• Diego Araujo

Desafio Ficções Humanas: "Cangaço Overdrive" de Zé Wellington, Walter Geovani e outros

Cangaço Overdrive é uma HQ cyberpunk em um Ceará futurista, onde um cangaceiro e coronel voltam à vida para repetirem a luta sem fim.



Sinopse:


O sertão cyberpunk é a arena onde duelam inimigos jurados de outra era.


Em um futuro possível, o Ceará enfrenta sua maior seca em séculos. Uma terra esquecida pelo governo e dominada pelos interesses dos conglomerados empresariais, este é o cenário árido onde um lendário cangaceiro e um impiedoso coronel são reanimados para continuar a peleja que deixaram no passado.


Enquanto isso, uma comunidade autogerida tenta manter a independência ao defender sua terra de um ataque da polícia orquestrado por uma grande corporação. Agora a honra e o orgulho dos guerreiros dos confins será revivida por aqueles que irão até o fim para defender aquilo que amam.





O futuro repete as questões do passado, revive as pelejas sem fim. Apenas a desigualdade progride, tira a água obtida a tanto custo, suor e sangue dos habitantes marginais. Enquanto as metrópoles evoluem cada vez mais, o sertão cearense resseca. Acoplados à esperança reservada numa fonte d’água, resistem contra a opressão, combatem e roubam o recurso já pertencido a eles desde sempre: o cangaceiro revivido para continuar a mesma história de lutas. Cangaço Overdrive é uma HQ focada no cyberpunk cearense, produzida por Zé Wellington e Walter Geovani através da editora Draco, com apoio da Secretaria Estadual da Cultura do Ceará em 2018.

“Uma ruma de polícia chegando no morro e nem pra convidar pro arrasta-pé!”

O Morro do Preá é alvo constante da força militar, sempre defendido pelo grupo de Rosa, cujos colegas guerreiros dão a vida em prol de manter as vidas da comunidade onde conquistou uma pequena reserva de água a fim de salvar pessoas marginalizadas da sede. A equipe de Rosa interceptou uma carga militar, tomou uma caixa contendo ninguém menos que Cotiara, lendário cangaceiro do século passado ressuscitado assim como seu arqui-inimigo, o coronel Avelino; ambos morreram no embate do passado, e agora no futuro eles duelarão de novo, decidirem de vez quem é o melhor.



“Oxe, quem esperou 100 anos pode esperar mais um dia.”

Recorrência é a palavra-chave desta HQ. Feitos por gente nascida no estado do Ceará e consciente da constante resistência das comunidades carentes na luta por recursos essenciais à vida. A premissa critica quanto ao futuro avançar aborda a manutenção dos mesmos problemas de desigualdade, com o agravamento em vez de uma redução, deixando o progresso agir apenas a privilegiados. Esta diferença atiça embates sanguinários onde os dois lados perdem, e ainda assim repetem o ciclo, ciclo este representado pela ressurreição dos antagonistas do passado, reprisando uma luta com recursos futuristas. Fora a tecnologia de corpos cibernéticos dos ressuscitados, ainda tem a possibilidade do mundo ver a disputa graças à internet, onde pessoas distantes podem interagir e demonstrar o nível ― negativo ― de compaixão em relação aos envolvidos.

Os quadros vêm acompanhados de narrativa em estilo cordel. De água escassa, a tecnologia de certo modo permanece acessível, os recursos obtidos ― ou tomados, como pode presumir no contexto da narrativa ― são usados nas forças e estratégias de resistência, já as casas pouco diferem das atuais, cuja modernização tem menos prioridade no Morro. A representatividade está ativa nos quadros, mostrando detalhes suficientes para o leitor reconhecer sua diversidade enquanto o enredo segue na trama principal. Essas características ecoadas em modos sutis nos quadros ilustram a ambientação da HQ e passa uma mensagem além do eterno confronto contra a opressão, pois mostra a vida compartilhada pelos personagens.

Cangaço Overdrive capricha na ambientação futurista não por enfeitá-la, e sim condizê-la na realidade possível conforme a visão dos produtores da HQ. Denuncia a repetição da história mesmo no futuro, e também valoriza a diversidade da vida defendida pelos detalhes dedicados nas ilustrações.

“Em verdade o matuto Queria ser ajudado / Mas coragem nesses dias Era raro um bocado.”










Ficha Técnica:


Nome: Cangaço Overdrive

Autor: Zé Wellington

Artistas: Walter Geovani, Luiz Carlos B. Freitas e Rob Lean

Editora: Draco

Número de Páginas: 72

Ano de Publicação: 2018


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