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Um mês repleto de títulos para quem curte aquela fantasia com toques históricos com destaque para Jennifer Saint. Temos também o prolífico Adrian Tchaikovsky com mais uma intrigante leitura. E se você ainda não conhece Martha Wells, fica aí a dica de uma série dela que está começando.


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1 - "City of Last Chances" de Adrian Tchaikosvky


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Ficha Técnica:


Nome: City of Last Chances

Autor: Adrian Tchaikovsky

Editora: Head of Zeus

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 496

Data de Lançamento: 02/05


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Sinopse: Sempre existiram trevas em Ilmar, mas nunca tanto quanto agora. A cidade sofre nas mãos pesadas da ocupação dos Palleseen, o estrangulamento do submundo do crime, amassada pela bota dos donos de fábricas, e esmagada pelo peso de seus pobres e o fardo de uma maldição antiga. Qual será a faísca que conseguirá inspirar a conflagração?


Apesar dos refugiados da cidade, dos vagabundos, assassinos, loucos, fanáticos e ladrões, o catalisador, como sempre, será o Bosque das Âncoras - aquele bosque sombrio de árvores, aquele resquício primitivo, aquele portal, quando a lua estiver cheia, para costas estranhas e distantes.


Ilmar, alguns dizem, é o pior lugar do mundo e o portal para milhares de lugares ainda piores.


Ilmar, a Cidade das Longas Sombras.


Cidade das Más Decisões.


Cidade das Últimas Chances.


2 - "Clytemnestra" de Costanza Casati


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Ficha Técnica:


Nome: Clytemnestra

Autora: Costanza Casati

Editora: Sourcebooks Landmark

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 448

Data de Lançamento: 02/05


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Sinopse: Assim como para rainhas, elas são tanto odiadas como esquecidas. Eles sempre sabem qual opção serve melhor a elas.


Você nasceu de um rei, mas se casou com um tirano. Você observou impotente enquanto ele sacrificou suas crianças para aplacar os deuses. Você o observou realizar uma guerra em terras estrangeiras e você se confortou com seus próprios pensamentos violentos. Porque esta não foi a primeira ofensa feita contra você. Esta não é a vida que você merecia. E isto não será a sua ruína. Lentamente, você planeja. Mas quando o seu marido retorna triunfante, você se torna uma mulher com uma escolha.


Aceitação ou vingança, a infâmia está junta de ambas. Então, você leva o seu tempo e força a mão dos deuses em um jogo de retribuição. Pois, se você entendeu algo há muito tempo atrás que outros raramente se deram conta.


Se o poder não é dado a você, você precisa tomá-lo você mesmo.


3 - "The Ferryman" de Justin Cronin


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Ficha Técnica:


Nome: The Ferryman

Autor: Justin Cronin

Editora: Orion

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 536

Data de Lançamento: 02/05


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Sinopse: A ilha de Prospera se encontra em um vasto oceano: em uma isolação esplêndida do resto da humanidade, ou o que sobrou dela...


Cidadãos da ilha principal gozam de vidas privilegiadas, atendidos por uma equipe de suporte que vive em uma ilha vizinha bem apertada, onde os sussurros começam a se tornar gritos por uma revolução.


Enquanto isso, a vida para os prosperanos é perfeita - e quando não é, seus corpos são enviados para uma misteriosa terceira ilha: um laboratório chamado A Maternidade, para serem reiniciados e recomeçarem novamente suas vidas.


Proctor Bennett é um Barqueiro, que leva aqueles que logo serão aposentados para o desconhecido. Ele nunca questionou o seu trabalho até o dia em que ele enviou uma mensagem críptica:


"O mundo não é o mundo..."


Estas simples palavras revelam algo que ele secretamente suspeitava. Eles se infiltram em sonhos estranhos - de estrelas e do mar - e o sentimento inabalável de que alguém está tentando dizer a ele alguma coisa importante.


Alguma coisa maior do que tudo que poderia ser imaginado, o que poderia mudar o destino da própria humanidade...


4 - "The Salt Grows Heavy" de Cassandra Khaw


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Ficha Técnica:


Nome: The Salt Gros Heavy

Autora: Cassandra Khaw

Editora: Titan Books

Gênero: Terror

Número de Páginas: 128

Data de Lançamento: 02/05


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Sinopse: Depois da morte de seu marido e da queda de seu império, uma sereia e seu médico e companheiro escapam para a vastidão da mata. Em suas profundezas, eles esbarram em uma vila cujas crianças caçam umas às outras por esporte, sacrificando um de seus próprios em prol de três cirurgiões chamados de "os santos". Estes santos personificam deuses graças aos seus poderes mágicos, cultivando as melhores partes das crianças para eles mesmos e reconstruindo os sacrifícios de novo.


Para salvar as crianças de seus destinos, o médico deve confrontar o seu passado e a sereia deve abraçar as partes mais sombrias de sua verdadeira natureza.


5 - "Atalanta" de Jennifer Saint


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Ficha Técnica:


Nome: Atalanta

Autora: Jennifer Saint

Editora: Flatiron Books

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 304

Data de Lançamento: 09/05


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Sinopse: Princesa, Guerreira, Amante, Heroína


Quando a princesa Atalanta nasceu, uma filha ao invés de um filho que seus pais esperavam, ela é deixada no sopé de uma colina para morrer. Mas mesmo assim, ela sobreviveu. Criada por uma mãe ursa sob o olho protetor da deusa Artemis, Atalanta cresce selvagem e livre, com apenas uma condição: se ela se casar, Atalanta avisa, será a sua ruína.


Embora ela ame o seu lindo lar na floresta, Atalanta deseja aventura. Quando Artemis oferece a ela a oportunidade de lutar em seu nome junto dos Argonautas, o bando mais poderoso de guerreiros que o mundo já viu, Atalanta aceita. A jornada dos Argonautas pelo Velo de Ouro é repleto de desafios impossíveis, mas Atalanta se prova igual aos homens aos quais ela luta ao lado. Enquanto ela é arrebatada por uma paixão, mesmo indo contra os avisos de Artemis, ela começa a questionar as verdadeiras intenções da deusa. Pode Atalanta moldar seu próprio espaço nas lendas em um mundo de homens, enquanto permanece verdadeira com o seu coração?


6 - "The Book that wouldn't burn" (The Library Trilogy vol. 1) de Mark Lawrence


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Ficha Técnica:


Nome: The Book that wouldn't burn

Autor: Mark Lawrence

Série: The Library Trilogy vol. 1

Editora: Ace Books

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 576

Data de Lançamento: 09/05


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Sinopse: Um garoto viveu toda a sua vida preso dentro de um câmara repleta de livros mais antigos que os impérios e maiores que as cidades.


Uma garota passou toda a sua vida em uma pequena aldeia lá na Poeira, onde os pesadelos espreitam e ninguém vai.


O mundo nunca os notou. Isso está prestes a mudar.


Suas histórias rodam em torno um do outro, através de vários mundos e do tempo. Esta é uma história de verdades e mentiras e corações, e o embaçamento de uma e da outra. Uma jornada na qual o conhecimento destrói a certeza e na qual, embora a pena possa ser mais poderosa que a espada, sangue poderá ser derramado e cidades queimadas.


7 - "Dual Memory" de Sue Burke


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Ficha Técnica:


Nome: Dual Memory

Autora: Sue Burke

Editora: Tor Books

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 352

Data de Lançamento: 16/05


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Sinopse: Antonio Moro perdeu tudo para a Liga Leviatã. Agora ele está sozinho em uma cidade em uma ilha do Ártico lutando contra brutais piratas globais com a oportunidade de ser o artista que ele sempre quis ser. Infelizmente, ele pensa em uma história para cobrir o seu real objetivo: espionar os apoiadores.


Quando as coisas parecem ruins, ele encontra um aliado pouco usual. Seu novo programa de auxílio pessoal, o Par Augustus. Ele é uma IA insolente, extrovertido, temperamental e não muito legal.


Juntos eles criam uma rebelião secreta de recrutas improváveis para defender a ilha dos piratas ideológicos munidos de sua audácia e algumas armas e piratas capitalistas munidos de audácia e muito dinheiro.


8 - "Titanium Noir" de Nick Harkaway


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Ficha Técnica:


Nome: Titanium Noir

Autor: Nick Harkaway

Editora: Knopf Publishing Group

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 256

Data de Lançamento: 16/05


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Sinopse: Cal Sounder é um detetive trabalhando para a política em alguns casos mais sensíveis. Então quando eles são chamados para investigar um homicídio em um apartamento local, ele fica surpreso com a rotina disso tudo. Mas quando ele chega no local, Cal logo descobre que a vítima - Roddy Tebbit, um tecnólogo - tem mais de 2m de altura. E embora ele não pareça ter mais do que trinta anos, ele tem noventa e um anos de idade. Tebbit é um Titã - um dessa sociedade distópica de um futuro próximo em que as elites são geneticamente alteradas. E este caso faz parte do métier de Cal.


Existem apenas alguns poucos milhares de Titãs pelo mundo todo, graças à descoberta feita por Stefan Tonfamecasca da controversa terapia genética T7, que elevou sua família a um status divino. O T7 transforma humanos médios em distorções quase imortais de si mesmos - com imensas proporções físicas para acompanhar seus estilos de vida ostentosos e inalcançáveis. Um Titã morto é uma notícia enorme... um Titã assassinado é inimaginável. Mas estes magnatas modificados são a especialidade de Cal. De fato, sua própria ex-namorada, Athena, é uma Titã. E não apenas qualquer uma - ela é a filha de Stefan, herdeira do império Tonfamecasca.


Com a investigação de assassinato se intensificando, Cal começa a revelar os fios complicados do que deveria ser um caso simples, e se torna claro que ele está no rastro de um crime cujas raízes correm fundo no coração sombrio do mundo.


9 - "The Will of the Many" (The Hierarchy vol. 1) de James Islington


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Ficha Técnica:


Nome: The Will of the Many

Autor: James Islington

Série: The Hierarchy vol. 1

Editora: Saga Press

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 640

Data de Lançamento: 23/05


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Sinopse: Audi. Vice. Tace.


A República de Catenan - a Hierarquia - pode governar o mundo agora, mas eles não sabem de tudo.


Eu disse a eles que meu nome é Vis Telimus. Disse a eles que fiquei órfão após um trágico acidente há três anos atrás e que a boa fortuna sozinha me levou a ser aceito na escola mais prestigiosa do mundo. Disse a eles que quando eu me formar, irei me unir de bom grado ao resto da sociedade civilizada e permitir a eles que usem a minha força, a minha força de vontade e o meu foco - o que eles chamam de Vontade - para serem sugadas e adicionadas aos poderes daqueles acima de mim, assim como milhões fazem. Assim como todos eventualmente fazem.


Disse a eles que eu pertenço, e eles acreditaram em mim.


Mas a verdade que eu fui enviado para a Academia para conseguir respostas. Para resolver um caso de assassinato. Para buscar por uma antiga arma. Para descobrir segredos que podem destruir a República. E que eu nunca irei ceder minha Vontade para o império que executou a minha família.


Para sobreviver, contudo, eu terei que subir nos rankings da Academia. Terei que sorrir e fazer amigos, e fingir ser um deles e vencer. Porque se eu não fizer isso, então aqueles que querem me controlar, que querem saber meu verdadeiro nome não terão mais nenhum uso para mim.


E se a Hierarquia descobrir quem eu sou de verdade, eles irão me matar.


10 - "Witch King" de Martha Wells


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Ficha Técnica:


Nome: Witch King

Autora: Martha Wells

Editora: Tor.com

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 432

Data de Lançamento: 30/05


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Sinopse: Depois de ser assassinado, com sua consciência dormente e incapaz de perceber a passagem do tempo enquanto confinados em uma armadilha aquática elaborada, Kai desperta para encontrar um mago não muito talentoso tentando absorver a magia de Kai para seus próprios desígnios. Isso nunca iria acabar bem.


Mas por que Kai foi aprisionado em primeiro lugar? O que mudou no mundo desde que ele foi assassinado? E por que a Coalizão do Mundo em Ascensão parece ter crescido em influência? Kai irá precisar atrair seus aliados para perto e usar toda a sua magia de dor se ele quiser responder mesmo a menor destas perguntas.


E ele não vai gostar das respostas.


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Essa é a história de um filho em fase de crescimento e lidando com as dificuldades da vida. Esta é a história de um pai que, em uma mentira, precisou atravessar os nove círculos do inferno quando esteve preso. Essa é uma história real de crime e poesia. Apreciem sem moderação!


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Sinopse:


“Você nunca será livre até que você se liberte da prisão em sua mente”, assim começa a premiada graphic novel de David L. Carlson e Landis Blair. Uma combinação perfeita de palavras e imagens que são usadas para nos contar a história de um pai cego, um filho órfão e sua conexão com o crime do século.


Tudo começa em um inverno de Chicago em 1959. Após a morte da mãe, o jovem Charlie Rizzo reencontra seu pai depois de uma longa separação. Ausência e dor logo dão espaço para um possível recomeço. Através do recurso de flashback, as leitoras e os leitores são impactados no início da leitura pelo possível incidente que causou a cegueira em Matt Rizzo. Na obra, Charlie também fica surpreso com a descoberta e se questiona por que nunca ouviu falar sobre o ocorrido antes.


Matt Rizzo levava a vida como corretor de seguros, mas nunca se distanciou do universo da literatura e da poesia, que descobriu enquanto esteve preso. Com o passar do tempo, Charlie aprende a viver como uma pessoa cega, ressignificando e se adaptando à condição de seu pai. A parceria e a dependência entre os dois cresce com o passar dos anos, porém Charlie não imaginava que seu próprio pai pudesse mantê-lo cego diante da verdadeira história de sua vida.


Toda a verdade vem à tona quando uma velha mala é encontrada. O inferno e o purgatório engolem as possíveis razões. Mentiras ecoam e distorcem a visão de Charlie sobre tudo ao seu redor.


Décadas depois do ocorrido, o verdadeiro Charlie contou a história de seu pai ao roteirista David L. Carlson, que a partir de então mergulhou numa pesquisa profunda para a escrita de Uma História Real de Crime & Poesia. Os talentos narrativos de Carlson se uniram aos do magnífico ilustrador e quadrinista Landis Blair, que os darksiders já conhecem por ter ilustrado Para Toda a Eternidade, de Caitlin Doughty.


Nas exuberantes páginas desta graphic novel de true crime, Blair elabora uma narrativa experimental, que dá conta de transmitir a angústia da cegueira, o desespero da prisão, e os feixes de esperança em meio a tudo que viveu e descobriu sobre Matt Rizzo. Cada quadro de Blair é uma combinação perfeita de caos, sombra e luz capazes de erguer dos traços uma beleza única.







Belas histórias de pais e filhos sempre nos passam coisas valiosas sobre a vida. Mas, a história de Matt e Charlie envolve mais do que simples amor paterno. Tem também a incompreensão, a travessia por lugares sombrios, a redenção. Assim como Dante Alighieri, tantas vezes mencionado na história, iremos atravessar o inferno ao lado desses personagens e descobrir se existe salvação do outro lado. Durante a trajetória seremos presenteados com belos momentos de música e outros tantos de poesia em uma narrativa gráfica lindíssima de Landis Blair. Mais uma HQ que vai disputar fortemente os lugares entre as minhas melhores do ano.


Charlie Rizzo acaba precisando ir morar com o pai, Matt e se muda para uma Chicago em fase de transformação no final da década de 1960 e 1970. Uma cidade que oferecia poucas oportunidades para as pessoas, onde as ruas eram cruéis e repletas de perigos. Para Charlie, em especial, era uma mudança ainda maior, já que ele pouco conhecia seu pai. Seria uma vida difícil principalmente pelo fato de seu pai ser um homem cego e precisar de ajuda com várias coisas. Cegueira essa que Matt afirma ter acontecido após um infeliz acidente de caça junto de seus amigos quando ele era mais jovem. Tentando construir uma relação, Charlie tenta tocar a vida. Os anos se passam e a relação dos dois não muda tanto. Matt é um homem introspectivo, encerrado em seus livros e na escrita de um livro que Charlie não consegue compreender. Um dia, Charlie se envolve com as pessoas erradas e acaba participando de um crime. Charlie não pode revelar os detalhes do ocorrido devido à Omerta, um código de silêncio exigido pela máfia. Só que seus companheiros não são pegos enquanto ele precisa pagar pelo ocorrido. Sua pena pode ser menor se ele entregar seus companheiros, algo que ele não faz. Matt pede que ele revele os detalhes, caso contrário pode acabar indo parar como ele, sentenciado a anos na cadeia por algo que não fez. É aí que Matt irá contar a longa história de como ele passou por um inferno antes de encontrar a redenção.


Mencionando a edição da Darkside, ele está em uma edição belíssima de capa dura, com papel offset de alta gramatura. Adorei que a capa vem limpa, sem o nome do livro ou do autor, que se encontram na lombada. Dá um destaque na arte que é impactante. É saído de um dos trechos da Divina Comédia que é desenhada por Landis Blair ao longo da HQ. A tradução é de Bruno Dorigatti e Paulo Raviere e é preciso elogiar muito o trabalho dos dois. Não deve ter sido nem um pouco fácil porque envolvem trechos inteiros da parte Inferno da Divina Comédia. Então há uma transição entre o texto da narrativa e a poesia de Dante. Sem falar nos trechos mais musicais do quadrinho. Recomendo muito lerem o posfácio de David L. Carlson onde ele conta um pouco sobre as origens da escrita do quadrinho. Ver como ele conheceu Charlie e como a história foi repassada para ele é de arrepiar.


Essa é uma HQ belíssima de se acompanhar. Não só pelo roteiro, ao qual irei comentar um pouco mais abaixo, que é triste, porém apaixonante, mas possuidor de uma arte magnífica. Landis Blair usa uma arte baseada no emprego de hachuras e em um jogo de preto e branco que é maravilhoso. A HQ é um pouco menor do que o padrão, possuindo um formato quase quadrado, mas é para transformar as páginas em grandes quadros por onde Blair vai colocando sua arte. Seus personagens não são exatamente detalhados, mas são bem expressivos. Boa parte da HQ se passa dentro da prisão, fazendo com que os cenários puxem mais para o sombrio e o melancólico. Talvez a própria ambientação da HQ tenha dado mais gravitas para a arte de Blair. O hachurado esconde uma opressão àqueles que se encontram na prisão e nos raros momentos de luz, parece que é um raio de esperança furando o inferno do enclausuramento. A quadrinização varia muito ao longo da HQ, mas é até melhor para o leitor não esperar nada de exatamente tradicional. Narrativa e arte se combinam para formar um todo que é explorado nos quadros, fora deles, na conjunção de quadros ou até no uso do letreiramento para construir um quadro.


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A arte de Blair é bastante influenciada pela maneira de pensar a página de Will Eisner. Claro, todos os quadrinistas hoje pensam ou foram influenciados por Eisner, mas uma coisa é estudá-lo e outra é incorporá-lo ao seu fazer quadrinho. Várias das páginas de Blair usam elementos da arte para unir balões e cenário produzindo um aspecto visual maravilhoso. Como se trata de uma narrativa bastante melancólica e sombria, há uma espécie de materialização das sombras, como se fossem miasmas que se espalham. Essas sombras funcionam como elementos de degradação para os personagens, ou alguma coisa que os prende ao status que eles se encontram. Também achei interessante como Blair representa a visão de mundo de uma pessoa cega: a partir de tentáculos, tateando o ambiente ao redor para obter uma "visão sensorial" mais ampla. Mas, existe ainda a musicalidade nas páginas e como ela toca nossos corações. As notas musicais se integram às páginas produzindo quase que uma sonoridade à leitura. Sei que é contraditório falar em sons na leitura, mas é algo que somente visualizando nas páginas como na vitrine no começo desta matéria é que é possível de se entender. Isso porque nem vou citar a maneira como o braille é incorporado à escrita, que é outro detalhe genial da arte de Blair.


Só que o roteiro de Carlson não fica atrás. É óbvio que precisamos pensar nele como uma história real que lhe foi transmitida por ninguém menos que Charlie, sim, o personagem do livro. O mérito de Carlson foi ter conseguido adaptar essa linda história em uma narrativa em quadrinhos, dando a ela mais camadas do que ela já possuía. Essa poderia ter sido só mais uma história, entre tantas outras que vemos todos os meses nas livrarias. Mas, existe uma verdade profunda revelada pelo autor. Verdade essa que tem muito de material e que podemos vivenciar diariamente nas relações entre pais e filhos. Nos medos e nos não-ditos que existem entremeada nelas. Não consigo deixar de pensar em histórias fascinantes com personagens presos que passaram por um processo de redenção como Um Sonho de Liberdade. E não há personagens inocentes aqui, apenas pessoas reais, de carne e osso. Do começo ao fim, é uma narrativa cativante, porém preciso rapidamente mencionar os últimos capítulos que são devastadores. O mais curioso deles é que são aqueles com o menor número de caixas de diálogo. A nós, leitores, é dada toda uma liberdade para imaginarmos aqueles momentos finais em nossas cabeças, construindo o cenário e a trilha sonora no qual ele se passou.


Precisamos falar de Leopold e Loeb, a dupla de criminosos que faz parte da narrativa quase como um todo. São criminosos famosos dos EUA por terem cometido um crime hediondo, ao sequestrarem um vizinho de 14 anos e o terem mutilado. Eram dois meninos ricos e educados que acabaram indo parar na prisão. A dupla se tornou basicamente os bichos-papões dessa época, aterrorizando a vida de muitas crianças. Quando Matt é preso, ele acaba indo parar na mesma cela que Leopold que tinha acabado de perder seu companheiro Loeb, vítima de um assassinato dentro da prisão. Uma amizade improvável que acaba se tornando algo bem especial entre eles, que desenvolvem um respeito mútuo. Ah, sim, dá para pensarmos tranquilamente em Leopold e Loeb como duas pessoas em um relacionamento homossexual, mas Leopold nunca admite isso. Era uma outra época em que ser gay era profundamente reprimido por uma sociedade conservadora e cruel com o diferente. Eram os anos 1930 nos EUA, pós crise de 29. Toda a década de 1920 nos EUA foi marcada pelo conservadorismo e xenofobia que transbordavam do norte-americano comum. Leopold é um personagem que ganha muitas camadas ao longo da história. De um simples garoto rico e sem remorsos pelo que fez até se transformar em um professor que precisa descobrir como ensinar a pessoas comuns aquilo que sabe.


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A vida de Matt é uma colcha de retalhos que ele precisa descobrir como transmitir a seu filho antes que ele cometa os mesmos erros que ele no passado. Quando Charlie descobre que Matt mentiu para ele por toda a vida, ele não gosta nem um pouco disso. Ele se revolta e chama o pai de hipócrita. Sendo uma pessoa mais velha, entendo de certa forma por que Matt escolheu mentir para o filho. Posso não concordar e não sei se teria feito diferente se estivesse no seu lugar. Mas, o que foi feito, foi feito e agora Matt tem a oportunidade de contar a sua verdade. Pode não ser uma verdade que Charlie deseja ouvir, mas é uma verdade que precisa ser revelada. As dificuldades de Matt estão principalmente no fato de que ele não teve uma figura paterna e precisou sobreviver nas ruas, aprendendo, às duras penas, o que fazer para se manter em pé. É com essa visão de não ter tido essa figura paterna que ele tenta ser uma e consigo acreditar depois de ter ouvido sua história que ele consegue ser, mesmo que de um jeito pouco convencional.


Música e poesia estão intrinsecamente ligadas à história. Vamos ver muito de Dante Alighieri presente na narrativa. As referências não são apenas as diretas, aquelas mais visíveis, nas quais o texto é incorporado e mencionado. Mas existem as indiretas em que as vidas dos personagens acabam espelhando a travessia do protagonista de A Divina Comédia pelos nove círculos do inferno. Ao conhecer cada um destes círculos, ele vai aprendendo mais sobre si mesmo. Questionando suas escolhas na vida, refletindo sobre os limites da liberdade, a responsabilidade daqueles que raciocinam, e a luz que consegue penetrar mesmo nos lugares mais escuros do mundo. Nesse processo de conhecer A Divina Comédia, Matt também está em busca de uma razão para viver. Ele concorda em ler o livro com a condição de que Leopold o ajude a cometer suicídio. Leopold reconhece o talento e a sensibilidade de Matt e sabe que deve fazer o que puder para evitar isso. É nesse jogo de vai e volta que somos colocados na narrativa.


Quero destacar dois momentos fabulosos em que narrativa e arte funcionaram como uma só. Primeiro é do Matt chegando na prisão e somos apresentados a como o encarceramento funciona como uma completa retirada de liberdade. A prisão como o Panóptico criado por Jeremy Bentham com as celas formando andares e uma imensa torre de vigia fiscalizando a existência de todos. Esse momento inicial é impactante e causa no leitor aquela sensação de choque e estranhamento que acho que era aonde Carlson queria chegar. A arte está toda em perspectiva e cria um ambiente claustrofóbico terrível. É como se as paredes se fechassem em uma redoma da qual não podemos sair. É mais impactante ainda porque o personagem não pode enxergar, apenas sentir e a percepção de opressão vem do instante em que ele entra no recinto. A segunda cena fabulosa é a encenação da caverna de Platão feita com sombras. Matt fala em alguns momentos que o problema que Leopold tem é o de não ser capaz de explicar didaticamente os seus altos conceitos. Por isso que Leopold e Matt funcionam tão bem juntos. Matt é o mediador, a ponte. É incrível como o teatro de sombras ajuda perfeitamente aos prisioneiros entender que ideia é essa que eles queriam transmitir. A partir desse momento, cada um deles vai incorporar essa nova ideia ao seu arcabouço de vivências.


Contudo, é preciso pontuar alguns problemas de roteiro que acabam atrapalhando parte da experiência do leitor. A história é focada demais no Matt e em certos momentos a gente tem problemas em entender os acontecimentos que cercam a história. É curioso porque o autor insere uma série de informações que acabam sendo desnecessárias para a história, mas carece de outras que ajudariam a contextualizar melhor. É aquela linha tênue do que pode ser considerado informação inútil ou não. Para tal, o autor se vê na necessidade de pensar qual é o objetivo daquilo que está sendo escrito. Vai haver uma consequência futura? O que uma informação X ou Y tem que pode acrescentar na experiência de leitura? Ser uma história que abraça tantos temas pode ser uma espada de dois gumes. Ao mesmo tempo em que nos fornece uma rica imersão junto ao personagem de Matt e à sua relação com seu filho, ele deixa de lado outras narrativas que seriam tão interessantes quanto como a relação homoafetiva nunca assumida por Leopold, todo o terror da prisão diante das vidas de outros detentos que são meros bonecos de fundo do que personagens propriamente ditos. Havia tanto a ser dito. De duas, uma: ou o autor poderia ter realmente se concentrado na narrativa de Matt e não dar indicativos de que apresentaria a vida de outras pessoas ou abordar alguns destes personagens, oferecendo novas camadas à história.


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Existem também alguns problemas de continuidade que o autor não se ligou. Como Carlson escolheu reduzir a história para que ela coubesse em um quadrinho (que já é bem extenso), partes significativas da história são suprimidas. As escolhas que Carlson fez nem sempre foram felizes. Por exemplo, como a sentença de Matt deixou de ser um ano para ser mais? Dessa forma a compreensão do que está acontecendo na vida dos personagens fica prejudicada, embora não comprometida por essas pequenas coisas. Não deixa de ser uma HQ maravilhosa, mas a inexperiência de Carlson como autor é nítida. O que a arte consegue elevar a outro patamar, o roteiro nem sempre entrega.


A HQ é tão cheia de histórias que poderíamos passar muito tempo discutindo sobre a vivência destes personagens. Me senti como alguém que estava junto de Charlie escutando essa história e ouvindo a sinfonia de Bach como parte do processo. É uma daquelas narrativas de vida que te deixam reflexivo, que te impactam a um nível profundo da alma. Como disse antes, entendo o que Matt fez para proteger seu filho, de não contar uma verdade dura demais, cruel demais, mas ao mesmo tempo entendo a raiva de Charlie em se sentir traído. Colocamos nossos pais e mães em um certo pedestal de santidade e existência imaculada que quando destruída, abala nossa confiança e auto-estima. A arte é simplesmente maravilhosa e não consigo imaginar essa HQ de outro jeito. Sem falar que é um daqueles quadrinhos impossíveis de serem adaptados para outra mídia. Ele funciona desse jeito porque foi pensado para esse jeito. Essa é a mágica da nona arte.


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Ficha Técnica:


Nome: Uma História Real de Crime e Poesia

Autor: David L. Carlson

Artista: Landis Blair

Editora: Darkside

Gênero: Biografia/Fantasia

Tradutores: Bruno Dorigatti e Paulo Raviere

Número de Páginas: 457

Ano de Publicação: 2022


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Uma coletânea de histórias de ficção científica de altíssimo nível contando com a participação de novas vozes nacionais do gênero como Cláudia Fusco, Anna Martino, Lu Ain-Zaila, Waldson Souza, Roberto Fideli e Lady Sybylla.


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Contos desta coletânea:


1 - "Antônio do Outro Continente" de Anna Fagundes Martino

2 - "Corra, Alicia, corra" de Lady Sybylla

3 - "Eletricidade em suas veias" de Waldson Souza

4 - "Eu, Algoritmo" de Lu Ain-Zaila

5 - "O Pingente" de Cláudia Fusco

6 - "Sia está esperando" de Roberto Fideli


Resenhas:


1 - "Antônio do Outro Continente"


Autora: Anna Fagundes Martino Avaliação:

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As nações do mundo singraram o espaço em busca de colônias que possam sustentar a vida na Terra. Em satélites artificiais, pessoas se dedicam a cultivar produtos necessários à crescente população terrestre. Mas, a vida dos que vivem em Outro Continente é dura e difícil, e nem sempre recompensada. Antônio é uma dessas pessoas, habitando no satélite artificial Bertha Lutz, vinculado ao Brasil. No meio de um dia de descanso em uma farra que dura a noite toda, ele conhece Izar, uma jovem oriunda do País Basco que agora lutava pela sua soberania no espaço. Depois de uma noite regada a dança e bebida, eles acabam se envolvendo. Ao longo de sua relação, as diferenças culturais e as reclamações começam a surgir. Apesar de Antônio saber que tudo iria acabar um dia, ele alimenta a esperança do verdadeiro amor. O mesmo podemos dizer de Izar que conhece cada vez mais o seu parceiro e não sabe o que quer para si. Poderá esta relação frutificar, mesmo diante de tantas diferenças?


Uma bela maneira de começar esta coletânea com uma história da Anna Fagundes Martino. E aqui ela nos entrega uma narrativa bastante sensível, quase um Romeu e Julieta, mas com mundos separados e repletos de suas diferenças. Apesar do título, a narrativa é contada pelo ponto de vista da Izar, que procura entender mais sobre si e seu papel no mundo. A autora não tem pressa em nos apresentar o mundo e seus personagens. Uma escrita calma e paciente que nos leva juntos por um passeio a este lugar e todas as suas discussões. É a mesma técnica que a autora usou ao escrever A Casa de Vidro. Com largas porções descritivas, a narrativa não perde fôlego do início ao fim porque nos envolvemos nos problemas dos personagens. A trama se relaciona conosco ao vermos filhos sendo explorados pelos pais que usufruem daquilo que eles enviam sem pudor. Essa é uma das associações possíveis entre diversas outras.


Antônio é um rapaz calmo e paciente, que busca a tranquilidade acima de tudo. É aquele tipo de pessoa tranquila e sossegada que serve para apaziguar discussões. Mas, seu coração está carente e triste por sua família. Ele deixou uma irmã na Terra que leva parte de seus ganhos todos os meses. Antônio sabe que algo está errado, mas faz isso pelo pai que se sacrificou para estar no espaço. A chegada de Izar em sua vida bagunçou sua dinâmica. Ele não quer saber da Terra. Para ele, são todos minhocas ou parasitas que merecem permanecer em um lugar decadente e dependente do seu trabalho. Por outro lado, Izar é impulsiva e aventureira. Ela está em busca de novas sensações, novas emoções. Não quer ficar presa ao nome de seu pai, um homem que acabou por ter uma doença terrível que bagunçou a sua mente. Agora vive em um mundo à parte. Izar não entende o amor dos selênicos (como Antônio é chamado) tem por um espaço tão apertado e claustrofóbico. Praticamente não possui nada, nem coleciona nada. Qual é a graça em estar em um lugar tão limitante como esse? Ou será que é realmente limitante mesmo? Essa é uma daquelas narrativas que vai nos fazer sair em busca de suas associações conosco e quando nos dermos conta disso, será aquele momento de claridade que precede o soco no estômago.


2 - "Corra, Alicia, corra"


Autora: Lady Sybylla Avaliação:

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Desesperada e sem encontrar sua amada Bianca, Alicia tenta se esconder nos dutos de ventilação de seus perseguidores. Sua vida toda ela esteve trancada em uma cela, sendo Bianca o único alívio de uma vida tão difícil. O toque de sua mão, o hálito de sua boca com os lábios próximos dos seus. Mas, algo estava errado. Por que ela ficou trancada e abandonada em sua cela por tantas semanas, sem um único contato daquela que ela ama? Tudo o que ela queria era uma palavra, um carinho. Agora, Alicia foge desesperada e seus perseguidores parecem estar se aproximando. Onde está Bianca?


Sybylla nos guia pela confusão de sua protagonista ao longo das páginas. Uma narrativa em terceira pessoa, mas muito próxima da personagem, ajuda a dar um ar desesperador a toda a sequência. Toda a história se passa em uma cena que é a da fuga. Aos poucos a autora vai nos dando pistas do enorme quebra-cabeças que cerca essa história. O leitor vai juntando as peças e se deparando com uma verdade assustadora. Gostei de como Sybylla faz tudo isso em poucas páginas, com uma narrativa simples e direta. Os trechos de flashback se encaixam de acordo com o que está acontecendo no presente com Alicia, servindo como um tipo de recordatório, auxiliando no processo de contextualização. Os trechos finais envolvem um belo plot twist do qual nem posso falar muito correndo o risco de estragar a surpresa preparada pela autora. Bela narrativa!


3 - "Eletricidade em suas veias"


Autor: Waldson Souza Avaliação:

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Há muitos séculos atrás uma raça de humanos imortais vivia em uma terra acima dos homens. Uma de suas habitantes era uma cientista que criou um ser autômato capaz de ter emoções humanas, mas cuja bateria durava poucos anos. Seu trabalho não foi aceito por seus pares e ela foi retirada de seu projeto de pesquisa. Ela havia construído um protótipo chamado Berko e teria que destruí-lo para não chamar a atenção para si. Mas, ela não se conforma com essa decisão e acaba enviando Berko para o mundo terrestre onde ele viverá entre os homens. Ele viverá inúmeras vidas e sua criadora irá registrar os resultados de sua pesquisa. Mas, a criadora sabe ele passará por inúmeras dificuldades já que sua pele é negra assim como a daqueles que o criaram. A narrativa verá múltiplas vidas desse ser fascinante enquanto a cientista observa a tudo do alto.


Essa é uma bela história que lida com muitas questões diferentes. Talvez um dos temas mais fortes seja a da perseguição à população negra. Waldson Souza não tem pudores em nos mostrar o quanto o preconceito adotou múltiplas formas ao longo dos séculos seja na escravidão de outrora ou na falta de oportunidades do presente. Por ser uma criatura que vive múltiplas vidas, Berko vai possuir inúmeras características e sentimentos e em alguns momentos ele será um homossexual. Passará pelas dificuldades de períodos em que fazer parte da população LGBT era um risco à própria vida. Se trata de uma narrativa geracional que serve para apresentar as ideias propostas pelo autor acerca da desigualdade social e do preconceito.


Outro tema que permeia toda a história é o que nos torna humanos. É a nossa capacidade de sentir, de nos relacionar? É a de propor ideias lógicas? O experimento da cientista consiste em não dizer a Berko que ele é um autômato e deixá-lo viver sua própria vida. Trabalhar, conversar com pessoas, amar. Viver a vida com suas qualidades e defeitos, com seus problemas e dilemas. De vez em quando a criadora atuava para evitar a descoberta da existência quase eterna de Berko, ou ajustar alguma situação mais complexa. Alguns diálogos que são trabalhados ao longo do conto são bastante reflexivos principalmente no que diz respeito à própria pergunta sobre existir. O autor já chegou a trabalhar com essa noção de transumanismo no passado e o vemos abordando o mesmo assunto sob diferentes ângulos. A narrativa é fascinante e em alguns momentos nos deparamos com situações-chave como a descoberta do amor, a necessidade de se adaptar às mais diferentes circunstâncias, o encontro acidental com alguém do passado. O autor mantém também um ar de mistério sobre quem são estes seres que vivem acima do solo, mas deixa algumas pistas como o fato de eles também terem sido criados, de terem tido algum tipo de conflito no passado e sua opção por se isolar e não ter mais contato com os humanos. Uma bela história que vai te fazer pensar sobre uma infinidade de assuntos.


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4 - "Eu, Algoritmo"


Autora: Lu Ain-Zaila Avaliação:

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Um certo dia, em um contexto muito semelhante ao nosso, uma espécie de AI chamada DOGI emprega os algoritmos deixados por nós pela internet para chantagear uma cidade. Todos devem se submeter à vontade de DOGI sem pestanejar. Mas, Ajia é uma das poucas que não se deixa intimidar. É então que as pessoas que foram chantageadas passam a perseguir Ajia e capturá-la para entregar nas garras de uma AI cujos objetivos ainda não são claros. É aí que se inicia uma intensa fuga onde toda uma cidade está contra nossa protagonista. Sendo uma ciberativista, ela não pretende se entregar tão fácil.


Esse é um conto voltado para trabalhar uma argumentação. A do cuidado com os vestígios, senhas e informações que deixamos na internet. Todos os dias temos nossos dados compartilhados entre inúmeros sites e provedores por toda a parte do mundo. Nossos gostos, nossos hábitos e até nossos rostos estão espalhadas por toda a parte. É um assunto que suscita muitas discussões e nos vemos em um mundo que cada vez exige que nós mais e mais nos envolvamos com o universo online. A narrativa serve a esse propósito e o leitor pode achar que a história nem é o mais importante aqui. A situação vivida pela personagem serve como um meio para a discussão desse assunto. Por mais que eu curta demais a temática trazida pela autora, é perceptível que a narrativa ficou em segundo plano. E isso não age em detrimento da história, que tem suas surpresas e curvas. O final da narrativa também surpreende e não sei se o objetivo da autora foi deixar algum tipo de gancho para histórias futuras.


Há alguns truques de escrita que ela usa durante o conto como o emprego da narrativa em primeira pessoa para gerar um espelhamento da parte do leitor. Para que imaginemos que isso poderia estar acontecendo conosco. Ela também emprega algumas subseções onde a personagem tece comentários sobre o mundo contemporâneo e a forma como nos relacionamos com a internet e o universo online. Essas subseções ajudam a aprofundar o tema proposto ao longo da narrativa.


5 - "O Pingente"


Autora: Cláudia Fusco Avaliação:

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Uma IA responsável por cuidar da pequena Sophia a acompanha por boa parte de sua vida. Como uma babá, como uma companheira, como uma amiga. Enxergamos a vida da criança e da IA se entrelaçando em uma rede de emoções que nos leva a uma encantadora jornada pelas alegrias e dissabores dessa relação. Ao mesmo tempo em que ela ensina Sophia conceitos básicos para poder levar sua vida, aprende outras lições, sejam estas duras ou gentis. No final do caminho, tanto o programa como o indivíduo estarão transformados para todo o sempre.


Essa é uma narrativa que esbanja doçura e sensibilidade ao mesmo tempo em que não se esquiva de temas polêmicos. Fusco nos entrega um bom slice of life em que ela nos coloca no papel de uma Inteligência Artificial cuja tarefa é ser o duplo de uma criança que vai crescendo e se desenvolvendo. A escrita é muito boa e compassada e, embora seja um conto, ou seja, uma narrativa curta, a sensação é de toda uma vivência ao lado dos personagens. Gosto de como a escrita da autora é simples de ser compreendida, sem firulas ou mecanismos complexos. A narrativa é também bem dividida entre o nascimento, a infância e a adolescência até chegar ao início da vida adulta. Em todas as três fases existem temas importantes sendo debatidos e o leitor não deixa de ter interesse na história. Queremos acompanhar até o final.


Dois temas importantes debatidos pela autora são o amor e a família. Na primeira parte da história vemos como a IA acaba substituindo de certa forma o cuidado das mães de Sophia. Ambas não tem tempo de estar com ela por conta de suas vidas atribuladas. Desde cedo, a IA assume esse papel e a criança se afeiçoa bastante a ela. Temos transformações, é claro, como a separação das mães que acontece logo no começo da narrativa e a autora precisa mostrar o impacto disso na vida de uma criatura tão pequena e que nada conhece do mundo. Os momentos na escola, as dúvidas na adolescência, o processo de crescimento e transformação. Sem entregar muito sobre a narrativa, basta entendermos que o final se conecta a uma importante decisão de nossas vidas, quando passamos a trilhas nosso próprio caminho em nossas vidas. Uma importante necessidade de sairmos de nossas moradias para nos aventurarmos em um mundo maior. A autora está de parabéns por essa linda história.


6 - "Sia está esperando"


Autor: Roberto Fideli Avaliação:

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Após uma trágica situação em Timbuktu, a tripulação da Anatsuru acaba fazendo um pouso de emergência um estranho e gelado planeta. Sia, a inteligência artificial responsável por auxiliar a capitã com as funções da nave contabiliza que a maior parte da tripulação morreu, deixando apenas nove sobreviventes. Em uma situação de emergência, e sem contato com o Império, a capitã Jin vai precisar juntar esforços para consertar a nave e tentar sair desse planeta desolado o mais rápido possível. Só que a descoberta de estranhas ruínas pertencentes a uma antiga civilização alienígena pode colocar tudo em jogo.


Essa é uma ótima narrativa que mostra toda a habilidade do autor em criar narrativas tensas e que engajam o leitor. Apesar de o tamanho da narrativa ser o seu calcanhar de Aquiles, essa história prova mais do que nunca que Fideli precisa escrever uma narrativa mais longa. Sabe quando o leitor percebe essa necessidade? Já várias histórias curtas dele e sinto que ele está preparado para voos maiores. A narrativa é bem pensada, os problemas que a tripulação precisa resolver não são óbvios e nada acontece por acaso ali. Nada cai do céu para facilitar a resolução de um problema. A gente sabe quando parte da tripulação vai até o monumento que algo vai dar errado. Mas, como as coisas vão dar errado é que é arma secreta do autor. A gente compreende facilmente o mundo criado pelo autor, mesmo que existam alguns elementos complexos a mais. Mas, eles não são necessários à história e o autor toca pouco nesses assuntos. Já disse várias vezes no passado: construção de mundo é legal, e talvez a parte mais gostosa de escrever uma história; só que ela precisa servir a ela e não ser o extra.


Essa é uma narrativa de sobrevivência onde a tripulação precisa resolver suas questões internas para alcançar o seu objetivo. Não há espaço para trabalhar todos os personagens da trama, mas Fideli consegue dar traços interessantes a cada um deles, distinguindo-os entre si. Ou seja, eles não estão apenas no fundo, servem a alguma função. Mesmo a IA tem seus desejos revelados a partir de um detalhe da trama. E é interessante perceber como o autor consegue nos dar o seu ponto de vista, normalmente pontuado por um pragmatismo e racionalismo típicos de uma máquina. Mas, aos poucos vamos vendo que ela faz parte tanto da tripulação como qualquer outro. A capitã tem aquele senso de responsabilidade inerente aos capitães de embarcações. Mesmo assim, vemos suas fragilidades diante do que acontece ao seu redor. Suas relações com outros membros da tripulação e opiniões podem e se chocam de fato com outras pessoas ali naquele meio. Uma situação extrema que vai colocar os sentimentos de todos no limite.


Curioso a organização escolher fechar a coletânea com duas histórias que tem IAs como protagonistas. E uma ótima história também. Só achei um pouco longa demais e alguns trechos poderiam ter sido cortados. Novamente: é um conto e quando aparecem "barrigas" na trama, isso prejudica o dinamismo da história. Só que a ideia sobre o que cortar e o que deixar é algo bastante subjetivo. E cada leitor vai ter sua própria opinião de aonde cortar e se deve ou não cortar. Mesmo assim, vale demais a leitura.










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Ficha Técnica:


Nome: Vislumbres de um Futuro Amargo

Organizado por Damares Barradas e Gabriela Colicigno

Editora: MAGH

Número de Paginas: 204

Ano de Publicação: 2020


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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