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Essa é a história original que trouxe para o público mundial um dos personagens mais famosos das histórias infantis. Mas, se você pensa que já conhecia a história, melhor pensar duas vezes. Collodi nos apresenta um Pinóquio bem diferente do bom menino criado por Gepetto.


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Sinopse:


Pinóquio, o famoso boneco de madeira que queria ser um menino de verdade, ficou mundialmente conhecido a partir da animação da Disney de 1940, mas sua história tem uma origem muito mais sombria e travessa, diferente da versão promovida nas telas do cinema. Sua jornada começa nas mãos do escritor italiano, Carlo Collodi, que em 1883 publicou As Aventuras de Pinóquio. Sua história original é tão diferente que o editor de Collodi, na época, pediu que ele escrevesse mais capítulos para que o enredo pudesse ser direcionado a um final feliz. Pinóquio, por ser um boneco, era livre de amarras sociais: podia sair da linha, quebrar protocolos de hierarquia e desferir golpes na rígida moral imposta ao Ocidente em plena era vitoriana. O boneco é cínico, desobediente e, o que lhe confere em especial a fama, mentiroso.






Este livro é um ótimo exemplo de como as histórias podem ganhar novos significados com o passar das gerações. A história que conhecemos é uma bela história de uma marionete que tenta se tornar um belo menino com a magia da fada azul. Vez ou outra ele apronta algumas traquinagens e conta algumas mentiras, por isso seu nariz cresce. Mas, lá no fundo ele ama seu criador, o mestre Gepetto. Bem, digamos que a história original não é tão bonitinha assim. E Collodi quis trazer uma sátira, de certa forma, ao nos apresentar um personagem que é uma criança e não tem lá seus bons sentimentos. A versão da Disney que é a que temos um conhecimento maior é a que ficou eternizada. Com toda aquela aura de magia e doçura que a empresa empenhou no cinema na sua era de ouro. Até chegando a ressignificar as histórias, fugindo do original para trazer a um público mais jovem. Como a própria marionete que representa nas histórias, Pinóquio ganhou vida própria e ultrapassou seu criador. Muitos leitores sequer conhecem o nome de Carlo Collodi hoje embora consigam descrever perfeitamente o personagem que ele criou.


Na história, Pinóquio originalmente era um toco de madeira senciente. Gepetto lhe deu forma e colocou todo o seu carinho em sua criação. Só que desde sempre, a marionete é bastante desobediente. Frequentemente se envolve em problemas e não respeita lá muito as autoridades. Detesta ir para a escola e quer fazer o que lhe dá vontade. Sem se importar muito com as consequências de suas ações. Por esse motivo, os problemas irão persegui-lo. Ele irá se envolver com uma raposa e um gato que parecem esconder mais do que aparentam ser de verdade. E cada palavra que eles sussurrarem no ouvido de Pinóquio o levará mais longe de Gepetto. Terá colegas de escola que aprontarão todas, desde ir a uma cidade dos burros até insinuarem ver um tubarão no cais. Todas essas coisas enquanto Gepetto morre de preocupação com o seu filho. Poderá a Fada Azul ajudar esse menino a se tornar alguém mais consciente ou tudo estará perdido?


A narrativa do livro é escrita em terceira pessoa, bem no estilo das histórias de contos de fadas. Percebemos algumas fórmulas presentes nas linhas como as coisas se sucedendo em números de três até a resolução ou a magia sendo encarada com naturalidade no mundo. Collodi claramente pensou no início em escrever meros esquetes semanais onde aparecia Pinóquio aprontando alguma, se dando mal e deixando o gancho para a semana seguinte. Há um ponto de virada mais à frente quando a história é preparada para ganhar um livro e é nesse momento que Collodi insere a Fada Azul. Os capítulos são curtinhos, quase como cenas se desenrolando. A escrita é fácil de entender e é repleta de diálogos. Como livro infanto-juvenil, cumpre o seu papel de oferecer uma forma dinâmica de contar histórias e as figuras ajudam o leitor a compreender parte da cena. A segunda parte da história é um pouco enrolada em seu trecho final. Acredito que Collodi não foi capaz de prever a aceitação que seu personagem teria no mercado e tinha organizado a narrativa para acabar em um certo ponto. O que vem depois disso parece ter sido escrito de forma improvisada, então determinados acontecimentos se repetem, temos algumas cenas mais enroladas do que poderiam ser. O que posso destacar de positivo nessa segunda parte é que Collodi amarra bem alguns acontecimentos que se sucederam no comecinho da história e haviam ficado meio sem solução.


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Esse Pinóquio é bem diferente do menino ingênuo trazido pela Disney e que se popularizou. O Pinóquio de Collodi é preguiçoso, interesseiro e malandro. Não se incomoda nem um pouco em mentir para alcançar os seus objetivos. Tem algumas cenas bastante violentas como ele atirando um objeto e matando o grilo falante. Ou quando ele pega o dinheiro que era para ter sido usado para comprar um agasalho para Gepetto e ele pega e vai assistir algo divertido. Há traços da ingenuidade que vai lhe ser inserida depois como ele acreditar que se enterrar moedas vai conseguir fazer nascer uma árvore de moedas. O protagonista vai começar a evoluir depois que suas más ações o levam quase ao fundo do poço. Aos poucos, Pinóquio vai aprendendo sobre os valores da vida, o que faz com que ele se aproxime do sonho de se tornar um menino de verdade. Só que sua curva de aprendizado é bem grande e mesmo quando o leitor imaginar que ele aprendeu finalmente as coisas, ele volta a cometer erros.


O que vemos no livro é uma visão bem cética a cerca da inocência infantil. Collodi coloca situações em que Pinóquio mesmo se coloca que são complicadas. E o personagem faz isso de maneira bastante consciente. Sinto que hoje existe um certo pudor na hora de fazer com que personagens infantis sejam capazes de ações malignas. Na leitura de Menina Má, de William March, a gente vê outro exemplo de uma protagonista infantil capaz de realizar inúmeras atrocidades. São situações que não pertencem a um escritor maquiavélico ou alguma coisa do tipo; já presenciei situações como essas com meus alunos. Às vezes eles aprontam coisas em que estão conscientes do mal que estão fazendo. Os objetivos podem ser vários. Pinóquio quer viver a boa vida, sem precisar estudar ou assumir quaisquer obrigações. O que acontece com ele no fim da primeira parte (que é um final bem trágico) é o resultado do que ele havia aprontado até ali. Se Pinóquio tivesse sido consciente e seguido os conselhos daqueles que se importavam com ele, não teria se posto naquela situação. Os escritores precisam parar de romantizar demais a infância.


Collodi é bem satírico em diversos trechos. Isso fornece leveza ao que em alguns momentos são cenas bastante pesadas. A morte do grilo falante é tratada com tamanho desinteresse que chega a assustar. Parece uma cena de filme pastelão, mas foi um martelo arremessado em um suposto companheiro mágico que foi esmagado como um inseto. Ou o protagonista sendo perseguido por toda a noite por assassinos na floresta que queriam matá-lo e tomar o que era dele. E terminou do jeito que terminou. Mais à frente se tornarem escravos de um comerciante que tirava vantagem de meninos que tolos que desobedeciam os pais. Apesar da leveza e até da forma engraçada com a qual apresenta o senhor, a situação é bizarra: é um sequestro onde os garotos são levados a um lugar onde se tornarão meio de sustento desse senhor que os venderá a outras pessoas para serem usados como trabalhadores compulsórios. Tem nada bonitinho aqui não, exceto a belíssima edição da Wush. Talvez essa maneira tão "in your face" de descrever as coisas foi o que deu ao trabalho de Collodi a projeção que ele teve na época.


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O livro não tem uma narrativa brilhante porque ele não foi pensado para ser uma obra longa. Collodi é que vai transformar posteriormente a obra em algo mais homogêneo. Há problemas de ritmo na história e de situações que se repetem. Alguns personagens são deixados de lado para que o autor possa mostrar a próxima situação, algumas vezes sumindo sem explicação do cenário. Contudo, assim como O Mágico de Oz, de L. Frank Baum, gostei bastante da obra de Collodi. Dá para entender por que a Disney rapidamente adaptou a obra para o cinema. O personagem é fascinante e remete a nós quando somos crianças. Sua personalidade se encaixa perfeitamente a meninos da idade dele, que aprontam, querem brincar e tudo o que mais desejam é ficar longe da escola. As lições da vida lhe são apresentadas à medida em que ele vai sofrendo dissabores e percebendo que sua existência não é apenas dele, mas de todos aqueles que estão ao seu redor. Certamente é um daqueles livros atemporais que mesmo daqui a muitos anos ainda estaremos discutindo sobre sua magia e seu alcance nas gerações mais novas.


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Ficha Técnica:


Nome: As Aventuras de Pinóquio

Autor: Carlo Collodi

Editora: Wish

Tradutora: Roseli Dornelles

Número de Páginas: 256

Ano de Publicação: 2022


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As histórias tomam um desvio para o bizarro nessa edição onde Jimmy Olsen e a gangue precisam lidar com Feioso Mannheim. O Sr. Milagre precisará de todas as suas habilidades para escapar da armadilha mortal do Dr. Bedlam. Os Novos Deuses foram capturados por Desaad e somente o poder de Sonny Sumo poderá ajudá-los.


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Sinopse:


O retorno do Guardião! A chegada de um famoso comediante (?!) à batalha pela Terra! A Povo da Eternidade capturado! A morte de um novo deus! A estreia de Sonny Sumô! Momentos consagradores da maior realização nos quadrinhos do Rei Jack Kirby. agora nas bancas pela Panini Comics!





Essa edição é um bichinho complicado de comentar. Isso porque ela é uma edição com alguns números que não envelheceram bem ao longo do tempo. E o Kirby decididamente tem uma mão ruim para comédia. Temos várias histórias que flertam com o nonsense e com piadinhas que deveriam ser engraçadas na época em que foram publicadas, mas hoje só parece piada do Carlos Alberto na praça. Ao mesmo tempo é uma edição bastante importante ao introduzir duas figuras do cânone do Quarto Mundo: Mannheim, um dos cabeças da Intergangue e a Grande Barda, a eterna parceira romântica do Senhor Milagre. Tem também o Sonny Sumo, mas me recuso terminantemente a entender isso como importante. Enfim, é uma edição que parece uma salada mista de histórias com os destaques ficando para os Novos Deuses e para o Senhor Milagre.


A arte dessa edição está bem feitinha e é aquele suco de Jack Kirby que já estamos acostumados. Fiquei pensando em algum destaque e até tem alguns, mas percebi que o autor deu uma pisada no freio aqui. Só para não deixar o espaço sem comentar nada, queria falar da noção de tempo e espaço do autor, algo que nem sempre é comentado. Nesse sentido, ele é parâmetro para qualquer artista que esteja iniciando no mercado. Seus quadros tem uma ótima noção de onde os personagens se situam e quais as suas ações. Isso porque não basta pensar apenas naquele quadro específico mas onde o personagem estará nos próximos. O personagem A faz X e vai parar em Y, e o personagem B reage a A e vai estar em Z. O leitor ao observar a cena consegue entender bem o que está acontecendo e imaginar a cena em sua cabeça. Por essa razão os quadros de Kirby são realmente sequenciais porque a gente os entende como uma grande sequência de ação. Alguns autores tem dificuldade em posicionar espacialmente os seus personagens e o que eles farão nesse espaço de tempo. Principalmente quando começamos a lidar com vários personagens por cena. Ter essa noção espacial exige experiência e por mais que você não consiga atender precisamente a todos os parâmetros da física de movimento, posicionar a câmera no quadro pode ajudar a esconder as falhas. Já vi algumas cenas em quadrinhos das duas grandes nos dias de hoje em que existem falhas sequenciais a todo o momento ou movimentos que seriam impossíveis de serem executados dados a distância ou a posição. Kirby é um mestre em sequenciamento de cenas.


Como na resenha anterior, começo pela história que mais gostei, a dos Novos Deuses. Adoro como o Kirby decide colocar uma cena maravilhosa em sua revista apenas porque sim. As duas primeiras páginas mostram Metron e Esak explorando uma terra pré-histórica em que os homens os estão perseguindo com tacapes. Isso redunda em uma splash page lindíssima com uma perseguição e criaturas enormes com dentes afiados e tacapes. Ver escala, cores, fundo... é um espetáculo à parte. A cena toda é só para que Metron receba uma bronca do Pai Celestial dizendo que um dos Novos Deuses foi morto na Terra. Seagrin foi morto em circunstâncias misteriosas e Órion e seus aliados partem para ir descobrir o que aconteceu com ele. A única coisa que eu não entendi nessa edição foi a participação "especial" do Corredor Negro. Algo que não fez sentido nenhum e não avançou nada na história. E nem foi uma cena legal. Ok, segue o jogo.

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Essa foi uma edição focada principalmente nos aliados do Órion. Depois de terem sido resgatados em Apokolips, acabaram ficando meio em segundo plano e me questionava qual seria o papel deles ali. Se eles seriam mais para colocar o Órion mais próximo da humanidade ou se seriam algum tipo de espiões. Alguns deles começaram a se questionar se valia a pena continuar nesse jogo mortal com criaturas além de sua imaginação. Darkseid é um ente universal e seus aliados são capazes das maiores atrocidades. Mas, Kirby usa o roteiro de forma inteligente e enquanto os coloca questionando seus papéis, os faz atuar. Seja a mulher empregando gás do sono nos seguranças do local onde Órion iria invadir ou o senhor fazendo as vezes de representante da "gangue do O'Reilly". Bom uso de personagens que poderiam ser coadjuvantes extremos e nos faz pensar se não vai haver alguma traição ou abandono no meio dessa guerra de atrito entre os Novos Deuses e Darkseid.


Outra boa história dessa edição é a do Senhor Milagre e nela ele se vê precisando encarar algumas tretas de seu passado. O inimigo da vez é o Dr. Bedlam, um ser que não tem forma e precisa de seres conhecidos como os Animados, criaturas que são como tábula rasas e servem para que Bedlam tenha uma presença física. Bedlam é um especialista em manipulação mental e isso pode ser um calcanhar de Aquiles para alguém como Scott Free que precisa ser capturado fisicamente para poder fazer suas fugas espetaculares. Bedlam convida Milagre para um desafio direto: ele vai até o andar mais elevado de um edifício para encarar seu algoz e precisa chegar ao primeiro andar, atravessando o saguão para vencer. Mas, claro que isso não será uma tarefa simples já que Bedlam infecta todos no prédio com a fumaça vinda das pílulas da paranoia.


As tramas que Kirby cria para o Senhor Milagre são muito criativas. Imagina ter que pensar no roteiro para um personagem cujo superpoder é escapar de armadilhas, como Harry Houdini. Como seguir criando fugas mirabolantes para esse cara e continuar mantendo o interesse do leitor? Nessa edição, Kirby vai ter umas explicações meio malucas e tecnológicas, mas mesmo assim ele consegue se sair bem no geral. Um dispositivo narrativo que parece ter se tornado padrão nas histórias é a de Scott Free explicando suas fugas para o Oberon. Essa edição também serve para introduzir a Grande Barda e tivemos mais alguns elementos do passado de Free em Apokolips. Parece que ele era treinado para ser mais um dos acólitos de Darkseid e estava sob a tutela de Vovó Bondade. Existem ainda muitas lacunas e o autor vem preenchendo-as uma por uma. Já dá para perceber que teremos algum tipo de grande revelação nas próximas edições.


Embora não tenha curtido tanto as duas edições de o Povo da Eternidade, preciso admitir que Kirby é muito criativo ao criar cenários bizarros. Esse parque de diversões do terror criado por Desaad tem coisas bem bobas, mas mesmo assim diverte ao nos mostrar como o personagem encara a questão do medo e da maldade. Na edição, os membros do Povo da Eternidade estão presos em armadilhas maléficas as quais eles não são capazes de sair. Desaad quer absorver toda a energia vinda do medo para usar para seus propósitos escusos. Desaad chega até a tentar destruir a caixa materna que acaba indo parar nas mãos de Sonny Sumo, um descendente de grandes guerreiros do passado e que agora usa suas habilidades para ganhar uma grana na indústria cinematográfica. Mas, ele ouvirá o chamado da caixa materna? E como Kirby estava em uma fase meio engraçadinha, ele decide colocar Darkseid junto de dois transeuntes que perguntam se ele está usando alguma fantasia para participar em um filme. Darkseid dá um trocadilho e assusta uma garotinha que sai correndo junto com o seu pai. Esse é o vilão que queremos, não é?


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Essa edição de o Povo da Eternidade é meio maçante porque boa parte das duas edições se passa com Desaad descrevendo as maneiras criativas com as quais ele está torturando seus cativos. Com direito inclusive a uma ceninha bizarra da Belos Sonhos em uma lápide de vidro com outras pessoas a cobiçando. Uma paródia cruel da lenda da Branca de Neve. No fundo, Kirby faz uma crítica à sociedade de espetáculo que observa a tudo de forma estática quando situações horríveis podem estar acontecendo. A visão da Belos Sonhos de figuras monstruosas rondando-a é uma metáfora bem interessante aos dias contemporâneos. Sonny Sumo, para a minha infelicidade, vai ter uma participação importante nos próximos números por conta de uma descoberta que eles fazem quase no final deste volume.


A pior história dessa edição é a do Jimmy Olsen. Eles foram capturados na edição passada pelos asseclas de Mannheim e são levados a um esconderijo onde são expostos a um pó que vai causar a morte deles em vinte e quatro horas. Só que no meio de tudo isso temos Goody Rickles, uma paródia de um comediante polêmico da década de 1970 chamado Don Rickles. Imagina um cara gordinho e calvo de meia idade usando uma capa amarela e um uniforme roxo, fazendo piadas bizarras por duas edições. É isso aí. Teoricamente ele deveria ser o alívio cômico da história, mas meu deus... E isso porque preciso destacar a introdução de Mannheim, um vilão que vai ser bastante usado principalmente nas histórias do Superman. O cerne da história é o Guardião saindo em busca da Intergangue para conseguir um antídoto para a condição deles. Clark Kent é enviado em uma nave a uma outra dimensão (aliás, uma linda cena em página dupla do Kirby). Lá temos o encontro do Superman com um dos Novos Deuses, Lightray. Um ponto dessa edição é que começamos a ver cruzamentos entre essas histórias. No todo, é uma edição mediana com algumas histórias de destaque e uma arte que é de outro mundo. No mais, temos algumas boas ideias e um senso de humor discutível da parte do autor.


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Ficha Técnica:


Nome: Lendas do Universo DC - Quarto Mundo vol. 3

Autor: Jack Kirby

Arte-Finalista: Vince Coletta

Editora: Panini Comics

Tradutor: Marcelo Galvão

Número de Páginas: 176

Ano de Publicação: 2019


Outros Volumes:

Vol. 1

Vol. 2

Vol. 4


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Santiago Santos mostra toda a sua versatilidade em histórias curtas que são pequenas doses de genialidade. Desde acontecimentos inusitados, passando por situações insólitas, momentos de reflexão e até cenários fantástico, tudo é possível. Venham conhecer as ficções relâmpago de Baguncinha.


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Sinopse:


Narrativas curtas, minicontos, ficções breves, ficções relâmpago: Baguncinha é um apanhado de 40 desses contos enxutos que Santiago Santos publicou ao longo dos anos no flashfiction.com.br. Os temperos variam: uma cabeça que prevê os nomes dos mortos, um pirata que negocia seus últimos dias, um detetive sobrenatural resolvendo perrengues no interior mato-grossense, a árvore genealógica de um açougue, famílias assombradas pela saudade, um gerente de hotel sistemático e nada humano, um tubarão de rio de estimação, o mercado imobiliário espiritual e suas negociatas, futuros distópicos a rodo, fatias duma Cuiabá contemporânea… Costurando gêneros, formatos, vozes narrativas e ambientações diversas, Baguncinha abre o mapa dum microcosmo literário radioativo e percorre suas vielas.






Para quem não conhece, ficção relâmpago é um tipo de narrativa que possui mais ou menos entre 1000 a 1500 palavras. São textos bem curtos no qual o autor busca ser bem direto e objetivo na forma como apresenta sua história. O Santiago Santos é um dos autores que mais estimularam esse tipo de histórias aqui no Brasil e eu conheci esse formato narrativo através dele e da Jana Bianchi. Me senti bastante honrado quando o Santiago insistiu em me enviar uma cópia do seu trabalho mais recente. Como alguém que curte histórias curtas, fui premiado com dezenas delas de uma só vez. E até já peço minhas devidas desculpas porque é muito difícil avaliar, pôr uma nota ou quantidade de estrelas nesse tipo de produção. Isso porque é impossível alguém gostar de todas as histórias. E até para avaliar histórias curtas é complicado. Porque tem temas ou estilos de escrita que vão agradar a um público X ou Y. Então é normal que o leitor de uma coletânea como essa diga que não curtiu essa ou aquela história que pode ser uma que eu curti. Totalmente normal. Segundo ponto que queria trazer neste começo é que recomendo que os leitores não leiam de forma linear o livro. Tirando uma história que tem como personagem um cenário ao estilo Japão medieval, todas são histórias fechadas e com personagens específicos. Dá para ler fora de ordem, uma ou duas por vez. Fica a critério. Eu costumava ler três contos por vez antes de começar um dia de leituras. Como um aquecimento. Em algumas oportunidades aconteceu de os contos do Santiago serem melhores no fim do dia do que aquilo que havia me colocado como meta.


Vou me concentrar em alguns pontos da escrita do Santiago para fazer algumas comentários e usar algum conto como exemplo. O autor não empregou um gênero específico ou uma temática específica conduzindo o livro. A gente até consegue ver alguns temas que se repetem como a incompreensão, o preconceito e a violência, mas via de regra os textos são bem variados. Gosto de como ele visualiza o gênero fantástico. Como um bom latino, a fantasia está presente nas coisas cotidianas e não é o foco da história. Ela está presente ali e seus personagens, quando provocados, entendem o maravilhoso como normal. Em Baldo e a ponte, o protagonista é chamado pelo prefeito da cidade para buscar entender o que tem de errado com o rio. Após não ter sucesso com as deduções normais, o personagem acaba por entender que ali naquele lugar se escondia uma força sobre-humana que estava presa ali por algum motivo. O personagem passou para esse raciocínio de uma maneira bem natural. Não havia nenhum mistério que levasse ao fantástico, pois ele fazia parte do conjunto de ideias que cercavam o seu pensamento. O resultado final é bem interessante porque te dá uma conclusão satisfatória ao mesmo tempo em que abre um leque de possibilidades.


E esse é outro aspecto bacana da escrita do Santiago. Ele não testa a inteligência do leitor. Por vezes alguns elementos narrativos ou até mesmo o final é deixado em aberto para que possamos interpretá-lo. E a partir daí existem inúmeras possibilidades. Em Das Formas de tutorar árvores vemos o dilema de Juquinha que está sendo empurrado por seu partido para se candidatar a prefeito após muitos anos sendo vereador. E fazemos uma jornada reflexiva por suas memórias vivendo em Boa Esperança. Ao longo de sua caminhada por seu reduto eleitoral, o personagem vai buscando sua identidade no meio de uma difícil escolha a ser feita. A partir dessas informações o leitor pode construir o que pode ter acontecido ao personagem após essa caminhada. Nos apropriamos do personagem criado por Santiago e damos a ele a nossa própria jornada. Mas, isso só foi possível porque o autor criou um personagem bem delineado, mas fez o leitor se tornar participativo na escrita da narrativa.


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Quando o Santiago acaba escrevendo ficção científica o resultado sai bem único. Dora faz parte da tripulação de uma nave que está em busca de água em um setor remoto da galáxia. O narrador aproveita para contar como a personagem foi resgatada de quase ser morta e de como mudou todo o seu aspecto e possui uma nova vida. Se trata de um personagem de orientação queer que é apresentado ao leitor com bastante naturalidade. Mas, o que busco trazer é como o autor dá uma identidade própria à sua maneira de escrever scifi. Não é o gênero que conduz a sua pena, mas o direcionamento que ele dá à história e ao que ele quer trazer que fornece um gênero específico ao conto. Parece estranho dizer isso, mas canso de ver autores que entendem que um gênero como terror, fantasia ou scifi direciona o que eles pretendem fazer. Como uma lista onde o autor precisa verificar uma série de características como ter uma nave espacial, ter armas laser, se passar no futuro. E nem sempre precisa ser assim. Posso escrever um scifi por acidente ou algum elemento calhar de ser scifi porque é o que se encaixava melhor dentro do meu objetivo inicial.


Mas, antes de finalizar preciso dar uma passada rápida em Do Adestramento Útil de Vizinhos. E já recomendo àqueles que tem medo de insetos para ficarem longe dessa história. Porque vai dar aquele calafrio básico no leitor. Afinal, a narrativa é contada do ponto de vista de uma... aranha. Com suas patinhas percorrendo os espaços e vendo estes seres gigantes que são os seres humanos tocando suas vidas. Achei genial a mudança de escopo e a forma como Santiago apresenta como o seu protagonista enxerga o mundo. Claro que tem uma ligeira reviravolta bizarra nessa história e eu a consideraria quase como uma história situada no gênero new weird. Fato é que é um dos melhores contos da coletânea e é um dos mais curtinhos dentre todos. Costumo dizer que se você quer conhecer a habilidade de escrita de um autor, estude sua ficção curta. É lá que vemos o quanto o autor é capaz de comprimir seus pensamentos, usar todas as suas ferramentas de escrita e prender a atenção do leitor. Em uma ficção relâmpago, é preciso ser certeiro, caso contrário você perde linhas preciosas.


Baguncinha é uma bela baguncinha; estranha, divertida, caótica. Santiago consegue mostrar porque ele é um indivíduo que se especializa nessa maneira única de contar histórias. E ele faz isso com maestria apresentando histórias que vão desde ficções de gênero, passando por relatos policiais e até pequenas pílulas de pensamento que nos prenderão ao livro buscando ler um conto a mais. Se você ainda não conhece esse estilo, vale bastante a pena e pode ser uma daquelas pérolas escondidas no meio de tantas leituras. Para mim é um livro que surpreende, e que mostra o quanto é legal quando um autor se desafia a produzir alguma coisa que teste suas habilidades. O que pode sair daí é algo que surpreende até mesmo quem o escreveu.



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Ficha Técnica:


Nome: Baguncinha

Autor: Santiago Santos

Editora: Arcada

Gênero: coletânea de microcontos

Número de páginas: 134

Ano de Publicação: 2023


Link de compra:


*Material recebido em parceria com o autor












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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. 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Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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