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A parceria de vinte anos que existia entre o Prêmio Sesc de Literatura e o grupo editorial Record chegou ao fim. Segundo pessoas envolvidas, seria mais um caso de censura. Saibam mais sobre o caso na postagem a seguir.


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Vai parecer que isso foi combinado ou que o editor do site virou um comunista sem vergonha, mas não. Não foi combinado. Vamos falar de censura mais uma vez. Porque parece que isso se tornou um tema comum hoje. E isso está me preocupando bastante porque daqui para as fogueiras de livros não falta muito. É o bom e velho medo que Ray Bradbury nos mostra lá em Fahrenheit 451 e que parece que tem um número considerável de leitores que não entendeu a mensagem. É importante tocar nesse tema porque vivemos tempos delicados onde a liberdade de expressão é atacada e quando não é atacada, é distorcida com fornecer desinformação. Principalmente quando o profissional faz parte da esfera pública ou ocupa um cargo que possui um peso social considerável. Ideologia não pode ser confundido com fanatismo ou fundamentalismo. Karl Marx, um autor tão criticada pela direita conservadora, valorizava o diálogo. Somente a partir do diálogo podemos crescer como sociedade. Um povo dialógico cresce junto; se transforma no ideal. E isso só é possível quando encaramos nossos medos e receios de frente. E damos uma resposta real a eles.


Já há vinte anos, o grupo editorial Record vinha mantendo uma parceria com o grupo Sesc que tinha como uma de suas atividades culturais anuais o Prêmio Sesc de Literatura. O objetivo da premiação é o de valorizar novas vozes da literatura e apresentá-los ao grande público. Entre alguns premiados famosos estão Luisa Geisler, Marcos Peres, Sheyla Smanioto. Nomes grandes e que trouxeram consigo o frescor de um movimento de vanguarda no século XXI. A Record funcionava como a editora que publicava os materiais e fazia a divulgação para o Brasil todo. Ser publicado por uma das maiores editoras do Brasil (se não a maior) era uma grife que muitos autores novos buscavam. Um concurso altamente competitivo envolvendo a nata da literatura nacional. Livros como Desesterro da Sheyla Smanioto ou O Legado de nossa Miséria de Felipe Holloway mostram a variedade e a força desses materiais. Dessa forma, a premiação se tornou uma referência.


Mas, o Brasil se tornou um lugar estranho onde tudo se tornou politizado e os esqueletos decidiram sair de seus armários. No final de 2023, a Record organizou um evento de lançamento do vencedor do Prêmio Sesc do ano passado, o livro O Outono de Carne Estranha, do autor Airton Sousa. No evento foi realizada uma leitura de um trecho do livro. A história se passa em Serra Pelada, durante a explosão do garimpo na década de 70. A narrativa tem como protagonistas um casal homoafetivo que vive dentro de um ambiente cercado de violências e desumanidade. O objetivo do autor era mostrar a realidade dura desse difícil período de nossa história. O que era para ser um evento bacana, para mostrar mais um bom livro chegando às prateleiras se tornou o prelúdio para o que viria a ser os acontecimentos posteriores. Membros do conselho do Prêmio Sesc estavam durante a leitura e se sentiram desconfortáveis com os temas abordados pelo autor. Deixando de uma forma bem clara: eles não gostaram que se tratava de um casal homoafetivo e muito menos que se fizessem críticas ao garimpo. Após o evento, a organização do Prêmio Sesc se reuniu e decidiu mudar as regras para o próximo edital. Um dos pontos mais incômodos nas novas regras foi a de que antes o prêmio era tinha como alvo o público adulto e isso foi substituído para público geral, o que gera muita dubiedade no momento da escolha dos indicados. Outros acontecimentos queimaram as pontes entre Record e Sesc como a mudança da organização do prêmio, a demissão de pessoas que trabalhavam no comitê julgador e a substituição por pessoas cuja escolha gerava críticas. Sem falar nos atrasos na divulgação do edital e na obediência aos prazos. Tudo levou a um clima insustentável levando a Record a abandonar a parceria.


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A Record soltou uma nota oficial sobre os motivos que levaram à saída dela da premiação que vocês podem encontrar neste link. Enfim, não sejamos ingênuos, gente. Estamos falando da editora que publicou o Olavo de Carvalho. Então, não tem ninguém ilibado ou puro nesta história. Só que os ventos são outros. Vejam, ninguém buscou censurar o Olavo, por mais que ele falasse um sem número de asneiras. Hoje, a Record retirou o autor de seu catálogo, não devido a uma censura, mas sua associação a teorias golpistas e as próprias posturas do "filósofo" quando ainda vivo. Outro ponto importante e que é preciso deixar claro é que o Sesc representa toda uma elite empresarial e que é marcadamente conservadora. Provavelmente o atual grupo dirigente é mais alinhado à direita e deseja atender a um tipo de publicação que tenha mais a ver com sua linha de pensamento. Isso deixa o prêmio em maus lençóis. Perde credibilidade porque qualquer autor que se inscreva vai pensar duas vezes se o seu livro não foi indicado às fases mais avançadas da premiação. Quais os critérios de escolha? Houve uma censura por temas? Isso é ruim porque pende a balança para favorecer autores que publiquem materiais voltados para essa forma retrógrada de pensar.


E isso não é um problema apenas no meio privado. Alguns Estados brasileiros tem feito censuras locais a materiais paradidáticos enviados para as escolas. Goiás e Paraná largaram na frente nessa distopia tupiniquim em que parece estarmos caminhando. Livros que faziam parte do kit do MEC para as escolas foram interceptados pelas secretarias locais de educação e devolvidos com a justificativa de que não atendiam ao interesse público. Não obstante, os dois governadores são alinhados ao bolsonarismo, Ronaldo Caiado e Ratinho Junior, respectivamente. Mas, tem mais: as igrejas neopentecostais tomaram conta dos Conselhos Tutelares locais e tem feito uma pressão dentro das comunidades para que livros que fujam ao teor da "moral" e dos "bons costumes" sejam retirados do currículo. E eles possuem uma influência em regiões mais pobres que é muito grande. Os movimentos governistas e ligados à esquerda brasileira não se deram conta do perigo que representa a permanência de pastores e outras figuras bolsonaristas nos Conselhos Tutelares. Essas instituições lidam diretamente com as direções escolares e frequentemente atacam profissionais de educação com a justificativa de manter as virtudes da boa escola.


Na minha visão, nenhuma censura é boa. E isso vale para os dois lados. Não se combate a extrema-direita com a mordaça, mas com a justiça e a verdade. A censura é também se esconder dos próprios dilemas e problemas internos. É não enfrentar aquilo que nos aflige. A literatura brasileira de qualidade toca nessas feridas e as expõe para que possamos fazer uma reflexão sobre quem somos e para onde vamos. Livros como Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, expõem as mentiras e as falácias que tanto estão colados na nossa sociedade. Caso queiramos empurrar as coisas para debaixo do tapete, nunca vamos conseguir superar esses problemas e nos tornar um povo melhor. Somente debatendo, somente mostrando a ferida na carne é que o debate é gerado. Estamos acompanhando de perto o quanto o bolsonarismo vem se debatendo nas suas próprias mentiras, se afogando em seus medos. Para quem idealizava uma nação sem corrupção, não é isso o que estamos vendo na realidade. E isso vale para essas pequenas "milícias locais" que intimidam e atrasam a educação e a cultura. Precisamos estar atentos e nos levantarmos contra as injustiças. Pôr um freio nas ambições da extrema-direita. É lamentável a postura do Prêmio Sesc e fica aqui o meu repúdio a isso.



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Depois de vencer Ares, Diana tem pouco tempo para levar informações sobre o mundo do Patriarcado para suas companheiras amazona. E Zeus passa a ter um desagradável interesse pelas amazonas de Themyscira. Para se livrar do assédio dos deuses, Diana precisará passar por terríveis provas. Inicia-se o Desafio dos Deuses.


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Sinopse:


George Pérez e seus parceiros de crime retornam para mais uma rodada de espetaculares aventuras estreladas pela Mulher-Maravilha ― histórias que não somente solidificaram a heroína como um ícone renovado do pós-Crise, como também pavimentaram o caminho para tudo o que veio depois. Nessa edição, Diana terá de encarar sua mais clássica adversária, a Mulher-Leopardo, e ninguém menos que uma ameaça vinda do… Olimpo! (Wonder Woman 8-14)






Este é o segundo arco de histórias escrita e desenhada por George Perez. Temos duas histórias fechadas e o arco do Desafio dos Deuses. Na primeira história temos um interlúdio encerrando os acontecimentos do primeiro arco e mostrando Diana se adaptando à vida na Terra, pelo pouco tempo em que sua mãe Hipólita permitiu que ela ficasse. A segunda história traz a doutora Minerva, uma colecionadora de artefatos antigos e que revela ter poderes sobrenaturais oriundos de seu ajudante. Ela deseja pôr as mãos no laço da verdade a qualquer custo. O arco Desafio dos Deuses começa após o retorno de Diana para a ilha Paraíso onde Zeus volta uma estranha e desagradável atenção às amazonas. Para escapar de sua luxúria, ela precisará passar por terríveis desafios impostos por cada um dos deuses do panteão do Olimpo onde ela precisará de mais do que sua força e velocidade.


O roteiro de Perez continua bem afiado e gostei de algumas experimentações narrativas que ele faz ao longo desse arco de histórias. Começando por esse interlúdio inicial, ele alterna o roteiro comum com cartas, diários e relatórios escritos por pessoas ligadas à Diana: a dra. Kapatelis, a jovem Vanessa e Etta Candy, a assistente do coronel Trevor (que agora não é mais coronel). Na época não tinha como tornar essa parte menos textual em excesso porque não haviam muitos recursos gráficos que se tornaram comuns com a arte digital. Mesmo assim, Perez produz algo bastante diferente. Já na segunda história, senti um tom mais épico nos recordatórios. Parece que Perez pode ter se inspirado em narrativas como a Ilíada e a Odisseia para compor as descrições de cena porque elas assumem um tom quase cantado. Até o encadeamento de palavras soa diferente. Por último o arco do Desafio dos Deuses tem toda aquela aura de grande aventura, envolvendo seres mitológicos, os deuses sendo mesquinhos e as amazonas precisando lidar com situações fora do normal. Remete aos roteiros de grandes filmes do final da década de 1970 e início de 1980 como os que envolvia Hércules (interpretado pelo Lou Ferrigno) precisando realizar as doze tarefas. Perez captou essa essência com um twist voltado para o feminismo e um debate social de igualdade de gênero.


A arte é de cair o queixo. É o Perez em seu auge, entregando cenas épicas em uma revista mensal. Quando ele pira em cenas saídas de qualquer livro de mitos gregos, é um espetáculo. As cenas que se passam dentro da caverna são sensacionais com Hipólita enfrentando esqueletos animados, Diana precisando lidar com um ser formado de trevas e os deuses fazendo comentários ao vivo comendo uvas e tocando harpas. O puro sumo da mitologia grega. Inclusive tem uma cena icônica com Hércules segurando a ilha Paraíso nas costas similar à visão de Atlas segurando o mundo. Ficam dois destaques da arte, uma na primeira história e outra na penúltima. A primeira tem a ver com os relatórios e trechos de diário que Perez insere algumas artes no meio para não ficar algo maçante. Ele divide a página em duas colunas, sendo uma com o texto que ele quer entregar e a outra com uma colagem com vários quadros que remetem a trechos do que está escrito. Essas colagens são lindas e me recordo de que algumas destas imagens formaram um conjunto de pin-ups em homenagem a Perez. O outro recurso é algo tão simples que só poderia ter partido da cabeça dele. Está na página 166 desta edição e mostra Diana saindo da ilha Paraíso e voltando ao mundo dos homens. Ao invés de usar algum recordatório, Perez usa um recurso gráfico criando retângulos que vão diminuindo de tamanho até caírem em um quadro com relâmpagos e depois começarem a aumentar de tamanho novamente. É como uma passagem de espaço. Parece algo bobo, mas é uma representação bastante criativa.

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Quero seguir em direção ao tema principal desta edição porque é a retomada daquele debate iniciado lá na primeira edição da fase do Perez. E que ótimo que ele voltou a esse tema. Se trata da opressão de gênero. Zeus volta a se interessar pelas amazonas, mas dessa vez com um teor mais sexual. Ele deseja a todo custo possuí-las uma a uma. E liberou geral para os outros deuses fazerem o mesmo. A primeira que ele deseja possuir é a princesa Diana que no começo não desconfia das intenções do rei dos deuses. Não passa pela cabeça dela que os seres a quem elas adoram poderiam ser capazes de atitudes tão desprezíveis e mesquinhas. Dignas do pior tipo de ser humano. Quando Zeus tenta forçar Diana a ter relações sexuais com ele, até mesmo Hera se levanta contra seu marido. Perez nos traz lá na década de 1980 uma discussão sobre violência contra a mulher. A maneira como os homens enxergam as mulheres como objetos de prazer e não conseguem compreendê-las para além dessa acepção inicial. A cena é abjeta e Perez não recua no que deseja entregar. Lógico que as coisas ficam mais na insinuação porque essa é uma revista voltada para o público de todas as idades, mas as implicações são bem claras. Isso faz com que todas as amazonas se sintam sujas e indignadas que o seres a quem elas tanto veneram se revelaram ser porcos chauvinistas e homens que se assemelham àqueles que as violentaram no passado. Lembrar que Hércules estupra Hipólita de todas as maneiras possíveis na primeira edição. Todas elas passaram por violências desse tipo nas mãos das tropas de Hércules. Não acontecem cenas explícitas, mas, novamente o teor é bem claro. Inclusive tem uma cena lá no epílogo em que Hércules pergunta a Hipólita se Diana não seria fruto desse estupro. Mas, tal não era o caso, lembrando que na edição anterior, Artemis havia confirmado que Hipóllita estava grávida antes de se tornar uma amazona.


Achei todo o percurso do Desafio dos Deuses válido para essa discussão porque no fim das contas, Perez queria chegar no perdão e no arrependimento. Mostrar primeiro o quanto podemos ferir as mulheres com a violência, marcando-as para todo o sempre. Mas, que, ao mesmo tempo, precisamos ter a capacidade de perdoar mesmo os atos mais abjetos porque violência causa mais violência. É um ciclo interminável que pode nos marcar para sempre. Claro que isso precisa ser feito de coração, um ato de desprendimento e compreensão do que foi feito de errado. Antes do perdão, é preciso pedir desculpas, compensar pelo mal feito no passado. A obtenção do perdão vem ao lado de uma postura de respeito ao outro sexo. Depois de tudo o que acontece no arco de histórias, Zeus percebe que precisa tratar as filhas das deusas com deferência e igualdade. Colocar Hipólita e Hércules juntos em uma cena dramática foi um toque de gênio. Um dos desafios da própria Hipólita foi colocá-la diante de seu agressor, frente a frente. Era preciso superar e seguir em frente. Para Hércules, o desafio era a humildade de perceber o erro de seus atos. Em uma cena fabulosa que inverte um clichê do gênero, Diana aparece carregando Hércules nos braços, numa brincadeira ao príncipe salvando a princesa. Agora não... é o contrário.


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Vale a pena mencionar também toda a campanha midiática que Myndi faz com Diana no mundo dos homens. A empresária procura transformar a Mulher-Maravilha em um símbolo pop vendendo blusas, braceletes e a própria filosofia de paz e compreensão dela. Tudo se torna uma mercadoria. O que começa como uma cruzada inocente para levar ao mundo do Patriarcado a palavra das amazonas vai sendo deturpado em um produto a fazer parte de programas de entrevistas, de slogans de propaganda e outras coisas. Quando Diana começa a perceber o que está realmente acontecendo, ela se decepciona. Até pela maneira como uma mulher se diminui frente a uma sociedade machista. Tem muito da ingenuidade de uma mulher que nunca viveu em uma sociedade tão demarcada assim. É impactante quando Diana joga isso na cara das personagens; senti como se ela estivesse falando com o leitor. Ou o como os jovens não se interessaram por um discurso de empoderamento que ela faz na escola de Vanessa. O que Perez quis dizer é que não estávamos preparados para esse discurso; não estávamos antes e certamente não estamos agora.


Poderia falar sobre a dra Minerva, mas a participação dela foi tão curtinha que tenho certeza que Perez deve voltar a ela em outra oportunidade. Uma bela edição com um arco icônico como esse. Vale muito o investimento e é o Perez dando vitalidade à personagem. Pensar que nessa época tudo o que sabemos sobre a Mulher-Maravilha ainda estava em construção diante de todo uma confusão de histórias pré-crise que não aprofundavam muito a personagem. Talvez a própria Diana fosse vítima de seus próprios Zeus editoriais antes e finalmente havia caído nas mãos certas.


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Ficha Técnica:


Nome: Lendas do Universo DC - Mulher-Maravilha vol. 2

Roteirista: George Perez e Len Wein

Artista: George Perez

Arte-Finalista: Bruce Patterson

Colorista: Tatjana Wood e Carl Gafford

Editora: Panini Comics

Tradutor: Daniel Lopes e Paulo França

Número de Páginas: 180

Ano Publicação: 2016


Outros Volumes:

Vol. 1

Vol. 3

Vol. 4


Link de compra:






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Os aventureiros se juntaram em uma incrível aventura, passaram por inúmeros desafios e conseguiram derrotar o Imperador Demônio. Voltaram para a capital do Império e foram saudados pelo rei, ganhando todo o tipo de homenagens. Mas, e agora? Para onde os personagens vão? A elfa Frieren vai nos contar essa nova jornada e vamos acompanhá-la enquanto ela se lembra do passado.


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O contexto já foi visto inúmeras vezes por leitores. Um grupo de heróis que se unem para combater um terrível vilão. Eles precisam passar por inúmeras provas e obstáculos, ajudando pessoas ao longo do caminho. Vão se tornando um grupo cada vez mais coeso e o companheirismo os ajuda a superar as adversidades. O combate contra o vilão é árduo e vem com muito esforço da parte deles, mas todos conseguem vencer e salvar o mundo. Retornando até o rei que lhes confiou a missão, eles recebem todo o tipo de homenagens e jantares os saudando. Estátuas são construídas em diferentes partes do mundo, nos lugares onde eles estiveram. E fim. Terminou a aventura, certo? Pois é. Frieren e a Jornada para o Além começa nesse instante. Uma jornada de autoconhecimento e a descoberta do que significa ser humano para um indivíduo cuja vida pode durar milênios. Uma animação japonesa e um mangá que fizeram um estrondoso sucesso por onde passara, com uma narrativa inteligente e criativa. Atualmente a animação conta com 28 episódios que cobriram sete volumes do mangá. A produção foi feita pela Madhouse e está em um primor gráfico sensacional.


Mas, queria comentar com vocês sobre alguns dos temas da animação que podem gerar ideias para histórias. Isso porque raramente vi histórias que se debruçam sobre personagens que terminaram sua jornada. A gente tem alguns exemplos legais, mas que se passam anos após a aventura ter terminado como a duologia escrita por Nicholas Eames (Os Reis do Wyld e A Rosa Sanguinária). Confesso ainda não ter visto algo que se passa imediatamente após o final de uma aventura. E a ideia básica é que Frieren é uma elfa e nesse mundo estes seres podem viver por milhares de anos. A jornada que ela passou ao lado do guerreiro Himmel, do anão Eisen e do sacerdote Heiter durou dez anos, o que para ela é pouco mais do que um respiro. Mas, essa jornada a marcou muito em vários sentidos. Por ser alguém com tanta longevidade, Frieren tem dificuldades para expressar seus sentimentos. Dá a impressão de que ela é uma pessoa fria e desapegada, mas Himmel foi capaz de despertar sentimentos desconhecidos por ela. Ao terminar sua jornada, cada um dos heróis vai seguir suas vidas. Frieren também segue a sua, mas ela tem uma noção de temporalidade muito diferente. Quando ela decide visitar cada um dos heróis, cinquenta anos já haviam se passado e Heiter e Himmel, os dois humanos do grupo, já estão bem mais velhos. O contato com Himmel, que foi a última vez que ela o viu, talvez tenha sido o que mais a tocou.


Em seguida, Frieren segue em sua jornada e se reencontra com Heiter que estava criando uma jovem chamada Fern junto consigo. Fern havia perdido os pais e estava morando junto com ele, mas Heiter se encontrava bastante doente e no final de sua vida. Depois de conversar sobre um possível feitiço para restaurar a juventude, Frieren ouve pela pela primeira vez falar de Aureole, um lugar muito ao norte que é a passagem dos espíritos para sua próxima existência. Heiter pede a Frieren que cuide de Fern em seu lugar, e, para alguém como Frieren que não consegue expressar adequadamente seus sentimentos, isso parece algo totalmente impossível. Mas, a elfa acaba cedendo por conta de seu carinho por Heiter e se torna a mestra de Fern. Curiosamente, mais tarde, enquanto seguem para o norte, Frieren e Fern acabam precisando de um guarda-costas para ajudá-las na jornada. A parte curiosa é que Stark, o guerreiro, é discípulo de Eisen. O outro ponto curioso é que Aureole fica após as terras do Rei Demônio a quem o grupo de Frieren derrotou anos antes. É como se a elfa estivesse refazendo a jornada ao lado de pessoas que herdaram as vontades de seus antigos companheiros.


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A série tem uma linda abordagem sobre o tempo e as memórias de nossas experiências passadas. Tudo o que fizemos faz parte da construção de quem somos. Mesmo tendo passado milênios nesse mundo, aqueles poucos anos ao lado de um grupo de companheiros moldou a personalidade da elfa. Há alguns flashbacks de situações anteriores, como o treinamento de Frieren ao lado da Grande Maga Flamme ou o encontro com Seire. Mas, são momentos quase fugazes diante das recordações que insistem em retornar. Às vezes é até difícil expressar esses sentimentos em palavras, mas a série me tocou justamente por eu estar em uma fase da vida em que reavalio minhas decisões passadas. Ao mesmo tempo compreendo que cada escolha que fazemos constrói os blocos de personalidade que temos. Ou seja, não é possível chegar aonde estamos sem errar. E erramos muito. E está tudo bem. Algumas das recordações da maga dizem respeito a situações estupidamente corriqueiras como quando eles ficaram meses em uma cidade realizando missões banais como colher ervas, buscar crianças desaparecidas ou derrotar grupos de monstros fracos. Mas, estes foram momentos especiais em que o grupo pôde compartilhar a companhia uns dos outros.


Em pouco tempo percebemos o quanto Frieren é poderosa. É uma das feiticeiras mais poderosas do mundo, mas algo que escapa no começo da aventura é o porquê de Frieren correr atrás de magias completamente esquisitas. Um feitiço para tirar verrugas dos pés; outro para evitar tropeçar; outro para curar resfriados. Feitiços banais e que fazem parte da tradição popular. Fern também se questiona muito isso já que ela deseja se tornar uma feiticeira poderosa. Só que assim como a própria narrativa, Frieren tem uma visão diferente sobre magia. A elfa não se interessa em ser a mais poderosa, ou guerrear o máximo possível. Ela é poderosa como consequência de seus estudos, e a mestra de Frieren, Flamme, define bem a personalidade de sua pupila. Ela é a discípula perfeita para a Era dos Homens. É uma maga da paz. Embora quando ela assim deseje, Frieren pode ser apavorante. Mas, é então que somos lentamente apresentados à própria maneira como a personagem encara o uso de magia. Ela está atrás de novos feitiços pelo simples prazer da descoberta. Frieren incorpora o chamado à aventura, algo que ela acabou herdando do próprio Himmel. Ir atrás de novos feitiços é divertido e pode render ótimos momentos de encantamento, perigo e descoberta. Mesmo que ao final, o prêmio não seja nada além de um feitiço para tirar cera do ouvido. É a jornada que interessa, não a sua conclusão. Esta até pode ser importante, mas não é a essência da aventura. Fica aqui também a curiosidade sobre qual a magia favorita da elfa. É bem curioso e revelador sobre ela.


Os elfos desse mundo são bastante raros e não chegaram a organizar nenhum tipo de reino ou nada do tipo. Vivem espalhados pelo mundo e encontramos bem poucos ao longo da aventura. Mesmo entre os seus, Frieren é uma criatura bastante peculiar. Muito provavelmente por conta do tempo em que ela passou vivendo ao lado dos homens. Dando uma quebrada em expectativas, Frieren tem alguns hábitos divertidos: é bastante preguiçosa, sempre é a primeira a abrir um baú (mesmo quando este é apenas um mímico), tem uma imaginação fértil para as mais loucas situações, e sempre gosta de pegar todo tipo de tesouro enquanto explora dungeons. Mesmo que estes tesouros sejam apenas tranqueiras sem utilidade. Mas, é este conjunto de peculiaridades que a tornam a pessoa tão interessante que ela representa. Aliás, Frieren é alguém bastante desligada das convenções humanas. Por viver tanto tempo, ela não se importa muito em ter conhecimentos sobre a geopolítica dos lugares que visita. Para falar a verdade, ela nem deseja isso, já que seu instinto diz para ela continuar vagando sem rumo, sem estabelecer alianças com ninguém, eventualmente ajudando pessoas com necessidades.



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Apesar de Stark também fazer parte dessa primeira parte da aventura e render diversos momentos engraçados, a narrativa gira na relação entre Frieren e Fern. Tanto que o primeiro episódio tem Heiter apresentando Fern para Frieren e o último mostrando a evolução dessa relação. Vale destacar a inteligência disso porque em nenhum momento uma das duas esteve em posição superior à outra. Ambas se complementavam. Frieren representa o ideal de como um mestre deve se relacionar com seu aluno. Ela não força Fern a adotar suas ideias, ou sua filosofia de vida. A jovem aprendiz vai adquirindo conhecimento pela junção de prática e teoria, errando quando possível e tendo sua mestra apontando onde ela errou e onde precisava melhorar. Frieren mostra as possibilidades de escolha para ela e lhe dá apoio para que possa evoluir como pessoa. Mais tarde, quando Frieren conta a Seire sobre Fern, ela já sabia de todo o potencial de sua aprendiz. E já não importava a ela títulos dados pelos homens... nunca importou. Toda a segunda metade da animação serve para mostrar o quanto Frieren se tornou uma ótima mestra para Fern quando esta precisava de alguém para estar junto dela. Voltando lá atrás quando disse que a elfa não sabia expressar seus sentimentos, nas interações com Fern, ela tenta ao máximo entender o que sua pupila quer dizer. Está certo que Frieren erra bastante ao não interpretar direito as coisas (e causa várias situações engraçadas e outras constrangedoras), mas ela busca até sair de seu modo de vida para entender aquela a quem aprendeu a ter um carinho genuíno.


Só posso dizer o quanto essa animação preencheu minhas semanas ao longo de quase seis meses. Me trouxe uma série de temas que não eram tão tratados assim em obras de fantasia. A narrativa é bem tranquila e pacífica, com alguns bons momentos de ação. Embora esse não seja o foco da história. A trilha sonora é fantástica com temas saídos da Idade Média europeia. Toda aquela sonoridade típica de séries e filmes que se passam nesse período. A animação entrou na maioria das listas de melhores do ano passado e não foi à toa. Para quem curte boas histórias de fantasia e quer sair do lugar comum, esse pode ser o seu lugar. Recomendo fortemente.




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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. 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Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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