• Paulo Vinicius

#EspalheFantasia: "O Sobrinho do Mago" (As Crônicas de Nárnia vol. 1) de C.S. Lewis

Quando Digory encontra o famoso quarto do tio André junto com sua amiga Polly, mal sabia ele que estava prestes a ver o nascimento do incrível mundo de Nárnia. Mal sabia ele também que ele seria o responsável pela entrada do mal em um mundo que mal acabara de nascer.



Sinopse:


A aventura começa quando Digory e Polly vão parar no gabinete secreto do excêntrico tio André. Ludibriada por ele, Polly toca o anel mágico e desaparece. Digory, aterrorizado, decide partir imediatamente em busca da amiga no Outro Mundo. Lá ele encontra Polly e, juntos, ouvem Aslam cantar sua canção ao criar o mundo encantado de Nárnia, repleto de sol, árvores, flores, relva e animais.





O nascimento de Nárnia


Essa é a primeira vez que eu leio a série. Pronto, comentei o meu pecado. Pelo pouco que eu pude entender da leitura de O Sobrinho do Mago que dizem ser o primeiro a ser lido em ordem cronológica de eventos a série ainda tem muito a entregar nos próximos volumes. Mas, a gente já consegue perceber a magia presente nas páginas. Digory é como o leitor que acaba de entrar na história. A gente duvida da magia até que ela se faz presente bem na nossa frente. A ponto de não podermos mais duvida de sua existência. Como um material para atrair novos leitores, O Sobrinho do Mago é uma leitura muito eficiente. Para os leitores adultos, existem vários pequenos detalhes que podem ser interpretados com mais profundidade.


Digory é um menino que mora junto de seus pais e seu tio André, um homem bastante peculiar. Por muito tempo, seus pais pediram que ele ficasse longe de seu tio por causa de algumas histórias estranhas que chegaram aos ouvidos deles. Mas, a mãe de Digory acaba ficando muito doente, o que deixa o menino muito preocupado. Ele acaba conhecendo Polly, uma garota inteligente e gentil, e eles acabam se tornando amigos. Depois de encontrar um túnel, eles acabam entrando no quarto do tio André. Depois de conversar um pouco com os dois, ele pede um favor aos dois meninos: que eles usassem um anel para ir explorar um outro mundo para ele e depois contasse a ele o que encontraram. Ao não garantir a segurança dos dois, tio André acaba afastando os dois que pensam em sair rapidamente dali. Só que Polly acaba colocando um anel dourado no dedo e desaparece do quarto. Digory percebe que isso foi uma artimanha de seu tio para que eles fizessem o que ele queria. Para resgatar Polly, Digory tem que usar o anel amarelo e levar um anel verde até Polly. Ou seja, eles vão acabar fazendo o que seu tio queria. A dupla chega a um mundo devastado chamado Charn e, sem querer, acabam libertando uma bruxa poderosa. E agora?


A escrita do Lewis é bem simples e direta. É preciso entender que toda a série Nárnia foi pensada para um público infanto-juvenil, apesar de algumas complexidades presentes aqui ou ali. Não confundir uma escrita simples com condescendência; muito pelo contrário. Os diálogos respeitam a inteligência do leitor e os diálogos mantém mistérios aonde precisa ou são diretos quando não há necessidade de reter informação. O livro é bem curtinho e repleto de imagens bem legais que ilustram cenas ou situações vividas pelos personagens. A tradução feita pela Wmf Martins Fontes está muito boa, mantendo o estilo do autor ao mesmo tempo em que torna o texto acessível aos leitores mais jovem. Nossa boa e velha reclamação quanto ao tipo de papel usado e ao valor de capa do livro continua. Esse é o tipo de material que precisa ser barato para trazer mais crianças para o universo da fantasia.


Esse é realmente um livro de origens. Mesmo eu não conhecendo nem um pouco a série, é possível perceber o quanto Lewis está apresentando os personagens e desenvolvendo o enredo. Vemos literalmente o nascimento de Nárnia como um mundo propriamente dito. Acompanhamos o verde nascendo, as árvores crescendo, o vento soprando, a água banhando as terras e os animais se espalhando. O momento em que Arslan realiza a magia da criação da vida é algo quase celestial. Já li vários livros de fantasia e posso dizer que esse capítulo inteiro que se chama "O Nascimento de Nárnia" é único para mim. Nunca li nada com o mesmo impacto que isso teve. Lewis escreve esse capítulo com um grau de gravitas, de divindade, que vemos em poucos lugares. No momento em que estou digitando esse trecho, chega até a arrepiar. E estamos falando de um romance infanto-juvenil. Por conta de sua maneira de enxergar a religião, é possível comparar essa cena realmente ao Gênesis. Lógico que Lewis imbui seus personagens com uma outra aparência, mas Arslan é uma figura divina mesmo. E ele se parece um pouco com o deus do Antigo Testamento, com uma forma de lidar mais afastada com as criaturas que ele criou ou que teve contato. Digory, Polly, André e a bruxa são encarados como seres estranhos àquela realidade. Por essa razão, em alguns momentos a forma como ele trata essas pessoas é mais rude.


Os personagens são bem arquetípicos, mas bem apresentados. O menino curioso, a menina esperta (porém responsável), a bruxa maligna e o tio ambicioso. Não há nenhum problema em apresentar clichês como personagens; é a forma como você os apresenta que muda como o leitor encara seus dilemas. Ao mesmo tempo o personagem precisa evoluir de alguma forma ao longo da narrativa. Seja ganhar mais poderes ou aprender lições necessárias para ele se tornar uma pessoa melhor. E Digory é o personagem que mais se desenvolve em O Sobrinho do Mago até porque a história é focada nele. Ele começa como sendo um menino até grosseiro com a Polly, como na situação do sino em que ela o compara ao seu tio, enxergado como uma pessoa desprezível ao longo da narrativa. Aos poucos ele vai se dando conta daquilo que fez e precisa se redimir por conta de um pequeno erro que provoca.



O livro é repleto de momentos de deslumbramento em que observamos as coisas acontecendo e só conseguimos apreciar. Não é um livro com uma carga muito pesada de descrições e ele consegue manter a atenção desde o começo. A fantasia desponta a todo o momento, seja com um animal falante, uma fruta mágica ou o mero passar de um animal por um prado. Dá para perceber o quanto o mundo que Lewis cria é encantador, porque ao nos colocar no nascimento do mundo, passamos a fazer parte dele.


Eu adorei esse início de jornada pelo mundo de Nárnia. Não é bem o que eu estava esperando e acho que faltou alguma coisa para explodir a minha cabeça. Mesmo assim, eu consigo entender a fascinação pela série, o quanto os personagens são encantadores e a qualidade lendária da escrita de Lewis. Um mundo que foi criado e onde vamos viver inúmeras outras aventuras com outros personagens que surgirão em futuras histórias. Deu para entender que Digory e Polly serviram como grandes apresentadores e que nos levaram em uma viagem por um mundo em ebulição. O que esperar das próximas histórias? Aguardemos os próximos capítulos.











Ficha Técnica:


Nome: O Sobrinho do Mago

Autor: C.S. Lewis

Série: As Crônicas de Nárnia vol. 1

Editora: Wmf Martins Fontes

Tradutor: Paulo Mendes Campos

Número de Páginas: 184

Ano de Publicação: 2014


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