que tem um olhar doce e bondoso. Tem outras aulas menos legais, mas uma coisa ela percebe: todos os professores parecem ter medo dela e das outras crianças. Eles olham para baixo, nervosos e parecendo que estão vendo algum tipo de fantasma. Está chegando a hora de ir para mais um dia de aulas. Os soldados vem, apontam uma arma para sua testa, a amarram com força em uma cadeira de rodas, de forma que ela não possa mexer braços, pernas ou sequer o pescoço. Melanie sente o nervosismo dos soldados que evitam sequer encostar nela. Ela não entende muito bem o motivo de tanta preocupação. Ao mesmo tempo, ela quer saber o que aconteceu com os seus dois amigos. Desde que foram levados ao laboratório da dra. Caldwell, eles nunca mais retornaram. Hora de mais uma aula da senhora Justineau!


Estamos diante de uma distopia bem fundamentada pelo autor. O cenário é desesperançoso e desolador. O começo da narrativa se passa em um laboratório onde ele passa algumas informações básicas sobre o que aconteceu com este mundo, como as pessoas reagiram e as alterações sociais consequentes. Tudo é apresentado de uma maneira bastante sutil, através de comentários aqui ou ali ou de menções feitas pelos personagens. Nesse ponto, não houve tanto info dumping da parte do autor. A história segue um estilo cinematográfico em três atos, sendo que o primeiro se passa no laboratório, depois acontece uma situação que os coloca em movimento e por último a chegada a um local específico onde os dramas finais irão se desenrolar. A narrativa é em terceira pessoa, vista a partir de pontos de vista. E ele alterna bastante entre os personagens apesar de o centro da narrativa ser a própria Melanie. No que diz respeito à compreensão da trama ou do mundo em si, a história é bem tranquila e o leitor não vai se sentir perdido. Há uma alternância entre personagens mais "científicos" que vão explicar em termos específicos o que está acontecendo, mas tem também pessoas como Melanie e Parks que procuram entender o que acontece ao seu redor com olhos mais do senso comum.


Essa é uma história sobre o que nos faz humanos. Todos vivem sob uma situação-limite e as crianças são versões especiais dos famintos, um tipo de zumbis que devoraram quase inteiramente a humanidade. Esses famintos foram infectados por um tipo de fungo que que acabou com sua humanidade e os transformou em máquinas de matar pessoas. Eles foram responsáveis pela destruição da maior parte dos grandes centros urbanos do mundo inteiro. Famintos só possuem dois estágios: o de caça, quando eles saem atrás de outros seres humanos para se alimentar e o estático quando eles ficam parados olhando o nada. Só que entre os famintos apareceram algumas crianças que, mesmo infectadas, conseguiram manter a consciência. São tão perigosas quanto um faminto que, ao sentir o cheiro de sangue ou de feromônios, partem para cima das pessoas. Essas crianças podem significar a chave para entender a infecção desses fungos. Essas crianças passaram a ser caçadas para serem mantidas em laboratório e estudadas. Criou-se todo um sistema de aprendizado para ver como as funções cerebrais podem se manter. Só que ao mesmo tempo todos dentro do laboratório sabem como elas são perigosas e as mantém sob máxima segurança.


O grande problema da trama é perceber o quanto elas ainda são crianças. Boa parte de seus pensamentos e conclusões são os de uma criança. Elas observam o mundo com curiosidade, não compreendem exatamente o que está acontecendo e se entristecem com a situação a qual são submetidas. Imaginem o impacto mental a um médico ou a um soldado precisar lidar com uma criança que pode ser um monstro de uma hora para a outra. Normalmente as crianças representam o símbolo da inocência e da ingenuidade. E no fundo elas são, na história. Só que todos ali precisam encarar o nível de ameaça representado por elas. Essa dicotomia apresentada pelo autor é de partir o coração. O leitor fica em dúvida se recrimina ou não aqueles que estão envolvidos em toda essa situação. Claro que a dra Caldwell é uma exceção a tudo isso, mas ficamos divididos ao buscar entender o lado de Parks e Gallagher.


Melanie é uma criança especial mesmo entre os seus companheiros vítimas do fungo. Por conta de sua alta inteligência, o parasita parece não ter tomado completamente suas funções cognitivas. Então, apesar de ela ter os anseios de outros de sua espécie, ela ainda mantém sua capacidade de raciocínio. E ela se pega em um dilema terrível. Sendo uma garota bastante inteligente, ela logo conclui o que se trata sua situação e, em sua mente infantil, tenta entender se é uma humana ou um monstro. Mesmo ela compreendendo o quanto ela pode ser perigosa para aqueles ao seu redor, dói em seu coração não ter a agência sobre si mesma. Para poder estar ao lado da pessoa que ela ama, Melanie precisa se submeter a algumas situações bem difíceis como andar com uma guia presa em seu pescoço, ter mãos e braços amarrados, andar com uma focinheira. É um aspecto visual bem forte. Isso sem falar que por toda a sua vida ela foi criada em laboratório e subitamente ela se vê em um mundo maior que ela não compreende. Tudo é novo e maravilhoso para ela, mesmo ela se deparando com uma realidade em ruínas.


Justineau representa a consciência humana tentando sobreviver a todo esse cenário desolador. Ela luta para manter o que a faz ter um mínimo de compaixão e amor. Mesmo entendendo o perigo que as crianças representam, ela tenta enxergar a bondade em seus corações. Esse espírito puro é o que faz Melanie se apegar tanto a ela. Podemos até entender Justineau e Caldwell como pólos exatamente opostos da questão. Se Caldwell é a fria cientista que deseja encontrar as respostas para suas pesquisas, não se importando com os meios para isso, Justineau é aquela que vai dar um soco na cara (literalmente) daqueles que se aproveitam de seu poder para fins escusos. Lógico que a visão da personagem é ingênua e estreita; tem alguns momentos da história em que ela é lembrada do perigo que as crianças representam. Mesmo assim, ela quer acreditar na possibilidade de um mundo melhor. Não podemos culpá-la por querer enxergar uma luz em tanta escuridão. Se formos entender a partir da premissa do livro, é possível até afirmar que uma possível morte dela acabaria com toda e qualquer esperança ainda existente. O que seria um golpe terrível para o grupo estranho ao qual ela se vê obrigada a fazer parte.


Só um parênteses antes de encaminhar nossas conclusões finais. Carey usou um artifício que fazia tempo que não via em narrativas de ficção científica: os fungos. Normalmente, ao criar histórias de zumbi, os autores preferem usar vírus ou patógenos quaisquer para indicar a infecção, o que se encaixa bem no desenvolvimento contemporâneo. Meio que deixamos de lado outras espécies diferentes. Só que não sabemos muita coisa sobre os fungos. Eles não pertencem nem ao reino animal e nem ao vegetal. Sua própria formação possui várias lacunas e alguns autores de ficção científica exploraram-nas no passado. A última grande história memorável foi Day of the Triffids, do grande autor John Wyndham. É uma pena que um clássico como esse, vencedor de inúmeras premiações e sempre nas listas de livros importantes do século XX, não tenha uma edição recente em prateleiras.


A menina que tinha dons é um livro duro em sua maneira de conduzir a história. A escrita por vezes pode ser pesada, no sentido em que ficamos presos no parágrafo e eles parecem mais longos do que realmente são. Mas, se trata de uma temática tão importante que vale a pena ser lido. Parece que vivemos hoje em uma sociedade que caminha para uma ruína como nesse mundo. Não uma literal, mas uma no sentido de que estamos no esquecendo o que nos torna humanos em um mundo em constante transformação. Parece que vivemos cercados de famintos, pessoas que se transformam em entes primitivos buscando devorar os outros. Essa metáfora do zumbi se coloca em uma conjuntura político-ideológica em que as pessoas parecem estar perdendo aquilo que as torna humanas. Caçamos quem está ao nosso redor. Devoramos quem pensa diferente. E somos deixados com crianças famintas que não compreendem o que está acontecendo ao seu redor. E que parecem encerradas em laboratórios onde se busca a "cura" para a inocência. Carey conseguiu escrever uma história com muitas camadas. Não se trata de nada memorável, mas certamente nos faz refletir sobre o mundo em que vivemos.











Ficha Técnica:


Nome: A menina que tinha dons

Autor: M.R. Carey

Editora: Rocco (Fábrica 231)

Tradutora: Ryta Vinagre

Número de Páginas: 383

Ano de Publicação: 2014


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